Testes para Estrangeiros em Processos Seletivos no Brasil

Um dia, meu marido leu em um artigo na internet que a cada 100 empresas, 89 delas se utilizam de algum tipo de teste na hora de recrutar. Isso foi algo que constatamos na prática, quando ainda estávamos nos familiarizando com os processos seletivos no Brasil. Acho que ele já fez todos os testes possíveis e imagináveis desde então, sem brincadeira.

O primeiro teste que fizemos (sim, eu e ele) foi online para uma vaga de trainee (já comentei sobre isso aqui), que contava com provas de português, inglês e conhecimentos gerais. Respondi, por motivos óbvios, as provas de português e conhecimentos gerais, que eram em português, e a prova de inglês fizemos juntos.

Depois desse primeiro, começaram a aparecer vários outros testes de inglês e raciocínio lógico, também online, em especial para vagas de emprego anunciadas no site Vagas.com. Nesse caso, só de clicar no ícone “candidatar-se”, automaticamente abria uma “janelinha” para a resolução do teste online e somente depois de resolver o teste é que aparecia o ícone para “confirmar candidatura”. Os testes online nesse site de procura de emprego são todos cronometrados. A prova de inglês geralmente é aplicada em vagas que exigem inglês de avançado a fluente, e a prova de raciocínio lógico em geral é aplicada para vagas técnicas, em especial na área de exatas. Antigamente, esses testes se repetiam, e era necessário resolvê-lo toda vez que se aplicava para diferentes vagas que o requeriam. Houve um mesmo teste de inglês que resolvemos pelo menos umas três vezes, igualzinho. Hoje em dia, os testes de inglês e raciocínio lógico são resolvidos apenas uma vez e têm validade de seis meses. Apesar de mais prático, prefiro o sistema anterior, que permitia melhorar o desempenho a cada resolução.

Para resolver o teste de raciocínio lógico, meu marido copiava e colava os enunciados no Google Tradutor para agilizar, uma vez que são testes cronometrados. No começo, ele copiava porque não entendia quase nada mesmo. Com o passar do tempo, quando começou a entender, continuou no ctrl C – ctrl V para poder resolver o exercício mais rapidamente, já que o tempo é bem limitado para a resolução.

O primeiro teste em folha de papel que ele teve de resolver pessoalmente, durante uma entrevista, era um teste de raciocínio lógico e de conhecimentos técnicos específicos. Na segunda parte do teste ele não foi bem, porque seu conhecimento sobre o assunto era meio fraco, mas a parte de raciocínio lógico ele tirou de letra. Coincidentemente, depois desse primeiro teste presencial muitos outros vieram, por isso o trabalho de procurar emprego acabou ficando dobrado, pois além de se preparar para a entrevista em si, ele ainda tinha que se preparar para os testes. Ele precisou, então, estudar cálculos e resolver listas de exercícios por horas. Bem dizem que procurar emprego é o próprio emprego da pessoa, só que sem remuneração, porque há muito a se fazer, consome boa parte de seu dia e você fica cansado como se estivesse saindo para trabalhar.

Desde que chegou ao Brasil, ele já fez tudo um pouco durante os processos seletivos, incluindo testes psicológicos, redações do tipo “fale-me sobre você” em português e inglês, ou então “descreva suas experiências profissionais”, além de muito preenchimento de formulário à mão, mesmo que o recrutador tenha uma cópia do currículo em mãos. Acho que de todos os testes que ele já fez, só faltou mesmo teste de urina, de fezes e de resistência física rs…

O mais longo e extenuante teste que ele fez presencialmente durou quatro longas horas e incluiu teste de raciocínio lógico, matemática básica, português, além de dois testes aplicados no computador usando o Word e o Excel. Esses testes no computador e o teste de português nos pegaram de surpresa naquela ocasião. Primeiro o de português que, por incrível que pareça, foi a primeira vez que ele teve que resolver durante um processo seletivo. Até então eram apenas testes online de inglês. Os testes no Word e no Excel também foram novidade, se eu fosse a candidata, já teria dançado bonito no Excel, pois só sei fazer planilha podre, pior do que básica. Além de todos esses testes, ele também teve de preencher um formulário, falar um pouco sobre ele e no dia seguinte, depois da entrevista com o recrutador, ele precisou que resolver um teste psicológico, daqueles de ficar desenhando palitinhos em uma folha branca.

A grande questão é, se o português do sujeito for ruim (já falei um pouco sobre isso aqui e aqui), como é que vai poder participar de variados processos seletivos? Não sei quanto às empresas pequenas, mas há uma grande possibilidade de as grandes, ou as melhores, aplicarem algum teste de seleção. Então, não tem jeito, com um português ruim, as chances diminuem mesmo. Por isso bato sempre, sempre, sempre na mesmíssima tecla, façam seu companheiro estudar português e tudo o mais que seja necessário, é o único jeito de se dar realmente bem por aqui, não tem jeito, não tem segredo, não tem nada, é isso aí e fim de papo. Uma pessoa sem português é praticamente um ninguém, a não ser que se tenha muito contato para fazer e acontecer, mas partindo da premissa que não se tem, aí é com vocês. Como nós não temos, sempre nos descabelamos para fazer as coisas acontecerem do jeito tradicional mesmo. O jeito é trabalhar, estudar e continuar tentando, sempre melhorando, até que se chegue à perfeição, o resultado positivo será consequência.

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Estrangeiros Procurando Emprego com Português Básico

Após as três primeiras experiências mal sucedidas de ligação para entrevista de emprego para meu marido e também considerando o alerta de uma pessoa próxima, decidimos dar um tempo nos envios de currículo. Ficamos com medo de queimar um currículo tão bom que tínhamos em mãos, tudo por causa do português horrendo dele, que estava de dar vergonha. Aquilo não poderia ser chamado de português básico de tão ruim que estava.

Foi então que ele começou a levar os estudos de português mais a sério. Ele já havia desperdiçado seis preciosos meses pensando na morte da bezerra e acreditando que seu inglês daria conta. Muito intimamente, pensei que foi muito bem feito o baque que as três primeiras ligações surtiram nele, foi uma boa lição. O excesso de confiança, devidamente disfarçado, e um ego um tantinho inflado, foram os responsáveis por tamanha negligência com o idioma. Já falei para vocês que não foi por falta de aviso e nem estímulo de minha parte que isso aconteceu neste post aqui. Hoje ele se arrepende muito de ter se negado a frequentar as aulas de português para estrangeiros da universidade federal de meu estado. Desde a sua chegada, ele estava crente que daria conta sozinho. Talvez até conseguisse, mas faltou disciplina e vontade, como já contei em outra oportunidade. É fato notório que aprender português é demorado, sim, até pegar fluência demora, em especial se a pessoa não for dedicada.

Como era fim de ano e época das festas, achamos razoável fazer uma pausa no envio dos currículos nos meses de dezembro e janeiro. Dezembro não é um mês em que se rende muito o trabalho das empresas de recursos humanos. Tirando as vagas temporárias por causa do frenesi do Natal, em geral tudo anda bem mais devagar por conta das festas. Janeiro é o melhor mês para intensificar o envio de currículos, apesar de ser tradicional período de férias. Muitas empresas contratam, mas não sei o motivo de o mercado de trabalho se aquecer nesse mês, apenas sei que é assim. Ainda que fosse uma época boa para o envio de currículos, continuei com a pausa exclusivamente por causa do português ruim de meu marido.

Isso tudo só reforça a minha ideia de que a atitude mais sensata e imediata que um estrangeiro deve tomar, ao desembarcar no Brasil para ficar, é mergulhar de cabeça no idioma, não tem jeito. Que frequente um curso de português, que fique em contato direto com as pessoas e situações, e que evite o inglês a todo custo, por mais difícil que seja. Se o currículo é bom, eles ligam, sim, independente da nacionalidade da pessoa, mas se o português for ruim, eles despacham mesmo, sem dó e nem piedade. É claro que deve haver casos em que os recrutadores não chegam nem a ligar para agendar entrevista única e exclusivamente por se tratar de estrangeiro, mas é certo que o estrangeiro receberá ligações se tiver um currículo bem escrito e uma experiência bacana que corresponda aos requisitos da vaga. Pode ser que não receba muitas ligações, mas uma ou outra, de tempos em tempos, eu garanto que receberá. Por via das dúvidas, é melhor eliminar a informação quanto a nacionalidade do estrangeiro do currículo e deixar que os selecionadores descubram isso mais tarde e não já de cara, pois assim aumentará as chances de ele ser chamado para entrevista. Claro que nas fases seguintes não haverá mais como disfarçar, mas pelo menos ele teve a chance de ser visto e avaliado por suas qualificações e não sumariamente eliminado por ser estrangeiro. Entretanto, esse tipo de informação não pode ser eliminada em sites de recursos humanos tais como a Catho e o Vagas, então é uma dica que vale apenas para os currículos que sejam enviados por e-mail às empresas e/ou selecionadores.

Então, para tirar maior proveito dessas ligações, faça seu parceiro estudar. É chato, mas necessário. Quanto ao intervalo sem emprego que vai ficar no currículo, isso é o de menos. Bem explicadinho, o recrutador vai entender a situação, é só deixar muito claro que não se trata de um caso clássico de desemprego por incompetência, preguiça ou o que quer que seja, mas sim de um estrangeiro em fase de adaptação, em um novo país e que esse intervalo no currículo é absolutamente normal nesses casos. Também enfatize a dedicação aos estudos nesse meio tempo, é importante mostrar que seu estrangeiro não está só coçando em casa, sem fazer nada e frisar que ele está interessado, adquirindo conhecimentos e enriquecendo o currículo com cursos. Isso causa uma ótima impressão, uma vez que os recrutadores sempre perguntam o que ele esteve fazendo no período sem emprego. A ideia é passar a impressão de uma pessoa que não fica estagnada, que procura desenvolver suas competências profissionais e pessoais, e que quer evoluir.

Resumindo, minha dica é, se o português de seu parceiro estrangeiro é do tipo sofrível, dê um pouco mais de tempo antes de mergulhar de cabeça na procura por emprego, ou será apenas desperdício de energia, já que ele não será capaz de converter ligações em entrevistas e entrevista em emprego.

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Primeiras Ligações para Entrevistas de Estrangeiros no Brasil

Mais ou menos um mês depois de começar a cadastrar o currículo de meu marido em sites de recursos humanos e candidatá-lo às vagas que tínhamos interesse, ele recebeu as primeiras ligações. Sim, no plural mesmo, pois foram três ligações em pouco mais de um mês (o que significa que o currículo que elaboramos estava cumprindo sua função).

O procedimento para receber tais ligações foi muito simples e sem custo algum (não esqueçam que boas empresas de recursos humanos não cobram nada do candidato). Apenas recapitulando, simplesmente cadastrei o currículo do meu marido em diversos sites de recursos humanos e no máximo de sites possíveis. Depois o candidatei às vagas em que ele atendia aos requisitos, pelo menos grande parte deles, porque mandar o currículo por mandar para qualquer vaga não adianta, os recrutadores simplesmente descartam. O recrutador analisa tudo isso, avalia seu perfil e se o selecionar para entrevista, significa que o candidato atende a grande parte dos requisitos da vaga e eles têm grande interesse em conhecê-lo pessoalmente.

O grande problema nas primeiras três ligações, em nosso caso, foi o “maravilhoso” português de meu marido à época. Quando ligaram pela primeira vez – apesar de eu ter ficado super feliz pelo fato de o currículo de meu marido ter despertado interesse e ter começado a apresentar resultado, eu é que tive que atender a ligação e conversar com a recrutadora, pois meu marido sequer tinha condição de falar português pessoalmente, imagine ao telefone. Quem ligou foi a estagiária de RH, que foi muito simpática, diga-se de passagem. Expliquei a situação a ela e disse que ele não poderia falar ao telefone por ter um pouco de dificuldade de compreensão durante a ligação. Imagine só, “um pouco de dificuldade”, que piada, né? Sim, eu menti. Não me sentia confortável fazendo isso, mas era a única alternativa. Com o tempo, se você passar por essa situação, vai acabar aprendendo a improvisar para conseguir uma entrevista e foi pensando exatamente assim que acabei falando aquilo para a estagiária. Nada foi premeditado, simplesmente aconteceu, pois o que eu queria mesmo era a dita da entrevista pessoalmente na esperança de que alguém falasse inglês na agência.

A mocinha falou um pouco sobre a vaga, perguntou se meu marido tinha interesse e me informou que ela teria que conversar com a supervisora. Mais tarde, a supervisora retornou a ligação perguntando qual era o nível de português dele. Acho que eu respondi que era de básico a intermediário. Menti de novo.

Apesar de a vaga indicar inglês fluente como requisito, a supervisora disse que teria de conversar com a empresa contratante primeiro para ver se eles teriam interesse. Caso tivessem, ela ligaria novamente. É óbvio que nunca recebemos ligação alguma, mas tudo bem, encarei como um teste prático mais para analisar como os recrutadores se comportam ao telefone, o que costumam perguntar, etc. Há um padrão bem fácil de assimilar.

Algumas semanas depois, acho que, no máximo, um mês, recebemos outra ligação. Novamente tive de falar com a recrutadora e explicar a situação. Mas dessa vez não deu certo, ela logo nos descartou, porque, para a posição, falar português era mandatório. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Para meu marido foi bom, pois ele começou a tomar consciência de sua situação em relação ao idioma. Já falei anteriormente sobre o corpo mole que ele estava fazendo para aprender português nos seis primeiros meses no país. Essa ligação fez com que ele ficasse um pouco preocupado, em especial porque viu que o currículo que elaborei estava atingindo seu propósito, mas o seu desempenho durante as ligações não.

Poucas semanas se passaram até que ele conseguiu, finalmente, agendar a primeira entrevista. Era a terceira ligação que ele estava recebendo e, felizmente, o recrutador falava inglês também. Ele pôde, enfim, falar pela primeira vez ao telefone para marcar a entrevista. Ele até que se esforçou, tentando fazer uma mistura de inglês com português, mas muito mais inglês, é óbvio. Na hora de anotar o endereço, eu tive que falar com o recrutador.

A entrevista foi agendada para o mesmo dia. Aliás, foi a única oportunidade que isso aconteceu, pois, em geral, eles ligam hoje agendando para amanhã. Meu marido foi correndo fazer a barba, mas como não estávamos esperando ligações para entrevistas em tão pouco tempo, não tínhamos a roupa adequada para a situação. Então, ele vestiu jeans, sapatênis preto e uma camisa branca de manga curta. Eu disse a ele que a camisa de manga curta não estava ornando muito, mas ele deu de ombros e foi daquele jeito mesmo.

A entrevista foi em uma consultoria de alto padrão chamada Hays. Há vários escritórios espalhados pelo país e as vagas não são operacionais, a maioria é vaga técnica e executiva, uma coisa bem diferenciada mesmo. Foi o escritório de RH mais luxuoso em que estive, e definitivamente o traje de meu marido não foi o mais adequado. O recrutador, inclusive, estava trajando terno.

Apesar disso, ele e o recrutador conversaram por mais de uma hora (detalhe que, segundo meu marido, o recrutador estava mais interessado em matar a curiosidade fazendo perguntas sobre o país e a cultura dele do que qualquer outra coisa). Ao fim, ele disse que meu marido era um forte candidato e que ele faria um lobby com a empresa contratante. Infelizmente, não deu em nada, nem para a segunda entrevista com a empresa ele foi chamado. Eu fiquei com a impressão de que o sujeito só chamou meu marido lá só por curiosidade mesmo, para entrevistar um gringo de origem “exótica” e ver como é que é.

Uma coisa que aprendi, depois de muito tempo, foi não acreditar nas historinhas do pessoal de recursos humanos e nem esperar pela devolutiva do processo seletivo. Simples assim. Se depois de um tempo ninguém te procurou, fica muito claro que você não foi o escolhido, porque ninguém esquece de ligar para o candidato aprovado.

Em suma, não dá para esperar muita coisa das primeiras entrevistas que um estrangeiro dá no Brasil, especialmente por causa do português ruim. Sei de alguns poucos casos em que o estrangeiro conseguiu emprego logo de cara, mas isso aconteceu, em geral, por ser profissional de áreas que pouco importam se ele fala português ou não, como a área de TI/informática, em que se o sujeito tiver experiência e inglês fluente, mesmo com português ruim, estará dentro. Entretanto, casos como esses são minoria, a maioria vai ficar patinando de entrevista em entrevista até que o português melhore consideravelmente.

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A Saga do Curso de Português para Estrangeiro

Em algum momento, eu e meu marido resolvemos que era hora de procurar uma escola de idioma para que ele pudesse aprimorar seu português e pegar fluência. Como eu já comentei no post “Estrangeiro Aprendendo Português“, até então ele era auto-didata, mas muito longe de ser aplicado e por este motivo seu português não estava evoluindo muito. Ele havia empacado, pois estava pegando ódio de estudar português, não aguentava mais olhar para os livros, enfim, já não estava mais disposto a se virar sozinho e a falta de estímulo era total.

Antes de fazer uma pesquisa detalhada de curso de português para estrangeiro em minha cidade, achei que seria interessante conversar em uma escola de idioma perto de casa que tinha o curso disponível. É uma daquelas franquias famosas de escola de idiomas, com propaganda na tevê frequentemente. Pois bem, dei uma ligadinha antes para sentir o clima. A atendente foi meio vaga na explicação, mas me informou que a escola oferecia o curso regularmente com mensalidades A PARTIR DE R$ 250,00. Oras, sabemos que em se tratando de A PARTIR DE, a chance de ser o dobro mais caro é bem alta, por isso preparei o espírito para escutar que a mensalidade seria algo em torno de R$ 350,00 a R$ 400,00.

Pois bem, lá fomos nós. Logo que chegamos, já sacamos a primeira pegadinha, não havia curso regular de português para estrangeiro coisa nenhuma, era aula particular mesmo – VIP, o que significa que a atendente nos enganou, mentiu apenas para atrair o cliente desavisado.

O rapaz da área comercial, guru das vendas (insira sua risada sarcástica aqui), nos levou a uma salinha reservada para falar, basicamente, sobre valores. Nem inglês o sujeito falava para explicar os termos e condições claramente ao meu marido. Chegou sem o material didático, nem nada e simplesmente jogou os valores básicos do curso em nossas humildes caras. Não houve qualquer preocupação em explicar a parte mais importante, a pedagógica, isso foi simplesmente ignorado. Para encurtar a história, vamos aos valores (exatamente os informados) e sua explicação, porque foi somente isso que o guru explicou e nada mais.

O negócio funcionava mais ou menos assim: o aluno VIP para o referido curso deveria comprar um PACOTE MÍNIMO DE HORAS, que no caso eram 70 HORAS mais o MATERIAL DIDÁTICO, que se resume a alguns livrinhos de conteúdo, outros de exercícios e mais os CDs de áudio. O combo do material didático bem basiquinho saía, naquela oportunidade, pelo precinho módico de R$ 1.164,00 (isso há mais de seis anos, imagine agora). Cursando as aulas à noite, a hora-aula custaria R$ 150,00 (uma horinha apenas) e se cursasse pela manhã ou tarde, a hora-aula teria o valor de R$ 80,00.

A conta ficou assim:

AULA MATUTINA OU VESPERTINA

70 HORAS X R$ 80,00 = R$ 5.600  +   R$ 1.164 (material didático) = R$ 6.764,00

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AULA NOTURNA

70 HORAS X R$ 150,00 = R$ 10.500   +   R$ 1.164 (material didático) = R$ 11.664,00

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E nós ainda poderíamos pagar tudo de uma vez só se quiséssemos! Fantástico, não???  Na hora do adeus, até nunca mais, ainda tive que engolir um aperto de mão mole. Foi muito ódio no coração e fim da história com a maior rede de escolas de idiomas do mundo. Não acho que uma aula vip ao custo de 80 reais seja caro, acho até bem razoável, o que pesou foram as condições abusivas e o péssimo tratamento dispensado a um cliente em potencial. A forma como tudo foi conduzido, a falta de uma apresentação decente do curso e do método, as condições de pagamento impostas, fora a mentira que contaram em relação à existência de um curso regular de português para estrangeiros, quando na verdade não existia, tudo foi muito abusivo e enganador.

É por isso que eu repito, procurem curso de português para estrangeiro em universidades federais, que possuem ótimos cursos e com preços super justos. Não caiam na cilada de escolas de idiomas caça-niqueis, Hoje em dia, há inúmeros institutos que ensinam português para estrangeiros, inclusive gratuitamente, com muito excelência e comprometimento. Vale a pena procurar e conferir!

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Estrangeiro Aprendendo Português

Quando meu marido ainda não tinha visto permanente e nem planos concretos de vir morar no Brasil, eu levei comigo, na temporada em que passei morando no país dele, todos os meus livros de inglês dos tempos em que eu fazia curso em escola de idiomas. Achei que o material didático que eu tinha seria útil para ele começar a se familiarizar com o idioma, pois todo o vocabulário, verbos, expressões e a parte gramatical estavam dispostos tanto em inglês como em português. Por ser um método simples e direto, achei que seria interessante para ele.

Ficou combinado, então, que ele estudaria português uma hora por dia, não exatamente todos os dias, mas pelo menos com uma certa frequência, já que ele nem estava no Brasil, então não havia aquela pressão para aprender rápido.

Os primeiros capítulos do livro fluíram bem, líamos o vocabulário juntos, praticando a pronúncia e conhecendo o significado das palavras. Eu também tentava explicar a estrutura gramatical das frases, mas sem o estudo e o conhecimento necessários fica bem difícil. Depois eu ditava as frases em português para que ele as escrevesse em um caderno, para treinar audição e escrita e, por último, eu dava as frases em inglês para ele traduzir oralmente para o português. Mais tarde ele fazia os exercícios do livro sozinho.

Já nas primeiras “aulinhas”, descobri que meu marido é um saco de preguiça e perde o entusiasmo rapidamente. Na terceira aula ele já estava morrendo de tédio e preguiça, sempre pedindo para deixar para depois. Ele mal completou o livro 1 e, até vir para o Brasil, não passou disso, ou seja, não falava nada, não conseguia falar nem uma única frase que fizesse sentido além daquelas que ele decorou. Seu português se resumia, basicamente, a falar “eu gosto”, “eu quero”, “eu como”, “eu bebo” e coisinhas assim.

Chegando aqui, ele demorou para entrar no ritmo. Até cheguei a pesquisar cursos regulares de português para estrangeiro, em especial os cursos de idiomas ofertados em universidades federais, que são ótimos e têm preços super justos (porque, em geral, escola de idioma cobra uma fortuna para ensinar português a estrangeiros), mas meu marido disse que não queria gastar dinheiro com isso e não quis frequentar o curso. Comprometeu-se, entretanto, a estudar sozinho usando os meus livrinhos.

Assim, novamente combinamos que eu o ajudaria com os estudos. As primeiras aulas não foram muito bem, pois ele estava sem paciência e não me deixava explicar as coisas direito, além disso, ele morria de sono toda vez em que pegava nos livros. Comecei a me irritar, pois eu estava muito mais comprometida com os estudos do que ele. Fiz mais algumas tentativas de ajudá-lo, mas diante da sua impaciência, simplesmente desisti.

Ele novamente se comprometeu a levar os estudos adiante sozinho, só que a coisa se deu da seguinte maneiram, ele estudava um dia, dois, no máximo três, ficava de saco cheio e então passava vários dias sem nem olhar direito para os livros. Para agravar ainda mais a situação, ele também não se esforçava para praticar o pouco de português que ele sabia, não queria conversar com ninguém, alegava que não tinha assunto, passava a maior parte do tempo navegando na internet, falando com a família dele, assistindo a notícias do país dele, o que, obviamente, não o estava ajudando em nada. Não preciso nem explicar como eu fiquei irritada com a situação e que brigamos várias vezes por isso. Estava muito difícil para ele entender que o português para um estrangeiro é o como o ar para viver. Ele estava pensando que, com o português tosco dele, que na verdade nem era um protótipo de idioma, e o inglês fluente, ele estaria bem servido e que seria questão de tempo até que um emprego caísse do céu.

E assim a coisa se arrastou por mais de 6 meses, com ele estudando um pouquinho aqui, um pouquinho ali e passando a maior parte do tempo fazendo coisas que não o ajudavam em anda. Mesmo brigando e tentando abrir seus olhos, nada adiantou. Ele só começou a acordar para a vida quando começou a receber as primeiras ligações para entrevistas de emprego e, claro, não entendia quase nada do que falavam ao telefone. Foi então que finalmente percebeu que sem português ele não era ninguém. A partir daí, começou a se dedicar com mais seriedade aos estudos e resolveu que era hora de começar a praticar o português dele conversando realmente com as pessoas. Só assim a coisa começou a progredir. Ele não deixou as notícias do país dele de lado nem por decreto, mas, pelo menos tinha começado a se virar para fazer a coisa acontecer. Meu alívio foi grande e já não precisaríamos brigar tanto por causa disso.

Quase um ano depois de chegar ao Brasil, o português dele ainda não estava bom. Ele terminou de estudar por meio de meus livrinhos e seu nível era, então, um pré-intermediário bem sofrível. Fizemos algumas pesquisas na internet e resolvemos comprar um livro mais apropriado, destinado ao estudante estrangeiro aprendendo português, chamado “Falar… Ler… Escrever… Português”. Definitivamente não é um livro para iniciantes, tem que ter uma base pelo menos e também não sei dizer se é o mais apropriado mesmo ou não, mas meu marido e eu o achamos muito bom e ele progrediu consideravelmente.

Mas a grande verdade é que ele começou a se comunicar em português com mais desenvoltura e independência quando se expôs mais ao idioma, ou seja, quando ficou mais em contato com as pessoas, sem depender tanto de mim e das minhas traduções. A coleção de entrevistas que ele fez e os cursos de aprimoramento na área de formação dele que frequentou foram fundamentais para melhorar seu desempenho também.

A grande virada veio, mesmo, quando ele conseguiu seu primeiro emprego aqui no Brasil, foi lá que ele conseguiu subir um degrau definitivo para alcançar um nível avançado. Atualmente, depois de muitos anos, ele já está bem fluente, conversando com desenvoltura e usando vocabulário e estruturas mais complexas e formais da gramática. Comete, entretanto, muitos erros de concordância e inventa palavras que não existem, mas isso não compromete sua fluência. Acho que falta um pouco de polidez ainda, seu linguajar é, ainda, bastante coloquial.

Resumindo história, minha modesta opinião é, leve seu estrangeiro à força a um curso de português, é a melhor coisa que você pode fazer por ele e por você. Ele se comprometerá e levará mais à sério, em especial por ser algo pago, já que ninguém gosta de gastar dinheiro à toa. Além disso, terá um profissional capacitado para ensinar o idioma com o melhor método, o mais moderno e também eficaz, tirará todas as dúvidas, além de ser uma ótima oportunidade para se socializar. Eu tenho certeza absoluta que é a melhor opção, sem sombra de dúvidas.

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