Sites de RH Pagos para Procura de Emprego para Estrangeiros

Quando o período o qual tínhamos nos programado para dar uma pausa no envio de currículos estava prestes a chegar ao fim, conforme relatei aqui, comecei a pensar seriamente nos passos seguintes. Não que até então eu não tenha agido com seriedade, pelo contrário, sempre estive cem porcento comprometida e levando tudo muito a sério, mas eu ainda estava apenas entrando no ritmo de procura por emprego naquela época. Tudo o que eu publiquei até agora foi, mais ou menos, quase na mesma sequência de acontecimentos. Do momento em que você começa a lidar com procura de emprego, até o momento em que você domina inteiramente como isso funciona, há uma diferença gigantesca. Se eu soubesse tudo o que sei agora desde o início, não só sobre procura de emprego, mas tantos outros aspectos de adaptação de estrangeiro no Brasil, talvez meu marido tivesse conseguido um emprego aqui bem antes. Mas é assim mesmo, sem ninguém para nos orientar, nos guiamos pelo clássico erro e tentativa.

Meu foco era conseguir que meu marido fosse chamado para mais entrevistas aqui no Brasil com chances reais de conseguir emprego. O fato é que eu tive de mudar minhas estratégias. Até aquele momento, eu havia cadastrado o currículo de meu marido apenas em sites de recursos humanos gratuitos, mas há inúmeros outros que são pagos, embora nem todos sejam sérios.

Acho que todo mundo que procura emprego já ouviu falar do site Catho. Trata-se de um site em que se paga uma mensalidade para poder fazer uso de suas ferramentas, mas a equipe Catho quase nunca faz seleção de currículos para as vagas. O site funciona, basicamente, como um banco de currículos online, em que o candidato paga para cadastrar o currículo e as empresas pagam para disponibilizar as vagas no site. As empresas, ao utilizarem-se das ferramentas do site Catho, recrutam os candidatos às vagas diretamente, sem intermediários. E os candidatos, por sua vez, podem se cadastrar à todas as vagas disponíveis a qualquer tempo, ilimitadamente. Vale lembrar que os sete primeiros dias de uso do site são gratuitos, você pode se cadastrar, candidatar-se às vagas durante uma semana sem ônus algum e, findo o prazo, pode decidir se continua com o cadastro, só que agora pago, ou se cancela o serviço definitivamente, não mais podendo fazer uso das ferramentas do site gratuitamente.

Eu achei o site e suas ferramentas bem interessantes e resolvi investir. Escolhi o plano trimestral, por ser mais em conta que o mensal. A opção semestral sai mais em conta ainda. A mensalidade de meu plano trimestral era, então, de R$ 57,90 (atualmente, no ano de 2017, o valor é de R$ 59,90). Findo o prazo de três meses, o plano se renova automaticamente. Se não for de seu interesse renovar, você pode acessar no próprio site e cancelar no ícone correspondente antes da data do vencimento.

Logo de cara, após inscrevê-lo no site e começar a candidatá-lo às vagas, meu marido foi chamado para uma entrevista (a segunda dele pessoalmente) e eu me empolguei, achando que iria chover ligações e o que é melhor, ligações diretamente das empresas, mas não foi bem assim que a coisa se sucedeu. Recebemos algumas ligações por causa da Catho, mas nada daquilo que esperávamos naquele momento. Minha percepção inicial foi de que as cinco ligações que recebemos naquele ocasião representavam números decepcionantes, uma vez que era o site em que mais enviávamos currículos, tipo centenas deles.

Com o tempo e também com mais experiência, mudei um pouco minha percepção sobre a Catho e sobre todo o processo de envio de currículos. É padrão enviar o currículo para centenas e centenas de vagas em sites diversos e receber meia dúzia de ligações ao longo da procura, é assim para brasileiros e estrangeiros. Aconteceu com meu marido todas as vezes em que ele precisou procurar por emprego, e acontece recorrentemente com outras pessoas também. Hoje, não abro mão de pagar o plano trimestral da Catho quando precisamos procurar emprego, pois o investimento sempre se revela positivo no final.

Não sei o que os candidatos brasileiros acham desse site, mas em nosso caso eu acho que é muito necessário, pois a maioria das grandes empresas anuncia lá. As agências de recrutamento e seleção TAMBÉM disponibilizam suas próprias vagas no site, o que acaba facilitando um pouco o trabalho de procura. Não percebi isso de imediato, mas depois de um tempo, comecei a reparar que já havia visto algumas das vagas em outros sites de recursos humanos. Não era só impressão, no fim das contas, acabei mandando currículo mais de uma vez para a mesma vaga, porém em sites distintos. Com o tempo, você começa a perceber que as empresas de recursos humanos publicam a mesma vaga em diversos sites e blogs para divulgá-las ao maior número de pessoas possível, então não estranhem se tiverem a sensação de ter visto a vaga antes em outro lugar, porque, provavelmente, você viu mesmo.

Há, entretanto, muitas empresas de RH pagas que não prestam para nada, só comem seu dinheiro e o pior é que muita gente cai nessas ciladas. O ideal é que a maioria das vagas sejam divulgadas e os profissionais selecionados sem que se gaste um tostão com isso durante todo o processo seletivo. A empresa contratante é que deve arcar com os gastos da contratação de empresas de RH terceirizadas para fazer a seleção, nunca o candidato. A Catho, por exemplo, é uma exceção por ser uma plataforma de divulgação e procura de vagas. Além da Catho, imagino que haja outros sites interessantes, mas não posso opinar, pois nunca utilizei os serviços de outros grandes sites. Mas tenha em mente que o melhor é procurar por empresas sérias, conhecidas e de reputação. E acredito que se inscrever em apenas um ou dois sites de recursos humanos pagos é mais do que suficiente. Portanto, não invista muita grana com isso em sites variados, porque não vale a pena. Também já utilizei o plano premium do LinkedIn e achei que deixou a desejar, ou talvez eu que não tenha utilizado todos os recursos da plataforma adequadamente, ainda não tenho uma opinião formada sobre isso. Mas confesso que esperava mais desse investimento, prefiro a Catho, sem sombra de dúvida.

Minha última dica é, seja lá qual for o site de RH pago que você tenha escolhido para se candidatar às vagas de emprego, sempre pesquise a reputação da empresa antes no site do Reclame Aqui e também na página da própria empresa no Facebook, isso dará uma boa ideia se o investimento valerá a pena ou se você terá apenas dores de cabeça.

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Estrangeiros Procurando Emprego com Português Básico

Após as três primeiras experiências mal sucedidas de ligação para entrevista de emprego para meu marido e também considerando o alerta de uma pessoa próxima, decidimos dar um tempo nos envios de currículo. Ficamos com medo de queimar um currículo tão bom que tínhamos em mãos, tudo por causa do português horrendo dele, que estava de dar vergonha. Aquilo não poderia ser chamado de português básico de tão ruim que estava.

Foi então que ele começou a levar os estudos de português mais a sério. Ele já havia desperdiçado seis preciosos meses pensando na morte da bezerra e acreditando que seu inglês daria conta. Muito intimamente, pensei que foi muito bem feito o baque que as três primeiras ligações surtiram nele, foi uma boa lição. O excesso de confiança, devidamente disfarçado, e um ego um tantinho inflado, foram os responsáveis por tamanha negligência com o idioma. Já falei para vocês que não foi por falta de aviso e nem estímulo de minha parte que isso aconteceu neste post aqui. Hoje ele se arrepende muito de ter se negado a frequentar as aulas de português para estrangeiros da universidade federal de meu estado. Desde a sua chegada, ele estava crente que daria conta sozinho. Talvez até conseguisse, mas faltou disciplina e vontade, como já contei em outra oportunidade. É fato notório que aprender português é demorado, sim, até pegar fluência demora, em especial se a pessoa não for dedicada.

Como era fim de ano e época das festas, achamos razoável fazer uma pausa no envio dos currículos nos meses de dezembro e janeiro. Dezembro não é um mês em que se rende muito o trabalho das empresas de recursos humanos. Tirando as vagas temporárias por causa do frenesi do Natal, em geral tudo anda bem mais devagar por conta das festas. Janeiro é o melhor mês para intensificar o envio de currículos, apesar de ser tradicional período de férias. Muitas empresas contratam, mas não sei o motivo de o mercado de trabalho se aquecer nesse mês, apenas sei que é assim. Ainda que fosse uma época boa para o envio de currículos, continuei com a pausa exclusivamente por causa do português ruim de meu marido.

Isso tudo só reforça a minha ideia de que a atitude mais sensata e imediata que um estrangeiro deve tomar, ao desembarcar no Brasil para ficar, é mergulhar de cabeça no idioma, não tem jeito. Que frequente um curso de português, que fique em contato direto com as pessoas e situações, e que evite o inglês a todo custo, por mais difícil que seja. Se o currículo é bom, eles ligam, sim, independente da nacionalidade da pessoa, mas se o português for ruim, eles despacham mesmo, sem dó e nem piedade. É claro que deve haver casos em que os recrutadores não chegam nem a ligar para agendar entrevista única e exclusivamente por se tratar de estrangeiro, mas é certo que o estrangeiro receberá ligações se tiver um currículo bem escrito e uma experiência bacana que corresponda aos requisitos da vaga. Pode ser que não receba muitas ligações, mas uma ou outra, de tempos em tempos, eu garanto que receberá. Por via das dúvidas, é melhor eliminar a informação quanto a nacionalidade do estrangeiro do currículo e deixar que os selecionadores descubram isso mais tarde e não já de cara, pois assim aumentará as chances de ele ser chamado para entrevista. Claro que nas fases seguintes não haverá mais como disfarçar, mas pelo menos ele teve a chance de ser visto e avaliado por suas qualificações e não sumariamente eliminado por ser estrangeiro. Entretanto, esse tipo de informação não pode ser eliminada em sites de recursos humanos tais como a Catho e o Vagas, então é uma dica que vale apenas para os currículos que sejam enviados por e-mail às empresas e/ou selecionadores.

Então, para tirar maior proveito dessas ligações, faça seu parceiro estudar. É chato, mas necessário. Quanto ao intervalo sem emprego que vai ficar no currículo, isso é o de menos. Bem explicadinho, o recrutador vai entender a situação, é só deixar muito claro que não se trata de um caso clássico de desemprego por incompetência, preguiça ou o que quer que seja, mas sim de um estrangeiro em fase de adaptação, em um novo país e que esse intervalo no currículo é absolutamente normal nesses casos. Também enfatize a dedicação aos estudos nesse meio tempo, é importante mostrar que seu estrangeiro não está só coçando em casa, sem fazer nada e frisar que ele está interessado, adquirindo conhecimentos e enriquecendo o currículo com cursos. Isso causa uma ótima impressão, uma vez que os recrutadores sempre perguntam o que ele esteve fazendo no período sem emprego. A ideia é passar a impressão de uma pessoa que não fica estagnada, que procura desenvolver suas competências profissionais e pessoais, e que quer evoluir.

Resumindo, minha dica é, se o português de seu parceiro estrangeiro é do tipo sofrível, dê um pouco mais de tempo antes de mergulhar de cabeça na procura por emprego, ou será apenas desperdício de energia, já que ele não será capaz de converter ligações em entrevistas e entrevista em emprego.

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Procurando Emprego para Estrangeiro no Brasil

Certa vez, ao fazer minhas pesquisas sobre trabalho e emprego para estrangeiro no Brasil, deparei-me com um artigo muito bom na internet. Nem era sobre mão de obra estrangeira no Brasil, era sobre o trabalhador desempregado comum, brasileiro mesmo. E a mensagem que havia lá me impactou profundamente.

Em linhas gerais, quem escreveu o artigo explicou o que uma pessoa que está procurando emprego deve fazer, que atitudes tomar, que rotina deve ter. Ele dizia que a pessoa que está procurando emprego deve encarar essa PROCURA como se fosse o PRÓPRIO EMPREGO. Não poderia estar mais correto. Ele recomendava dedicar-se a isso em tempo integral, ou seja, 8 horas por dia, 44 horas por semana, com pausa para o almoço e descanso aos domingos.

Na verdade, ele me chocou profundamente, pois foi aí que me dei conta que procurar emprego é uma atividade que deve ser levada extremamente a sério. Há que se ter um método e segui-lo à risca, não se pode mandar um currículo aqui, outro acolá um dia sim, e uma semana não. É preciso enviar, no mínimo, uma porção de currículos por dia, caso contrário, o candidato nunca receberá ligações para entrevistas. Eu imediatamente comprei a ideia e a incorporei em minha vida. Assumi essa tarefa e levei muito a sério. Virei, praticamente, uma consultora de carreira e emprego do meu marido.

Durante as épocas em que eu preciso procurar emprego para ele, eu costumo mandar currículo durante meu horário de trabalho, quando estou em casa e aos finais de semana, religiosamente. Viro, praticamente, uma máquina de mandar currículos e faço isso sempre que necessário. Não relaxo nem durante os períodos em que meu marido está em meio a processos seletivos e quase nos finalmentes, pois essa é uma tarefa que não pode ser interrompida de maneira alguma. É preciso regularidade, disciplina e persistência.

Inicialmente, não deleguei essa tarefa a ele simplesmente porque achei que perderia quase toda a agilidade do processo por causa do idioma. É lógico que, por não ser falante nativo, ele levaria mais tempo para absorver as informações, a descrição da vaga e até poderia acabar disparando currículo para onde não deveria, além de não me informar em qual site de recursos humanos ele mandou, nem o nome da vaga. Sim, sou extremamente sistemática e metódica ao mandar currículos, anoto tudo em um caderno e gosto de ter controle absoluto das informações, saber exatamente quem está ligando para entrevistar, qual empresa, nome da vaga, etc. Hoje em dia, ele pode fazer isso tranquilamente, mas ficamos tão acostumados à nossa divisão de tarefas inicial, que isso parece não fazer sentido algum.

Ele geralmente não consegue acompanhar tudo que eu faço, pois são muitas vagas, muitos sites, muita coisa para ficar acompanhando detalhadamente, então ele nem se preocupa com isso, apenas se informa com mais profundidade sobre as vagas quando as empresas ligam atrás dele. Basicamente, ele segue as minhas instruções, e faz isso até hoje. Somos uma dupla bem afinada nesse aspecto, minha tarefa sempre foi a de pesquisar vagas, mandar currículos e procurar cursos de aperfeiçoamento, e a tarefa dele sempre foi estudar para as entrevistas e cursos.

Acredito que milhares de pessoas estão e continuam desempregada não só por causa das graves crises na economia que vão e vêm, mas também por não saber conduzir a procura por emprego de modo adequado e nem se preparar para isso. Mandar um currículo hoje e outro semana que vem é muita negligência. Talvez estrangeiro já saia em desvantagem só por ser estrangeiro, uma suposição, é claro, mas uma das grandes barreiras nessa procura é a dificuldade com o idioma, sem dúvida alguma.

Sempre que necessário, eu costumo procurar emprego de duas a seis horas por dia, dependendo do dia, é claro, e do meu estado de ânimo. Poucos são os dias em que eu fico procrastinando e me enrolando para mandar. Claro que isso acontece às vezes, não posso mentir, mas tento evitar e continuar a busca. Nem sempre consigo mandar mais de uma dezena de currículos diariamente, mas o importante é tentar, pesquisar e não perder o foco, porque se deixar, a gente relaxa mesmo, pois não é das tarefas mais agradáveis. Com o tempo, até acabei me acostumando a essa procura diária e cheguei a sentir falta quando não precisei mais procurar.

O engraçado é que tudo aquilo que eu nunca fiz por mim, fiz e ainda faço por ele. É bastante esforço, sim, mas sempre achei que meu relacionamento merecia, e ainda merece. Ele está aqui por mim e fazer isso por ele é o mínimo, afinal, vê-lo encaminhado, trabalhando, livre da pressão do desemprego, também é benéfico ao meu relacionamento, então continuo apoiando-o.

Atentem-se ao fato de que a partir do dia em que se começa a mandar currículo, demora um tempinho até que as empresas e consultorias comecem a ligar. Portanto, não esperem que já no dia seguinte comecem a receber ligações, porque não é assim que as coisas funcionam. Deve-se mandar diversos currículos diariamente e não deve criar expectativa alguma, pois só depois de um tempo começará a receber ligações e ainda assim apenas vez ou outra. Já mandei o currículo do marido para vagas as quais o currículo dele se encaixava perfeitamente e esperei por uma chamada que simplesmente nunca aconteceu. O contrário também já aconteceu muitas vezes, de eu mandar o currículo dele sem pretensão alguma, apenas por mandar por não acreditar que realmente ligariam e ser pega de surpresa por uma ligação inesperada. Sendo assim, aconselho que não vocês não façam planos mirabolantes e previsões mega, porque é bem provável que se frustem. Façam o que tem de ser feito, que é procurar emprego com vontade e assiduidade, que o resto vai se encaminhar.

No mais, tenha em mente o seguinte: persistência e paciência são as palavras-chaves, não as perca de vista, pois uma hora o resultado de tanto esforço aparece. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Revalidação de Diploma Estrangeiro no Brasil

Quando ainda estava namorando, soube, muito vagamente, um pouco sobre revalidação de diploma estrangeiro no Brasil. Entretanto, meu conhecimento acerca do assunto só começou a tomar corpo e forma quando meu marido começou a mexer com a papelada para mudar-se permanentemente para o Brasil.

Acredito que a maioria saiba que há muitas profissões que somente podem ser exercidas em sua plenitude se você for associado, credenciado, inscrito no conselho de classe respectivo. Por exemplo: advogado. A pessoa que é formada em Direito e somente possui o diploma de Bacharel em Direito, NÃO pode advogar sem ser inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Para tanto, todos os bacharéis, aspirantes a advogados, devem prestar o Exame da Ordem. Caso sejam aprovados, serão agraciados com a famosa carteirinha da Ordem. Outro exemplo: engenheiro. O sujeito é graduado em Engenharia qualquer coisa (Mecânica, Elétrica, Produção, Química, etc.), para trabalhar como engenheiro pleno, assinando laudos técnicos e projetos sob sua responsabilidade, é preciso ser associado ao CREA (Conselho Regional de Engenharia). Mais um exemplo: médico. Mesma coisa, para clinicar e para toda e qualquer atividade na área médica, deve ser associado ao CRM (Conselho Regional de Medicina). E há inúmeros outros exemplos de profissões que requerem essas carteirinhas – fisioterapeuta, químico, arquiteto, dentista, etc.

Algumas profissões, como advogado, dentista e médico, possuem regras muito específicas e rígidas, e eles não podem exercer a profissão sem ser filiado e sem possuir a carteira de exercício profissional. Já vimos vários casos na mídia de médicos charlatões, que clinicavam mesmo sem nunca ter se formado em Medicina e outras bizarrices mais.

Tirando os profissionais da área de saúde e uma ou outra profissão de outras áreas, onde realmente não há escape e que, obrigatoriamente, devem possuir a carteira de registro profissional para exercer a profissão, as demais profissões podem ser exercidas sem esse registro. Aí surgem os cargos de supervisores, coordenadores, consultores, especialistas, analistas e assistentes das mais diversas áreas – jurídico, administrativo, contábil, engenharia, qualidade, etc.

Por que muitas empresas contratam profissionais sem o registro profissional? Porque se o registrarem como engenheiro, por exemplo, terão que pagar o salário mínimo básico da categoria respeitando a carga horária regulamentada, envolvendo conselho de classe, sindicato e tudo o mais. Ao contratá-lo como analista qualquer coisa, não terão obrigação alguma de pagar o salário básico de engenheiro. Lembrem-se que cada categoria profissional possui um piso salarial. É, basicamente, uma manobra para remunerar pior e não arcar com todos os ônus de uma contratação baseada em regras dos conselhos de classe. Há alguns cargos de analistas e outras designações que também exigem registro nos conselhos e o motivo é que, certamente, haverá laudos técnicos para assinar, termos de responsabilidade, etc.

É óbvio que, antes de mais nada, a pessoa deve ser devidamente graduada em um curso técnico ou superior, ou seja, ter um diploma, para depois se registrar nos conselhos correspondentes. Mas o que isso tudo tem a ver com o seu estrangeiro que está se mudando para o Brasil? Absolutamente tudo a ver.

Espera-se que seu parceiro seja, no mínimo, estudante e maior de 18 anos. Na verdade, acho mesmo que a maioria deve estar se relacionando com alguém já formado e, se não formado, que pelo menos exerça qualquer atividade profissional que seja. Essa publicação é direcionada, portanto, exclusivamente a quem se relaciona com alguém que tenha algum DIPLOMA no EXTERIOR e queira TRABALHAR no Brasil utilizando-se de seus conhecimentos técnicos adquiridos em seu país de origem. Em outras palavras, se o seu parceiro estrangeiro é médico, arquiteto, engenheiro, contador, ou qualquer outra coisa no exterior e quer se mudar para o Brasil e continuar trabalhando na área de formação, há uma possibilidade bem grande de ter de revalidar o diploma.

Então, só para reforçar a informação, se a profissão dele for uma dessas em que é necessário o registro no conselho de classe, muito provavelmente ele precisará passar pelo processo de REVALIDAÇÃO DE DIPLOMA antes. Lembrem-se bem disso e nunca mais esqueçam.

Como saber se essa revalidação é mesmo necessária para não gastar dinheiro e tempo à toa? Acesse o site do Conselho referente à profissão de seu estrangeiro em seu estado de domicílio ou verifique pessoalmente quais os documentos necessários para registro de PROFISSIONAL ESTRANGEIRO para que ele possa exercer a atividade aqui no Brasil. É quase certo que, dentre inúmeros documentos requeridos, um deles será a revalidação de diploma. Se não pedirem, pode comemorar, soltar fogos de artifício, pular uma micareta, fazer a dança da pizza, pois você teve muita sorte ao arranjar um marido com uma profissão “não problemática”.

Se o seu parceiro estrangeiro é médico, já pode começar a se descabelar, porque é elementar revalidar o diploma, até mesmo em caso de brasileiros que se graduaram em Medicina no exterior, como em Cuba, por exemplo. Há muitos brasileiros que cursam a faculdade lá e também em outros países da América do Sul em virtude do fácil ingresso comparado à dificuldade de ingressar nas faculdades de Medicina brasileiras com alta concorrência. Eles também precisarão revalidar seus respectivos idiomas para poderem trabalhar no Brasil.

Meu marido é engenheiro e pode trabalhar na área de formação dele mesmo sem ter o registro no CREA. Não pode ser registrado como engenheiro na carteira, claro, mas pode trabalhar como supervisor, coordenador, analista, etc. De qualquer forma, a maioria dos engenheiros trabalha nesses termos. Sendo assim, desistimos da revalidação e é pouco provável que isso aconteça um dia, simplesmente perdeu a razão de ser diante do desenrolar da carreira profissional dele aqui no Brasil.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Se você digitar “revalidação de diploma estrangeiro” em qualquer site de busca, um monte de resultado vai aparecer facilmente, mas o site que interessa mesmo é o do MECDiz lá que, atualmente, para ter validade nacional, o diploma de graduação estrangeiro tem de ser revalidado por universidade pública brasileira que tenha curso igual ou similar reconhecido pelo governo.

O que isso significa? Se o seu parceiro tem diploma de graduação e/ou pós-graduação obtido no exterior e quer que sua formação seja válida aqui no Brasil, então ele terá de procurar uma universidade pública, que pode ser a de seu estado mesmo, seja universidade federal ou estadual, para dar entrada no processo de revalidação. Foi isso, então, que eu e meu marido fizemos, fomos à universidade federal aqui do estado onde moramos e procuramos o setor que trata do assunto (em nosso caso foi o setor diplomas) para nos informar exatamente sobre como é procedimento, quanto tempo leva, documentos requeridos, etc.

Diz lá, ainda, que para obter a revalidação, os seguintes passos devem ser seguidos, segundo a legislação:

a) Entrar com um requerimento de revalidação em uma instituição pública de ensino superior do Brasil. De acordo com a regulamentação, apenas as universidades públicas podem revalidar diplomas:

São competentes para processar e conceder as revalidações de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.” (Art. 3º Res. nº 1, de 29 de janeiro de 2002)

ATENÇÃO AO SEGUINTE ITEM!!!

b) Deverão ser apresentados, além do requerimento, cópia do diploma a ser revalidado, instruído com documentos referentes à instituição de origem, duração e currículo do curso, conteúdo programático, bibliografia e histórico escolar;

c) O aluno deverá pagar uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas. O valor da taxa não é prefixado pelo Conselho Nacional de Educação e pode variar de instituição para instituição;

d) Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma Comissão Especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado;

e) Se houver dúvida quanto à similaridade do curso, a Comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em língua portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência;

f) O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas;

g) O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de 6 meses, a contar da data de entrada do documento na Ifes.

O Brasil não possui nenhum acordo de reconhecimento automático de diplomas; portanto, as regras são as mesmas para todos os países.

Esses são os requisitos gerais de acordo com o MEC. As universidades públicas que ofertam a revalidação de diploma também podem solicitar documentos extras, que foi o que aconteceu em nosso caso, mas nada muito excêntrico. O problema é, todos os documentos solicitados que não estejam redigidos em português, DEVEM SER LEGALIZADOS NO EXTERIOR E TRADUZIDOS POR TRADUTOR JURAMENTADO e foi por isso que tivemos que adiar nosso plano de revalidar o diploma naquela ocasião, porque a tradução de tudo sairia uma pequena fortuna. Fiz uma estimativa de valor e somente as traduções não sairiam por menos de 10 MIL REAIS em um prognóstico bem otimista. Uma vez, procurando relatos de quem já revalidou diploma estrangeiro no Brasil, li o caso de uma brasileira que se formou em Medicina no exterior e estava tentando revalidar seu diploma. Ela gastou em torno de 20 MIL REAIS nas traduções. Tudo bem que a documentação solicitada para quem quer revalidar diploma de médico é muito mais, mas mesmo assim, é muito dinheiro.

O problema é que você não tem garantia alguma de que seu diploma será revalidado ao final do processo, pode ser que a comissão avaliadora julgue a graduação cursada no exterior insuficiente e talvez o dinheiro gasto vá para o ralo. É um risco que se corre. Também há a possibilidade de se cursar as disciplinas faltantes ou cujo desempenho do aluno não tenha sido suficiente, o que também é um fator complicador da situação.

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No ícone regulamentação, está disposto o seguinte:

A revalidação de diploma de graduação expedido por estabelecimentos estrangeiros é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007, as quais dispõem o seguinte:

1. São competentes para processar e conceder a revalidação de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.

1.1.  O processo de revalidação de diplomas de graduação inicia-se com a homologação dos documentos relativos ao curso na Embaixada / Consulado brasileiro do país onde o estudante fez sua graduação;

2. Solicitação de requerimento de revalidação na universidade pública escolhida:

2.1. O processo de revalidação de diploma de graduação tem início, em cada instituição, no período correspondente ao seu calendário escolar;

2.2. O processo de revalidação será fixado pelas universidades quanto aos seguintes itens:

I – prazos para inscrição dos candidatos, recepção de documentos, análise de equivalência dos estudos realizados e registro do diploma a ser revalidado;

II – apresentação de cópia do diploma a ser revalidado, documentos referentes à instituição de origem, histórico escolar do curso e conteúdo programático das disciplinas, todos autenticados pela autoridade consular. Aos refugiados que não possam exibir seus diplomas e currículos admitir-se-á o suprimento pelos meios de prova em direito permitidos.

2.3. O aluno poderá pagar uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas;

3. Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma comissão especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado;

3.2. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em Língua Portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência;

3.3. O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas;

4. O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de seis meses, a contar da data de entrada do documento na instituição;

4.2. Da decisão caberá recurso, no âmbito da universidade, no prazo estipulado em seu regimento;

4.3. Esgotadas as possibilidades de acolhimento ao pedido de revalidação pela universidade, caberá recurso à Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE).

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Fizemos 2 traduções juramentadas de dois dos documentos solicitados, do diploma e do histórico escolar apenas, que, ao todo, somaram 5 míseras páginas. O valor da tradução foi de R$ 340, mais as cópias autenticadas delas, que custaram R$ 61, ou seja, quase R$ 400 só com tradução juramentada. Isso foi há mais de 5 anos, atualmente pode ser muito mais.

Supondo que o diploma seja revalidado, então é só ir ao Conselho Regional da categoria profissional e dar entrada no procedimento do registro do profissional, o que não é nada simples também, diga-se de passagem. Toda a documentação solicitada para instruir o processo de registro, que inclui o diploma já revalidado por universidade pública, é encaminhado para Brasília para que o Conselho Federal analise todos os documentos e defira o pedido de inscrição. Dizem que ele analisam tudo com uma lupa, portanto, acredito que aqui também se corre o risco de, mesmo tendo seu diploma revalidado, ainda assim não conseguir obter o registro no conselho respectivo se assim eles entenderem.

Agora você deve estar se perguntando, POR QUE TUDO ISSO?

A resposta é bem simples: para proteger o trabalho e o emprego do brasileiro, o que, cá entre nós, é uma besteira. Os trabalhadores brasileiros não são prejudicados pelos poucos estrangeiros que aqui vivem, mas são extremamente prejudicados por sucessivos governos corruptos que, além de desviarem fortunas em benefício próprio, ainda querem prejudicar todos os direitos trabalhistas e previdenciários conquistados pelos brasileiros. Situação difícil.

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Apressar o Casamento com Estrangeiro ou Adiar um Pouco Mais?

Essa é a pergunta que aflige a maioria dos casais, que prefere, em geral, se casar logo para diminuir a distância e facilitar o trâmite dos processos de visto e permanência, seja no Brasil ou no exterior. Mas será que essa é a decisão mais adequada? Vamos analisar.

Eu mesma acabei optando por me casar logo, mas hoje percebo que eu poderia ter esperado um pouco mais e explorado mais opções para ficar junto com o meu respectivo sem que, necessariamente, nos casássemos em pouco tempo. Não me arrependo nem um pouco, cada história, cada casal tem todo um contexto para se levar em consideração na hora de decidir se casar ou não, não é só uma questão de visto, papéis e burocracia, muitos fatores culturais pesam na decisão também.

De qualquer forma, na época em que me casei eu não tinha muito conhecimento de histórias de outras brasileiras em relacionamento com estrangeiros, embora houvesse muitas. A maioria dos relatos era relativo a diferenças culturais, dúvidas sobre namoro na internet, coisas mais emocionais, então não houve uma reflexão mais aprofundada de minha parte para considerar opções alternativas para ficarmos juntos sem necessariamente precisar casar. Não que o casamento seja uma necessidade e única opção em casos assim, mas a distância, o fator econômico, por causa dos gastos com passagens para ir e vir e, obviamente, a manutenção física do relacionamento, tudo isso pesa e você acaba mesmo achando que é uma ótima opção. Em muitos casos é mesmo e, felizmente, para mim também foi.

Mas eu acho que adiar um pouco o casamento é super válido, dependendo de seu estado de desespero. Você conhece melhor o seu companheiro, pode avaliar melhor e mais racionalmente se é isso mesmo que você quer, se vai encarar mudar de país e assimilar toda uma cultura que não é sua, longe de família, de amigos, ou então se você está disposta a receber o seu amor estrangeiro aqui, dando todo o suporte necessário para que ele se estabeleça, desde o aspecto monetário até o emocional. Você está preparada para tudo isso?

É uma questão que eu NÃO posso te ajudar a responder, mas posso te ajudar a refletir, dando idéias de alternativas que, se levadas à sério, podem ser ótimas opções. Nem todas são simples e fáceis, mas pelo menos há a possibilidade.

  1. Visto de trabalho para o Brasil – essa opção é, ao meu ver, a mais difícil, porque depende de achar oferta de trabalho no Brasil estando em seu país de origem, ou então uma transferência dentro da própria empresa em que se trabalha. Há muitos estrangeiros trabalhando nesses termos no Brasil, quem sabe um deles não pode ser seu parceiro/você? Mas é preciso muito empenho e dedicação para achar algo;
  2. Trainee – acho essa opção BEM legal. Inclusive eu e meu marido cogitamos essa ideia, mas em virtude das circunstâncias da nossa história, acabou não dando certo. Funciona mais ou menos assim (em linhas bem gerais), se ele é jovem, se está concluindo o ensino superior ou já se formou há, no máximo, uns dois anos, pode procurar agências de intercâmbio especializadas, como a AIESEC (na verdade é uma organização mundial de estudantes, mas prefiro classificar como agência de intercâmbio mesmo, porque facilita a compreensão). Nesse caso, ele entra para a organização, desenvolve alguns projetos e atividades em prol da comunidade de seu país de origem enquanto aguarda uma oportunidade para ser trainee (em sua área de formação) no país e na cidade escolhida. Quanto mais específica a opção, logicamente mais difícil fica para a oportunidade aparecer, mas não é impossível. O período de trainee é em torno de um ano. Para maiores detalhes, verificar diretamente no site da AIESEC. Mas já li relatos de vários estrangeiros que vieram para cá e trabalharam em empresas bem bacanas. É só procurar na internet.
  3. Visto de estudante ou pesquisador – que tal uma pós-graduação ou mestrado no Brasil? Ou os programas PEC-G ou PEC-PG do Governo Federal? É bacana, também, dar uma boa lida nos sites das melhores universidades do país, em especial as públicas, pois sempre há ofertas de programas de intercâmbio bem interessantes (com bolsa auxílio, inclusive) e, geralmente, tais instituições têm muito interesse na bagagem científica e cultural do estrangeiro. Há, também, programas de intercâmbio para aprendizado da língua portuguesa combinado com trabalho voluntário nas comunidades carentes do Brasil. Vale a pena se informar!
  4. Mudança de país – conheço casos de brasileiras que se mudaram para o exterior para ficar mais perto do país de seus amados. É o caso, por exemplo, de mulheres que se tornaram comissárias de bordo. Pessoas nesse ramo têm mais mobilidade e mais chances de ficar indo e vindo do país de seu parceiro. Assim, ele não precisa largar de seu emprego em seu país de origem e você também poderá se focar nesta carreira tão interessante, ganhando um bom dinheiro inclusive, até que se decidam exatamente pelo o que fazer. Também é interessante analisar o mercado de trabalho no país de seu parceiro e tentar uma contratação e mudança custeada pela empresa contratante. Por incrível que pareça, falantes da língua portuguesa são profissionais valorizados em alguns países, dependendo da área de trabalho. Tradução é uma área com bastante oferta, por exemplo.

Enfim, o que quero dizer é o seguinte, se não estiver muito segura para se casar, há outras opções bem sensatas a se considerar e não há necessidade alguma de se casar apenas para agilizar as coisas. Se você tiver alguma outra opção alternativa interessante, por favor, deixe sugestão no campo dos comentários.

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