Possibilidade de Estrangeiro Fazer Estágio de Pós-Graduação no Brasil

Quando meu marido estava sem emprego e procurávamos um insistentemente, começamos a pensar em soluções alternativas que pudessem ajudá-lo a encontrar uma vaga mais rapidamente. Então eu descobri que QUEM FAZ PÓS-GRADUAÇÃO TAMBÉM PODE ESTAGIAR. Olha só que coisa linda – foi o que eu pensei.

A legislação que regula o estágio permite que os estudantes de pós-graduação estagiem, uma vez que, de acordo com esse dispositivo legal, pós-graduação é classificado como um curso do Ensino Superior. Dei pulos de alegria ao fim de minha pesquisa, pois seria mais uma opção, mais um alvo para tentar acertar.

Claro que a ideia da pesquisa sobre estágio em pós-graduação não brotou do nada, pois eu nunca tinha parado para pensar se isso era possível ou não, mas por acaso lembrei que, certa vez, em minhas procuras por emprego, vi um anúncio para vaga de estágio para quem estivesse cursando, no mínimo, mestrado, então parecia meio óbvio que não haveria nenhum impedimento ao aluno de pós-graduação também. Com isso em mente, fui ler um pouco sobre a lei que regula os estágios e também alguns artigos sobre o assunto.

Um dos artigos que li sobre o assunto falava o seguinte:

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Ao ouvir falar sobre oportunidades de estágio, muitos profissionais imaginam vagas destinadas a alunos do Ensino Médio, Técnico ou Superior. Mas saiba que há também opções para estudantes de pós-graduação. A legislação permite estágios de pós-graduação, já que esses cursos, pelos dispositivos legais, são do Ensino Superior. Mas, para estagiar, é necessário que haja aprovação e intervenção da instituição de ensino do aluno.

“Para os estagiários de pós-graduação, valem as mesma regras. A carga horária também é de seis horas diárias, com tempo máximo de estágio de dois anos em uma mesma empresa”, explica a gerente de Treinamento do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), Carmen Alonso. Sobre a bolsa-auxílio, o estagiário recebe o valor aproximado dos estágios de graduação.

A especialista declara que aceitar um estágio de pós-graduação é válido para profissionais que querem mudar de ramo ou trabalhar em um segmento específico. “A vantagem é direcionar a carreira. Além de ser uma maneira mais rápida de migrar de área. Mesmo ganhando menos, vale a pena”, afirma.

Para as empresas, também existem vantagens em contratar um estagiário na pós-graduação, já que esses profissionais são mais maduros, têm mais experiência e conhecimento. “Para a empresa, o networking desse profissional também é importante. Essa pessoa já trabalhou antes e esses contatos podem agregar para a empresa”, acrescenta.

Sobre as áreas que oferecem mais vagas de estágios para alunos de pós-graduação, Carmen cita Saúde e Administração. “São áreas específicas como Administração em ênfase em Comércio Exterior. Há outras vagas disponíveis, mas, geralmente, os alunos não sabem que podem estagiar”, finaliza.

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Bem, não que fosse um sonho ver meu marido estagiando, mas quem não tem cão caça com gato, então pensei que, se ele conseguisse estágio em uma empresa bacana, quem sabe uma multinacional, seria muito bom para seu currículo, ainda que o salário fosse ruim. A longo prazo valeria a pena.

Outro artigo dizia o seguinte:

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Eu não posso fazer estágio durante a pós-graduação. Mito ou verdade?

Mito. Muitos desconhecem, mas estágios também são permitidos para estudantes de pós-graduação. Muita gente acha que os estágios são direcionados apenas para alunos de Ensino Médio, cursos técnicos e de graduação. Porém, o que muita gente desconhece é que os estágios também são permitidos por lei para a pós-graduação, já que, pelos dispositivos legais, ela integra o Ensino Superior.

O desconhecimento sobre o assunto existe tanto por parte de estudantes quanto de empresas, fato que contribui para uma baixa oferta de vagas destinadas a este público. Segundo a coordenadora do Centro de Desenvolvimento Pessoal e Profissional (Cedesp) da Unimonte, Flávia Dantas, as organizações parceiras da instituição costumam solicitar apenas estagiários de graduação. “Acredito que isso aconteça realmente por mera falta de informação e desconhecimento da lei. Há, por exemplo, organizações que limitam seus processos de seleção para recém-formados, quando poderiam adicionar também os pós-graduandos”.

Para se ter uma ideia, até mesmo as regras são iguais: carga horária de até seis horas diárias, com tempo máximo de estágio de dois anos em uma mesma empresa. Flávia ainda acrescenta: “Hoje em dia, o estudante de pós-graduação não possui tanta bagagem e vivência na área em que se graduou. Geralmente eles são recém-formados e a maior parte nem está ainda no mercado de trabalho. Ingressam na pós justamente para adquirir mais conhecimentos sobre um segmento específico e fazer networking”.

Entretanto, é preciso levar em conta que fazer um estágio como pós-graduando, na maior parte das vezes, representa abrir mão de salários maiores. Exige sacrifício financeiro. Além disso, é comum ainda existir um certo preconceito pelo fato de um profissional formado procurar um estágio ao invés de um emprego efetivo. “Neste caso em específico, a pessoa já formada faz isso pensando a longo prazo. Ela até pode ganhar menos durante um período, mas está em busca de dar uma direção à carreira, aprimorar o currículo com outras experiências para, depois, ir atrás de novas oportunidades profissionais e melhores salários”, afirma Leonardo Ferreira, diretor do núcleo de Pós-Graduação e Pesquisa da Unimonte.

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A Associação Brasileira de Estágios dispõe de um link em seu site com as dúvidas frequentes, e a pergunta mais interessante para nós, que nos relacionamos com estrangeiros, é essa abaixo:

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20. Pode ser concedido estágio a estudantes de pós-graduação (mestrado ou doutorado)? E a estudantes estrangeiros?

De acordo com os dispositivos legais vigentes, podem ser estagiários os estudantes de educação superior. Em termos amplos, ao considerarmos os cursos de pós-graduação, como de nível superior, como realmente o são, há possibilidade de contratar-se tais estudantes como estagiários, de acordo com a legislação vigente, desde que haja aprovação e interveniência da respectiva Instituição de Ensino. Os estudantes estrangeiros regularmente matriculados em instituição oficial ou reconhecida têm o mesmo direito dos nacionais.

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Bom, considerando o caso dos estudantes estrangeiros, que venham ao país portando visto temporário de estudante, ainda que não possam exercer atividade remunerada, de acordo com a legislação brasileira, pela natureza de seu visto, eles podem ganhar uns trocos como estagiários. Parece-me uma situação contraditória, mas que está lá elencada na legislação sobre estágios. Não custa tentar, certo?

Em nosso caso, como não precisávamos nos preocupar com isso, afinal, o marido era permanente, começamos a estudar as possibilidades e a procurar pelas oportunidades. Cheguei até a mandar um e-mail para uma analista de recursos humanos de uma grande multinacional japonesa perguntando se eles ofereciam programa de estágio de pós-graduação e falando brevemente sobre a lei que permite estágios nesta situação. E não é que ela respondeu? A resposta foi que eles ofereciam estágios técnicos e de graduação (na verdade ela escreveu estágio superior no lugar de graduação e logo percebi que ela não manjava nada e nem tinha noção do erro ao usar o termo “superior”, que é genérico, porque engloba mais opções que não só a graduação), mas pelo menos houve resposta.

Na verdade, como os próprios artigos acima deram a entender, não é lá muito fácil achar estágio para pós-graduação, mas a uma empresa, que não seja das grandes e que tenha receio de contratar um estrangeiro, pode ser ofertada essa possibilidade. Fizemos isso uma vez e não é que o sujeito se interessou? A ideia só não foi adiante porque meu marido conseguiu emprego.

A quem interessar possa, segue o link da legislação sobre estágio:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm

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Planos Pessoais de Brasileiras Casadas com Estrangeiros em Modo de Espera

Um dos erros que cometi ao longo de meu relacionamento com meu marido estrangeiro foi deixar alguns projetos pessoais de lado. Até que meu caso não foi grave, eu não larguei coisas pela metade, nem abandonei projetos, família e amigos por causa de minha relação, mas posso dizer que não fiz nada de relevante por mim e apenas por mim durante a maior parte do tempo em que estávamos lutando para nos estabelecer em algum lugar em definitivo.

A realidade dos relacionamentos com um estrangeiro como um todo é muito pior que isso, pelo menos tomando por base as histórias que escuto e leio por aí. Na maioria das vezes, é a mulher que acaba abdicando de todos os seus projetos pessoais para conseguir vivenciar seu relacionamento. Não acho que seja ruim dedicar-se a um relacionamento amoroso com um estrangeiro, que naturalmente requer mais atenção e cuidados do que relacionar-se com alguém de mesma nacionalidade e que mora na mesma localidade, mas a longo prazo, a abdicação pode tornar-se um fardo e motivo de frustração pessoal, que pode ser agravada ainda mais caso o relacionamento não dê certo.

Eu não cheguei a me frustrar por ter deixado meus planos em modo de espera, mas às vezes tenho a sensação de que desperdicei um tempo importante de minha vida me dedicando com intensidade a meu relacionamento. Não foi um tempo ruim, longe disso, foi um período muito feliz, mas sinto que eu poderia ter feito mais em prol de meu crescimento pessoal. Minha sorte foi ter conhecido meu marido depois de ter finalizado minha graduação. Não acho que eu teria largado meus estudos, mas tenho a impressão que eu ficaria um pouco desestabilizada emocionalmente se tivesse me relacionado durante aquele período. Lembro de ter acompanhado o blog de uma moça que se relacionava à distância com um rapaz asiático. Ela intercalava sua vida com encontros esporádicos para a manutenção do relacionamento e frequentemente relatava sua imensa dificuldade em estudar, trabalhar e concentrar-se em sua rotina diária, tudo por causa desse amor tão distante. Era uma angústia e uma preocupação sobre o futuro constantes, além da falta física que sentia da pessoa.

Claro que nem todos sofrem assim, há também uma porção de gente que consegue tocar seus projetos sem stress, mesmo com um relacionamento à distância, mas, em geral, não é das tarefas mais fáceis equilibrar os projetos pessoais com os planos conjugais nesses termos. Uma hora essa distância vai ter de deixar de existir e a chance de que um dos dois tenha que sacrificar algo é alta. Meu marido, por exemplo, planejava cursar mestrado na Europa antes de me conhecer. Não sei se ele ainda tem esse desejo, mas desde que eu entrei na vida dele, esse plano foi cancelado, ou adiado, não sei. Bom, acredito que nessa altura do campeonato ele nem tem mais esse plano. Eu não cheguei a cancelar nenhum, mas não realizei nenhum de relevância durante todo esse tempo. Comecei a esboçar uma reação, no sentido de me dedicar um pouco mais a mim, apenas quando meu marido já estava aqui no Brasil comigo. Aliás, durante todo o tempo em que não tivemos residência fixa em definitivo, nem lá, nem cá, o único plano que eu tinha era apenas no plano amoroso, a dois, nenhuma das ideias contemplava apenas a mim mesma, o que hoje em dia eu acho um horror, como eu pude largar praticamente tudo de lado?

Quando ele chegou aqui e fixamos residência é que eu finalmente comecei a arejar um pouco mais minhas ideias e a focar outras coisas que não em planos conjugais amorosos, e consegui começar a traçar meus planos para dali em diante. Acho que quando a situação no relacionamento se torna nítida e relativamente estável é que é possível se focar novamente, pois é muito difícil conciliar todos os projetos simultaneamente, alguma coisa vai sair prejudicada, tanto podendo ser seu próprio relacionamento, como suas realizações pessoais, o que pode incluir estudo, trabalho, projetos e até mesmo sua saúde.

Além de não me dedicar a nada novo por um bom tempo, eu descuidei um pouco de minha saúde, especialmente quando procurava emprego para meu marido. O stress diário por causa da situação e a dificuldade em lidar com as tensões e contratempos fez minha saúde se deteriorar, tive problemas gástricos, dor de cabeça quase constante, além de ter ganhado bastante peso. Comida, além de ser uma grande fonte de prazer, tornou-se fonte de conforto.

A minha sorte é que minha situação profissional nunca foi empecilho, pude morar no exterior por um tempo sem maiores problemas, e quando voltei apenas dei continuidade àquilo que eu fazia antes, nada ficou prejudicado. Posso dizer que minha atividade só ficou em modo de espera, mas também não fiz maiores evoluções, que é justamente aquilo que eu falei acima, não houve dedicação, de minha parte, a novos projetos nesse meio tempo. Não parei para analisar o que eu poderia ter feito e nem se seria realmente possível conciliar todas as coisas, mas quem quer muito fazer algo dá um jeito, se vira.

Sei que nem todos gozam desse privilégio e por isso não são poucas as pessoas que largam emprego, estabilidade e zona de conforto para trás para fazer o relacionamento acontecer. Bem, não acho que isso seja de todo ruim, até porque eu também cheguei a cogitar me estabelecer com meu marido lá no país dele e para isso eu precisaria deixar todas as minhas coisas aqui definitivamente para trás. Por outro lado, eu me dedicaria a novos projetos lá, porque eu não queria ficar ociosa, eu queria trabalhar, fazer o meu dinheirinho também, pois me mudar para o exterior e ficar completamente dependente do marido não estava me parecendo algo muito inteligente, considerando minha natureza e meus valores. Sei de gente que vive dependente do marido no exterior (e no Brasil também) feliz da vida, cuidando da casa, do marido e das crianças, mas esse não é meu perfil. De toda forma, para todas as coisas existe o plano B, para o bem ou para o mal.

Eu penso que deixar planos em modo de espera, ou até mesmo abortá-los, não é um crime, em especial se considerarmos as circunstâncias envolvidas em um relacionamento com estrangeiros, mas caso a relação não dê certo, pode ser muito problemático e a pessoa que sairá mais prejudicada é aquela que abdicou de mais coisas. Também há casos em que a pessoa larga conforto, trabalho, estabilidade, família e amigos para se mudar, seja para o exterior ou para o Brasil, para no fim ter uma vida pior que a de antes e infeliz, será que vale a pena? Eu não sei a resposta, mas imagino que seu parceiro tenha de ser uma pessoa muito maravilhosa para que você se submeta a isso.

Se eu me mudasse em definitivo, tentaria achar um emprego legal que tivesse a ver com minha formação ou experiência. Se fosse para me esgoelar de trabalhar em algo ruim e que eu não gostasse apenas em nome do dinheiro, acho que nesse caso eu iria aceitar, sem problema algum, que meu marido me bancasse em tempo integral, coisa que ele também faria sem pestanejar, mas também não sei se eu me sentiria confortável em viver assim indefinidamente.

Bem, é difícil aconselhar sobre o que fazer com sua vida no que diz respeito exclusivamente a você e a seus planos pessoais, independentemente de seu relacionamento com estrangeiro(a), mas acredito que a coisa mais acertada a se fazer é não abdicar demais a ponto de sair prejudicado mais tarde. Um relacionamento, em especial com estrangeiro, precisa de dedicação, mas não deve se tornar seu único projeto de vida. Ambas as partes precisam ceder e abdicar em certos pontos, mas não em tudo. E é muito importante tentar tocar em frente as coisas que dizem respeito somente a você, faz bem para sua auto-confiança, estima e futuro.

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Estudo como Solução Alternativa para o Desemprego de Estrangeiro no Brasil

Certa vez, quando ainda estávamos na luta pela primeira oportunidade de emprego para meu marido estrangeiro aqui no Brasil, começamos a pensar em soluções alternativas, uma vez que, àquela altura, ainda não tínhamos uma visão muito clara sobre o que aconteceria no futuro. Podia ser que as coisas se ajustassem e dessem certo logo, tanto quanto poderiam se estender indeterminadamente e meu marido acabasse fazendo aniversário de desemprego por um bom tempo.

Como nem eu, muito menos ele, queríamos celebrar esse tipo de “bodas”, começamos a estudar outras possibilidades. O fato era, não havia emprego em mãos, continuaríamos procurando até encontrar, mas só procurar emprego não nos parecia suficiente, o que mais poderia ser feito, então? Ele já tinha feito dois cursos de aperfeiçoamento, como já comentei aqui, então nosso primeiro pensamento foi investir mais dinheiro em mais desses cursos. Um dia, enquanto procurava cursos com meu marido, ocorreu-me que, ao invés de ficar fazendo mil cursinhos de aprimoramento, ele deveria tentar dar um passo maior e voltar à universidade.

A lógica por trás foi a seguinte: um estrangeiro, permanente no Brasil, pode até não conseguir um emprego, mas já que estava aqui mesmo, então que utilizasse sua permanência da melhor forma possível. Como? Estudando. Tanta gente querendo ir para o exterior para estudar, crescer e fazer alguma coisa de realmente relevante, já que meu marido estava aqui, então que fizesse algo útil, especialmente considerando-se uma situação hipotética em que tudo desse errado e tivéssemos que retornar ao país de meu marido. Caso perguntassem lá no país dele “o que você ficou fazendo no exterior por mais de 2 anos?“, a resposta certamente não seria “estava esperando um emprego cair do céu, não deu para mim“, mas sim “estava estudando, investindo em meu futuro e em minha carreira“.

Meu marido e eu conversamos e ele também estava com a mesma ideia na cabeça. Concluímos que, apesar de ser um passo grande, ele estava preparado para isso, pois já tinha uma ideia clara sobre qual área seguir. Ademais, seu português já estava bom o suficiente para dar conta do recado. Então, naquele mesmo mês, começamos a procurar cursos de especialização e mestrado nos sites das melhores universidades, tanto federal/estadual quanto particular. Acabamos descartando o mestrado, pois estudos stricto sensu são muito mais maçantes e específicos e meu marido achou que não era sua hora ainda. Na verdade, ele não pensa em fazer mestrado tão cedo, então só sobrou a especialização, mesmo, como opção. Com isso, nos focamos no tipo de curso que ele queria, o qual achamos em duas universidades, ambas particulares, de excelente reputação e muito tradicionais. Infelizmente, a universidade federal de meu estado não oferta curso de especialização na área em que ele queria, então escolhemos a particular mesmo.

Quando as inscrições foram abertas, fizemos tudo pelo site, sem nenhum problema. Claro que antes de pagar a inscrição, informei-me sobre o procedimento para estrangeiro. Tudo normal, a secretária apenas perguntou se o visto dele era de estudante, pois o procedimento seria diferente, mas não era o caso. Como ele é permanente, ela só perguntou se ele tinha CPF, RG e diploma de graduação com os selos da embaixada e tradução juramentada para o português. Tinha. Então estava tudo certo, era só aguardar a confirmação do curso. Com o curso confirmado, lá foi meu marido para a especialização. Até então, ele não sabia que já tinha conseguido emprego, mas mesmo assim ele estava super feliz e empolgado, acho que nem ele pensou que faria uma pós-graduação tão logo.

Como eu não confio em português de gringo, fiquei ressabiada. Logo que começaram as aulas, comecei a perguntar se os professores já haviam passado alguma atividade, ao que ele me disse que estava tudo bem. Não me convenci, algo me dizia que estava tudo muito bem para ser verdade. Até que um dia descobri que ele nem havia acessado a página das disciplinas do curso na intranet. Quase tive um treco. Na verdade, havia um problema com sua senha de acesso. Depois de resolvido, quando acessei o sistema, vi que havia algumas atividades que ele nem sabia que tinha que fazer e com prazo de entrega vencido! Até ele se assustou, tadinho, fiquei com dó, pois ele entendeu que tinha que preparar apenas um seminário, quando na verdade já tinha fichamentos e resenhas para entregar. Dei uma mão para ele e entregamos as atividades atrasadas. Claro que justificamos para a professora e ficou tudo bem, mas passamos um sufoco!

A questão central é, estudo é a solução para muitos problemas, sempre foi e sempre será o melhor investimento. Sei que não é barato e, antes mesmo da notícia do emprego, discutimos sobre como ajustaríamos a mensalidade da especialização às nossas contas, foi quando cogitamos que meu marido desse aulas de inglês. Não foi preciso, mas se fosse, seria assim que iríamos nos virar.

E se a pessoa não tem muito estudo, o que fazer? Complete os estudos aqui, oras, há milhares de opções! Uma vez que o português esteja bom o suficiente, o negócio é se jogar de cabeça. Sei que é difícil fazer um vestibular tradicional, pois tem de estudar história e geografia do Brasil, por exemplo, mas há cursos técnicos, faculdades com vestibular facilitado, há várias opções e para todos os bolsos, é só procurar. Estudando em um instituto ou faculdade no Brasil e que seja reconhecido pelo MEC, são muitas as possibilidades que se abrem, inclusive para fazer estágio. A pessoa só tem a ganhar, além de garantir que muitas outras portas se abram no futuro. Sem dúvida alguma é a melhor solução alternativa que alguém pode ter.

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Palpites Furados que as Pessoas Dão para Estrangeiros no Brasil

Se houve uma coisa que escutei muito antes e depois da vinda de meu marido ao Brasil foi palpite furado sobre o que deveríamos fazer ou não. E ora, vejam só, que coincidência, todos os palpites foram negativos, que coisa, não? Meu conselho é, nunca deixe ninguém dar palpite furado, te pôr para baixo ou tirar suas esperanças do que quer que seja, pois se vocês se esforçarem, vai dar tudo certo, sim, não tem porque dar errado. Pode até demorar um pouco, mas que dá certo, é claro que dá.

Infelizmente, algumas pessoas bem que tentaram me envenenar com seu pessimismo. Não me deixei abater, mas também sou daquelas que não esquece nomes jamais. Uma amiga minha, que eu considerava bastante, disse, antes mesmo de meu marido se mudar para o Brasil, que ela tinha peninha de mim, porque ele dificilmente conseguiria emprego. Que legal, né? Outra pessoa, uma prima mais distante, também soltou uma pérola quando eu comentei com ela que meu marido havia recebido uma proposta de trabalho através de um contato. A oferta era para trabalhar como operador de produção, mas que ele havia recusado, já que ele era engenheiro, tinha qualificação e experiência suficientes e também porque seu perfil estava despertando interesse no mercado de trabalho. Pois não é que a prima deu uma risada diabólica e disse que era pouco provável que ele começasse tão bem, trabalhando como engenheiro, e que ele tinha que começar por baixo? Ah tá, entendi.

Não satisfeita, ela disse que ele só conseguiria emprego se tivesse um contato para arranjar para ele, que ela mesma já tinha procurado muito emprego na vida e que a coisa só funciona mesmo na base do contato. Será esse o motivo pelo qual ela ainda não engrenou em sua própria carreira, mesmo sendo graduada em uma área cheia de oportunidades? O que será que ela fez, ou deixou de fazer, que não conseguiu emprego bom por méritos próprios? Será que ela acha que conseguir emprego por contato é um atalho que facilita muito a vida? O engraçado é que ela não foi a única a falar uma coisa dessa, tá cheio de gente por aí que acredita piamente nisso.

Se tem uma coisa que eu simplesmente não aguento é esse tipo de papo. Quando se fala em procurar emprego, a primeira coisa que falam é sobre contato. Isso cansa a minha beleza, sério mesmo. Se há um contato realmente bom, disposto a fazer alguma coisa por você, ótimo! Mas isso não significa que você deva pregar a sua bunda no sofá e esperar a boa vontade do contato, mexa-se enquanto isso se você acha mesmo que esse lance de contato é o que realmente funciona. Talvez seja pessimismo meu, mas eu não acho que muita gente esteja assim tão disposta a ajudar e te ver bem sucedido e encaminhado. Familiares, amigos próximos e um ou outro conhecido podem até torcer por você e estar mesmo interessado em te ajudar, mas quanto ao restante, com raríssimas exceções, não estarão nada preocupados.

Não sou besta de dizer que contatos não existem, eu até conheço algumas poucas pessoas que foram contratadas dessa maneira, mas eu acredito muito mais na capacidade das pessoas, acima de qualquer indicação ou contato. Claro que quando se fala em contatos, há muitos tipos a se levar em consideração e não somente aquele conhecido que conhece alguém que pode ajudar. Há indicação por capacidade, mas também por amizade e simpatia, e não necessariamente por qualificação. Também tem o “jeitinho” brasileiro e assim por diante. Mas não importa, eu ainda acho que qualificação fala muito mais alto e que uma pessoa preparada não deve temer procurar emprego pelos modos tradicionais, sem atalhos. Vai conseguir.

É óbvio que é muito cômodo defender que as coisas aqui no Brasil só funcionam na base do quem indica, mas eu não acho que isso seja verdade. A real é que a maioria dos empregos é conquistada na raça mesmo, só leva quem for o melhor. Não à toa que hoje em dia há processos seletivos longuíssimos, caros, divididos em várias etapas e conduzidos por profissionais especializados. É idiota pensar que uma empresa vai gastar tempo e dinheiro fazendo seleção de pessoal se no fim das contas vão contratar um sujeito que foi indicado por alguém de dentro da empresa. Isso pode até acontecer, mas não é a regra.

O pior é que até mesmo entre os próprios estrangeiros vivendo no Brasil há esse consenso de que a maioria só consegue emprego por indicação, cheguei até ler alguns artigos sobre isso em inglês! Pois olhe, eu, em minha insignificância, desafiaria qualquer um, seja brasileiro ou estrangeiro, a enfiar a cara e procurar emprego de verdade, com vontade, para ver se conseguiria ou não. Eu mesma fiz isso, mesmo escutando zilhões de vezes que era quase impossível, e deu certo todas as vezes.

Talvez eu esteja errada, mas o que eu acho que acontece muito é o sujeito ter uma preguiça profunda no corpo, porque eu estaria mentindo se dissesse que é fácil e agradável procurar emprego pelo modo tradicional. É claro que não, e é claro que dá preguiça, e é por isso que as pessoas se fiam muito nessa história de contato. Outra desculpa muito comum entre estrangeiros é culpar sua condição de estrangeiro no Brasil, dizendo que não entende nada do sistema daqui e que brasileiro é protecionista. Desapegue, isso não é verdade. Uma vez que se está morando aqui, é melhor começar a aprender a se comportar como um daqui no mercado de trabalho, pois na prática você será tratado como outro brasileiro qualquer, não há processos especiais, é tudo igual. E as empresas não descartam um estrangeiro por ser estrangeiro, eles descartam aqueles profissionais que não possuem as competências e habilidades necessárias para a posição, seja brasileiro ou estrangeiro, simples assim.

Então, por mais que eu tenha escutado milhares de vezes que só conseguiríamos por indicação, eu liguei o aviso luminoso de “dane-se” (para não dizer outra coisa) para essas pessoas e fui correr atrás, porque para dar palpite furado o povo é muito bom, indicar ou ajudar que é bom. ninguém quer. Se eu não tivesse arregaçado as mangas e estivesse esperando por uma intervenção divina, ou uma ajuda amiga ou de quem quer que fosse, sabe lá o que seria de nós. Na verdade eu sei, sim, meu marido estaria desempregado até hoje.

Acho que quase ninguém acreditava que fôssemos conseguir, mas quando viram que nosso esforço procurando emprego estava dando resultado, as pessoas começaram a pedir dicas para nós, até mesmo ajuda! Gente que eu sei que nunca procurou um mísero emprego na vida, que todos os empregos que teve foram na base da ajuda de amigos e familiares, mas quando viu que a coisa funciona mesmo, se animou para fazer igual. Uma dessas pessoas queria até que eu fizesse para ela a mesmíssima coisa que fiz para o marido, em troca ela me daria 3% de seus três primeiros salários. Esses 3% eu não sei de onde foram tirados, mas abafa o caso, eu desconversei o assunto, porque eu jamais faria para ninguém do mesmo jeito que fiz para o marido. Talvez só fizesse igual se fosse muito bem remunerada para isso.

A “amiga” que disse que tinha peninha de mim também soltou mais uma pérola certa vez quando soube que tínhamos conseguido, ela disse que a notícia era ótima, mas que agora teríamos que rezar para ele permanecer empregado. Outro sujeito disse que sem revalidar diploma e sem registro no conselho de classe, meu marido só poderia trabalhar como operador de produção. Detalhe que esse sujeito tem a mesma formação de meu marido e disse isso na cara dele, sem dó nem piedade. O pior de tudo é que meu marido acreditou, pois foram palavras que saíram da boca de um colega de profissão. Nós acabamos brigando por causa disso, tudo por causa de um sujeito ignorante que nem sabe de nada sobre a situação do estrangeiro no Brasil e fica falando um monte de merda que julga ser verdade. Queria que ele explicasse o fato de meu marido ter conseguido um emprego bom, com um cargo que em nada tem a ver com operador de produção. Eu fiquei morta de ódio. Só para esclarecer, já falei sobre isso antes, não temos nada contra operadores de produção, é uma profissão digna e fundamental à indústria, mas quem trabalha como operador o faz por falta de maiores opções, porque falta muitas coisas, como qualificação, estudos, mais oportunidades, etc. Quase ninguém escolhe ser operador quando crescer, é a ocasião que faz a situação, ou seja, a falta de maiores opções. Meu marido tinha opções, estudo, oportunidade, demorou um bocado, mas deu certo.

A grande questão em relação aos palpites furados que as pessoas dão é, eu sei muito bem o que meu marido, na condição de estrangeiro, pode ou não pode fazer, quais são seus direitos, quais são suas limitações, eu me informei sobre tudo de mais importante que precisávamos saber. Não será um completo idiota e ignorante, que não sabe de nada disso, que vai me “instruir” sobre o assunto. Por isso tudo é que nunca pedi opinião nem orientação a ninguém, sempre fui auto-suficiente, pesquisei tudo nas leis, nos sites dos ministérios e em várias outras fontes, pois conhecimento e informação são nossos melhores companheiros nesta jornada. Dessa maneira, ninguém conseguirá nos fazer de idiota ou nos enganar, sabemos de nossos direitos. O achismo das pessoas não tem cabimento nenhum em momento algum. E se for para desabafar com alguém, seja muito criterioso na hora de escolher, um único desabafo com a pessoa errada, na hora errada, pode colocar muita coisa a perder.

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Cursos de Aperfeiçoamento Profissional para Estrangeiros no Brasil

Após poucos meses mandando currículos para meu marido estrangeiro e já bem mais habituada aos termos técnicos e à atividade exercida por ele, comecei a perceber que, apesar da sua experiência, estava faltando alguns conhecimentos bem específicos que certamente tornariam seu currículo mais robusto e atraente no mercado de trabalho brasileiro.

Ao procurar determinadas vagas, comecei a fazer algumas anotações sobre os conhecimentos mais frequentemente exigidos e que estavam ausentes do currículo dele. A princípio não dei muita importância, apenas anotei por anotar para mais tarde analisar o que aquilo tudo poderia colaborar no seu futuro profissional, talvez quando o português dele estivesse bom o suficiente para frequentar cursos e realmente tirar proveito das aulas.

Já falei várias vezes da preguiça inicial do meu marido em estudar português com afinco e que por um bom tempo ele levou o estudo nas coxas. Bom, ao lembrar de um episódio específico que ocorreu no passado, acabei decidindo o que fazer com ele, matando vários coelhos com uma cajadada só, em uma situação em que ele ocupasse o tempo e a mente, desenvolvesse o português, fizesse contatos e que se aperfeiçoasse profissionalmente.

O episódio inspirador, que ocorreu antes mesmo da chegada dele ao Brasil, foi o seguinte: certa vez, levei minha mãe ao médico e, ao invés de esperá-la na recepção do consultório, preferi esperar na praça em frente, sentada tranquilamente em um banquinho. Logo uma moça muito loira e bonita me abordou, estava fazendo uma pesquisa, ou algo assim, nem lembro direito o que ela queria, só sei que respondendo a algumas perguntas, eu estaria concorrendo a um prêmio. Já estava quase despachando a pobre da moça, achando que era “golpe”, quando notei um leve sotaque, bem no finzinho das palavras, mas uma coisa muito leve mesmo. Até pensei que a moça era de outro estado. Então, disse a ela “você não é daqui, não é mesmo?”. A resposta foi surpreendente, pois ela disse que era finlandesa!!! Fiquei embasbacada! Seu português era perfeito, gramaticalmente impecável, infinitamente melhor que o português de muitos brasileiros e o leve sotaque dava até um certo charme! Claro que não perdi a oportunidade de encher a pobre da finlandesa de perguntas, atrapalhando seu trabalho na cara dura!

Minha primeira pergunta foi “quanto tempo demorou para falar português assim?”. Ela me contou que levou mais ou menos um ano e meio. Também me contou que seu marido era brasileiro e que veio morar aqui por causa dele. Perguntei, também, como ela conseguiu aprender tão rápido e impecavelmente daquele jeito e ela me disse que precisava estudar (talvez pós-graduação, uma vez que não era tão novinha) e que teve que dar um jeito e se virar. Imagino que, obviamente, ao se expor ao idioma, sozinha, sem ninguém auxiliando, em um ambiente em que pouquíssimos dominam outro idioma que não seja o português, é o único jeito de fazer a pessoa progredir mais rapidamente no idioma.

Então, pensei que, mandando o marido para cursos de aperfeiçoamento, seria uma mão na roda. Peguei aquela listinha de conhecimentos específicos que eu tinha anotada e comecei a procurar os cursos no Google. Nem demorei muito para achar, uma vez que era começo de ano e geralmente, nessa época, há muitas ofertas de cursos.

Não perdi meu tempo pesquisando cursos de pós-graduação à época, porque era um investimento muito alto para alguém que ainda estava em fase de aprendizado no idioma. Procurei cursos em que não houvesse prova, trabalho, nem nada valendo nota, mas apenas atividades em sala e a presença nas aulas para garantir o certificado.

Como é que eu fiz para que ele aproveitasse o conteúdo do curso cem porcento? Simples, comprei um mini-gravador. Todos os cursos de aperfeiçoamento que ele frequentou naquela época foram integralmente gravados. Meu objetivo, inicialmente, era transcrever todas as aulas, até transcrevi algumas, mas acabei desistindo depois de um tempo. Lógico que é bem trabalhoso fazer isso, mas tenho prática, pois eventualmente faço degravação freelance. De qualquer forma, pensei que ele teria dois benefícios diretos ao ler todo o conteúdo transcrito: aprimorar o português coloquial e técnico ao mesmo tempo e, claro, agregar conhecimento e, de quebra, ganhar certificado para isso.

O primeiro curso de aperfeiçoamento que meu marido fez foi, basicamente, um divisor de águas e ele finalmente começou a acordar para o mundo e para a vida. O curso duraria três meses, com aulas todas as terças e quintas à noite, o que foi muito bom para ocupar o tempo e a mente dele naquela ocasião, além de começar a trazer, de fato, boas oportunidades de entrevista, pois foi um curso que definitivamente fez diferença no currículo dele. Praticamente todos os colegas dele eram do mesmo ramo de atuação e ele pôde trocar muitas ideias com todos, fazer contatos importantes e finalmente praticar o português com estranhos. Resumindo história, foi um avanço e tanto!

Antes do curso começar fomos até o instituto para conversar com o responsável, pois estávamos um pouco preocupados, o português do marido ainda estava fraco na ocasião, a conversação e a compreensão durante uma conversa ainda não estavam nada bons. Daí o professor explicou que faria uso de apostila e exibição de slides e nós também pedimos autorização para gravar as aulas, o que ele autorizou sem problemas.

Acompanhei o marido em seu primeiro dia de curso apenas para me certificar de que não haveria maiores problemas e foi super tranquilo, havia participantes que falavam um pouco de inglês e que poderiam dar uma ajuda caso houvesse necessidade. E, de fato, ao longo do curso eles tiveram boa vontade em ajudá-lo nas atividades e dinâmicas em grupo.

Logo percebi uma grande diferença no comportamento do marido, ele estava se esforçando mais nos estudos de português para poder ter um desempenho melhor no curso e, principalmente, poder conversar direito com os colegas e fazer contatos. Ele não era o único estrangeiro do curso, havia um rapaz argentino também. Ele falava com bastante sotaque, mas não teve maiores problemas para entender e se fazer entender durante as aulas.

A única colaboração que o professor do curso deu, em termos de ajuda na procura por emprego, foi fazer pequenas correções no currículo e só. Ficamos um pouco decepcionados com a falta de boa vontade dele, pois para nos convencer a investir no curso, prometeu-nos que encaminharia ou indicaria o marido em várias empresas as quais ele prestava consultoria. Mas o que se há de fazer? A sorte é que no último mês do curso, outro professor veio dar aula em um módulo específico e ele foi muito bacana. Por causa dele, meu marido teve a oportunidade de fazer duas entrevistas em uma empresa de alimentos bem conhecida nacionalmente. Eu acredito que não tenha dado certo, porque não era exatamente a área que meu marido tinha experiência, mas só pelo fato de o rapaz se prontificar a ajudar já nos deixou imensamente feliz.

Por causa desse curso, meu marido começou a receber mais ligações para entrevistas. Quando eu falo em quantidade de ligações, não me refiro a quantidade por semana, mas sim por mês. Até dezembro de 2012, ele recebia, em média, duas ligações para entrevista por mês. Às vezes havia mês em que ele não recebia chamada nenhuma, outras vezes ele recebia umas três ou quatro chamadas. Parece não ser nada uma média de duas ligações por mês, mas considerando ser estrangeiro e não ter português fluente, não é nada mau. Aliás, nem para brasileiro esse número é ruim. Se você for pensar sob a perspectiva de que se manda centenas de currículos por mês para receber uma média de apenas duas ligações, é claro que não é um panorama muito animador, mas é assim que a coisa funciona. O fato de o perfil e o currículo dele ter despertado interesse foi um sinal claro de que estávamos indo pelo caminho certo.

Um aspecto interessante é que cursos de aperfeiçoamento aumentam o leque de possibilidades de envio de currículo. Quanto mais vagas você aplicar, mais chances de receber ligações. Então, definitivamente o curso foi uma escolha acertada, a maior exposição ao idioma, em uma situação em que ele se encontrava sozinho em meio a estranhos o estimulou a caprichar mais no estudo de português. Também foi super importante em termos de efeito psicológico, pois ele viu que estudar é a solução, além de ser um investimento com efeitos duradouros, e que ele não precisava ficar se martirizando por ainda não ter um emprego. Claro que esse era o objetivo principal, trabalhar, mas estudar também era uma ótima opção.

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Apressar o Casamento com Estrangeiro ou Adiar um Pouco Mais?

Essa é a pergunta que aflige a maioria dos casais, que prefere, em geral, se casar logo para diminuir a distância e facilitar o trâmite dos processos de visto e permanência, seja no Brasil ou no exterior. Mas será que essa é a decisão mais adequada? Vamos analisar.

Eu mesma acabei optando por me casar logo, mas hoje percebo que eu poderia ter esperado um pouco mais e explorado mais opções para ficar junto com o meu respectivo sem que, necessariamente, nos casássemos em pouco tempo. Não me arrependo nem um pouco, cada história, cada casal tem todo um contexto para se levar em consideração na hora de decidir se casar ou não, não é só uma questão de visto, papéis e burocracia, muitos fatores culturais pesam na decisão também.

De qualquer forma, na época em que me casei eu não tinha muito conhecimento de histórias de outras brasileiras em relacionamento com estrangeiros, embora houvesse muitas. A maioria dos relatos era relativo a diferenças culturais, dúvidas sobre namoro na internet, coisas mais emocionais, então não houve uma reflexão mais aprofundada de minha parte para considerar opções alternativas para ficarmos juntos sem necessariamente precisar casar. Não que o casamento seja uma necessidade e única opção em casos assim, mas a distância, o fator econômico, por causa dos gastos com passagens para ir e vir e, obviamente, a manutenção física do relacionamento, tudo isso pesa e você acaba mesmo achando que é uma ótima opção. Em muitos casos é mesmo e, felizmente, para mim também foi.

Mas eu acho que adiar um pouco o casamento é super válido, dependendo de seu estado de desespero. Você conhece melhor o seu companheiro, pode avaliar melhor e mais racionalmente se é isso mesmo que você quer, se vai encarar mudar de país e assimilar toda uma cultura que não é sua, longe de família, de amigos, ou então se você está disposta a receber o seu amor estrangeiro aqui, dando todo o suporte necessário para que ele se estabeleça, desde o aspecto monetário até o emocional. Você está preparada para tudo isso?

É uma questão que eu NÃO posso te ajudar a responder, mas posso te ajudar a refletir, dando idéias de alternativas que, se levadas à sério, podem ser ótimas opções. Nem todas são simples e fáceis, mas pelo menos há a possibilidade.

  1. Visto de trabalho para o Brasil – essa opção é, ao meu ver, a mais difícil, porque depende de achar oferta de trabalho no Brasil estando em seu país de origem, ou então uma transferência dentro da própria empresa em que se trabalha. Há muitos estrangeiros trabalhando nesses termos no Brasil, quem sabe um deles não pode ser seu parceiro/você? Mas é preciso muito empenho e dedicação para achar algo;
  2. Trainee – acho essa opção BEM legal. Inclusive eu e meu marido cogitamos essa ideia, mas em virtude das circunstâncias da nossa história, acabou não dando certo. Funciona mais ou menos assim (em linhas bem gerais), se ele é jovem, se está concluindo o ensino superior ou já se formou há, no máximo, uns dois anos, pode procurar agências de intercâmbio especializadas, como a AIESEC (na verdade é uma organização mundial de estudantes, mas prefiro classificar como agência de intercâmbio mesmo, porque facilita a compreensão). Nesse caso, ele entra para a organização, desenvolve alguns projetos e atividades em prol da comunidade de seu país de origem enquanto aguarda uma oportunidade para ser trainee (em sua área de formação) no país e na cidade escolhida. Quanto mais específica a opção, logicamente mais difícil fica para a oportunidade aparecer, mas não é impossível. O período de trainee é em torno de um ano. Para maiores detalhes, verificar diretamente no site da AIESEC. Mas já li relatos de vários estrangeiros que vieram para cá e trabalharam em empresas bem bacanas. É só procurar na internet.
  3. Visto de estudante ou pesquisador – que tal uma pós-graduação ou mestrado no Brasil? Ou os programas PEC-G ou PEC-PG do Governo Federal? É bacana, também, dar uma boa lida nos sites das melhores universidades do país, em especial as públicas, pois sempre há ofertas de programas de intercâmbio bem interessantes (com bolsa auxílio, inclusive) e, geralmente, tais instituições têm muito interesse na bagagem científica e cultural do estrangeiro. Há, também, programas de intercâmbio para aprendizado da língua portuguesa combinado com trabalho voluntário nas comunidades carentes do Brasil. Vale a pena se informar!
  4. Mudança de país – conheço casos de brasileiras que se mudaram para o exterior para ficar mais perto do país de seus amados. É o caso, por exemplo, de mulheres que se tornaram comissárias de bordo. Pessoas nesse ramo têm mais mobilidade e mais chances de ficar indo e vindo do país de seu parceiro. Assim, ele não precisa largar de seu emprego em seu país de origem e você também poderá se focar nesta carreira tão interessante, ganhando um bom dinheiro inclusive, até que se decidam exatamente pelo o que fazer. Também é interessante analisar o mercado de trabalho no país de seu parceiro e tentar uma contratação e mudança custeada pela empresa contratante. Por incrível que pareça, falantes da língua portuguesa são profissionais valorizados em alguns países, dependendo da área de trabalho. Tradução é uma área com bastante oferta, por exemplo.

Enfim, o que quero dizer é o seguinte, se não estiver muito segura para se casar, há outras opções bem sensatas a se considerar e não há necessidade alguma de se casar apenas para agilizar as coisas. Se você tiver alguma outra opção alternativa interessante, por favor, deixe sugestão no campo dos comentários.

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