Dicas de Procura de Emprego para Estrangeiro no Brasil – I

Já relatei, brevemente, no post “Como Conseguir Emprego para Estrangeiro no Brasil“, um pouco sobre como foi que meu marido conseguiu emprego aqui. Não há uma fórmula pronta e mágica para conseguir um emprego, mas sim uma somatória de ações positivas que, juntas, acabam fazendo uma grande diferença no fim. Até então, eu nunca havia trocado ideias com um brasileiro desempregado à procura de emprego para saber se a dificuldade é a mesma que um estrangeiro enfrenta ou não, mas eu realmente acho que não é fácil para ninguém.

As empresas, hoje em dia, querem excelência. Eles procuram, sim, o melhor candidato, o mais preparado, o mais qualificado, e a disputa é acirrada. Aquele que mais atende aos requisitos da vaga, seja brasileiro ou estrangeiro, é quem vai conquistar a vaga. Um dia, meu marido comentou comigo que o gerente da empresa que o contratou naquele que foi seu primeiro emprego no Brasil disse a ele, na segunda rodada de entrevista, que ele só contratava quem fosse melhor que ele mesmo. Mas mesmo meu marido se sentindo elogiado e valorizado, é sempre bom lembrar que, via de regra, sempre há alguém melhor que a gente, não somos únicos, não somos insubstituíveis, há uma disputa acirradíssima em tudo.

O difícil mesmo é achar a vaga perfeita para você. Claro que um estrangeiro precisa se adequar e se esforçar mais que um brasileiro por causa dos pontos deficientes, como a questão da língua e da cultura, por exemplo, mas se houver um empenho grande para suprimir esses pontos, com certeza há, também, uma possibilidade bem grande de se competir de igual para igual com brasileiros.

O calcanhar de aquiles de meu marido sempre foi o português, e também alguns conhecimentos técnicos específicos os quais ele não tinha, foi por isso que ele fez cursos de aprimoramento em sua área de trabalho aqui no Brasil, para aumentar suas chances, o que, de fato, aumentou mesmo, conforme já comentei neste post aquiFoi muito bom e percebemos a diferença que fez não só no currículo, mas também em sua desenvoltura em entrevistas. Acho que metade delas só foi possível por causa daquele curso. Gostamos tanto dos efeitos positivos que o curso proporcionou que, poucos meses depois do término do primeiro, ele já fez um segundo. Foi um cursinho de apenas um dia, e não de 3 meses como o primeiro, mas que foi ótimo e trouxe mais chances de entrevistas. O melhor de tudo foi que, nesse segundo curso, seu aproveitamento foi infinitamente melhor do que no primeiro. Apesar de meu marido ter gravado o áudio para poder escutar em casa mais tarde, acabou nem sendo necessário, pois ele compreendeu tudo muito bem, aproveitou o curso, participou ativamente das atividades e eu fiquei super contente de finalmente perceber uma evolução realmente significativa em seu desempenho no português. Foi por causa desse segundo curso que ele quase conseguiu um emprego naquela oportunidade, apesar de que “quase conseguir” não significa muita coisa, mas é um injeção de ânimo e tanto!

Eu já falei aqui sobre a importância de se ter um currículo bem escrito, por mais simples que seja sua experiência. Já falei, também, sobre a importância de se pesquisar sobre as tendências e demandas do mercado, e também aquelas coisas todas que os profissionais de RH valorizam em um currículo. Lembrem-se que estrangeiro permanente no Brasil não goza de processo seletivo diferenciado, é tudo igual, ele é apenas mais um procurando emprego. Eu acho muito certo isso, estrangeiro não é especial. Meu marido concorda também, então está tudo certo.

Um ponto importante é saber mandar currículo por e-mail. Parece besta falar isso, mas são os detalhes que fazem a diferença. A primeira regra é: só mande seu currículo para vagas que tenham, de fato, seu perfil profissional, ou que, pelo menos, seja parcialmente relacionado. Não adianta nada sair atirando para tudo quanto é lado, mandando currículo para vagas que não têm nada a ver com seu perfil, caso contrário seu currículo será descartado. Tenha foco! Se eles pedem pretensão salarial, não coloque “a combinar”, faça exatamente aquilo que eles pedirem. Se não souber quanto pedir, faça uma pesquisa na internet sobre média salarial para a referida profissão ou cargo, há trocentas delas e logo você terá uma ideia de quanto pedir. Se o título da vaga é, por exemplo, ANALISTA ADMINISTRATIVO, é exatamente isso que deverá estar escrito no campo ASSUNTO de seu e-mail, a não ser que eles peçam que encaminhem o e-mail com outro nome de assunto qualquer. Sempre faça o que é solicitado, é muito simples.

O corpo do texto do e-mail é muito importante também. Só depois de muito tempo mandando currículo com um texto ridículo é que eu aprendi a escrever algo que prestasse. Só me atentei a esse fato quando eu e o marido aprendemos a fazer carta de apresentação. Você não precisa escrever uma carta de apresentação no corpo de texto de seu e-mail. Nós chegamos a fazer isso, mas ficou over demais. O ideal é fazer um resuminho bem conciso, de no máximo dois parágrafos curtinhos, descrevendo muito brevemente sua experiência profissional e suas maiores conquistas. Atente-se aos números, eles são muito importante e chamam muita atenção!

No primeiro e-mail com currículo que eu mandei, eu escrevi algo mais ou menos assim: “Boa tarde, segue em anexo currículo relativo à vaga anunciada na edição de domingo do jornal tal. Atenciosamente, Fulano de Tal“. Quando eu olho para isso, tenho um pouco de vergonha de mim. Que imagem eu passei do meu marido nesse primeiro contato? Aos poucos fui melhorando até que cheguei a um texto mais elaborado, ainda que conciso, e mais personalizado, que eu adapto de acordo com a descrição da vaga e da empresa. Eu não menciono nada sobre conhecimento em língua portuguesa no currículo redigido em português para não dar bandeira, logo de cara, de que se trata de estrangeiro, não coloco nem a nacionalidade do meu marido para que ele não seja sumariamente eliminado só por ser estrangeiro. É melhor ocultar essas coisas em um primeiro momento e depois ver no que vai dar, afinal, a ideia é atrair a atenção do recrutador para que ele se interesse pelo perfil profissional somente e marque uma entrevista.

A última dica do dia é, NÃO TENHA PREGUIÇA!!! Procure emprego todos os dias, faça o seu melhor para conseguir mandar, pelo menos, uma dezena de currículos diariamente. Só para vocês terem uma ideia, eu mandava, em média, 150 currículos por mês! É muita coisa e também muito trabalhoso, são horas e horas no computador repassando a lista de sites de empresas e consultorias de recursos humanos, procurando, procurando, procurando. Quando você está quase desistindo e sucumbindo ao desânimo, do nada você recebe uma ligação para entrevista e o ânimo vem com tudo novamente, afinal, se estão ligando é porque há interesse, se há interesse, é lógico que uma hora pode dar certo. Se não estiverem ligando, é hora de fazer uma avaliação:

  • Estou mandando currículos com frequência diária?
  • Meu currículo está bem elaborado?
  • Meus envios estão de acordo com o perfil da vaga?
  • Estou atualizado aos olhos do mercado de trabalho?

Se a resposta for não para alguma delas, então está na hora de rever suas ações. Em nosso caso, tínhamos certeza que o currículo estava legal, pois meu marido sempre ouvia, durante as entrevistas, que seu currículo estava muito bom, e ainda assim eu sempre estava fazendo alterações e correções, até conseguir uma versão que me agradasse por completo. Faço isso até hoje. Também me esforçava, dia após dia, para mandar o máximo de currículos possíveis.

Então, basicamente, esses foram os quatro pilares para conseguir entrevista de emprego:

  • Currículo bem redigido;
  • Envio diário;
  • Estudo de português;
  • Curso de aprimoramento.

Você poderá ler a continuação desse post clicando aqui.

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Declaração de Imposto de Renda de Estrangeiro no Brasil

Certa vez, um leitor do blog indagou-me sobre como é o processo de declaração de imposto de renda no Brasil sendo estrangeiro. Achei que seria interessante escrever sobre o assunto em forma de post, pois poderá ajudar a elucidar dúvidas de quem tem a mesma indagação. Parece algo complicado de se entender, mas não é. Para quem não entende ou não sabe nada sobre o assunto, a melhor coisa a fazer é pesquisar sobre isso no site da Receita Federal do Brasil.

O estrangeiro, em situação regular no país, seja aquele que vive permanentemente aqui, ou que esteja apenas a trabalho temporariamente, que tenha CPF (Cadastro de Pessoa Física) e renda no Brasil, deve ficar atento a esse tópico, ainda que seja um pouco confuso, pois é muito importante manter-se em um situação regular para evitar problemas relativos a isso. Antes de qualquer coisa, que tal consultar qual é a situação cadastral de seu CPF (Cadastro de Pessoa Física)?

Para fazer a consulta, na página inicial do sítio da Receita Federal, do lado direito da tela, está escrito SERVIÇOS EM DESTAQUE. Clique em Comprovante de Situação Cadastral no CPF. Onde estiver escrito “Formas de Atendimento”, clique em “Acesso direto ou com senha específica”, então é só informar o número de seu CPF, digitar os caracteres dispostos ao lado e consultar.

No que diz respeito aos requisitos para a declaração do imposto de renda, todo ano a Receita Federal atualiza essa informação em seu próprio site, por isso é muito importante recorrer diretamente ao site deles para se informar e sanar todas as dúvidas. Lá eles explicam o conceito de residente no Brasil para fins tributários, determinam quem são as pessoas que moram no país em caráter permanente, que são aqueles que ingressaram no país com visto permanente, temporário ou de trabalho, dentre outros. Esclarecem, também, a faixa de rendimento tributável que deve ser declarada.

Enquanto meu marido permaneceu desempregado e sem renda no Brasil, ele não precisou se preocupar com isso, pois estava isento de fazer a declaração. Mas, por via das dúvidas, fui conferir no site da Receita Federal, na parte de serviços, qual era sua situação cadastral, apenas para desencargo de consciência, e durante todo o período sua situação fora REGULAR.

A primeira declaração dele foi enviada no ano de 2014 e coincidiu com seu primeiro aniversário de emprego no Brasil. Desde então, todo ano precisamos declarar sua renda e sou sempre eu quem faz isso. A primeira coisa que você deve fazer é verificar se vocês se encaixam nos requisitos de obrigatoriedade da declaração, informação que, conforme já expliquei anteriormente, está disponível no site oficial da Receita. Em nosso caso, como somos pobres trabalhadores e não temos muitas coisas a declarar, consigo fazer a declaração com tranquilidade sem qualquer ajuda de um profissional. Caso vocês tenham muitos bens, muitas rendas, muitas empresas, muitas complicações, talvez seja melhor procurar alguém especializado para fazer isso. Não precisa ser alguém especializado em declaração de imposto de renda para estrangeiros no Brasil, que muito provavelmente cobram mais caro, uma empresa de contabilidade simples especializada nisso faz tudo de olhos praticamente fechados.

Não acho que haja maiores dificuldades de se fazer a declaração por conta própria, mesmo considerando os casos mais complexos. Se o declarante tiver todos os documentos necessários em mãos, é só não deixar para a última hora e procurar ir fazendo aos pouquinhos para fazer tudo certinho.

Para declarar, é preciso baixar o programa da declaração do site da Receita (há um passo a passo lá explicando), cuja navegação é bem intuitiva. Tive poucas dúvidas nas primeiras declarações, e as poucas que tive foram facilmente esclarecidas fazendo uma pesquisa simples na internet. Há, também, inúmeros sites que também detalham cada uma das etapas da declaração. Ademais, convém destacar que talvez para nós tenha sido tudo bem simples porque não temos nenhuma renda e/ou bens no exterior, situações que geram muitas dúvidas nos declarantes.

De maneira geral, não há nada diferente na declaração do imposto de renda de um estrangeiro morando no Brasil em relação à declaração de brasileiros residentes aqui, é tudo igual. Você só precisa preencher todas as rendas/bens que você percebeu/adquiriu no ano anterior. Faço a declaração do meu marido baseada em um documento chamado de “informes/declaração de rendimentos”, que é fornecido pela empresa em que ele trabalha, e também alguns outros documentos, como recibos, comprovante de bens, etc. Caso a pessoa possua uma empresa, o escritório contábil ou o departamento responsável por isso fornecerá os documentos necessários para fazer a declaração, caso se opte por fazer sem ajuda especializada.

Se não possui bens e nem recebeu nada de renda, não há nada a declarar. O único campo que nós não preenchemos na declaração de imposto de renda, pelo fato de meu marido não ser brasileiro, é aquele em que se pede o título eleitoral, que ele não tem (e provavelmente nunca terá).

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Testes para Estrangeiros em Processos Seletivos no Brasil

Um dia, meu marido leu em um artigo na internet que a cada 100 empresas, 89 delas se utilizam de algum tipo de teste na hora de recrutar. Isso foi algo que constatamos na prática, quando ainda estávamos nos familiarizando com os processos seletivos no Brasil. Acho que ele já fez todos os testes possíveis e imagináveis desde então, sem brincadeira.

O primeiro teste que fizemos (sim, eu e ele) foi online para uma vaga de trainee (já comentei sobre isso aqui), que contava com provas de português, inglês e conhecimentos gerais. Respondi, por motivos óbvios, as provas de português e conhecimentos gerais, que eram em português, e a prova de inglês fizemos juntos.

Depois desse primeiro, começaram a aparecer vários outros testes de inglês e raciocínio lógico, também online, em especial para vagas de emprego anunciadas no site Vagas.com. Nesse caso, só de clicar no ícone “candidatar-se”, automaticamente abria uma “janelinha” para a resolução do teste online e somente depois de resolver o teste é que aparecia o ícone para “confirmar candidatura”. Os testes online nesse site de procura de emprego são todos cronometrados. A prova de inglês geralmente é aplicada em vagas que exigem inglês de avançado a fluente, e a prova de raciocínio lógico em geral é aplicada para vagas técnicas, em especial na área de exatas. Antigamente, esses testes se repetiam, e era necessário resolvê-lo toda vez que se aplicava para diferentes vagas que o requeriam. Houve um mesmo teste de inglês que resolvemos pelo menos umas três vezes, igualzinho. Hoje em dia, os testes de inglês e raciocínio lógico são resolvidos apenas uma vez e têm validade de seis meses. Apesar de mais prático, prefiro o sistema anterior, que permitia melhorar o desempenho a cada resolução.

Para resolver o teste de raciocínio lógico, meu marido copiava e colava os enunciados no Google Tradutor para agilizar, uma vez que são testes cronometrados. No começo, ele copiava porque não entendia quase nada mesmo. Com o passar do tempo, quando começou a entender, continuou no ctrl C – ctrl V para poder resolver o exercício mais rapidamente, já que o tempo é bem limitado para a resolução.

O primeiro teste em folha de papel que ele teve de resolver pessoalmente, durante uma entrevista, era um teste de raciocínio lógico e de conhecimentos técnicos específicos. Na segunda parte do teste ele não foi bem, porque seu conhecimento sobre o assunto era meio fraco, mas a parte de raciocínio lógico ele tirou de letra. Coincidentemente, depois desse primeiro teste presencial muitos outros vieram, por isso o trabalho de procurar emprego acabou ficando dobrado, pois além de se preparar para a entrevista em si, ele ainda tinha que se preparar para os testes. Ele precisou, então, estudar cálculos e resolver listas de exercícios por horas. Bem dizem que procurar emprego é o próprio emprego da pessoa, só que sem remuneração, porque há muito a se fazer, consome boa parte de seu dia e você fica cansado como se estivesse saindo para trabalhar.

Desde que chegou ao Brasil, ele já fez tudo um pouco durante os processos seletivos, incluindo testes psicológicos, redações do tipo “fale-me sobre você” em português e inglês, ou então “descreva suas experiências profissionais”, além de muito preenchimento de formulário à mão, mesmo que o recrutador tenha uma cópia do currículo em mãos. Acho que de todos os testes que ele já fez, só faltou mesmo teste de urina, de fezes e de resistência física rs…

O mais longo e extenuante teste que ele fez presencialmente durou quatro longas horas e incluiu teste de raciocínio lógico, matemática básica, português, além de dois testes aplicados no computador usando o Word e o Excel. Esses testes no computador e o teste de português nos pegaram de surpresa naquela ocasião. Primeiro o de português que, por incrível que pareça, foi a primeira vez que ele teve que resolver durante um processo seletivo. Até então eram apenas testes online de inglês. Os testes no Word e no Excel também foram novidade, se eu fosse a candidata, já teria dançado bonito no Excel, pois só sei fazer planilha podre, pior do que básica. Além de todos esses testes, ele também teve de preencher um formulário, falar um pouco sobre ele e no dia seguinte, depois da entrevista com o recrutador, ele precisou que resolver um teste psicológico, daqueles de ficar desenhando palitinhos em uma folha branca.

A grande questão é, se o português do sujeito for ruim (já falei um pouco sobre isso aqui e aqui), como é que vai poder participar de variados processos seletivos? Não sei quanto às empresas pequenas, mas há uma grande possibilidade de as grandes, ou as melhores, aplicarem algum teste de seleção. Então, não tem jeito, com um português ruim, as chances diminuem mesmo. Por isso bato sempre, sempre, sempre na mesmíssima tecla, façam seu companheiro estudar português e tudo o mais que seja necessário, é o único jeito de se dar realmente bem por aqui, não tem jeito, não tem segredo, não tem nada, é isso aí e fim de papo. Uma pessoa sem português é praticamente um ninguém, a não ser que se tenha muito contato para fazer e acontecer, mas partindo da premissa que não se tem, aí é com vocês. Como nós não temos, sempre nos descabelamos para fazer as coisas acontecerem do jeito tradicional mesmo. O jeito é trabalhar, estudar e continuar tentando, sempre melhorando, até que se chegue à perfeição, o resultado positivo será consequência.

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Sites de RH Pagos para Procura de Emprego para Estrangeiros

Quando o período o qual tínhamos nos programado para dar uma pausa no envio de currículos estava prestes a chegar ao fim, conforme relatei aqui, comecei a pensar seriamente nos passos seguintes. Não que até então eu não tenha agido com seriedade, pelo contrário, sempre estive cem porcento comprometida e levando tudo muito a sério, mas eu ainda estava apenas entrando no ritmo de procura por emprego naquela época. Tudo o que eu publiquei até agora foi, mais ou menos, quase na mesma sequência de acontecimentos. Do momento em que você começa a lidar com procura de emprego, até o momento em que você domina inteiramente como isso funciona, há uma diferença gigantesca. Se eu soubesse tudo o que sei agora desde o início, não só sobre procura de emprego, mas tantos outros aspectos de adaptação de estrangeiro no Brasil, talvez meu marido tivesse conseguido um emprego aqui bem antes. Mas é assim mesmo, sem ninguém para nos orientar, nos guiamos pelo clássico erro e tentativa.

Meu foco era conseguir que meu marido fosse chamado para mais entrevistas aqui no Brasil com chances reais de conseguir emprego. O fato é que eu tive de mudar minhas estratégias. Até aquele momento, eu havia cadastrado o currículo de meu marido apenas em sites de recursos humanos gratuitos, mas há inúmeros outros que são pagos, embora nem todos sejam sérios.

Acho que todo mundo que procura emprego já ouviu falar do site Catho. Trata-se de um site em que se paga uma mensalidade para poder fazer uso de suas ferramentas, mas a equipe Catho quase nunca faz seleção de currículos para as vagas. O site funciona, basicamente, como um banco de currículos online, em que o candidato paga para cadastrar o currículo e as empresas pagam para disponibilizar as vagas no site. As empresas, ao utilizarem-se das ferramentas do site Catho, recrutam os candidatos às vagas diretamente, sem intermediários. E os candidatos, por sua vez, podem se cadastrar à todas as vagas disponíveis a qualquer tempo, ilimitadamente. Vale lembrar que os sete primeiros dias de uso do site são gratuitos, você pode se cadastrar, candidatar-se às vagas durante uma semana sem ônus algum e, findo o prazo, pode decidir se continua com o cadastro, só que agora pago, ou se cancela o serviço definitivamente, não mais podendo fazer uso das ferramentas do site gratuitamente.

Eu achei o site e suas ferramentas bem interessantes e resolvi investir. Escolhi o plano trimestral, por ser mais em conta que o mensal. A opção semestral sai mais em conta ainda. A mensalidade de meu plano trimestral era, então, de R$ 57,90 (atualmente, no ano de 2017, o valor é de R$ 59,90). Findo o prazo de três meses, o plano se renova automaticamente. Se não for de seu interesse renovar, você pode acessar no próprio site e cancelar no ícone correspondente antes da data do vencimento.

Logo de cara, após inscrevê-lo no site e começar a candidatá-lo às vagas, meu marido foi chamado para uma entrevista (a segunda dele pessoalmente) e eu me empolguei, achando que iria chover ligações e o que é melhor, ligações diretamente das empresas, mas não foi bem assim que a coisa se sucedeu. Recebemos algumas ligações por causa da Catho, mas nada daquilo que esperávamos naquele momento. Minha percepção inicial foi de que as cinco ligações que recebemos naquele ocasião representavam números decepcionantes, uma vez que era o site em que mais enviávamos currículos, tipo centenas deles.

Com o tempo e também com mais experiência, mudei um pouco minha percepção sobre a Catho e sobre todo o processo de envio de currículos. É padrão enviar o currículo para centenas e centenas de vagas em sites diversos e receber meia dúzia de ligações ao longo da procura, é assim para brasileiros e estrangeiros. Aconteceu com meu marido todas as vezes em que ele precisou procurar por emprego, e acontece recorrentemente com outras pessoas também. Hoje, não abro mão de pagar o plano trimestral da Catho quando precisamos procurar emprego, pois o investimento sempre se revela positivo no final.

Não sei o que os candidatos brasileiros acham desse site, mas em nosso caso eu acho que é muito necessário, pois a maioria das grandes empresas anuncia lá. As agências de recrutamento e seleção TAMBÉM disponibilizam suas próprias vagas no site, o que acaba facilitando um pouco o trabalho de procura. Não percebi isso de imediato, mas depois de um tempo, comecei a reparar que já havia visto algumas das vagas em outros sites de recursos humanos. Não era só impressão, no fim das contas, acabei mandando currículo mais de uma vez para a mesma vaga, porém em sites distintos. Com o tempo, você começa a perceber que as empresas de recursos humanos publicam a mesma vaga em diversos sites e blogs para divulgá-las ao maior número de pessoas possível, então não estranhem se tiverem a sensação de ter visto a vaga antes em outro lugar, porque, provavelmente, você viu mesmo.

Há, entretanto, muitas empresas de RH pagas que não prestam para nada, só comem seu dinheiro e o pior é que muita gente cai nessas ciladas. O ideal é que a maioria das vagas sejam divulgadas e os profissionais selecionados sem que se gaste um tostão com isso durante todo o processo seletivo. A empresa contratante é que deve arcar com os gastos da contratação de empresas de RH terceirizadas para fazer a seleção, nunca o candidato. A Catho, por exemplo, é uma exceção por ser uma plataforma de divulgação e procura de vagas. Além da Catho, imagino que haja outros sites interessantes, mas não posso opinar, pois nunca utilizei os serviços de outros grandes sites. Mas tenha em mente que o melhor é procurar por empresas sérias, conhecidas e de reputação. E acredito que se inscrever em apenas um ou dois sites de recursos humanos pagos é mais do que suficiente. Portanto, não invista muita grana com isso em sites variados, porque não vale a pena. Também já utilizei o plano premium do LinkedIn e achei que deixou a desejar, ou talvez eu que não tenha utilizado todos os recursos da plataforma adequadamente, ainda não tenho uma opinião formada sobre isso. Mas confesso que esperava mais desse investimento, prefiro a Catho, sem sombra de dúvida.

Minha última dica é, seja lá qual for o site de RH pago que você tenha escolhido para se candidatar às vagas de emprego, sempre pesquise a reputação da empresa antes no site do Reclame Aqui e também na página da própria empresa no Facebook, isso dará uma boa ideia se o investimento valerá a pena ou se você terá apenas dores de cabeça.

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Oportunidade de Trabalho para Estrangeiro por Indicação

Muito se fala sobre o famoso QI, o “Quem Indica” para arranjar emprego para o estrangeiro no Brasil (e não só o estrangeiro, diga-se de passagem, mas principalmente o brasileiro). A maioria dos relatos que ouço e leio é que é infinitamente mais fácil e rápido arrumar emprego assim. Infelizmente, meu marido e eu fazemos parte do grupo sem contatos imediatos. Ninguém nunca nos indicou para nada, o que pode ser bom ou ruim, a depender do ponto de vista.

Quando meu marido ainda nem tinha se mudado para o Brasil, escutei de várias pessoas promessas e juras eternas de que eles iriam ajudá-lo a arranjar um emprego. Minha ingenuidade e óbvia falta de experiência no assunto me fizeram acreditar piamente em tais promessas. Não cheguei a pensar que meus contatos me ajudariam logo no primeiro mês de meu marido aqui, até porque com um português ruim daquele, era algo praticamente impossível, mas achei que depois de uns oito meses aqui, os contatos começariam a funcionar, em especial porque nesse meio tempo meu marido teria tempo suficiente para melhorar consideravelmente seu português.

Inicialmente, tentamos fazer contatos com familiares e amigos mais próximos, mas quase ninguém tinha muitos contatos na área de trabalho de meu marido. Alguns e-mails com o currículo foram enviados àqueles que pediram que enviássemos para que eles pudessem encaminhar a seus próprios contatos. Não obtivemos nenhuma resposta, nem para dizer que não poderiam ajudar ou que não havia nenhuma vaga em aberto de acordo com o objetivo profissional dele. Como eram contatos bem vagos, não foi algo que chegou a me frustrar.

A primeira frustração foi com uma conhecida relativamente próxima. Essa moça é psicóloga e trabalhava com recrutamento e seleção em uma grande empresa de RH de minha cidade. Sabendo desse fato, mandei mensagem a ela perguntando se havia vagas abertas na área de trabalho do marido e que, se não houvesse, se ela poderia me avisar da abertura de alguma vaga futuramente. Claro que eu poderia ter visto isso tudo no site da empresa por conta própria, mas a questão era contato. A resposta simplesmente nunca veio, ela visualizou a mensagem e simplesmente ignorou, e eu nem pedi “por favor, arranje um emprego para meu marido gringo”. Eu jamais faria isso porque tenho noção que isso é horrível, então procurei ser bem cuidadosa ao contatá-la.

A segunda frustração aconteceu logo em seguida, ainda que eu tivesse começado a acordar para realidade. Uma pessoa bem próxima a mim, sem eu pedir nada, contou-me que ela encaminharia o currículo do marido diretamente para uma pessoa que trabalhava em uma grande multinacional e que já tinha ajudado outras pessoas a conseguir emprego lá. Encaminhei o currículo esperançosa. Passado um mês, perguntei se ele havia encaminhado e a resposta foi NÃO, seguida de uma promessa de que não passaria do final daquela semana. Mais de TRÊS meses se passaram e a desculpa continuou a mesma. Até que, de tanto eu perguntar (por ser uma pessoa muito próxima, eu tinha essa liberdade), a esposa dessa pessoa confessou que ele não estava se sentindo confortável em mandar o currículo porque não tinha mais muito contato com o rapaz em questão.

Agora vem a pergunta: por que prometeu algo que sabe que não vai cumprir? Por que criar expectativas? Para começo de conversa, não deveria nem ter oferecido ajuda se não que ajudar de verdade. Uma pessoa em busca de emprego, querendo ou não, acaba criando expectativa, sim, por menor que seja, ainda mais se a pessoa se compromete em ajudar a fazer as coisas acontecerem, o que é uma situação totalmente diferente de se mandar currículo para empresas de recursos humanos. No caso dos contatos, você confia na pessoa por ser próxima e diante de promessa de ajuda, você espera resposta, surge uma ansiedade e é algo que não tem como evitar.

Acabou que eu mesma abordei o contato da multinacional por minha própria conta e risco, eu conhecia o rapaz de longa data, mas ele era apenas conhecido e não amigo próximo. Mandei uma mensagem via Facebook explicando a situação e perguntei se eu poderia enviar o currículo. Ele respondeu que sim, que não havia problema algum, eu enviei, mas depois ficou por isso mesmo. Por quê? Porque o contato teria mais impacto se aquela pessoa próxima que havia me prometido inicialmente tivesse ela própria encaminhando o currículo. É assim que a coisa funciona quando falamos de contato para emprego, quanto mais próxima ela for de você, mais chances você tem, pois costumamos ser muito mais abertos e suscetíveis com as pessoas mais próximas, aquelas que conhecemos bem, não somos assim com desconhecidos ou com quem pouco conhecemos.

A partir deste ponto e com várias histórias semelhantes se repetindo, simplesmente desacreditei dessa história de contato. A meu ver e baseada em minhas próprias experiências pessoais, pouca gente está a fim de estender a mão, são poucos os que se importam realmente, afinal, não é um problema deles, não é com eles e também ninguém vai perder seu precioso tempo para se colocar em seu lugar. Claro que uma ou outra pessoa se interessou por nossa causa, encaminhou o currículo ou então deu dicas de sites e blogs de divulgação de vagas, mas também não passou disso. Em compensação, já perdi as contas de quantas pessoas já ajudei revisando ou elaborando um novo currículo, indicando sites, vagas, dando dicas, etc.

A gota d’água para mim se deu na ocasião da visita de um parente de minha mãe. Não sei como, mas ela descobriu que esse parente tinha um amigo dono de uma indústria na mesma área de formação de meu marido. O parente prometeu falar pessoalmente com o amigo dele para ver se arranjava algo. Novamente, eu não pedi nada, ele se ofereceu. Entregou-me seu cartão de visita e nos deixou à vontade para ligar. Como é parente de minha mãe, ficou combinado que ela mesma ligaria. Resumindo história, o parente praticamente tirou o corpo fora, mas sutilmente, para minha mãe não notar. Esperto ele. As duas vezes em que ela o telefonou, ele inventou mil desculpas, que estava em um evento, que não podia falar, que retornaria a ligação no dia seguinte e o dia seguinte nunca chegava.

O que me perturba profundamente não é o fato de nenhum contato ter ajudado meu marido, mas a falta de consideração das pessoas. Por que criar expectativa? Por que oferecer a ajudar? E, acima de tudo, seja claro e sincero, PODE AJUDAR? ÓTIMO. NÃO PODE? MUITO OBRIGADA PELA ATENÇÃO E SEM MAIS. Uma pessoa que está a procura de emprego não precisa disso, já há emoções em demasia para administrar.

Ao longo de toda nossa experiência procurando emprego, recebemos uma única proposta de trabalho concreta por intermédio de um contato. Meu marido ficou bem empolgado, afinal, depois de tanto tempo procurando emprego, mandando currículo, participando de processos seletivos, é muito estimulante e aliviador pensar que alguém, enfim, está disposto a dar uma chance.

No dia combinado, lá foi meu marido, todo contente, conversar com o dono da empresa. Era uma indústria de médio porte com aproximadamente 400 funcionários. Como foi alguém sênior da empresa quem o indicou, um senhor que trabalha há anos lá, ele teve o privilégio de fazer uma entrevista na hora do almoço diretamente com o dono.

Segundo meu marido, logo nos primeiros dez minutos de conversa ele pensou “o que estou fazendo aqui?”. Sentiu que não renderia muitos frutos, mas prosseguiu mesmo assim por respeito e consideração à pessoa que o indicou. Depois da tensão inicial, a conversa acabou fluindo. O dono disse que o contrataria por 3 meses, em caráter de experiência, para ver no que ia dar e o convidou para conhecer as instalações da planta.

Meu marido tem bastante conhecimento e experiência em sua área de atuação e só de observar os colaboradores trabalhando, já percebeu que havia muita coisa para se implementar e desenvolver. Após visitar a planta, ele foi encaminhado ao setor de RH para conversar com a responsável. Não sei direito o que eles conversaram, só sei que ela escreveu em um pedaço de papel qualquer – sim, um pedaço de papel daqueles que a gente rasga com a mão de qualquer jeito – o cargo que eles estavam propondo a contratação, bem como o valor do salário oferecido e benefícios. Ele voltou com o papelzinho para casa e me mostrou. Eles estavam oferecendo proposta de contratação como operador de produção trainee, mas ele é engenheiro.

Pensei, então, que talvez fosse uma manobra do dono da empresa para pagar bem menos salário durante os três meses de experiência, talvez não quisesse se arriscar com um estrangeiro. Meu marido nem ligou para o salário que eles ofereceram, que era de quase R$ 1.200 mais os benefícios, ele estava mesmo interessado em ter uma chance de entrar no mercado de trabalho brasileiro, nem que fosse ganhando um salário irrisório se comparado ao salário de sua categoria e de acordo com sua formação. Ele estava , portanto, disposto a aceitar, o problema era o tal do “operador” na Carteira de Trabalho.

Pensamos em algumas opções antes de ligar para o RH da empresa. Quem sabe se eles o registrassem como assistente, analista. Não teve jeito, a proposta era para operador e nada mais. O dono queria que meu marido, um engenheiro, trabalhasse como operador de produção de todas as máquinas possíveis e imagináveis antes de fazer aquilo que ele realmente sabe fazer, que é gerenciar os processos. Ele teria que ser operador trainee primeiro, depois operador júnior 1, operador júnior 2, operador sênior, operador isso, operador aquilo, quem sabe quando ele estivesse idoso ele já teria operado todos os equipamentos da empresa para ganhar experiência antes de assumir um cargo de auxiliar, e ainda assim algo muito distante da sua experiência e formação profissional. Seguindo a lógica da analista de RH, ele iria morrer e ainda estaria trabalhando nas mais diversas máquinas da empresa como operador. A ideia do dono da empresa era que ele operasse todas as máquinas, passasse por todas as etapas e somente depois ele veria o que faria com o marido. A moça do RH até nos ligou para passar as orientações de contratação, documentos, exames, etc, mas tentamos ganhar tempo para pensar em uma solução.

Dias depois, meu marido foi novamente à empresa para conversar com o dono e ver o que poderia ser feito. Ele se preparou para a conversa, levou materiais e estudos para exemplificar os benefícios que ele agregaria à empresa trabalhando para eles com aquilo que ele sabe realmente fazer, mostrando que seria infinitamente mais útil à empresa trabalhando em outro cargo na área de engenharia. O dono da empresa até que foi bem receptivo, mas não queria mesmo registrá-lo com outro cargo que não operador de produção. Até surgiu a opção de se trabalhar sem registro em carteira, mas como meu marido estava em meio a outros dois processos seletivos sérios, exatamente com aquilo que procurávamos em nossas buscas por emprego, deixamos a proposta em modo de espera caso a coisa ficasse muito ruim financeiramente para nosso lado, então tudo ficou por isso mesmo.

Ainda que a situação não tenha se desenrolado como o esperado, preciso ressaltar que tudo isso só aconteceu por causa do contato que meu marido fez jogando futebol, de uma conversa tomando uma cervejinha depois do jogo. Então, é claro que contatos funcionam eventualmente em algumas poucas situações, em especial se a pessoa se interessar realmente por sua causa, mas isso não é a regra no mercado de trabalho, é a exceção. Contatos não brotam em árvores e não caem do céu quando a gente mais deseja, eles simplesmente acontecem quando menos se espera, e são raríssimos.

É exatamente por esse o motivo que sempre me dediquei ao extremo para conseguir emprego para meu marido pelo método tradicional sem atalhos, ou seja, o clássico mandar currículo e aguardar o convite para os processos seletivos. Tenho certeza de que a procura por emprego tradicional é o caminho mais correto e justo com todos os envolvidos nos processos seletivos, sem precisar contar com a ajuda de ninguém, contando somente com você mesmo, seus conhecimentos e seu esforço. Hoje, eu me arrependo de ter perdido um precioso tempo esperando a ajuda dos contatos, mas infelizmente não posso voltar atrás em relação à atitude de recorrer a eles que tive no passado, sinto até um pouco de vergonha por isso. Nunca mais fiz isso e tenho certeza que isso não se repetirá no futuro.

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Fazer Dinheiro com Qualquer Trabalho ou Manter o Foco no Objetivo?

É fato sabido e notório que uma grande parte dos estrangeiros que se muda para o Brasil em caráter permanente acaba dando os primeiros passos profissionais no mercado  de trabalho brasileiro dando aulas de idiomas, seja inglês, espanhol ou qualquer outra língua em cursos regulares ou aulas particulares. É um jeito de ganhar um dinheiro e ocupar o tempo até que conquiste uma vaga de trabalho efetiva na área de atuação. Há, também, pessoas que topam serviços gerais ou operacionais, dependendo do grau de necessidade de dinheiro, e muitas vezes na informalidade, mesmo.

A decisão de se dar aulas de idiomas ou encarar subempregos é muito subjetiva, vai do consenso do casal e de suas necessidades mais emergenciais. Em meu caso, meu marido e eu conversamos muito sobre isso e, apesar de ele ter se mostrado inclinado a dar aulas de conversação em inglês, acabei convencendo-o a adiar esse plano naquele momento, porque fazer dinheiro a qualquer custo não era prioridade, os planos eram outros.

Certa vez, como já comentei neste post aqui, fizemos um trabalho freelance como recepcionistas bilíngues em um encontro médico. Conversando com uma das expositoras do evento, ela foi extremamente indelicada. Lá pelas tantas da conversa, em que o assunto era emprego fixo para meu marido, a mulher começou a falar que ele não poderia escolher emprego, que deveria pegar o que aparecesse pela frente, que ele deveria trabalhar como garçom, lavador de prato, o que viesse. Não tenho preconceito algum contra esse tipo de emprego, jamais, de maneira alguma, são empregos dignos e que, se fosse necessário, eu mesma encararia qualquer um deles. Mas o fato é que pessoas que trabalham em serviços gerais ou operacionais o fazem por falta de opção, instrução, experiência, oportunidade, raros são os casos de quem acredita que nasceu para esses ofícios sem querer evoluir para outros melhores. São trabalhos árduos, exaustivos e muitas vezes mal remunerados. Imigrantes brasileiros ilegais no Estados Unidos costumavam (e ainda costumam) a trabalhar nesse tipo de serviço, mas infinitamente mais bem remunerados. Lá, eles também não têm muitas opções por causa da situação ilegal e talvez, também, por causa do pouco domínio do idioma pela maioria deles.

O que acontece é o seguinte, meu marido é instruído, diplomado, em situação regular no país, com boas condições financeiras. Ele veio por minha causa e se a situação profissional estiver tão ruim assim, a ponto de ter de trabalhar arduamente para ganhar um salário mínimo, é lógico que é melhor que ele fique trabalhando lá no país dele em sua área de atuação e ganhando muito melhor. Pode não ser maravilhosamente bem remunerado, mas vai ter a satisfação de se trabalhar com aquilo que gosta, com o que dá prazer, fazendo valer o tempo e o dinheiro gastos frequentando uma universidade para um ofício que ele mesmo escolheu para seu futuro.

Eu disse à abençoada que falou que ele deveria lavar pratos que se ele tivesse mesmo que lavar, melhor seria ele (e eu) voltar para seu país e trabalhar por lá mesmo. E ela ainda teve a audácia de falar “que volte então”. Eu queria socar a cara daquela mulher, juro! E disse a ela que ela fosse lavar pratos, então, já que ela gostava tanto. Lamentável ter de discutir isso com uma estranha que nem sabe nada de sua vida, mas que quer dar lição de moral.

Sobre dar aulas de inglês, é algo que não descartávamos na época, mas a questão central era, tínhamos um objetivo específico e trabalhávamos com foco, queríamos uma vaga na área dele e não queríamos nos desvirtuar. Ele estudou muito para isso e, a cada processo seletivo, ele dava um passo a mais e ficava cada dia mais próximo do alvo. Trabalhando como professor, com carteira assinada ou não, ele teria horas de trabalho a cumprir, como iria administrar os cursos de aperfeiçoamento, as entrevistas e as ligações com um emprego em tempo integral? Isso acabaria dificultando o processo.

Claro que isso foi uma opção nossa, há pessoas que preferem encarar empregos alternativos para não ficarem ociosos e, claro, ganhar dinheiro. Acho super válido e vai da cabeça de cada um, afinal, nem sempre o que é bom para mim é bom para você. Então, não há resposta certa para a pergunta do título do post, você deve fazer o que for melhor, o que se encaixa mais adequadamente à situação. Em nosso caso, achamos que encarar empregos fora da área de formação do meu marido atrapalharia o processo de procura por emprego.

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Trabalhos Freelance Bilíngues

Vez ou outra, antes de meu marido começar a trabalhar formalmente no Brasil, fazíamos alguns trabalhinhos como recepcionistas bilíngues em eventos diversos, coisa rápida, e que rendia um dinheiro extra sem maiores sacrifícios. Precisávamos apenas de um traje social, um sorriso no rosto e o inglês razoável, sem fluente precisava ser.

O trabalho pode durar uma manhã, uma tarde ou uma noite, talvez até um dia inteiro, dois ou uma semana toda. A diária, na época, girava em torno de 120 reais. Na última vez em que fomos convidados, ganhamos quase 500 reais em apenas dois dias, quer coisa melhor? Recepcionistas não bilíngues ganham menos, mas ainda assim vale a pena para ganhar uns bons trocos nas horas de folga.

Não me perguntem como arranjar esse tipo de freelance, porque eu não sei, meu caso era por conta de um contato imediato que eu tinha, alguém muito próximo da família, que foi quem nos convidou. Sempre que surgia uma oportunidade, aceitávamos prontamente, é lógico. Chegamos a ganhar um bom dinheiro com isso e até ficamos uma semana inteira em outra cidade, com hospedagem e alimentação pagos, sem contabilizar o valor das diárias. Por problemas de relacionamento com esse familiar, os contatos acabaram cessando. Faz parte.

A primeira vez que fomos convidados, meu marido já estava no Brasil havia seis meses, e seu português era básico do básico. Era um encontro médico com profissionais de vários países, dentre eles Suécia, Itália, Coréia do Sul, Japão, Inglaterra e Romênia. Quando solicitados, deveríamos auxiliar os convidados estrangeiros. Dentre os convidados do Reino Unido, havia um senhorzinho muito simpático, de seus 70 e poucos anos, com um inglês fofo, ele falava devagar normalmente e não porque éramos brasileiros, sua dicção era super clara e ele tinha aquele sotaque lindo que só os britânicos têm. Em compensação, havia um outro sujeito, inglês também, que eu simplesmente não entendia nada do que ele falava. O marido salvou a pátria, não só entendeu o que o rapaz dizia, como até hoje ele debocha de mim por causa da situação porque eu não estava entendendo patavinas. Disgramado! Talvez hoje em dia eu entendesse, ou não, porque para mim parecia que ele estava falando uma língua aborígene e não inglês! rs… Foi um pesadelo falar com o sujeito.

Sugiro, então, que vocês pesquisem na internet sobre recepção de eventos bilíngue, volte e meia empresas de eventos contratam, com certeza vale a pena dar uma olhada. O bom é que seu parceiro não precisa manjar muito de português para fazer isso, basta gastar o inglês (ou outra língua) à toa. É uma ótima pedida para preencher o tempo com uma atividade fácil e remunerada, em que se pode, inclusive, fazer uns contatos e sem se comprometer em horário integral, ou seja, será possível se dedicar a outras atividades paralelamente.

Fica a dica aos interessados. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!