Testes para Estrangeiros em Processos Seletivos no Brasil

Um dia, meu marido leu em um artigo na internet que a cada 100 empresas, 89 delas se utilizam de algum tipo de teste na hora de recrutar. Isso foi algo que constatamos na prática, quando ainda estávamos nos familiarizando com os processos seletivos no Brasil. Acho que ele já fez todos os testes possíveis e imagináveis desde então, sem brincadeira.

O primeiro teste que fizemos (sim, eu e ele) foi online para uma vaga de trainee (já comentei sobre isso aqui), que contava com provas de português, inglês e conhecimentos gerais. Respondi, por motivos óbvios, as provas de português e conhecimentos gerais, que eram em português, e a prova de inglês fizemos juntos.

Depois desse primeiro, começaram a aparecer vários outros testes de inglês e raciocínio lógico, também online, em especial para vagas de emprego anunciadas no site Vagas.com. Nesse caso, só de clicar no ícone “candidatar-se”, automaticamente abria uma “janelinha” para a resolução do teste online e somente depois de resolver o teste é que aparecia o ícone para “confirmar candidatura”. Os testes online nesse site de procura de emprego são todos cronometrados. A prova de inglês geralmente é aplicada em vagas que exigem inglês de avançado a fluente, e a prova de raciocínio lógico em geral é aplicada para vagas técnicas, em especial na área de exatas. Antigamente, esses testes se repetiam, e era necessário resolvê-lo toda vez que se aplicava para diferentes vagas que o requeriam. Houve um mesmo teste de inglês que resolvemos pelo menos umas três vezes, igualzinho. Hoje em dia, os testes de inglês e raciocínio lógico são resolvidos apenas uma vez e têm validade de seis meses. Apesar de mais prático, prefiro o sistema anterior, que permitia melhorar o desempenho a cada resolução.

Para resolver o teste de raciocínio lógico, meu marido copiava e colava os enunciados no Google Tradutor para agilizar, uma vez que são testes cronometrados. No começo, ele copiava porque não entendia quase nada mesmo. Com o passar do tempo, quando começou a entender, continuou no ctrl C – ctrl V para poder resolver o exercício mais rapidamente, já que o tempo é bem limitado para a resolução.

O primeiro teste em folha de papel que ele teve de resolver pessoalmente, durante uma entrevista, era um teste de raciocínio lógico e de conhecimentos técnicos específicos. Na segunda parte do teste ele não foi bem, porque seu conhecimento sobre o assunto era meio fraco, mas a parte de raciocínio lógico ele tirou de letra. Coincidentemente, depois desse primeiro teste presencial muitos outros vieram, por isso o trabalho de procurar emprego acabou ficando dobrado, pois além de se preparar para a entrevista em si, ele ainda tinha que se preparar para os testes. Ele precisou, então, estudar cálculos e resolver listas de exercícios por horas. Bem dizem que procurar emprego é o próprio emprego da pessoa, só que sem remuneração, porque há muito a se fazer, consome boa parte de seu dia e você fica cansado como se estivesse saindo para trabalhar.

Desde que chegou ao Brasil, ele já fez tudo um pouco durante os processos seletivos, incluindo testes psicológicos, redações do tipo “fale-me sobre você” em português e inglês, ou então “descreva suas experiências profissionais”, além de muito preenchimento de formulário à mão, mesmo que o recrutador tenha uma cópia do currículo em mãos. Acho que de todos os testes que ele já fez, só faltou mesmo teste de urina, de fezes e de resistência física rs…

O mais longo e extenuante teste que ele fez presencialmente durou quatro longas horas e incluiu teste de raciocínio lógico, matemática básica, português, além de dois testes aplicados no computador usando o Word e o Excel. Esses testes no computador e o teste de português nos pegaram de surpresa naquela ocasião. Primeiro o de português que, por incrível que pareça, foi a primeira vez que ele teve que resolver durante um processo seletivo. Até então eram apenas testes online de inglês. Os testes no Word e no Excel também foram novidade, se eu fosse a candidata, já teria dançado bonito no Excel, pois só sei fazer planilha podre, pior do que básica. Além de todos esses testes, ele também teve de preencher um formulário, falar um pouco sobre ele e no dia seguinte, depois da entrevista com o recrutador, ele precisou que resolver um teste psicológico, daqueles de ficar desenhando palitinhos em uma folha branca.

A grande questão é, se o português do sujeito for ruim (já falei um pouco sobre isso aqui e aqui), como é que vai poder participar de variados processos seletivos? Não sei quanto às empresas pequenas, mas há uma grande possibilidade de as grandes, ou as melhores, aplicarem algum teste de seleção. Então, não tem jeito, com um português ruim, as chances diminuem mesmo. Por isso bato sempre, sempre, sempre na mesmíssima tecla, façam seu companheiro estudar português e tudo o mais que seja necessário, é o único jeito de se dar realmente bem por aqui, não tem jeito, não tem segredo, não tem nada, é isso aí e fim de papo. Uma pessoa sem português é praticamente um ninguém, a não ser que se tenha muito contato para fazer e acontecer, mas partindo da premissa que não se tem, aí é com vocês. Como nós não temos, sempre nos descabelamos para fazer as coisas acontecerem do jeito tradicional mesmo. O jeito é trabalhar, estudar e continuar tentando, sempre melhorando, até que se chegue à perfeição, o resultado positivo será consequência.

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Estrangeiros Lidando com a Frustração no Brasil

Antes de meu marido e eu nos estabelecermos em definitivo no Brasil, não vou dizer que vivíamos em uma bolha de perfeição, até porque enfrentamos alguns contratempos. Entretanto, estávamos envolvidos por uma atmosfera em que tudo, coincidentemente ou não, estava se encaixando perfeitamente. Tudo o que planejamos aconteceu de acordo com o esperado e deu tão certo que era até mesmo difícil de acreditar. Mas foi só meu marido pisar no Brasil que as coisas começaram a desandar. O ritmo ao qual estávamos acostumados, com tudo dando certo, não perdurou e as coisas deixaram de sair conforme o planejado.

Tínhamos essa sensação porque as questões burocráticas, como casar e tirar visto, por exemplo, passam a falsa sensação de controle. A equação, nesses casos, é muito simples, dê exatamente aquilo que é requerido e obtenha exatamente aquilo que é esperado, não tem segredo, basta seguir o passo a passo.

E daí que a parte de documentação é mesmo uma receita de bolo. Preencheu os requisitos? Ótimo, fim de papo, não tem muito o que pensar, adaptar ou improvisar. E quanto ao resto? O resto é receita a olho, aquela em que você vai combinando os ingredientes até achar o ponto certo. Às vezes vocês acerta, outras erra, mas a cada erro vai adaptando e improvisando para que tudo dê certo no fim, mesmo que o resultado não seja lá muito satisfatório. Assim é a adaptação de um estrangeiro no Brasil.

Não sou uma pessoa que se frustra facilmente. Claro que fico chateada e cansada mentalmente com situações pontuais, sim, mas tenho consciência de que certas coisas se desenvolvem em um processo lento até que tudo se estabilize. Já o marido não. Na cabeça dele, estaríamos navegando em águas calmas e cristalinas em uns seis meses, máximo um ano. Não sei o exato motivo porque ele fixou isso em sua cabeça, mas ele dizia que eu nunca o alertei de que seria tão demorado. Isso me chateou um pouco, porque eu disse isso a ele inúmeras vezes, tanto é assim que, mesmo quando eu morava com ele no exterior, sempre peguei no pé dele para que começasse a estudar português de verdade.

Uma pergunta que meu marido sempre me fazia era: quanto tempo para arranjar um emprego? Difícil responder. Então de tempos em tempos ele tinha alguns ataques por causa da frustração que tomava conta , era um trabalhão imenso exorcizá-lo. Ele pensou em desistir, quis ir embora, ficou deprimido, não quis falar, não quis comer, brigamos, quase nos estapeamos, já passamos por todas essas fases e não tenho vergonha nenhuma em admitir isso, pois são fases que, infelizmente, têm uma grande chance de acontecer. O bom é que, se você passar por todas elas, com certeza sairá mais fortalecido e mais realista em relação aos fatos, mas é duro, não é fácil velejar em mares revoltos, ainda que simplesmente façam parte.

O que faz a diferença é sua postura em relação a isso. Se eu fosse uma frustrada, chiliquenta, pavio curto, impaciente e incompreensiva, eu diria que meu casamento já teria ido para o espaço há muito tempo. Apesar de eu não gostar quando meu marido passava por uma grave crise de frustração – ficava triste mesmo – eu tentava compreender, pois acho mesmo que é justificável. Um estrangeiro, tentando se adaptar, procurando emprego e não achando, com dificuldade com a comida, lutando com o idioma, longe da família e amigos e que ainda não fez nenhuma amizade sólida, é a fórmula da bomba atômica pronta.

Muitas vezes, enquanto ele estava com mil dúvidas e frustrações, eu também começava a me questionar e pensar “o que estamos fazendo aqui?”, mas, como sempre, eram questionamentos passageiros, como uma nuvem que passa mais rápido do que chega. A questão é simples, eu sou brasileira, em meu próprio território, em zona conhecida, se não eu, quem irá segurar as pontas? Ninguém. O jeito é se recompor e seguir firme, contornando as situações com serenidade. É o que eu tentei fazer todo esse tempo. Acho que deu certo, apesar do pesares.

Termino esse texto com uma frase que li no Facebook dia desses: “Não é o mais forte que sobrevive, nem é o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças“. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Telefone Maldito – o Inimigo Número Um do Estrangeiro com Português Ruim

Vocês devem lembrar que eu comentei que, no começo da procura por emprego para meu marido estrangeiro aqui no Brasil, quem tinha que atender às ligações para ele era eu, pois eu tinha que explicar que ele tinha dificuldade de compreensão ao telefone. Isso era mentira, pois a verdade é que ele nem sabia falar português direito naquela época, ele apenas elaborava frases soltas que, juntas, não faziam muito sentido. Então inventei essa história de dificuldade ao telefone para não pegar tão mal e para que o marido não fosse sumariamente eliminado dos processos seletivos. É, fui muito desavergonhada.

Era óbvio que daquele jeito não daria para continuar, porque definitivamente não era comigo que o recrutador queria papo. Lógico que eu era bem séria ao telefone, quase como se fosse comigo, mas não dá, né? Era só para quebrar um galho temporariamente. Além do mais, eu me sentia super mal e incomodada com aquela situação, afinal, se o marido não conseguia nem falar ao telefone, como é que seria capaz de trabalhar?

Depois de algum tempo, quando ele já estava avançando um pouco mais em seus estudos, conversei com ele e expliquei que não dava mais, dali em diante ele teria que começar a enfrentar as ligações, porque ninguém quer papo com esposa de candidato gringo, em especial esposa que fica contando histórias da carochinha para despistar.

Depois dessa conversa, a primeira ligação que ele atendeu foi um fiasco, é claro. No primeiro segundo de desespero, ele logo jogou o telefone para mim, nem ao menos falou para a pessoa do outro lado da linha um “espere um minuto”. Ele simplesmente deixou a mulher falando sozinha e me deu o telefone, mas eu insisti para que ele tentasse, e ele simplesmente não quis tentar e passou o telefone para mim novamente. Nesse meio tempo a mulher lá, falando sabe deus o quê. Aí, com muito ódio no coração, peguei o telefone e falei com a mulher, mas a merda já estava feita, àquela altura ela já tinha percebido que ele não tinha ao menos a mínima capacidade de falar ao telefone.

Uma coisa tão simples para nós, não é mesmo? Mas não, é complicado mesmo, é a prova de fogo de seu nível de compreensão em qualquer idioma e costuma ser o último item que dominamos no aprendizado de outra língua. Podemos falar, escrever, ler, mas se ficarmos frente a frente com um falante nativo, seja ao telefone, seja pessoalmente, é que vamos conferir a real situação da coisa.

Nem lembro mais como foi que a ligação acabou, o que a mulher disse por fim, nada, só lembro de meu marido insistindo em me passar o telefone e a mulher falando sozinha. O que eu sei é que era para uma vaga bem interessante, de uma empresa multinacional iniciando suas atividades no Brasil e fazendo as primeiras contratações. Suspeito que foi a recrutadora da própria empresa quem ligou diretamente, sem intermediários, porque depois disso, uma sucessão de fatos curiosos se desencadeou e o marido acabou recebendo seis ligações de diferentes empresas de recursos humanos recrutando para a mesma vaga.

Depois dessa conversa fiasquenta ao telefone, o marido começou a ficar preocupado, porque seu português estava mesmo melhorando, mas ele tinha uma imensa dificuldade de compreensão ao telefone. O que fazer? Começamos a pensar em soluções, pois não poderíamos mais desperdiçar oportunidades, as quais já eram naturalmente escassas para ele naquela ocasião. Então pensei na coisa mais óbvia, eu teria que escutar toda a conversa para, em caso de necessidade, acudi-lo. Pois é, olha a que ponto se chega para salvar um marido gringo do fracasso total ao telefone!

Inicialmente, as empresas costumavam ligar em nosso telefone fixo que, embora sem fio, não possuía o recurso viva voz, então eu ficava escutando a conversa dele bem quietinha, com meu ouvido colado ao aparelho e, caso fosse necessário, eu falava ao seu ouvido o que ele deveria responder. Algumas vezes foi complicado administrar a situação para não deixar a pessoa do outro lado perceber que tinha alguém ajudando, mas em geral deu certo. Também logo percebemos que o pessoal do RH segue um script ao telefone bem manjado, pouco se diferenciando uma ligação da outra, e justamente por causa deste script previsível ele foi ganhando confiança e experiência também.

Cheguei a conversar algumas vezes em português com meu marido ao telefone na fase em que ele ainda estava tentando superar a sua limitação. Foi engraçado, tipo último recurso dos desesperados, mas não deu muito certo, pois ele conhece bem minha voz, minha entonação, então não adiantaria muita coisa, ele teria que aprender na prática mesmo falando com estranhos.

A maioria das ligações foi feita para o celular, o que permitia o uso do viva voz, então quase sempre deu tudo certo. Enquanto ele conversava, eu ía anotando todas as informações, como endereço, telefone, nome do entrevistador, hora da entrevista, tudo certinho e o acudia caso fosse necessário, isso sem que a pessoa do outro lado ao menos desconfiasse. Com o tempo, descobrimos uma tática interessante, eu mesma atendia o celular, aí eles pediam para falar com o marido, eu dizia que ele não estava, mas que ele retornaria a ligação em quinze minutos. Então já emendava perguntando o nome da pessoa que estava ligando, o nome da empresa, da vaga, o que, em geral, eles costumam falar, às vezes até mesmo sem perguntar. Nesses quinze minutos em que ele teoricamente estava fora, podíamos relembrar os detalhes mais importantes, do tipo quando aplicamos para a vaga, a sua descrição e o que mais fosse necessário. Fazíamos isso porque a maioria das vagas eram aplicadas por mim e eu obviamente não fazia um relatório descritivo delas para meu marido, apenas anotava em meu caderninho de vagas o nome da empresa ou consultoria de RH, nome da vaga e o dia em que enviei o currículo. E como eu tenho boa memória, costumo lembrar facilmente do que se trata. Então o marido só precisava abrir a página da internet onde a vaga foi aplicada, ler a descrição, às vezes ler um pouquinho sobre a empresa para saber o que eles fabricavam. Somente depois de fazer isso, ele finalmente retornava a ligação, com calma e segurança. Essa tática dá muito certo e a conversa rende e se desenrola muito bem, ele conseguiu agendar várias entrevistas assim.

Um ponto negativo de ele falar ao telefone usando o recurso do viva voz comigo ao lado dando um auxílio que observei, foi que quando a pessoa do outro lado fazia uma pergunta mais crítica, ele ficava fazendo sinal para mim para que eu falasse o que ele deveria responder. Entendo e acho natural que ele quisesse uma luz, mas eu não gostava disso, pois eu poderia acabar atrapalhando o ritmo da conversa. Aconteceu isso certa vez. Ele perdeu uma oportunidade de entrevista porque hesitou ao telefone (e era uma ligação no fixo, não no celular). Ele se embananou na resposta enquanto eu e ele conversávamos por sinais e enquanto isso a mulher desligou o telefone na cara dele. Ela não ouviu nossa conversa, nem viu nossa mímica, mas a falta de um diálogo firme e objetivo por parte dele fez com que ela simplesmente desligasse o telefone. Acho que a culpa foi minha, ele acha que a culpa foi dele, mas a culpa foi mesmo nossa. Ele não precisava mais daquilo, ele já tinha chegado a um ponto em que estava completamente apto a manter uma conversação sozinho ao telefone, já entendia tudo, respondia corretamente, tudo certinho, mas tenho a impressão de que ele ficou com um leve trauma daqueles tempos em que ele não entendia nada ao telefone e era mesmo preciso que eu o auxiliasse durante as ligações. Hoje em dia, ele prefere que eu o deixe sozinho para falar ao telefone quando recebe ligação para entrevistas. Como as coisas mudam, não?

Felizmente, apenas em três ligações as analistas desligaram o telefone na cara dele, o que achei uma tremenda falta de profissionalismo e de educação também. Mas ainda bem que há muita gente querida e solícita, que ajuda, fala devagar se preciso, repete quando necessário e até mesmo falam em inglês se souberem, tudo para que ele entenda perfeitamente, sem perder uma vírgula da conversa. Os brasileiros são gentis, sim, com os estrangeiros durante os processos seletivos, também são curiosos e jamais os tratam com desrespeito.

Depois de algumas experiências ruins ao telefone, eu resolvi eliminar, por fim, o nosso número fixo do currículo dele e deixei apenas o número do celular para facilitar as coisas.

Por que estou falando tudo isso sobre telefone e as situações que o envolvem? Depois do envio do currículo, falar ao telefone é etapa inicial e fundamental na maioria dos processos seletivos. A pessoa do outro lado vai descobrir imediatamente que é um estrangeiro ao telefone e é nesse momento em que ela decidirá se deve levar a conversa adiante ou não, chamar ou não para uma entrevista, mesmo sendo estrangeiro. Por se tratar de um momento decisivo, tudo depende de seu desempenho, confiança e firmeza ao responder as perguntas. Uma conversa que flui adequadamente vai resultar em uma entrevista, mas ao primeiro deslize, pode-se colocar tudo a perder e estrangeiro procurando emprego no Brasil não pode se dar ao luxo de cometer erros, seu aproveitamento tem que ser alto e por este motivo nem os detalhes devem passar despercebidos, tudo para aumentar suas chances no mercado.

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Cursos de Aperfeiçoamento Profissional para Estrangeiros no Brasil

Após poucos meses mandando currículos para meu marido estrangeiro e já bem mais habituada aos termos técnicos e à atividade exercida por ele, comecei a perceber que, apesar da sua experiência, estava faltando alguns conhecimentos bem específicos que certamente tornariam seu currículo mais robusto e atraente no mercado de trabalho brasileiro.

Ao procurar determinadas vagas, comecei a fazer algumas anotações sobre os conhecimentos mais frequentemente exigidos e que estavam ausentes do currículo dele. A princípio não dei muita importância, apenas anotei por anotar para mais tarde analisar o que aquilo tudo poderia colaborar no seu futuro profissional, talvez quando o português dele estivesse bom o suficiente para frequentar cursos e realmente tirar proveito das aulas.

Já falei várias vezes da preguiça inicial do meu marido em estudar português com afinco e que por um bom tempo ele levou o estudo nas coxas. Bom, ao lembrar de um episódio específico que ocorreu no passado, acabei decidindo o que fazer com ele, matando vários coelhos com uma cajadada só, em uma situação em que ele ocupasse o tempo e a mente, desenvolvesse o português, fizesse contatos e que se aperfeiçoasse profissionalmente.

O episódio inspirador, que ocorreu antes mesmo da chegada dele ao Brasil, foi o seguinte: certa vez, levei minha mãe ao médico e, ao invés de esperá-la na recepção do consultório, preferi esperar na praça em frente, sentada tranquilamente em um banquinho. Logo uma moça muito loira e bonita me abordou, estava fazendo uma pesquisa, ou algo assim, nem lembro direito o que ela queria, só sei que respondendo a algumas perguntas, eu estaria concorrendo a um prêmio. Já estava quase despachando a pobre da moça, achando que era “golpe”, quando notei um leve sotaque, bem no finzinho das palavras, mas uma coisa muito leve mesmo. Até pensei que a moça era de outro estado. Então, disse a ela “você não é daqui, não é mesmo?”. A resposta foi surpreendente, pois ela disse que era finlandesa!!! Fiquei embasbacada! Seu português era perfeito, gramaticalmente impecável, infinitamente melhor que o português de muitos brasileiros e o leve sotaque dava até um certo charme! Claro que não perdi a oportunidade de encher a pobre da finlandesa de perguntas, atrapalhando seu trabalho na cara dura!

Minha primeira pergunta foi “quanto tempo demorou para falar português assim?”. Ela me contou que levou mais ou menos um ano e meio. Também me contou que seu marido era brasileiro e que veio morar aqui por causa dele. Perguntei, também, como ela conseguiu aprender tão rápido e impecavelmente daquele jeito e ela me disse que precisava estudar (talvez pós-graduação, uma vez que não era tão novinha) e que teve que dar um jeito e se virar. Imagino que, obviamente, ao se expor ao idioma, sozinha, sem ninguém auxiliando, em um ambiente em que pouquíssimos dominam outro idioma que não seja o português, é o único jeito de fazer a pessoa progredir mais rapidamente no idioma.

Então, pensei que, mandando o marido para cursos de aperfeiçoamento, seria uma mão na roda. Peguei aquela listinha de conhecimentos específicos que eu tinha anotada e comecei a procurar os cursos no Google. Nem demorei muito para achar, uma vez que era começo de ano e geralmente, nessa época, há muitas ofertas de cursos.

Não perdi meu tempo pesquisando cursos de pós-graduação à época, porque era um investimento muito alto para alguém que ainda estava em fase de aprendizado no idioma. Procurei cursos em que não houvesse prova, trabalho, nem nada valendo nota, mas apenas atividades em sala e a presença nas aulas para garantir o certificado.

Como é que eu fiz para que ele aproveitasse o conteúdo do curso cem porcento? Simples, comprei um mini-gravador. Todos os cursos de aperfeiçoamento que ele frequentou naquela época foram integralmente gravados. Meu objetivo, inicialmente, era transcrever todas as aulas, até transcrevi algumas, mas acabei desistindo depois de um tempo. Lógico que é bem trabalhoso fazer isso, mas tenho prática, pois eventualmente faço degravação freelance. De qualquer forma, pensei que ele teria dois benefícios diretos ao ler todo o conteúdo transcrito: aprimorar o português coloquial e técnico ao mesmo tempo e, claro, agregar conhecimento e, de quebra, ganhar certificado para isso.

O primeiro curso de aperfeiçoamento que meu marido fez foi, basicamente, um divisor de águas e ele finalmente começou a acordar para o mundo e para a vida. O curso duraria três meses, com aulas todas as terças e quintas à noite, o que foi muito bom para ocupar o tempo e a mente dele naquela ocasião, além de começar a trazer, de fato, boas oportunidades de entrevista, pois foi um curso que definitivamente fez diferença no currículo dele. Praticamente todos os colegas dele eram do mesmo ramo de atuação e ele pôde trocar muitas ideias com todos, fazer contatos importantes e finalmente praticar o português com estranhos. Resumindo história, foi um avanço e tanto!

Antes do curso começar fomos até o instituto para conversar com o responsável, pois estávamos um pouco preocupados, o português do marido ainda estava fraco na ocasião, a conversação e a compreensão durante uma conversa ainda não estavam nada bons. Daí o professor explicou que faria uso de apostila e exibição de slides e nós também pedimos autorização para gravar as aulas, o que ele autorizou sem problemas.

Acompanhei o marido em seu primeiro dia de curso apenas para me certificar de que não haveria maiores problemas e foi super tranquilo, havia participantes que falavam um pouco de inglês e que poderiam dar uma ajuda caso houvesse necessidade. E, de fato, ao longo do curso eles tiveram boa vontade em ajudá-lo nas atividades e dinâmicas em grupo.

Logo percebi uma grande diferença no comportamento do marido, ele estava se esforçando mais nos estudos de português para poder ter um desempenho melhor no curso e, principalmente, poder conversar direito com os colegas e fazer contatos. Ele não era o único estrangeiro do curso, havia um rapaz argentino também. Ele falava com bastante sotaque, mas não teve maiores problemas para entender e se fazer entender durante as aulas.

A única colaboração que o professor do curso deu, em termos de ajuda na procura por emprego, foi fazer pequenas correções no currículo e só. Ficamos um pouco decepcionados com a falta de boa vontade dele, pois para nos convencer a investir no curso, prometeu-nos que encaminharia ou indicaria o marido em várias empresas as quais ele prestava consultoria. Mas o que se há de fazer? A sorte é que no último mês do curso, outro professor veio dar aula em um módulo específico e ele foi muito bacana. Por causa dele, meu marido teve a oportunidade de fazer duas entrevistas em uma empresa de alimentos bem conhecida nacionalmente. Eu acredito que não tenha dado certo, porque não era exatamente a área que meu marido tinha experiência, mas só pelo fato de o rapaz se prontificar a ajudar já nos deixou imensamente feliz.

Por causa desse curso, meu marido começou a receber mais ligações para entrevistas. Quando eu falo em quantidade de ligações, não me refiro a quantidade por semana, mas sim por mês. Até dezembro de 2012, ele recebia, em média, duas ligações para entrevista por mês. Às vezes havia mês em que ele não recebia chamada nenhuma, outras vezes ele recebia umas três ou quatro chamadas. Parece não ser nada uma média de duas ligações por mês, mas considerando ser estrangeiro e não ter português fluente, não é nada mau. Aliás, nem para brasileiro esse número é ruim. Se você for pensar sob a perspectiva de que se manda centenas de currículos por mês para receber uma média de apenas duas ligações, é claro que não é um panorama muito animador, mas é assim que a coisa funciona. O fato de o perfil e o currículo dele ter despertado interesse foi um sinal claro de que estávamos indo pelo caminho certo.

Um aspecto interessante é que cursos de aperfeiçoamento aumentam o leque de possibilidades de envio de currículo. Quanto mais vagas você aplicar, mais chances de receber ligações. Então, definitivamente o curso foi uma escolha acertada, a maior exposição ao idioma, em uma situação em que ele se encontrava sozinho em meio a estranhos o estimulou a caprichar mais no estudo de português. Também foi super importante em termos de efeito psicológico, pois ele viu que estudar é a solução, além de ser um investimento com efeitos duradouros, e que ele não precisava ficar se martirizando por ainda não ter um emprego. Claro que esse era o objetivo principal, trabalhar, mas estudar também era uma ótima opção.

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Estrangeiro Permanente no Brasil Tentando Programa Trainee

Tentar um vaga de trainee no Brasil é uma possibilidade bem interessante, especialmente se o estrangeiro for recém-graduado. Como meu marido era graduado há dois anos quando chegou ao Brasil, achei que seria uma boa ideia inscrevê-lo em alguns processos seletivos, já que um dos requisitos é ser graduado há no máximo quatro anos. Isso depende, é claro, dos requisitos de cada processo seletivo.

Eu inscrevi meu marido tanto em processos seletivos para grandes como para médias empresas. Nas grandes, uma delas era uma montadora alemã, a outra uma cervejaria e a última era na área de petróleo e gás. Fazer esse tipo de inscrição é muito chato, em especial na primeira etapa, porque eles colocam um monte de pergunta ao estilo “por que você quer trabalhar em nossa empresa?”, também querem saber se você desenvolve algum tipo de trabalho voluntário e assim por diante. Claro que fui eu quem respondeu às perguntas tentando usar o máximo de minha criatividade, mas que não teve serventia nenhuma no processo seletivo da montadora alemã. Eles dão preferência àqueles candidatos que tenham alguma noção de alemão. Talvez eu também não tenha respondido às questões com tanta inspiração. Em compensação, emplacamos no processo seletivo da cervejaria.

Minha dica para essa primeira fase de preenchimento de formulário e elaboração das respostas é dar uma boa lida no site das empresas, em especial na parte em que fala sobre a missão da companhia, valores, objetivos, etc. e encaixar, de alguma forma, essas informações em suas respostas. Eles querem ver se você fez a lição de casa direitinho, ou seja, se pesquisou sobre a empresa, para ver se você está afinado, ou pelo menos interessado pelos ideais e valores que eles têm.

Estrangeiros são aceitos, SIM, nesses programas trainee e, por sinal, na maioria deles, então não é preciso se preocupar com relação a isso. Chegar até o fim e ser selecionado só depende de você.

Meu marido passou para a etapa seguinte na cervejaria e um tempo depois ele foi convocado para as provas online de português, inglês e conhecimentos gerais. Obviamente fui eu que fiz o teste de português e o de conhecimentos gerais porque esse último também era em português. Achei que foi de dificuldade média. A prova de inglês fizemos juntos.

Meu marido foi novamente aprovados e então convocado para a dinâmica em grupo, que ocorreria em um hotel de luxo da cidade. Naquela época, o português dele estava começando a melhorar consideravelmente. Ele se preparou um pouco apenas, leu alguma coisa sobre a empresa e seus produtos, mas nada tão profundo e intenso, foi algo bem superficial, talvez por isso não tenha sido aprovado para as entrevistas individuais.

Nem tem muito o que comentar sobre a dinâmica em si, porque há vários sites na internet com ampla informação sobre o assunto, mas foi aquela coisa básica, apresentação, divisão em grupos, atividades, debates, análise de caso, etc. Pelo menos o marido preparou uma apresentação bonitinha e o pessoal que falava inglês o ajudou na compreensão das atividades propostas. Até que não foi tão horrível assim, foi uma experiência bem interessante para ele e que ajudou, mais tarde, em outros processos seletivos.

Se o seu companheiro já consegue se virar no português e atende aos requisitos para se candidatar ao processo, eu acho que tentar algum programa trainee é uma ótima ideia. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Entrevista de Emprego de Estrangeiro no Brasil – Experiência Ruim

Hoje vou falar um pouco sobre nossas “aventuras” quando estávamos tentando arduamente fazer meu marido estrangeiro entrar no mercado de trabalho brasileiro. A segunda entrevista que ele deu pessoalmente foi fruto de um currículo enviado por meio do site da Catho (já recomendei antes, reforço a recomendação, e sempre recomendarei), durante os sete primeiros dias gratuitos. E o contato da empresa foi rápido, tipo, mandei o currículo hoje e dois ou três dias depois eles já estavam ligando.

Na verdade, a primeira abordagem foi por mensagem de celular, em que estava escrito um número de telefone para entrar em contato e o título da vaga. Por falta de familiaridade com esse tipo de contato, quando eu vi a mensagem, em um momento de pura burrice nem me liguei de que se tratava de um agendamento de entrevista, achei que era apenas uma empresa de recursos humanos fazendo divulgação de vagas, afinal, eu estava cadastrando o currículo dele em diversos sites, dando nome, telefone, endereço, então pensei mesmo que fosse apenas chamariz. Mais tarde, no mesmo dia, verificando o e-mail dele, achei a mesma mensagem que havia sido enviada por celular, mas agora fornecendo o nome da empresa. Foi então que percebi meu erro. Já era tarde da noite e nem adiantava mais ligar. No dia seguinte, logo cedo, ligamos para a empresa, ou mandamos e-mail, não lembro, só sei que, felizmente, não era uma empresa de RH, era a própria empresa contratante. Como minha memória está falhando, eu não lembro se uma conversa ao telefone chegou a se desenrolar, ou se detalhes como horário da entrevista e endereço foram acertados por e-mail, por isso não sei dizer como foi que meu marido se virou com o português ruim dele naquela época para acertar tudo. Sinceramente, nem sei porque ele foi chamado e, ainda por cima, selecionado como um dos finalistas, porque foi tudo ruim, um show do horror do início até o fim.

Bom, na hora da entrevista, a analista de RH deu um formulário para que ele preenchesse e saiu da sala, nos deixando sozinhos enquanto ia resolver alguma coisa em outro lugar. No formulário, era preciso especificar os dados pessoais, experiências, etc., tudo à mão. Por essa meu marido não esperava, e muito menos estava em condições de preencher aquilo. Como eu estava na sala de entrevista com ele, sabe-se deus porquê (acho que fui meio que compelida pela analista, por causa do português ruim do marido e do inglês inexistente dela), acabei preenchendo o tal do formulário para ele para agilizar a coisa. Quando a recrutadora retornou, ela logo percebeu que eu havia executado a tarefa inglória e só ergueu uma de suas sobrancelhas com ar de desaprovação. Eu queria me enfiar em um buraco e sumir! Mas tudo bem, tirando o nervosismo, até que foi cômico. Fica então a dica aos interessados, tentem simular preenchimento de formulário de recursos humanos em casa, nem que seja na base da decoreba, tem de saber de cabeça o endereço, telefone e demais informações necessárias em um processo seletivo. Quanto à descrição das experiências profissionais, é interessante ter uma cópia do currículo para ser usado como colinha. Ah, e um pequeno e discreto dicionário português-inglês, ou português-qualquer coisa para quebrar um galho na hora do apuro.

Pois bem, a mulher torceu o nariz para o formulário preenchido por mim, mas continuou com o processo mesmo assim. Ufa! O que veio depois foi ainda pior! Eu tive de ficar traduzindo as perguntas dela e as respostas dele e quando ele falava alguma merda em português por ter entendido tudo errado, eu tinha que me atravessar para acudi-lo. Meu pai, o que foi aquilo? Que nervoso! Que situação! Felizmente, a abençoada da analista de RH teve a presença de espírito de chamar seu supervisor, que graças aos céus, aos sais, às divindades, ao cosmos, falava inglês! Saí de fininho da sala e pude respirar aliviada, é terrível ter de participar indiretamente de uma entrevista, ainda mais naquelas circunstâncias.

Até que a conversa com o supervisor rendeu, único momento que não foi de puro horror. Além das questões de praxe em processo seletivo, rolou as perguntinhas clássicas “como vocês se conheceram?” e patati patatá. Ao fim da conversa, entrevista ou show do horror, não sei exatamente como designar tudo aquilo, eu estava prontinha para dar no pé e nunca mais voltar, quando, de repente, o supervisor nos informou que o marido fora selecionado para a entrevista final com o supervisor da área, que estava vindo de São Paulo especialmente para entrevistar os finalistas. Fiquei chocada e já era no dia seguinte!

Novamente na empresa para a segunda rodada, descobrimos que eram apenas ele e mais um. Pois é. O outro rapaz foi chamado primeiro e eles conversaram por uma hora e meia. Quando o marido foi e ficou apenas vinte minutos lá dentro, eu já sabia que era o fim. E ao final, eu ainda tive que escutar do supervisor que nós estávamos em uma situação complicada, por causa do “nosso português”. COMO ASSIM??? Ele estava achando que eu também era uma gringa louca me aventurando a morar no Brasil e tentando achar um emprego, foi surreal! Aliás, quantas e quantas vezes, só por estar falando em inglês com o marido, já me perguntaram se eu era estrangeira, perdi as contas! Já perguntaram se eu era alemã, americana e até já elogiaram meu “português” fluente! kkkkk…

Como a esperança é a última que morre, meu marido acreditou até o fim, quando finalmente ligou para o supervisor de RH para saber se ele havia sido selecionado ou não. Claro que não, né? O engraçado é que o marido continuou teimoso por um longo tempo, sempre querendo ter certeza absoluta do resultado. Eu costumava dizer a ele que, quando a empresa realmente deseja contratar o profissional e se ele foi o selecionado, eles vão ligar o mais breve possível, ninguém iria esquecer uma coisa importante dessa. Se ninguém te ligar, salva raras exceções (quando, por exemplo, o processo seletivo fica pendente), é um sinal muito óbvio de que não deu em nada, não adianta ficar ligando, mandando e-mail, atazanando a vida da pessoa. Com o tempo ele acabou se acalmando em relação a isso, exceto quando se tratava de alguma vaga pela qual ele tinha muito interesse. Eu já não tenho esse “sangue frio”, se demoram muito para dar a devolutiva, eu encaro como processo seletivo encerrado. Se alguém ligar nesse meio tempo, ótimo, estamos no lucro e eu nem precisei sofrer de ansiedade ou angústia pensando no resultado.

Só sei que foi mais uma experiência (e que experiência) de entrevista, aliás, a segunda, ele estava apenas começando. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Sites de RH Pagos para Procura de Emprego para Estrangeiros

Quando o período o qual tínhamos nos programado para dar uma pausa no envio de currículos estava prestes a chegar ao fim, conforme relatei aqui, comecei a pensar seriamente nos passos seguintes. Não que até então eu não tenha agido com seriedade, pelo contrário, sempre estive cem porcento comprometida e levando tudo muito a sério, mas eu ainda estava apenas entrando no ritmo de procura por emprego naquela época. Tudo o que eu publiquei até agora foi, mais ou menos, quase na mesma sequência de acontecimentos. Do momento em que você começa a lidar com procura de emprego, até o momento em que você domina inteiramente como isso funciona, há uma diferença gigantesca. Se eu soubesse tudo o que sei agora desde o início, não só sobre procura de emprego, mas tantos outros aspectos de adaptação de estrangeiro no Brasil, talvez meu marido tivesse conseguido um emprego aqui bem antes. Mas é assim mesmo, sem ninguém para nos orientar, nos guiamos pelo clássico erro e tentativa.

Meu foco era conseguir que meu marido fosse chamado para mais entrevistas aqui no Brasil com chances reais de conseguir emprego. O fato é que eu tive de mudar minhas estratégias. Até aquele momento, eu havia cadastrado o currículo de meu marido apenas em sites de recursos humanos gratuitos, mas há inúmeros outros que são pagos, embora nem todos sejam sérios.

Acho que todo mundo que procura emprego já ouviu falar do site Catho. Trata-se de um site em que se paga uma mensalidade para poder fazer uso de suas ferramentas, mas a equipe Catho quase nunca faz seleção de currículos para as vagas. O site funciona, basicamente, como um banco de currículos online, em que o candidato paga para cadastrar o currículo e as empresas pagam para disponibilizar as vagas no site. As empresas, ao utilizarem-se das ferramentas do site Catho, recrutam os candidatos às vagas diretamente, sem intermediários. E os candidatos, por sua vez, podem se cadastrar à todas as vagas disponíveis a qualquer tempo, ilimitadamente. Vale lembrar que os sete primeiros dias de uso do site são gratuitos, você pode se cadastrar, candidatar-se às vagas durante uma semana sem ônus algum e, findo o prazo, pode decidir se continua com o cadastro, só que agora pago, ou se cancela o serviço definitivamente, não mais podendo fazer uso das ferramentas do site gratuitamente.

Eu achei o site e suas ferramentas bem interessantes e resolvi investir. Escolhi o plano trimestral, por ser mais em conta que o mensal. A opção semestral sai mais em conta ainda. A mensalidade de meu plano trimestral era, então, de R$ 57,90 (atualmente, no ano de 2017, o valor é de R$ 59,90). Findo o prazo de três meses, o plano se renova automaticamente. Se não for de seu interesse renovar, você pode acessar no próprio site e cancelar no ícone correspondente antes da data do vencimento.

Logo de cara, após inscrevê-lo no site e começar a candidatá-lo às vagas, meu marido foi chamado para uma entrevista (a segunda dele pessoalmente) e eu me empolguei, achando que iria chover ligações e o que é melhor, ligações diretamente das empresas, mas não foi bem assim que a coisa se sucedeu. Recebemos algumas ligações por causa da Catho, mas nada daquilo que esperávamos naquele momento. Minha percepção inicial foi de que as cinco ligações que recebemos naquele ocasião representavam números decepcionantes, uma vez que era o site em que mais enviávamos currículos, tipo centenas deles.

Com o tempo e também com mais experiência, mudei um pouco minha percepção sobre a Catho e sobre todo o processo de envio de currículos. É padrão enviar o currículo para centenas e centenas de vagas em sites diversos e receber meia dúzia de ligações ao longo da procura, é assim para brasileiros e estrangeiros. Aconteceu com meu marido todas as vezes em que ele precisou procurar por emprego, e acontece recorrentemente com outras pessoas também. Hoje, não abro mão de pagar o plano trimestral da Catho quando precisamos procurar emprego, pois o investimento sempre se revela positivo no final.

Não sei o que os candidatos brasileiros acham desse site, mas em nosso caso eu acho que é muito necessário, pois a maioria das grandes empresas anuncia lá. As agências de recrutamento e seleção TAMBÉM disponibilizam suas próprias vagas no site, o que acaba facilitando um pouco o trabalho de procura. Não percebi isso de imediato, mas depois de um tempo, comecei a reparar que já havia visto algumas das vagas em outros sites de recursos humanos. Não era só impressão, no fim das contas, acabei mandando currículo mais de uma vez para a mesma vaga, porém em sites distintos. Com o tempo, você começa a perceber que as empresas de recursos humanos publicam a mesma vaga em diversos sites e blogs para divulgá-las ao maior número de pessoas possível, então não estranhem se tiverem a sensação de ter visto a vaga antes em outro lugar, porque, provavelmente, você viu mesmo.

Há, entretanto, muitas empresas de RH pagas que não prestam para nada, só comem seu dinheiro e o pior é que muita gente cai nessas ciladas. O ideal é que a maioria das vagas sejam divulgadas e os profissionais selecionados sem que se gaste um tostão com isso durante todo o processo seletivo. A empresa contratante é que deve arcar com os gastos da contratação de empresas de RH terceirizadas para fazer a seleção, nunca o candidato. A Catho, por exemplo, é uma exceção por ser uma plataforma de divulgação e procura de vagas. Além da Catho, imagino que haja outros sites interessantes, mas não posso opinar, pois nunca utilizei os serviços de outros grandes sites. Mas tenha em mente que o melhor é procurar por empresas sérias, conhecidas e de reputação. E acredito que se inscrever em apenas um ou dois sites de recursos humanos pagos é mais do que suficiente. Portanto, não invista muita grana com isso em sites variados, porque não vale a pena. Também já utilizei o plano premium do LinkedIn e achei que deixou a desejar, ou talvez eu que não tenha utilizado todos os recursos da plataforma adequadamente, ainda não tenho uma opinião formada sobre isso. Mas confesso que esperava mais desse investimento, prefiro a Catho, sem sombra de dúvida.

Minha última dica é, seja lá qual for o site de RH pago que você tenha escolhido para se candidatar às vagas de emprego, sempre pesquise a reputação da empresa antes no site do Reclame Aqui e também na página da própria empresa no Facebook, isso dará uma boa ideia se o investimento valerá a pena ou se você terá apenas dores de cabeça.

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