Dicas de Procura de Emprego para Estrangeiro no Brasil – III

Durante a procura por emprego para meu marido estrangeiro aqui no Brasil, por duas vezes ele esteve bem perto de conseguir uma vaga em sua área de atuação, mas as vagas foram suspensas. Isso é possível ou é só lorota? Não só é possível como também é muito comum de acontecer.

Uma das vagas era para uma multinacional alemã de médio porte. Meu marido foi chamado para a entrevista principalmente por causa do seu segundo curso de aperfeiçoamento, o qual ele tinha feito recentemente à época e que tinha tudo a ver com a vaga que a empresa estava ofertando. Na primeira entrevista, além de conversar com a analista de RH, ele teve oportunidade de conversar, também, com o dono da empresa, que era alemão. Nesse encontro, o alemão comentou que a continuidade do processo seletivo dependia de uma permissão que viria da Alemanha, qualquer que fosse o candidato selecionado, mas que, independente disso, haveria uma segunda rodada de entrevista com um dos diretores da fábrica. No dia combinado, ele foi fazer a entrevista com o tal do diretor e não é que o sujeito olha bem pra cara dele e diz que era contra a abertura da vaga, que a empresa não precisava, que era um gasto desnecessário e tal? Achei estranho, afinal, se eles não estavam nem ao menos certos sobre o futuro da vaga, nada daquilo fazia sentido. Passado um tempo, a analista de RH ligou confirmando que a vaga havia mesmo sido suspensa.

A outra vaga, que também acabou sendo suspensa, era super interessante. Tratava-se de uma empresa terceirizada, bem pequena, mas que prestava serviço para uma gigante dos eletrodomésticos. Todo o serviço seria em inglês, era um pré-requisito indispensável. E havia outros estrangeiros trabalhando na empresa, um colombiano e um equatoriano, que também eram casados com brasileiras. No fim, a vaga também foi suspensa por motivos econômicos.

Eu nunca fiz distinção na hora de mandar currículo, eles foram enviados tanto para empresas pequenas, quanto para as grandes multinacionais, só procurei manter o foco na hora de escolher as vagas para as quais mandar. Mas mesmo assim, meu marido passou por duas situações curiosas. Certa vez, ele foi chamado para entrevista em uma indústria bem pequena. Era uma vaga mais simples e com uma remuneração ruim, além de ser super longe de casa. Tínhamos plena noção de tudo isso, mas como a vaga tinha certa relação com a experiência do marido, ele resolveu ir à entrevista mesmo assim e até estaria disposto a aceitar uma oferta, afinal, um desempregado pode até ser um pouco seletivo em suas escolhas, mas não tanto assim. Resumindo história, o dono da empresa, que foi quem o entrevistou, estava super nervoso e desconfortável, porque era currículo e experiência demais para uma empresa de porte tão pequeno.

Em outra situação, viajamos uma hora e meia de carro para uma entrevista em uma empresa multinacional de grande porte em outra cidade para escutar que ele era qualificado demais para a vaga. Ora, então por que nos fizeram viajar tantos quilômetros para nada?

Em geral, eu sempre procurei enviar o currículo do marido para vagas em que ele teria mais chances e é lógico que, por ser estrangeiro, teoricamente as chances são maiores em empresas multinacionais, ou então em vagas em que o inglês fluente seja pré-requisito. Vale ressaltar que o espanhol fluente também é muito valorizado e solicitado aqui no Brasil, o inglês ganha a disputa por pouco. Outras línguas solicitadas são o francês e o alemão, com menor frequência chinês, japonês e italiano. De qualquer forma, ainda que minha preferência sempre tenha sido multinacionais, mandei o currículo para as nacionais de pequeno e médio porte também, sem distinção.

Também é legal criar um perfil profissional no LinkedIn, site muito utilizado por profissionais para fazer networking e procurar emprego. Já mandei vários currículos utilizando as ferramentas do site, mas confesso que ainda não fazemos amplo uso de todas as ferramentas que ele oferece, mas apenas o básico, como participar em grupos de profissionais, grupos de divulgação de vagas, grupos de estudos, envio de currículos, etc. Também seguimos o perfil de algumas empresas pelas quais meu marido se interessa e, claro, adicionamos contatos profissionais. A ideia não é fazer volume, mas sim selecionar seus contatos com qualidade. Os contatos que meu marido tem são, em sua maioria, pessoas que ele conheceu durante seus cursos, os analistas e gerentes de recursos humanos de empresas diversas – inclusive com quem ele fez entrevistas – e profissionais de outras áreas que ele eventualmente tenha tido contato e/ou trabalhado.

O bacana é que ele já recebeu alguns convites para entrevistas por meio do LinkedIn sem nem ao menos se dar ao trabalho de ir atrás, inclusive quando estava trabalhando. Então, apesar de não explorarmos todas as possibilidades do site como deveríamos, eu acho muito válido manter o perfil atualizado (é o que eu faço), pois as grandes e boas empresas o estão usando cada vez mais para divulgação de vagas e recrutamento de pessoas. Recomendo.

Depois de mandar currículo frequentemente por mais de um ano, fiquei com uma forte sensação de que uma boa época para intensificar a procura por emprego é a partir da metade de dezembro até, no máximo, o meio do ano, ou seja, durante todo o primeiro semestre. Não que no segundo semestre do ano seja ruim, mas parece-me que há uma queda significativa das ofertas. O motivo eu realmente não sei, mas li algo relativo a isso em vários artigos sobre profissão e carreira que reforçaram essa minha sensação.

Eu já passei algumas férias de verão procurando emprego para o marido, em véspera de Natal e Ano Novo inclusive, mesmo se estivesse na praia. Não houve um dia sequer que eu não tenha enviado currículo. Claro que durante o período de festas, por causa dos feriados e férias coletivas de muitas empresas, não há tanta vaga sendo anunciada. Em compensação, não há, também, tanta gente procurando emprego e isso pode ser vantajoso para quem está determinado a conquistar uma vaga, afinal, enquanto você está lá, sacrificando seus momentos de folga procurando emprego, atividade que definitivamente não tira férias, muita gente está querendo curtir as férias, o verão, as festas e tudo o mais a que se tem direito. Então reflita sobre quem irá sair em desvantagem nesse caso.

Dizem que as pessoas geralmente só começam a se preocupar com emprego depois do carnaval. Não sei se é verdade, mas tiro proveito disso sempre que necessário e mantenho, e até intensifico, a rotina de envio de currículos enquanto os concorrentes estão entretidos pelo clima de festas e pelo verão. São alguns dos sacrifícios que a gente tem de fazer se estamos realmente firmes em nossos propósitos e determinados a realizá-los. Como eu queria ver o marido empregado o mais rápido possível, tive mesmo que sacrificar muitas horas de descanso. A tática sempre deu certo e ele sempre conseguiu emprego no primeiro trimestre do ano. Não tenho dúvida de que foi resultado do esforço que sempre fizemos de enviar o currículo dele intensamente, mesmo durante as festas de fim de ano.

Perdeu as dicas anteriores? Leia aqui e aqui.

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Estrangeiros Lidando com a Frustração no Brasil

Antes de meu marido e eu nos estabelecermos em definitivo no Brasil, não vou dizer que vivíamos em uma bolha de perfeição, até porque enfrentamos alguns contratempos. Entretanto, estávamos envolvidos por uma atmosfera em que tudo, coincidentemente ou não, estava se encaixando perfeitamente. Tudo o que planejamos aconteceu de acordo com o esperado e deu tão certo que era até mesmo difícil de acreditar. Mas foi só meu marido pisar no Brasil que as coisas começaram a desandar. O ritmo ao qual estávamos acostumados, com tudo dando certo, não perdurou e as coisas deixaram de sair conforme o planejado.

Tínhamos essa sensação porque as questões burocráticas, como casar e tirar visto, por exemplo, passam a falsa sensação de controle. A equação, nesses casos, é muito simples, dê exatamente aquilo que é requerido e obtenha exatamente aquilo que é esperado, não tem segredo, basta seguir o passo a passo.

E daí que a parte de documentação é mesmo uma receita de bolo. Preencheu os requisitos? Ótimo, fim de papo, não tem muito o que pensar, adaptar ou improvisar. E quanto ao resto? O resto é receita a olho, aquela em que você vai combinando os ingredientes até achar o ponto certo. Às vezes vocês acerta, outras erra, mas a cada erro vai adaptando e improvisando para que tudo dê certo no fim, mesmo que o resultado não seja lá muito satisfatório. Assim é a adaptação de um estrangeiro no Brasil.

Não sou uma pessoa que se frustra facilmente. Claro que fico chateada e cansada mentalmente com situações pontuais, sim, mas tenho consciência de que certas coisas se desenvolvem em um processo lento até que tudo se estabilize. Já o marido não. Na cabeça dele, estaríamos navegando em águas calmas e cristalinas em uns seis meses, máximo um ano. Não sei o exato motivo porque ele fixou isso em sua cabeça, mas ele dizia que eu nunca o alertei de que seria tão demorado. Isso me chateou um pouco, porque eu disse isso a ele inúmeras vezes, tanto é assim que, mesmo quando eu morava com ele no exterior, sempre peguei no pé dele para que começasse a estudar português de verdade.

Uma pergunta que meu marido sempre me fazia era: quanto tempo para arranjar um emprego? Difícil responder. Então de tempos em tempos ele tinha alguns ataques por causa da frustração que tomava conta , era um trabalhão imenso exorcizá-lo. Ele pensou em desistir, quis ir embora, ficou deprimido, não quis falar, não quis comer, brigamos, quase nos estapeamos, já passamos por todas essas fases e não tenho vergonha nenhuma em admitir isso, pois são fases que, infelizmente, têm uma grande chance de acontecer. O bom é que, se você passar por todas elas, com certeza sairá mais fortalecido e mais realista em relação aos fatos, mas é duro, não é fácil velejar em mares revoltos, ainda que simplesmente façam parte.

O que faz a diferença é sua postura em relação a isso. Se eu fosse uma frustrada, chiliquenta, pavio curto, impaciente e incompreensiva, eu diria que meu casamento já teria ido para o espaço há muito tempo. Apesar de eu não gostar quando meu marido passava por uma grave crise de frustração – ficava triste mesmo – eu tentava compreender, pois acho mesmo que é justificável. Um estrangeiro, tentando se adaptar, procurando emprego e não achando, com dificuldade com a comida, lutando com o idioma, longe da família e amigos e que ainda não fez nenhuma amizade sólida, é a fórmula da bomba atômica pronta.

Muitas vezes, enquanto ele estava com mil dúvidas e frustrações, eu também começava a me questionar e pensar “o que estamos fazendo aqui?”, mas, como sempre, eram questionamentos passageiros, como uma nuvem que passa mais rápido do que chega. A questão é simples, eu sou brasileira, em meu próprio território, em zona conhecida, se não eu, quem irá segurar as pontas? Ninguém. O jeito é se recompor e seguir firme, contornando as situações com serenidade. É o que eu tentei fazer todo esse tempo. Acho que deu certo, apesar do pesares.

Termino esse texto com uma frase que li no Facebook dia desses: “Não é o mais forte que sobrevive, nem é o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças“. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Telefone Maldito – o Inimigo Número Um do Estrangeiro com Português Ruim

Vocês devem lembrar que eu comentei que, no começo da procura por emprego para meu marido estrangeiro aqui no Brasil, quem tinha que atender às ligações para ele era eu, pois eu tinha que explicar que ele tinha dificuldade de compreensão ao telefone. Isso era mentira, pois a verdade é que ele nem sabia falar português direito naquela época, ele apenas elaborava frases soltas que, juntas, não faziam muito sentido. Então inventei essa história de dificuldade ao telefone para não pegar tão mal e para que o marido não fosse sumariamente eliminado dos processos seletivos. É, fui muito desavergonhada.

Era óbvio que daquele jeito não daria para continuar, porque definitivamente não era comigo que o recrutador queria papo. Lógico que eu era bem séria ao telefone, quase como se fosse comigo, mas não dá, né? Era só para quebrar um galho temporariamente. Além do mais, eu me sentia super mal e incomodada com aquela situação, afinal, se o marido não conseguia nem falar ao telefone, como é que seria capaz de trabalhar?

Depois de algum tempo, quando ele já estava avançando um pouco mais em seus estudos, conversei com ele e expliquei que não dava mais, dali em diante ele teria que começar a enfrentar as ligações, porque ninguém quer papo com esposa de candidato gringo, em especial esposa que fica contando histórias da carochinha para despistar.

Depois dessa conversa, a primeira ligação que ele atendeu foi um fiasco, é claro. No primeiro segundo de desespero, ele logo jogou o telefone para mim, nem ao menos falou para a pessoa do outro lado da linha um “espere um minuto”. Ele simplesmente deixou a mulher falando sozinha e me deu o telefone, mas eu insisti para que ele tentasse, e ele simplesmente não quis tentar e passou o telefone para mim novamente. Nesse meio tempo a mulher lá, falando sabe deus o quê. Aí, com muito ódio no coração, peguei o telefone e falei com a mulher, mas a merda já estava feita, àquela altura ela já tinha percebido que ele não tinha ao menos a mínima capacidade de falar ao telefone.

Uma coisa tão simples para nós, não é mesmo? Mas não, é complicado mesmo, é a prova de fogo de seu nível de compreensão em qualquer idioma e costuma ser o último item que dominamos no aprendizado de outra língua. Podemos falar, escrever, ler, mas se ficarmos frente a frente com um falante nativo, seja ao telefone, seja pessoalmente, é que vamos conferir a real situação da coisa.

Nem lembro mais como foi que a ligação acabou, o que a mulher disse por fim, nada, só lembro de meu marido insistindo em me passar o telefone e a mulher falando sozinha. O que eu sei é que era para uma vaga bem interessante, de uma empresa multinacional iniciando suas atividades no Brasil e fazendo as primeiras contratações. Suspeito que foi a recrutadora da própria empresa quem ligou diretamente, sem intermediários, porque depois disso, uma sucessão de fatos curiosos se desencadeou e o marido acabou recebendo seis ligações de diferentes empresas de recursos humanos recrutando para a mesma vaga.

Depois dessa conversa fiasquenta ao telefone, o marido começou a ficar preocupado, porque seu português estava mesmo melhorando, mas ele tinha uma imensa dificuldade de compreensão ao telefone. O que fazer? Começamos a pensar em soluções, pois não poderíamos mais desperdiçar oportunidades, as quais já eram naturalmente escassas para ele naquela ocasião. Então pensei na coisa mais óbvia, eu teria que escutar toda a conversa para, em caso de necessidade, acudi-lo. Pois é, olha a que ponto se chega para salvar um marido gringo do fracasso total ao telefone!

Inicialmente, as empresas costumavam ligar em nosso telefone fixo que, embora sem fio, não possuía o recurso viva voz, então eu ficava escutando a conversa dele bem quietinha, com meu ouvido colado ao aparelho e, caso fosse necessário, eu falava ao seu ouvido o que ele deveria responder. Algumas vezes foi complicado administrar a situação para não deixar a pessoa do outro lado perceber que tinha alguém ajudando, mas em geral deu certo. Também logo percebemos que o pessoal do RH segue um script ao telefone bem manjado, pouco se diferenciando uma ligação da outra, e justamente por causa deste script previsível ele foi ganhando confiança e experiência também.

Cheguei a conversar algumas vezes em português com meu marido ao telefone na fase em que ele ainda estava tentando superar a sua limitação. Foi engraçado, tipo último recurso dos desesperados, mas não deu muito certo, pois ele conhece bem minha voz, minha entonação, então não adiantaria muita coisa, ele teria que aprender na prática mesmo falando com estranhos.

A maioria das ligações foi feita para o celular, o que permitia o uso do viva voz, então quase sempre deu tudo certo. Enquanto ele conversava, eu ía anotando todas as informações, como endereço, telefone, nome do entrevistador, hora da entrevista, tudo certinho e o acudia caso fosse necessário, isso sem que a pessoa do outro lado ao menos desconfiasse. Com o tempo, descobrimos uma tática interessante, eu mesma atendia o celular, aí eles pediam para falar com o marido, eu dizia que ele não estava, mas que ele retornaria a ligação em quinze minutos. Então já emendava perguntando o nome da pessoa que estava ligando, o nome da empresa, da vaga, o que, em geral, eles costumam falar, às vezes até mesmo sem perguntar. Nesses quinze minutos em que ele teoricamente estava fora, podíamos relembrar os detalhes mais importantes, do tipo quando aplicamos para a vaga, a sua descrição e o que mais fosse necessário. Fazíamos isso porque a maioria das vagas eram aplicadas por mim e eu obviamente não fazia um relatório descritivo delas para meu marido, apenas anotava em meu caderninho de vagas o nome da empresa ou consultoria de RH, nome da vaga e o dia em que enviei o currículo. E como eu tenho boa memória, costumo lembrar facilmente do que se trata. Então o marido só precisava abrir a página da internet onde a vaga foi aplicada, ler a descrição, às vezes ler um pouquinho sobre a empresa para saber o que eles fabricavam. Somente depois de fazer isso, ele finalmente retornava a ligação, com calma e segurança. Essa tática dá muito certo e a conversa rende e se desenrola muito bem, ele conseguiu agendar várias entrevistas assim.

Um ponto negativo de ele falar ao telefone usando o recurso do viva voz comigo ao lado dando um auxílio que observei, foi que quando a pessoa do outro lado fazia uma pergunta mais crítica, ele ficava fazendo sinal para mim para que eu falasse o que ele deveria responder. Entendo e acho natural que ele quisesse uma luz, mas eu não gostava disso, pois eu poderia acabar atrapalhando o ritmo da conversa. Aconteceu isso certa vez. Ele perdeu uma oportunidade de entrevista porque hesitou ao telefone (e era uma ligação no fixo, não no celular). Ele se embananou na resposta enquanto eu e ele conversávamos por sinais e enquanto isso a mulher desligou o telefone na cara dele. Ela não ouviu nossa conversa, nem viu nossa mímica, mas a falta de um diálogo firme e objetivo por parte dele fez com que ela simplesmente desligasse o telefone. Acho que a culpa foi minha, ele acha que a culpa foi dele, mas a culpa foi mesmo nossa. Ele não precisava mais daquilo, ele já tinha chegado a um ponto em que estava completamente apto a manter uma conversação sozinho ao telefone, já entendia tudo, respondia corretamente, tudo certinho, mas tenho a impressão de que ele ficou com um leve trauma daqueles tempos em que ele não entendia nada ao telefone e era mesmo preciso que eu o auxiliasse durante as ligações. Hoje em dia, ele prefere que eu o deixe sozinho para falar ao telefone quando recebe ligação para entrevistas. Como as coisas mudam, não?

Felizmente, apenas em três ligações as analistas desligaram o telefone na cara dele, o que achei uma tremenda falta de profissionalismo e de educação também. Mas ainda bem que há muita gente querida e solícita, que ajuda, fala devagar se preciso, repete quando necessário e até mesmo falam em inglês se souberem, tudo para que ele entenda perfeitamente, sem perder uma vírgula da conversa. Os brasileiros são gentis, sim, com os estrangeiros durante os processos seletivos, também são curiosos e jamais os tratam com desrespeito.

Depois de algumas experiências ruins ao telefone, eu resolvi eliminar, por fim, o nosso número fixo do currículo dele e deixei apenas o número do celular para facilitar as coisas.

Por que estou falando tudo isso sobre telefone e as situações que o envolvem? Depois do envio do currículo, falar ao telefone é etapa inicial e fundamental na maioria dos processos seletivos. A pessoa do outro lado vai descobrir imediatamente que é um estrangeiro ao telefone e é nesse momento em que ela decidirá se deve levar a conversa adiante ou não, chamar ou não para uma entrevista, mesmo sendo estrangeiro. Por se tratar de um momento decisivo, tudo depende de seu desempenho, confiança e firmeza ao responder as perguntas. Uma conversa que flui adequadamente vai resultar em uma entrevista, mas ao primeiro deslize, pode-se colocar tudo a perder e estrangeiro procurando emprego no Brasil não pode se dar ao luxo de cometer erros, seu aproveitamento tem que ser alto e por este motivo nem os detalhes devem passar despercebidos, tudo para aumentar suas chances no mercado.

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Entrevista de Emprego de Estrangeiro no Brasil – Experiência Ruim

Hoje vou falar um pouco sobre nossas “aventuras” quando estávamos tentando arduamente fazer meu marido estrangeiro entrar no mercado de trabalho brasileiro. A segunda entrevista que ele deu pessoalmente foi fruto de um currículo enviado por meio do site da Catho (já recomendei antes, reforço a recomendação, e sempre recomendarei), durante os sete primeiros dias gratuitos. E o contato da empresa foi rápido, tipo, mandei o currículo hoje e dois ou três dias depois eles já estavam ligando.

Na verdade, a primeira abordagem foi por mensagem de celular, em que estava escrito um número de telefone para entrar em contato e o título da vaga. Por falta de familiaridade com esse tipo de contato, quando eu vi a mensagem, em um momento de pura burrice nem me liguei de que se tratava de um agendamento de entrevista, achei que era apenas uma empresa de recursos humanos fazendo divulgação de vagas, afinal, eu estava cadastrando o currículo dele em diversos sites, dando nome, telefone, endereço, então pensei mesmo que fosse apenas chamariz. Mais tarde, no mesmo dia, verificando o e-mail dele, achei a mesma mensagem que havia sido enviada por celular, mas agora fornecendo o nome da empresa. Foi então que percebi meu erro. Já era tarde da noite e nem adiantava mais ligar. No dia seguinte, logo cedo, ligamos para a empresa, ou mandamos e-mail, não lembro, só sei que, felizmente, não era uma empresa de RH, era a própria empresa contratante. Como minha memória está falhando, eu não lembro se uma conversa ao telefone chegou a se desenrolar, ou se detalhes como horário da entrevista e endereço foram acertados por e-mail, por isso não sei dizer como foi que meu marido se virou com o português ruim dele naquela época para acertar tudo. Sinceramente, nem sei porque ele foi chamado e, ainda por cima, selecionado como um dos finalistas, porque foi tudo ruim, um show do horror do início até o fim.

Bom, na hora da entrevista, a analista de RH deu um formulário para que ele preenchesse e saiu da sala, nos deixando sozinhos enquanto ia resolver alguma coisa em outro lugar. No formulário, era preciso especificar os dados pessoais, experiências, etc., tudo à mão. Por essa meu marido não esperava, e muito menos estava em condições de preencher aquilo. Como eu estava na sala de entrevista com ele, sabe-se deus porquê (acho que fui meio que compelida pela analista, por causa do português ruim do marido e do inglês inexistente dela), acabei preenchendo o tal do formulário para ele para agilizar a coisa. Quando a recrutadora retornou, ela logo percebeu que eu havia executado a tarefa inglória e só ergueu uma de suas sobrancelhas com ar de desaprovação. Eu queria me enfiar em um buraco e sumir! Mas tudo bem, tirando o nervosismo, até que foi cômico. Fica então a dica aos interessados, tentem simular preenchimento de formulário de recursos humanos em casa, nem que seja na base da decoreba, tem de saber de cabeça o endereço, telefone e demais informações necessárias em um processo seletivo. Quanto à descrição das experiências profissionais, é interessante ter uma cópia do currículo para ser usado como colinha. Ah, e um pequeno e discreto dicionário português-inglês, ou português-qualquer coisa para quebrar um galho na hora do apuro.

Pois bem, a mulher torceu o nariz para o formulário preenchido por mim, mas continuou com o processo mesmo assim. Ufa! O que veio depois foi ainda pior! Eu tive de ficar traduzindo as perguntas dela e as respostas dele e quando ele falava alguma merda em português por ter entendido tudo errado, eu tinha que me atravessar para acudi-lo. Meu pai, o que foi aquilo? Que nervoso! Que situação! Felizmente, a abençoada da analista de RH teve a presença de espírito de chamar seu supervisor, que graças aos céus, aos sais, às divindades, ao cosmos, falava inglês! Saí de fininho da sala e pude respirar aliviada, é terrível ter de participar indiretamente de uma entrevista, ainda mais naquelas circunstâncias.

Até que a conversa com o supervisor rendeu, único momento que não foi de puro horror. Além das questões de praxe em processo seletivo, rolou as perguntinhas clássicas “como vocês se conheceram?” e patati patatá. Ao fim da conversa, entrevista ou show do horror, não sei exatamente como designar tudo aquilo, eu estava prontinha para dar no pé e nunca mais voltar, quando, de repente, o supervisor nos informou que o marido fora selecionado para a entrevista final com o supervisor da área, que estava vindo de São Paulo especialmente para entrevistar os finalistas. Fiquei chocada e já era no dia seguinte!

Novamente na empresa para a segunda rodada, descobrimos que eram apenas ele e mais um. Pois é. O outro rapaz foi chamado primeiro e eles conversaram por uma hora e meia. Quando o marido foi e ficou apenas vinte minutos lá dentro, eu já sabia que era o fim. E ao final, eu ainda tive que escutar do supervisor que nós estávamos em uma situação complicada, por causa do “nosso português”. COMO ASSIM??? Ele estava achando que eu também era uma gringa louca me aventurando a morar no Brasil e tentando achar um emprego, foi surreal! Aliás, quantas e quantas vezes, só por estar falando em inglês com o marido, já me perguntaram se eu era estrangeira, perdi as contas! Já perguntaram se eu era alemã, americana e até já elogiaram meu “português” fluente! kkkkk…

Como a esperança é a última que morre, meu marido acreditou até o fim, quando finalmente ligou para o supervisor de RH para saber se ele havia sido selecionado ou não. Claro que não, né? O engraçado é que o marido continuou teimoso por um longo tempo, sempre querendo ter certeza absoluta do resultado. Eu costumava dizer a ele que, quando a empresa realmente deseja contratar o profissional e se ele foi o selecionado, eles vão ligar o mais breve possível, ninguém iria esquecer uma coisa importante dessa. Se ninguém te ligar, salva raras exceções (quando, por exemplo, o processo seletivo fica pendente), é um sinal muito óbvio de que não deu em nada, não adianta ficar ligando, mandando e-mail, atazanando a vida da pessoa. Com o tempo ele acabou se acalmando em relação a isso, exceto quando se tratava de alguma vaga pela qual ele tinha muito interesse. Eu já não tenho esse “sangue frio”, se demoram muito para dar a devolutiva, eu encaro como processo seletivo encerrado. Se alguém ligar nesse meio tempo, ótimo, estamos no lucro e eu nem precisei sofrer de ansiedade ou angústia pensando no resultado.

Só sei que foi mais uma experiência (e que experiência) de entrevista, aliás, a segunda, ele estava apenas começando. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Esposa ou Babá de Estrangeiro no Brasil?

Certa vez, ao ler uma publicação de um dos blogs que sigo, parei para refletir sobre o assunto título deste post “Esposa ou Babá de Estrangeiro no Brasil?” e uma pergunta ficou martelando em minha cabeça: será que sou babá do meu marido? Bom, só pelo fato de eu não negar veementemente de primeira já é um forte indício de que sou de certa maneira. Claro que não me resumo a isso, sou uma mistura de várias coisas, mas com certeza absoluta a faceta babá está inclusa em algumas situações.

Como? Por quê? Isso é bom? Ruim? Ainda estou em busca das respostas, mas, a princípio, acho que há, como tudo na vida, aspectos bons e ruins. O aspecto ruim mais imediato é que ele acaba ficando dependente de mim em algumas situações. Mas como isso aconteceu? Ao mesmo tempo em que escrevo este texto, as perguntas ficam pipocando em minha mente, o que significa que, pelo menos para mim, não é um assunto tão fácil assim de compreender ou lidar.

Primeiro ponto é que simplesmente não consigo delegar certas tarefas. Admiro muito as pessoas que não esquentam a cabeça e delegam facilmente, diminuindo a pressão sob si mesmas, mas eu não consigo ser assim. Na procura por emprego, por exemplo, eu executo a tarefa praticamente sozinha. Há coisas que demandam agilidade, o que, infelizmente, meu marido não tinha no início quando ainda não tinha português fluente. Pode ser que, se ele mesmo procurasse emprego, acabasse desenvolvendo os pontos que ainda estavam deficientes, mas ficaríamos naquele impasse, mandar o máximo de currículos possíveis no menor tempo e aumentar as chances ou ir a passos de tartaruga? Perde-se aqui, ganha-se ali. Acabamos perdendo na questão de aprendizado dele, mas ganhando em agilidade, é quase como ficar entre a cruz e a espada. Há alguns outros exemplos, pois certas situações acabam se ligando a outras em um efeito dominó e, quando você se dá conta, está manejando várias coisas ao mesmo tempo e sozinha. Enfim, são pequenas coisas que me levam a crer que sou meio babá do marido estrangeiro.

Acho, sinceramente, que qualquer um que tenha um estrangeiro em sua vida, uma hora ou outra acaba agindo um pouco feito babá, principalmente se ele estiver em fase de adaptação, são poucas as exceções. Meu marido também foi um pouco babá para mim quando morei lá, acho até que ele exagerou um pouco na dose e no excesso de cuidados.

Então, após refletir um pouco sobre o assunto, chego à conclusão que uma pessoa em fase de adaptação, ainda se ajustando ao país, à cultura, acaba virando um pouco um bebezão, que na maioria das vezes precisa de alguém tomando as rédeas das coisas, guiando, afinal, ninguém melhor que nós para executar o papel, pois compreendemos perfeitamente a sistemática da nossa realidade brasileira. Claro que essa assistência deve ir diminuindo com o tempo, não dá para ser babá para sempre e nem deixar o companheiro cada vez mais dependente, ele deve ir conquistando seu espaço e independência, mesmo que seja aos poucos.

Talvez eu esteja errada ao pensar e agir assim, mas até o presente momento o resultado é mais positivo que negativo. Enquanto estivermos confortáveis e a coisa estiver funcionando, acho que não há muito com que se preocupar, até porque meu marido não me vê como uma babá e nem eu o vejo como meu bebê.

Uma coisa é fato, é difícil dosar as atitudes e ter plena consciência dos limites, de saber quando se está exagerando ou não. Há que se pesar os prós e contras, se certas atitudes estiverem prejudicando uma das partes ou até mesmo o relacionamento, é hora de parar e avaliar o que está dando errado, onde melhorar e corrigir os possíveis erros. Acho que isso é básico para qualquer relacionamento, não somente casais gringo-brasileiros, é basicamente erro e tentativa, temos sempre que nos ajustar, remodelar e até mesmo nos impôr em várias situações.

De qualquer forma, percebi uma maior independência do marido a partir do momento em que ele começou a trabalhar, meu babysitting  se limita, agora, a questões burocráticas. Sou eu quem declara o imposto de renda dele, resolve burocracias por telefone, lida com documentos, etc.

Resumindo história, considero-me uma esposa com momentos de babá, mas apenas naquilo que considero realmente necessário, quanto mais espaço ele conquista, menos preciso auxiliá-lo. Não é fácil ter marido estrangeiro no Brasil!

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Adaptação do Estrangeiro à Comida Brasileira

Em nosso caso, não foi, exatamente, adaptação do meu marido à comida brasileira, mas sim um malabarismo de minha parte para dar um jeito nele. No fim das contas, eu é que tive de me adaptar à ele e às suas chatices, pois além de chato, ele é muito exigente.

Eu nunca manjei muito de culinária por pura preguiça e admito isso sem rodeios. Essa história de que fulano ou fulana é um desastre na cozinha comigo não cola, isso não existe! Se a pessoa pegar uma receita de bolo e a seguir à risca, é óbvio que não tem como dar errado, pode não sair um “manjar dos deuses”, mas com certeza algo comível vai sair. Acho que todo mundo deveria saber se virar na cozinha, não é questão de talento, de jeito pra coisa, é necessidade e vontade, mesmo.  Nós precisamos comer e enquanto houver alguém cozinhando e servindo tudo fresquinho e na hora, é muito cômodo, mas e quando não houver? Vai viver de miojo e sanduíche? Vai tomar café, almoçar e jantar fora? Homem e mulher precisam se virar e cozinhar, ao menos, o trivial.

Em meu caso, como sempre tive alguém para cozinhar na casa da minha família, nunca tive muita prática, mas estava certa que, quando começasse a cozinhar frequentemente, não demoraria muito para que eu dependesse menos de receitas e ousasse mais, sem medidas exatas, improvisando combinações de temperos por erro e tentativa. Cozinhar não tem tanto segredo assim (ou talvez tenha, de acordo com os shows e competições de gastronomia que se popularizaram recentemente).

Pois bem. Até a chegada de meu marido, eu era do tipo cozinheira de fim de semana e gostava de fazer apenas junk food, tipo bolo, torta, pavê, trufa, sobremesas geladas, coxinha, pão de batata com catupiry e todas as gordices mais gordas do universo. Já prevendo que meu marido não iria curtir muito nossa comida, resolvi comprar um livro de receitas culinárias do país dele. Detalhe que não experimentei fazer absolutamente nenhuma receita antes de sua chegada.

Logo percebi que ele não seria feliz sem comer as comidas às quais ele estava acostumado. Ele começou a ficar um pouco incomodado e resolveu fazer sua própria comida. Deixei que fizesse, pois eu realmente não tinha a mínima noção de como combinar aqueles temperos todos. A sorte é que ele sabe cozinhar bem.

Como ele é muito preguiçoso, sabiamente começou a me incentivar a tentar minhas primeiras investidas naquela culinária exótica. Eu e minha santa ingenuidade achamos que estaríamos agradando e ajudando na adaptação. Tratei de usar o meu livrinho, pois não queria correr riscos desnecessários e fazer cagada. O começo nunca é muito satisfatório, mas digo que deu ao menos para o gasto. E assim nós fomos, alternando. Inicialmente mais ele cozinhava do que eu. Aí ele foi me dando dicas, ensinando-me a misturar todos aqueles temperos e, quando me dei conta, já estava cozinhando mais vezes que ele, lamentavelmente. Sim, porque não gosto dos afazeres domésticos e a maioria das vezes cozinhava somente para ele, por que ele não cozinhava então? De qualquer forma, depois de todo esse tempo em que ele está aqui, posso dizer que hoje eu manjo da coisa e há muitos pratos que eu faço muito melhor que ele. Acabei, então, superando o mestre, mas quisera eu nunca ter superado, pois acabei criando um monstrinho, ele nunca quer cozinhar, nem eu, aí fica aquele impasse. Tivemos várias discussões por causa disso, porque não sou obrigada e nem sou empregada de ninguém. Depois de muito stress, ele forçadamente entendeu meu recado e mudou um pouco sua atitude, mas vez ou outra ainda tenta resistir. 

Na prática, a coisa funciona assim, no almoço ele come o que tem, se não tem, ele tenta se virar. Antes até encarava o trivial arroz e feijão, mas logo percebeu que não gosta dessa combinação, então geralmente opta por comer uma salada acompanhada por frango ou ovo. Mas da janta não tem escapatória, é a comilança de lá que ele quer e tudo fresquinho, nada de requentar comida do dia anterior, ele detesta. Acho graça quando escuto essa mulherada de asiático fazendo mil planos, querendo aprender a fazer as comilanças de lá só para agradar. Atraso de vida, juro! Não quero dizer que não é legal aprender e fazer essa gentileza, agradar o amado, mas cuidado para não se escravizar e fazer do agrado uma obrigação. Foi o que aconteceu comigo e foi dureza cortar essa folga toda. Não passará!

Então, comer a comida daqui até que ele come, mas não sem antes fazer aquela cara de desânimo, chega a ser cômico. Eu nem tento mais incentivá-lo a experimentar coisas novas, porque sei que é difícil. Aos poucos, muito lentamente, ele está inserindo um ou outro hábito novo, mas é uma luta.

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Homesickness

Para quem ainda não sabe, homesickness é uma palavra inglesa que significa, basicamente, saudade de casa. Logo, você deve ter compreendido que essa palavra, um dia ou outro, fará parte da sua vida inevitavelmente caso você tenha um parceiro estrangeiro. Eu já passei e ainda passo maus bocados por causa dos efeitos da dita cuja (in)diretamente em minha vida e digo que não é fácil.

Quando eu morei no país de meu marido, eu não sofri nem um pouco de saudade de casa, talvez porque eu não tenha morado por anos no exterior. Apenas sei que em nenhum momento eu sofria por não estar em minha casa com minha família no Brasil, comendo as nossas comidas, nem nada. Às vezes eu sentia um desejo passageiro de comer algum doce especial que sempre costumava comer, mas o desejo por um docinho em nada se assemelha àquilo que homesickness realmente é. Eu gostei do lugar, das pessoas, da comida, da cultura, nada me fazia lembrar com nostalgia nem dor no coração ao pensar em meu lar e minha família no Brasil. Talvez o grande motivo tenha sido por não ter morado tanto tempo fora, ou então por não ter um relacionamento bem próximo com meus familiares. Sei, no entanto, de casos em que a pessoa, em apenas um mísero mês, já estava tendo ataques sérios de homesickness, o que mostra que isso é algo muito subjetivo, tem gente que sofre mais, tem gente que sofre menos e tem gente que nem chega a sofrer por causa disso.

Meu marido é um homesick diferenciado, em alguns aspectos ele é completamente homesick, em outros não é nada. Em seu primeiro mês no Brasil, tudo era alegria, gostou de tudo, de todos e não estava sentindo falta de absolutamente nada. Comeu quase tudo o que lhe foi oferecido e se esforçou para se ambientar. Mas isso não perdurou.

Primeiro sintoma que apareceu foi o fato de ficar na internet diariamente, por longos períodos, navegando em sites do país de origem dele, seja noticiário, entretenimento ou assistindo a filmes, absolutamente tudo de lá. É claro que queremos saber o que anda acontecendo em nosso próprio país, mas limitar-se somente a isso não é legal, em especial em um momento em que você deve se esforçar ao máximo para se integrar ao novo ambiente e se familiarizar mais e mais com o idioma. Sempre sugeri a ele que assistisse a alguns filmes brasileiros e que vez ou outra lesse algumas notícias sobre nosso país, mas não adiantou muito, ao menos naquele momento ele estava mais interessado pelas coisas de lá. Até quando assistimos a alguma coisa no computador juntos, nunca é nada daqui. Com relação a música, ele é mais espertinho. Aquelas mais populares, de maior sucesso, que tocam muito por aí acabam, naturalmente, chamando sua atenção, mas é só, no fim das contas, sou eu quem sabe muito mais das coisas de lá do que ele as daqui, mesmo ele morando no Brasil há um tempo considerável.

Mas, sem sombra de dúvida, a coisa que mais atrapalha a minha vida é a questão da comida. Meu marido vem de um país asiático e só de ler a palavra “asiático”, já dá para imaginar que se trata de hábitos alimentares muito diferentes dos nossos hábitos ocidentais. A comida que meu marido sempre foi habituado a comer sempre foi muito condimentada, o que muda completamente o gosto de um simples refogado de verdura. É lógico que ele não gostou do modo como temperamos a comida aqui, uma cebola picadinha, um dente de alho e uma pitada de pimenta e sal é tudo o que ele não quer comer, além de não comer carne bovina e suína, para piorar ainda mais o quadro.

Outra coisa foi o fato de querer falar com a família e amigos o tempo todo. Agora ele é mais comedido, mas por muito tempo a coisa era um exagero. Tudo bem sentir saudade da família, é normal, ele dizia que não sentia muita saudade deles, mas tinha a mania ou simplesmente o hábito de falar com eles diariamente por horas, não sei como tinha tanto assunto assim para conversar, eu sempre achei muito estranho aquele comportamento dele. E era sempre ele quem ligava para os familiares para que eles ficassem online para conversar, dificilmente o contrário. Quando esse exagero começou a afetar nosso relacionamento, tive de começar a reclamar, não houve jeito. Ele não gostou, é claro, alegou que não tinha muito o que fazer, o que me deixou mais irritada ainda, como assim não tinha muito o que fazer? Eu sempre procurei deixar bem claro que, se ele estava sentindo tanta necessidade assim de falar exaustivamente com os familiares, por que fez questão de vir morar no Brasil então? Aos poucos ele foi percebendo certas coisas e diminuindo aquele ritmo frenético, mas vez ou outra ainda dá umas escorregadas.

Apesar de todo esse homesickness dele, se você perguntar a ele se ele quer voltar ao país de origem para morar e não passear, a resposta será, obviamente, não, pelo menos não tão cedo. É meio contraditório, pois ele sente tanta falta disto e daquilo, nem eu entendo o caso direito. O fato é, ele gosta de morar aqui, mas percebo que as raízes são extremamente profundas e há coisas que, infelizmente, dificilmente irão mudar. Se tem um aspecto que eu lamento muito por ele, é pela falta que ele sente dos amigos. Incrivelmente, ele sente mais falta dos amigos do que da própria família. Não estou dizendo que ele não sinta falta da família, mas apenas que ele sente mais pelos amigos, pois antes mesmo de vir morar no Brasil, ele já morava longe da família, por causa dos estudos e do trabalho. Ele diz que sente falta de sentar e beber uns drinques com os amigos, falar besteira e coisas que só eles entendem, e eu entendo perfeitamente, especialmente pelo fato de que ele ainda não fez seus próprios amigos aqui.

Enfim, quem tem um estrangeiro em sua vida, uma hora ou outra vai passar por isso tudo, seja você mesmo ou seu parceiro, porque, invariavelmente, alguém estará distante de sua família, amigos e cultura. É bom se acostumar com isso.

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Fase de Adaptação do Estrangeiro no Brasil – Como Ocupar o Tempo e a Mente

Passadas as semanas iniciais aqui no Brasil, quando meu marido ainda estava conhecendo pessoas, explorando lugares e experimentando comidas, eu me preocupei em fazê-lo ter uma rotina. Já diz o ditado que a mente vazia é oficina do diabo, então tratei de não dar sorte ao azar. Acho mesmo que a rotina traz disciplina e nos ajuda a ordenar a vida em muitos aspectos.

Minha preocupação sempre foi em não deixá-lo se sentindo entediado ou deprimido pela falta do que fazer até que começasse a trabalhar, pois quem tem um parceiro estrangeiro morando no Brasil sabe que pode demorar um pouco para arranjar o primeiro emprego aqui se não houver dedicação total. Já falei um pouco sobre isso aqui e aqui. Foi pensando nisso foi que me preocupei seriamente em estabelecer uma rotina que aliviasse o stress dele por não trabalhar e não ter o que fazer.

Meu marido não é uma pessoa muito fácil de lidar e é claro que ele resistiu às minhas tentativas sutis de estabelecer rotina. Foi difícil conseguir dobrá-lo com as minhas sugestões e foram poucas as coisas as quais ele assentiu. Mas por saber da importância disso é que quero alertá-los, afinal, ninguém quer um parceiro nervoso em casa e que fique descontando suas frustrações nas pessoas ao redor.

Como eu já frequentava uma academia diariamente e sabia que ele também tinha gosto pela coisa, sugeri que fôssemos juntos malhar. Nem preciso comentar sobre os benefícios da atividade física no corpo e, principalmente, na mente. Ele aceitou numa boa e por vários meses frequentamos sem maiores problemas. Então uma rotina, um compromisso meu marido já tinha, ir à academia. Não me lembro exatamente o motivo pelo qual ele parou de ir naquela época, mas lembro que ele reclamava por não ter um parceiro para executar as séries de exercícios junto com ele. Passado um tempo, ele acabou sentido falta de se exercitar e retomou a rotina de exercícios na academia.

Estudar português é outra coisa que eu queria muito que fizesse parte da rotina diária dele, mas como já comentei aqui, em meu caso não deu muito certo por causa da preguiça dele. Se ele tivesse frequentado o curso de português como eu queria, teria ocupado boa parte do tempo indo para o curso, estudando, voltando, fazendo os exercícios em casa, etc. Juntando o tempo de estudo de português mais a academia, já preencheria uma tarde inteira de atividades, de segunda a sexta, o que eu não acho nada mau, pode não preencher o dia inteiro, mas meio período de atividades já estaria garantido e estaria mais do que bom. Não foi o nosso caso, mas tudo bem, pelo menos eu tentei.

Outra coisa que eu acho importante é ter horário para dormir e acordar. Não pensem que sou militar e extremamente rígida com horários e afazeres, ou então que trato meu respectivo como se fosse uma criança, longe disso, mas também não acho que não ter hora para dormir e nem para acordar seja algo bom de se fazer durante a semana. Sábado e domingo tudo bem, durma a hora que quiser, passe a noite acordado, mas de segunda a sexta não é uma boa ideia. Seu marido pode não trabalhar, mas você certamente tem um monte de coisa para fazer, inclusive acordar cedo. Eu costumo dormir tarde, dificilmente antes da meia-noite, mas meu marido, durante certo período, ficava no computador até muito mais tarde que isso e dormia até quase a hora do almoço. Eu não acho isso legal, especialmente porque fazendo assim, todos os dias parecem iguais e sem graça. Não há distinção entre dias de trabalho e dias de descanso, tudo vira descanso e quando tudo vira descanso, a pessoa pode se cansar também e passar a se sentir um pouco inútil. Lembre-se que ele não estará trabalhando e não ter afazeres acaba fazendo com que ele se sinta sem perspectivas também.

O que eu quero dizer com tudo isso é que vocês não devem perder o foco, seu parceiro estrangeiro muito provavelmente não veio para o Brasil para descansar e se divertir, ele veio para se estabelecer e quanto mais cedo ele se organizar e criar uma rotina, mais fácil serão todos os processos. Não quero dizer que enchê-lo de atividades durante o dia irá resolver os problemas, mas também não posso dizer que não será benéfico. E lembre-se que quanto mais contato ele tiver com as pessoas, mais desenvolto e independente ficará, o que é ótimo sob muitos aspectos.

Também não se deve poupá-lo da divisão das tarefas domésticas, como ele passará mais tempo em casa que você, ele deve colaborar com a manutenção das tarefas. E sabemos muito bem como ajudar cuidar da casa ocupa um belo tempo e a mente também. Pouca gente gosta, é óbvio, mas faz parte, não é mesmo?

Então, basicamente, não o deixe livre e solto para fazer (ou não fazer) o que quiser, sugira atividades com entusiasmo para que ele também se contagie e faça as coisas com vontade. Ficar dia e noite no computador é muito tentador, em especial se ele sentir muita falta da família, dos amigos, ou do seu próprio país e cultura, mas isso não é saudável em tempo integral e é certo que vai acabar atrapalhando o processo de adaptação até que ele se estabilize plenamente.

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A Saga do Curso de Português para Estrangeiro

Em algum momento, eu e meu marido resolvemos que era hora de procurar uma escola de idioma para que ele pudesse aprimorar seu português e pegar fluência. Como eu já comentei no post “Estrangeiro Aprendendo Português“, até então ele era auto-didata, mas muito longe de ser aplicado e por este motivo seu português não estava evoluindo muito. Ele havia empacado, pois estava pegando ódio de estudar português, não aguentava mais olhar para os livros, enfim, já não estava mais disposto a se virar sozinho e a falta de estímulo era total.

Antes de fazer uma pesquisa detalhada de curso de português para estrangeiro em minha cidade, achei que seria interessante conversar em uma escola de idioma perto de casa que tinha o curso disponível. É uma daquelas franquias famosas de escola de idiomas, com propaganda na tevê frequentemente. Pois bem, dei uma ligadinha antes para sentir o clima. A atendente foi meio vaga na explicação, mas me informou que a escola oferecia o curso regularmente com mensalidades A PARTIR DE R$ 250,00. Oras, sabemos que em se tratando de A PARTIR DE, a chance de ser o dobro mais caro é bem alta, por isso preparei o espírito para escutar que a mensalidade seria algo em torno de R$ 350,00 a R$ 400,00.

Pois bem, lá fomos nós. Logo que chegamos, já sacamos a primeira pegadinha, não havia curso regular de português para estrangeiro coisa nenhuma, era aula particular mesmo – VIP, o que significa que a atendente nos enganou, mentiu apenas para atrair o cliente desavisado.

O rapaz da área comercial, guru das vendas (insira sua risada sarcástica aqui), nos levou a uma salinha reservada para falar, basicamente, sobre valores. Nem inglês o sujeito falava para explicar os termos e condições claramente ao meu marido. Chegou sem o material didático, nem nada e simplesmente jogou os valores básicos do curso em nossas humildes caras. Não houve qualquer preocupação em explicar a parte mais importante, a pedagógica, isso foi simplesmente ignorado. Para encurtar a história, vamos aos valores (exatamente os informados) e sua explicação, porque foi somente isso que o guru explicou e nada mais.

O negócio funcionava mais ou menos assim: o aluno VIP para o referido curso deveria comprar um PACOTE MÍNIMO DE HORAS, que no caso eram 70 HORAS mais o MATERIAL DIDÁTICO, que se resume a alguns livrinhos de conteúdo, outros de exercícios e mais os CDs de áudio. O combo do material didático bem basiquinho saía, naquela oportunidade, pelo precinho módico de R$ 1.164,00 (isso há mais de seis anos, imagine agora). Cursando as aulas à noite, a hora-aula custaria R$ 150,00 (uma horinha apenas) e se cursasse pela manhã ou tarde, a hora-aula teria o valor de R$ 80,00.

A conta ficou assim:

AULA MATUTINA OU VESPERTINA

70 HORAS X R$ 80,00 = R$ 5.600  +   R$ 1.164 (material didático) = R$ 6.764,00

____________________________

AULA NOTURNA

70 HORAS X R$ 150,00 = R$ 10.500   +   R$ 1.164 (material didático) = R$ 11.664,00

____________________________

E nós ainda poderíamos pagar tudo de uma vez só se quiséssemos! Fantástico, não???  Na hora do adeus, até nunca mais, ainda tive que engolir um aperto de mão mole. Foi muito ódio no coração e fim da história com a maior rede de escolas de idiomas do mundo. Não acho que uma aula vip ao custo de 80 reais seja caro, acho até bem razoável, o que pesou foram as condições abusivas e o péssimo tratamento dispensado a um cliente em potencial. A forma como tudo foi conduzido, a falta de uma apresentação decente do curso e do método, as condições de pagamento impostas, fora a mentira que contaram em relação à existência de um curso regular de português para estrangeiros, quando na verdade não existia, tudo foi muito abusivo e enganador.

É por isso que eu repito, procurem curso de português para estrangeiro em universidades federais, que possuem ótimos cursos e com preços super justos. Não caiam na cilada de escolas de idiomas caça-niqueis, Hoje em dia, há inúmeros institutos que ensinam português para estrangeiros, inclusive gratuitamente, com muito excelência e comprometimento. Vale a pena procurar e conferir!

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Estrangeiro Aprendendo Português

Quando meu marido ainda não tinha visto permanente e nem planos concretos de vir morar no Brasil, eu levei comigo, na temporada em que passei morando no país dele, todos os meus livros de inglês dos tempos em que eu fazia curso em escola de idiomas. Achei que o material didático que eu tinha seria útil para ele começar a se familiarizar com o idioma, pois todo o vocabulário, verbos, expressões e a parte gramatical estavam dispostos tanto em inglês como em português. Por ser um método simples e direto, achei que seria interessante para ele.

Ficou combinado, então, que ele estudaria português uma hora por dia, não exatamente todos os dias, mas pelo menos com uma certa frequência, já que ele nem estava no Brasil, então não havia aquela pressão para aprender rápido.

Os primeiros capítulos do livro fluíram bem, líamos o vocabulário juntos, praticando a pronúncia e conhecendo o significado das palavras. Eu também tentava explicar a estrutura gramatical das frases, mas sem o estudo e o conhecimento necessários fica bem difícil. Depois eu ditava as frases em português para que ele as escrevesse em um caderno, para treinar audição e escrita e, por último, eu dava as frases em inglês para ele traduzir oralmente para o português. Mais tarde ele fazia os exercícios do livro sozinho.

Já nas primeiras “aulinhas”, descobri que meu marido é um saco de preguiça e perde o entusiasmo rapidamente. Na terceira aula ele já estava morrendo de tédio e preguiça, sempre pedindo para deixar para depois. Ele mal completou o livro 1 e, até vir para o Brasil, não passou disso, ou seja, não falava nada, não conseguia falar nem uma única frase que fizesse sentido além daquelas que ele decorou. Seu português se resumia, basicamente, a falar “eu gosto”, “eu quero”, “eu como”, “eu bebo” e coisinhas assim.

Chegando aqui, ele demorou para entrar no ritmo. Até cheguei a pesquisar cursos regulares de português para estrangeiro, em especial os cursos de idiomas ofertados em universidades federais, que são ótimos e têm preços super justos (porque, em geral, escola de idioma cobra uma fortuna para ensinar português a estrangeiros), mas meu marido disse que não queria gastar dinheiro com isso e não quis frequentar o curso. Comprometeu-se, entretanto, a estudar sozinho usando os meus livrinhos.

Assim, novamente combinamos que eu o ajudaria com os estudos. As primeiras aulas não foram muito bem, pois ele estava sem paciência e não me deixava explicar as coisas direito, além disso, ele morria de sono toda vez em que pegava nos livros. Comecei a me irritar, pois eu estava muito mais comprometida com os estudos do que ele. Fiz mais algumas tentativas de ajudá-lo, mas diante da sua impaciência, simplesmente desisti.

Ele novamente se comprometeu a levar os estudos adiante sozinho, só que a coisa se deu da seguinte maneiram, ele estudava um dia, dois, no máximo três, ficava de saco cheio e então passava vários dias sem nem olhar direito para os livros. Para agravar ainda mais a situação, ele também não se esforçava para praticar o pouco de português que ele sabia, não queria conversar com ninguém, alegava que não tinha assunto, passava a maior parte do tempo navegando na internet, falando com a família dele, assistindo a notícias do país dele, o que, obviamente, não o estava ajudando em nada. Não preciso nem explicar como eu fiquei irritada com a situação e que brigamos várias vezes por isso. Estava muito difícil para ele entender que o português para um estrangeiro é o como o ar para viver. Ele estava pensando que, com o português tosco dele, que na verdade nem era um protótipo de idioma, e o inglês fluente, ele estaria bem servido e que seria questão de tempo até que um emprego caísse do céu.

E assim a coisa se arrastou por mais de 6 meses, com ele estudando um pouquinho aqui, um pouquinho ali e passando a maior parte do tempo fazendo coisas que não o ajudavam em anda. Mesmo brigando e tentando abrir seus olhos, nada adiantou. Ele só começou a acordar para a vida quando começou a receber as primeiras ligações para entrevistas de emprego e, claro, não entendia quase nada do que falavam ao telefone. Foi então que finalmente percebeu que sem português ele não era ninguém. A partir daí, começou a se dedicar com mais seriedade aos estudos e resolveu que era hora de começar a praticar o português dele conversando realmente com as pessoas. Só assim a coisa começou a progredir. Ele não deixou as notícias do país dele de lado nem por decreto, mas, pelo menos tinha começado a se virar para fazer a coisa acontecer. Meu alívio foi grande e já não precisaríamos brigar tanto por causa disso.

Quase um ano depois de chegar ao Brasil, o português dele ainda não estava bom. Ele terminou de estudar por meio de meus livrinhos e seu nível era, então, um pré-intermediário bem sofrível. Fizemos algumas pesquisas na internet e resolvemos comprar um livro mais apropriado, destinado ao estudante estrangeiro aprendendo português, chamado “Falar… Ler… Escrever… Português”. Definitivamente não é um livro para iniciantes, tem que ter uma base pelo menos e também não sei dizer se é o mais apropriado mesmo ou não, mas meu marido e eu o achamos muito bom e ele progrediu consideravelmente.

Mas a grande verdade é que ele começou a se comunicar em português com mais desenvoltura e independência quando se expôs mais ao idioma, ou seja, quando ficou mais em contato com as pessoas, sem depender tanto de mim e das minhas traduções. A coleção de entrevistas que ele fez e os cursos de aprimoramento na área de formação dele que frequentou foram fundamentais para melhorar seu desempenho também.

A grande virada veio, mesmo, quando ele conseguiu seu primeiro emprego aqui no Brasil, foi lá que ele conseguiu subir um degrau definitivo para alcançar um nível avançado. Atualmente, depois de muitos anos, ele já está bem fluente, conversando com desenvoltura e usando vocabulário e estruturas mais complexas e formais da gramática. Comete, entretanto, muitos erros de concordância e inventa palavras que não existem, mas isso não compromete sua fluência. Acho que falta um pouco de polidez ainda, seu linguajar é, ainda, bastante coloquial.

Resumindo história, minha modesta opinião é, leve seu estrangeiro à força a um curso de português, é a melhor coisa que você pode fazer por ele e por você. Ele se comprometerá e levará mais à sério, em especial por ser algo pago, já que ninguém gosta de gastar dinheiro à toa. Além disso, terá um profissional capacitado para ensinar o idioma com o melhor método, o mais moderno e também eficaz, tirará todas as dúvidas, além de ser uma ótima oportunidade para se socializar. Eu tenho certeza absoluta que é a melhor opção, sem sombra de dúvidas.

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