Chances de um Estrangeiro se Dar Bem no Brasil

Como parâmetro de comparação, vou tomar três grupos de estrangeiros distintos com os quais brasileiros estão se relacionando e casando, quais sejam: jovem, meia idade e terceira idade.

Em minha opinião, o estrangeiro jovem e o da terceira idade têm muito mais chances de ser bem sucedidos no Brasil em comparação com o de meia idade e digo porquê. Vejam bem, um rapaz/moça jovem, muito provavelmente sem filhos, sem maiores responsabilidades e sem maiores feitos na carreira, não tem raízes muito profundas para cortar. Explico. Muitas vezes, essa pessoa ainda está decolando na carreira, tem mais energia e disposição para se arriscar em novas aventuras, e basicamente não tem muito a perder, só a ganhar. Uma pessoa de meia idade já vai pensar duas vezes antes de largar tudo para se aventurar em uma nova realidade. Nem todos querem começar do zero, ou até mesmo diminuir o padrão de vida com o qual estavam acostumados. A maioria já tem uma carreira consolidada, de muitos anos, bom salário, bens, enfim, uma série de fatores que acabam diminuindo a disposição e a mobilidade. Uma pessoa do grupo da terceira idade talvez seja quem mais vai ter vantagens no processo. Muitos já se aposentaram, ou estão tão bem consolidados e seguros em suas carreiras e conquistas, que se sentem mais livres para tentar algo novo, sem aquela pressão para fazer tudo acontecer para ontem.

Claro que a personalidade, experiência de vida e atitude de cada um é que vai determinar maior ou menor chance de se dar bem por aqui. Tem de ter vontade de fazer as coisas acontecerem e isso não tem nada a ver com dica de livro de auto-ajuda, é fato mesmo. Quem fizer corpo mole vai acabar vendo os dias transcorrerem sem que nada, absolutamente nada, aconteça. Procurar emprego é trabalho árduo, aprender português é um pepino, acostumar-se com a cultura e estilo de vida brasileiros pode ser um processo lento, fazer amizades pode não ser tão fácil, e muitos acabam ficando deprimidos e cada vez menos motivados. Porém, uma vez transposta essa barreira, os frutos podem ser doces.

Conheço uma pessoa que se relacionou por anos com um mexicano. Inicialmente, mantiveram um relacionamento virtual por uns 3 anos, mais ou menos. Ela, então, se mudou para o México, onde permaneceu por pouco mais de um ano. Como ela tinha uma filha que ficou no Brasil e que iria completar 15 anos, obviamente quis voltar e organizar a festinha de 15 anos da menina aqui. Após alguns meses, decidiu novamente voltar ao México, agora com a filha junto, mas naquela época o visto teve suas regras endurecidas por causa de brasileiros que usavam o país como passagem para entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Acabou que negaram o visto das duas. O casal, então, continuou levando o relacionamento tal como inicialmente, pela internet, telefone… Mas as cobranças começaram. Ela já havia estado no México e havia chegado a hora de ele vir ao seu encontro. Ele prometeu mil vezes que de tal data de tal mês não passava e assim o tempo foi passando e ele nunca veio. Basicamente o motivo era o seguinte, ele era arrimo de família e a família, humilde, dependia dele para o sustento. Ele trabalhava como autônomo, prestando serviços para uma grande rede de supermercados, e um dia não trabalhado significava menos dinheiro ao final do mês, por isso a dificuldade de vir a passeio ao menos, sem nem entrar no mérito da mudança para casar e ficar em definitivo. Passados mais alguns anos e vários ultimatos da parte dela, ela e a filha finalmente conseguiram ir ao México a passeio para ficar um mês e provavelmente para resolver a situação. Não sei exatamente o que se passou lá, mas sei que depois da viagem, ela finalmente decidiu terminar o relacionamento e seguir adiante. Muito tempo depois, ela soube que o mexicano teve um filho com outra mulher, e foi então que o relacionamento acabou de vez.

A dica, então, é analisar criteriosamente todos os detalhes da situação. Às vezes, certas circunstâncias geram um pouco de stress naquele determinado momento, no entanto, mais tarde, você poderá respirar aliviado pela reflexão e decisões tomadas, e perceber que nada foi em vão.

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Apressar o Casamento com Estrangeiro ou Adiar um Pouco Mais?

Essa é a pergunta que aflige a maioria dos casais, que prefere, em geral, se casar logo para diminuir a distância e facilitar o trâmite dos processos de visto e permanência, seja no Brasil ou no exterior. Mas será que essa é a decisão mais adequada? Vamos analisar.

Eu mesma acabei optando por me casar logo, mas hoje percebo que eu poderia ter esperado um pouco mais e explorado mais opções para ficar junto com o meu respectivo sem que, necessariamente, nos casássemos em pouco tempo. Não me arrependo nem um pouco, cada história, cada casal tem todo um contexto para se levar em consideração na hora de decidir se casar ou não, não é só uma questão de visto, papéis e burocracia, muitos fatores culturais pesam na decisão também.

De qualquer forma, na época em que me casei eu não tinha muito conhecimento de histórias de outras brasileiras em relacionamento com estrangeiros, embora houvesse muitas. A maioria dos relatos era relativo a diferenças culturais, dúvidas sobre namoro na internet, coisas mais emocionais, então não houve uma reflexão mais aprofundada de minha parte para considerar opções alternativas para ficarmos juntos sem necessariamente precisar casar. Não que o casamento seja uma necessidade e única opção em casos assim, mas a distância, o fator econômico, por causa dos gastos com passagens para ir e vir e, obviamente, a manutenção física do relacionamento, tudo isso pesa e você acaba mesmo achando que é uma ótima opção. Em muitos casos é mesmo e, felizmente, para mim também foi.

Mas eu acho que adiar um pouco o casamento é super válido, dependendo de seu estado de desespero. Você conhece melhor o seu companheiro, pode avaliar melhor e mais racionalmente se é isso mesmo que você quer, se vai encarar mudar de país e assimilar toda uma cultura que não é sua, longe de família, de amigos, ou então se você está disposta a receber o seu amor estrangeiro aqui, dando todo o suporte necessário para que ele se estabeleça, desde o aspecto monetário até o emocional. Você está preparada para tudo isso?

É uma questão que eu NÃO posso te ajudar a responder, mas posso te ajudar a refletir, dando idéias de alternativas que, se levadas à sério, podem ser ótimas opções. Nem todas são simples e fáceis, mas pelo menos há a possibilidade.

  1. Visto de trabalho para o Brasil – essa opção é, ao meu ver, a mais difícil, porque depende de achar oferta de trabalho no Brasil estando em seu país de origem, ou então uma transferência dentro da própria empresa em que se trabalha. Há muitos estrangeiros trabalhando nesses termos no Brasil, quem sabe um deles não pode ser seu parceiro/você? Mas é preciso muito empenho e dedicação para achar algo;
  2. Trainee – acho essa opção BEM legal. Inclusive eu e meu marido cogitamos essa ideia, mas em virtude das circunstâncias da nossa história, acabou não dando certo. Funciona mais ou menos assim (em linhas bem gerais), se ele é jovem, se está concluindo o ensino superior ou já se formou há, no máximo, uns dois anos, pode procurar agências de intercâmbio especializadas, como a AIESEC (na verdade é uma organização mundial de estudantes, mas prefiro classificar como agência de intercâmbio mesmo, porque facilita a compreensão). Nesse caso, ele entra para a organização, desenvolve alguns projetos e atividades em prol da comunidade de seu país de origem enquanto aguarda uma oportunidade para ser trainee (em sua área de formação) no país e na cidade escolhida. Quanto mais específica a opção, logicamente mais difícil fica para a oportunidade aparecer, mas não é impossível. O período de trainee é em torno de um ano. Para maiores detalhes, verificar diretamente no site da AIESEC. Mas já li relatos de vários estrangeiros que vieram para cá e trabalharam em empresas bem bacanas. É só procurar na internet.
  3. Visto de estudante ou pesquisador – que tal uma pós-graduação ou mestrado no Brasil? Ou os programas PEC-G ou PEC-PG do Governo Federal? É bacana, também, dar uma boa lida nos sites das melhores universidades do país, em especial as públicas, pois sempre há ofertas de programas de intercâmbio bem interessantes (com bolsa auxílio, inclusive) e, geralmente, tais instituições têm muito interesse na bagagem científica e cultural do estrangeiro. Há, também, programas de intercâmbio para aprendizado da língua portuguesa combinado com trabalho voluntário nas comunidades carentes do Brasil. Vale a pena se informar!
  4. Mudança de país – conheço casos de brasileiras que se mudaram para o exterior para ficar mais perto do país de seus amados. É o caso, por exemplo, de mulheres que se tornaram comissárias de bordo. Pessoas nesse ramo têm mais mobilidade e mais chances de ficar indo e vindo do país de seu parceiro. Assim, ele não precisa largar de seu emprego em seu país de origem e você também poderá se focar nesta carreira tão interessante, ganhando um bom dinheiro inclusive, até que se decidam exatamente pelo o que fazer. Também é interessante analisar o mercado de trabalho no país de seu parceiro e tentar uma contratação e mudança custeada pela empresa contratante. Por incrível que pareça, falantes da língua portuguesa são profissionais valorizados em alguns países, dependendo da área de trabalho. Tradução é uma área com bastante oferta, por exemplo.

Enfim, o que quero dizer é o seguinte, se não estiver muito segura para se casar, há outras opções bem sensatas a se considerar e não há necessidade alguma de se casar apenas para agilizar as coisas. Se você tiver alguma outra opção alternativa interessante, por favor, deixe sugestão no campo dos comentários.

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Informações Úteis para Estrangeiros no Brasil

Nos dias de hoje, informação é um dos bens mais valiosos. Uma pessoa que não se informa geralmente não faz muitos progressos na vida, ou se faz, é com muita dificuldade. No caso de brasileiros em relacionamento com estrangeiros, a falta de informação gera muita frustração e até mesmo prejudica o relacionamento pela perda de tempo, de dinheiro, dentre muitos outros aspectos que causam stress e atrapalham o dia a dia. Passos bem calculados e detalhados, planejados a partir de informações coletadas com antecedência, facilitam infinitamente a vida.

Sendo assim, uma das primeiras coisas que você deve se preocupar em fazer é um levantamento, isto é, uma lista de afazeres, em ordem de prioridade. O que irá guiar os seus passos para a tomada de decisões e de ações é, primeiramente, definir onde você e seu parceiro vão casar e morar. Você irá ao exterior para ficar com seu parceiro estrangeiro ou ele virá ao Brasil ficar com você? Pretendem se casar no civil no Brasil ou no exterior? As respostas a essas questões (bem como outras tantas igualmente importantes) é que irão nortear toda a pesquisa e guiarão seus passos.

Recomendo fortemente, então, uma bela pesquisa na internet, especialmente em sites do governo e repartições consulares brasileiras no exterior, no que diz respeito a questões relativas ao estrangeiro no Brasil. Leia de cabo a rabo, tome notas, destaque o que é importante e saiba muito bem quais são os direitos e deveres, o que pode e o que não pode. Parece complicado, mas é muito mais fácil do que parece.

Algumas leituras recomendadas (no tópico relativo aos estrangeiros no Brasil):

Também recomendo o site Gringoes, cujo objetivo consiste, primordialmente, em promover a troca de informações entre estrangeiros que moram ou que pretendem morar no Brasil. Há, também, vários sites tragicômicos mais voltados às aventuras amorosas de brasileiras em relacionamento com estrangeiros, que valem a pesquisa mais como alerta, porque muita gente embarca em canoas mega furadas. Por fim, destaco vários grupos no Facebook, tais como “Estrangeiros no Brasil” e toda sorte de “fulanos no Brasil”, em que é possível trocar ideias com a comunidade expatriada que vive no país.

Saliento que todas as descobertas e informações de relevância devem ser compartilhadas com o seu parceiro estrangeiro. Ele deve estar ciente de tudo e deve, inclusive, ser encorajado a pesquisar todas essas informações também. Às vezes, um detalhe de suma importância pode acabar passando batido se for analisado por uma só pessoa.

Fica a dica aos interessados. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Apresentação

Para um casal multicultural experienciar o clássico “encontraram-se, amaram-se e foram felizes para sempre” no Brasil, é necessário muito planejamento estratégico e muita força de vontade para fazer as coisas acontecerem, caso contrário não se chega a lugar algum, assim como em qualquer outra circunstância da vida.

O objetivo do blog e desta que vos escreve é, assim, tratar de vários assuntos relativos ao processo de estabelecimento no Brasil de estrangeiros em relacionamento com brasileiros, em especial no que se refere à questões burocráticas e à adaptação no país, de modo com que os leitores possam se beneficiar das informações e facilitar sua vida no Brasil.

A maioria das publicações neste blog é inspirada em minha própria experiência, uma vez que vivo com meu marido estrangeiro aqui, mas conto com você também para fazer deste blog um Manual (Quase) Prático de fato. Seu relato é, portanto, muito importante para enriquecer ainda mais as publicações e será sempre muito bem-vindo!

Espero que tenham uma boa leitura e façam bom proveito das informações! Sucesso e felicidade a todos vocês!