Casamento Por Procuração

Muita gente chega ao blog procurando informações sobre casamento por procuração, então hoje vou falar um pouco sobre ele, que figura no rol dos casamentos considerados especiais para o Direito de Família.

Sendo o casamento por procuração uma modalidade especial, não há dúvida que ele deve ser usado em situações igualmente ESPECIAIS. Não à toa, é uma modalidade de casamento pouco usada, pois em regra o ato se realiza na presença dos noivos. Deve ser, portanto, usado com muita parcimônia. Case-se por procuração apenas se for a última das últimas opções dos desesperados. Não case por procuração apenas para facilitar a vinda de seu namorado estrangeiro ao Brasil, caso ele(a) seja originário de um país em que o visto turista não seja facilmente emitido pela Embaixada Brasileira. Isso é conhecido como “casamento por conveniência”. Casamento não é para facilitar visto, casamento é um vínculo jurídico que visa o auxílio mútuo, seja material ou espiritual, e que objetiva formar uma família de fato. Ou seja, cuidado para não se enfiar em uma roubada. Atente-se ao fato de que a autoridade consular poderá NEGAR o visto para o Brasil com base em casamento com brasileiro caso suspeite da real intenção do estrangeiro.

O próprio Ministério das Relações Exteriores, em seu Portal Consular, tornou pública uma recomendação às brasileiras em relacionamento com estrangeiros pela internet. Veja o que eles recomendaram:

“O Ministério das Relações Exteriores vem recebendo numerosas queixas de cidadãs brasileiras vítimas de roubos, fraudes e violência cometidos por cônjuges estrangeiros que conheceram pela internet e com os quais tiveram pouco ou nenhum convívio presencial antes do casamento. De acordo com os relatos recebidos, que incluem denúncias de cárcere privado, é frequente, nesses casos, que os maridos estrangeiros mudem completamente de comportamento, logo após a formalização do matrimônio, tornando-se agressivos e manipuladores ou interrompendo repentinamente o contato com as vítimas, após obterem visto de permanência no Brasil. Nessas condições, recomenda-se às brasileiras e aos brasileiros especial cuidado com os relacionamentos virtuais mantidos com estrangeiros com o propósito de celebrar casamento, a fim de protegerem-se contra golpes e situações de risco. Sugere-se, entre outras precauções, buscar obter referências do cidadão estrangeiro por parte de terceiras pessoas de conhecimento comum, além de evitar manter o contato restrito aos meios de comunicação à distância, previamente ao matrimônio”.

Dito isso, então vamos lá!

O Código Civil facilita a vida de alguns noivos ao possibilitar a representação de um ou ambos via procuração. Esse dispositivo legal autoriza os noivos a constituir mandatários para representá-los no caso de impossibilidade de comparecerem à cerimônia de casamento. A maior exigência que se verifica é apenas que a procuração seja constituída por instrumento público, com poderes especiais, conforme dispõe o art. 1.542 do Código Civil. Esses poderes especiais referem-se especificamente à designação da pessoa com quem o noivo deseja casar, sob pena de restar prejudicado o livre consentimento exigido no casamento.

A cerimônia é idêntica a de um casamento civil tradicional, o que muda é que um ou os dois noivos se casarão, obviamente, por procuração e serão representados por outras pessoas. A procuração deve especificar o nome e a qualificação do noivo(a) com quem se casará para de evitar que o representante se case com pessoa diversa daquela que o noivo representado queira. A procuração possui, também, poder especial, ou seja, não se admite procuração em aberto. E olha só que interessante, a pessoa que possui a procuração para casar em nome do noivo, pode, inclusive, dizer NÃO, então muita cautela ao escolher o representante do noivo para o casamento. Se, por algum motivo, o casamento aconteceu mesmo com a procuração revogada, é possível anulá-lo, desde que o casal não tenha convivido após a celebração. É o que diz o do art. 1.542 do Código Civil.

Com relação ao gênero do representante do noivo(a) na cerimônia, a lei não faz qualquer menção, isso significa que a cerimônia pode ter como protagonistas dois homens ou duas mulheres, (cada qual desempenhando o seu papel: o nubente presente e o representante do nubente ausente), declarando expressamente, perante a autoridade celebrante a vontade de contrair o matrimônio.

O prazo de eficácia do mandato é de noventa dias, de acordo com o parágrafo 3º do mencionado artigo do Código Civil, prazo esse em que se deve realizar o casamento. No mais, o processo de habilitação do casamento por procuração (ou seja, aquele processo anterior, em que se reúnem todos os documentos e entrega-os no cartório), é exatamente o mesmo do casamento sem procuração. Para saber qual a documentação exata solicitada nesse processo de habilitação, o ideal é ir ao cartório de sua comarca. Para informações mais genéricas, sugiro a leitura do post “Casamento Civil com Estrangeiro no Brasil“. Só relembrando o que é esse procedimento de habilitação: é o procedimento que objetiva verificar se os noivos estão aptos a casar, para verificar se não há nenhum impedimento, por isso é que se pede tantos selos, carimbos e traduções dos documentos do noivo(a) estrangeiro(a), para verificar se está tudo certinho, para ver se o sujeito é solteiro, casado, divorciado ou viúvo. Lembrando que bigamia é crime e que uma pessoa com estado civil de casado no exterior não pode se casar aqui a menos que se divorcie legalmente. A regra é igual para todos, não importa se é brasileiro ou não. Já falei sobre esse assunto no post “Casada no Exterior – Solteira no Brasil?” e recomendo fortemente a sua leitura.

Com a certidão de casamento em mãos, bem como outros documentos, é possível solicitar o visto permanente para o Brasil com base em casamento com brasileiro, o que pode ser feito tanto no Brasil, conforme relatei neste post aqui, como no exterior, detalhado neste outro post aqui.

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Preconceito de Estrangeiro Contra o Brasil

O ponto de partida deste post é baseado em relatos de estrangeiros sobre o Brasil, mais especificamente o relato negativo. Qualquer pessoa que tenha a oportunidade de morar em um país estrangeiro, qualquer que seja, muito provavelmente terá uma lista de coisas daquilo que gosta e que desgosta sobre o país em que vive como expatriado, isso é absolutamente normal e até mesmo esperado. Meu marido, por exemplo, gosta e desgosta de várias coisas no Brasil, o mesmo acontece comigo em relação ao país dele. E mesmo eu, enquanto brasileira, gosto e desgosto de muitas coisas de nosso próprio país. Até aqui tudo bem. Se meu marido falar que ele detesta futebol, samba e caipirinha, beleza, não ficarei ofendida, vou até gostar. Se ele assistir no noticiário às barbaridades nossas de cada dia e criticá-las, ora, o que há de errado nisso? Nada! Ele é estrangeiro, mas não é burro nem muito menos cego. Não é pelo fato de ser estrangeiro que ele deve ser indiferente às coisas e acontecimentos relativos ao país em que ele está vivendo. Como ele vive aqui permanentemente, estará sempre passível a sofrer influência direta de tudo em sua própria vida, e inclua aqui todas as esferas possíveis, seja economia, saúde, violência, educação, transporte e tudo o mais que se possa imaginar. Então, como ser indiferente e alheio?

O que eu quero dizer é que eu acho digno e genuíno que eles, os estrangeiros, tenham opiniões sobre o país, sejam elas positivas ou negativas, não é um crime reclamar ou não gostar de muitas coisas no Brasil. Então, qual é problema? O radicalismo, aqueles que desprezam tudo e todos, desfazem da cultura, debocham das pessoas, reclamam de absolutamente tudo, não sabem reconhecer aquilo que é bom, acham que tudo que é do Brasil é uma grande merda, e que têm como ideal de vida a experiência e cultura de certos países no exterior, sendo os Estados Unidos seu ideal máximo, o ápice de realização de uma vida.

Não sei o motivo pelo qual tais pessoas se encontram ligadas ao Brasil, qual é o motivo que os trouxe a morar aqui, o que eu sei é que, quando alguém se propõe a viver no exterior, ela tem de se despir de seus preconceitos e, principalmente, deixar a comparação entre os países de lado, caso contrário a estadia estará seriamente prejudicada.

Nós, brasileiros, temos consciência de que, fora do Brasil, há muitos países infinitamente mais avançados e desenvolvidos que o nosso, que oferecem mais qualidade de vida a seus cidadãos e tudo o mais. Na verdade, sempre haverá alguém melhor que a gente, mas isso não significa dizer que o que quer que tenhamos aqui é ruim ou deplorável, que devemos nos envergonhar da nossa cultura uma vez que há outras “melhores”. Aliás, o conceito de “melhor” é bem relativo, não é mesmo?

A grande questão é, quem disse que o modelo de vida do país x ou y é o melhor? Uma coisa é oferecer melhores condições de vida, outra é se vender como o melhor, como o único estilo de vida socialmente aceitável e o ideal para o resto da humanidade. Tem muito gringo aqui que pensa assim, e não por coincidência são, em sua maioria, de países “de primeiro mundo”.

É nesse sentido que entra a minha reflexão sobre estrangeiros e também brasileiros que são cegados por um determinado estilo de vida. Cansei de ver brasileiro falando horrores do Brasil em fóruns públicos, dizendo que têm vergonha do Brasil e que lugar bom mesmo é Estados Unidos, Inglaterra, que aqui não tem nada que preste, que somos um bando de animais selvagens, que nossas cidades são um lixo e acrescente aqui tudo de ruim que você possa imaginar, eles já falaram pior, muito pior. Eu penso o seguinte, somos o que somos, somos frutos da nossa cultura e temos nosso próprio ritmo de evoluir, e evoluímos, ainda que aos poucos. Não se pode esperar, de qualquer nação que seja, que se tenha um mesmo tipo de comportamento e desenvolvimento, pois isso jamais irá acontecer. Ainda que o Brasil se torne um país de primeiro mundo, com melhores condições de vida e mais igualitário, jamais seremos como americanos ou europeus, simplesmente porque somos únicos. O que seria do mundo se fôssemos todos iguais?

Quero esclarecer que não tenho preconceitos contra países desenvolvidos, bem como não sofro da síndrome de inferioridade, eu reconheço as qualidades deles e acredito mesmo que eles sirvam de modelo para muitas coisas que ainda precisamos melhorar, mas isso não se aplica a muitos de nossos aspectos culturais. Somos parte de um país tão rico culturalmente, por que achar que o estilo de vida dos outros é o único legítimo e o melhor? Não existe melhor e pior nesse sentido, há o diferente e desde que o diferente não seja ofensivo e que não restrinja suas liberdades e direitos como humano digno daquilo que há de melhor, então é válido.

Então, se uma família gringo-brasileira conclui que os Estados Unidos, por exemplo, oferece melhores condições de vida e oportunidades para eles, tudo bem, mas isso não significa que o Brasil deva ser menosprezado por eles, nem rebaixado. Infelizmente vejo muito isso, há muita gente que não consegue entender que isso é ridículo. Tenho um exemplo. Certa vez, apareceu um termo de busca que direcionou o leitor aqui para o blog que dizia o seguinte:

“Meu marido é estrangeiro e vive comigo no Brasil, mas ele sempre fala mal do Brasil e por isso temos brigado muito”

Complicado, não? Sem dúvida é um dos grandes desafios que um casal gringo-brasileiro tem de enfrentar, dentre tantas outras coisas. Acho que vale a pena refletir um pouco mais sobre isso.

Meu marido, como todos sabem, também é estrangeiro e vivemos no Brasil, mas ele raramente fala mal daqui e nunca brigamos por causa disso. Ele não fala mal por um motivo bem simples, ele está quase plenamente satisfeito com a vida que levamos aqui, simples assim. Nem tenho como alongar muito, nem justificar de mil maneiras, pois o fato é que não há reclamações. Eventualmente ele reclama dos preços das coisas, pois acha tudo muito caro, em especial  se comparado ao preço das coisas no país dele, mas como é tudo muito caro mesmo, nem tem o que contestar, eu mesma faço coro à sua reclamação. Ele também reclama da comida brasileira por ser acostumado a comidas condimentadas, mas nada que possa provocar problemas de relacionamento.

Não acho que levei sorte, porque meu marido é reclamão por natureza, a grande questão é, ele vem de um país um pouco mais problemático que o Brasil, então é natural que ele se sinta bem e confortável aqui. Em termos culturais também não há stress, talvez ele não curta algumas coisas, mas nada que interfira em nosso relacionamento propriamente dito. O Brasil e o estilo de vida que levamos aqui não são motivos fortes o suficiente para desestabilizar nosso relacionamento.

O que eu percebo em diversos fóruns de discussão em que os participantes são, em sua maioria, estrangeiros vivendo no Brasil, é que grande parte dos reclamões vem de países mais desenvolvidos ou de países em que a língua nativa é a inglesa. Não estou afirmando nada, estou apenas compartilhando uma impressão minha, pode ser que eu esteja errada. Mas até que faz algum sentido, pois é lógico que estrangeiros oriundos de países como Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo – apenas para citar os casos mais clássicos – onde tudo é moderno e avançado, com milhares de facilidades, mais conforto, e tudo o mais, vão ter um pouco mais de dificuldade para se adaptar às coisas daqui que, diga-se de passagem, está mesmo aquém do esperado por eles. Mas ao mesmo tempo, há inúmeros deles que relatam ter escolhido o Brasil justamente por estarem cansados de tudo lindo, tudo perfeito, mas frio, sem o “calor humano”. Basicamente não dá para fazer um traçado muito claro da situação, pois ela é muito diversa.

Só que o problema de hoje é o marido estrangeiro da leitora que só faz reclamar do Brasil, o que acaba gerando muito discussão entre os dois, afinal, quem é que gosta de escutar alguém reclamando dia e noite do lugar em que nascemos e crescemos, lugar esse que guardamos os melhores sentimentos, as melhores lembranças e que nutrimos imenso carinho e, lógico, gostamos também? Não é fácil estar em uma situação dessa. Não podemos esquecer, também, que estrangeiros têm sentimentos, justamente o que eu já comentei mais acima. Eles têm o direito de gostar e desgostar das coisas daqui, reclamar ou não, isso é absolutamente normal. Em meu relacionamento, tivemos a felicidade de gostar e se sentir em casa em ambos os países, seja no país de meu marido, ou aqui, mas nem todos os casais gringo-brasileiros partilham da mesma felicidade. Conheço uma brasileira que detesta o país do parceiro e que não moraria lá de maneira alguma, então para o casal ficar junto, só havia uma solução, morar no Brasil ou em qualquer outro país, menos no país de origem dele. Aparentemente eles conseguiram resolver o impasse e vivem bem aqui.

Acho que a primeira coisa é analisar o porquê de tanta briga. Não gosta do Brasil e só reclama? Ok, até certo ponto é compreensível. Mas se a coisa for realmente demais, a ponto de uma conversa franca, explicando que a pessoa passou dos limites, que está magoando e provocando discórdia, já não estar mais funcionando, bem, aí eu acho que é o momento de começar a pensar no plano B, sem muitas delongas, por que estender uma situação até as últimas consequências? Claro que estou considerando uma situação extrema, em que o tempo passou, a pessoa de fato não se adaptou, em que todas as alternativas foram usadas e ainda assim nada resolveu a situação, isso pode mesmo acontecer. Aí o casal tem que sentar e resolver a situação e não ficar minando o relacionamento aos poucos.

Se o reclamão ou reclamona pode maneirar na encheção de saco e pegar mais leve, que faça a sua parte, brigar em casa por não gostar do Brasil ou de várias coisas no país não vai refrescar em nada, só piora a situação, afinal, é em casa que está a base de tudo. E a vítima do reclamão ou reclamona deve refletir se a reclamação é mesmo genuína ou se está se ofendendo gratuitamente por pouca coisa, o ego pode estar um tantinho inflado também, não é mesmo? Tudo tem dois lados e todos eles devem ser considerados. Se nada resolver, se não houver jeito que ajeite, aí é hora de começar a avaliar outras possibilidades. Aliás, quem se relaciona com estrangeiro tem que ter em mente que considerar outras possibilidades faz parte do jogo, sempre!

Possibilidade de Estrangeiro Fazer Estágio de Pós-Graduação no Brasil

Quando meu marido estava sem emprego e procurávamos um insistentemente, começamos a pensar em soluções alternativas que pudessem ajudá-lo a encontrar uma vaga mais rapidamente. Então eu descobri que QUEM FAZ PÓS-GRADUAÇÃO TAMBÉM PODE ESTAGIAR. Olha só que coisa linda – foi o que eu pensei.

A legislação que regula o estágio permite que os estudantes de pós-graduação estagiem, uma vez que, de acordo com esse dispositivo legal, pós-graduação é classificado como um curso do Ensino Superior. Dei pulos de alegria ao fim de minha pesquisa, pois seria mais uma opção, mais um alvo para tentar acertar.

Claro que a ideia da pesquisa sobre estágio em pós-graduação não brotou do nada, pois eu nunca tinha parado para pensar se isso era possível ou não, mas por acaso lembrei que, certa vez, em minhas procuras por emprego, vi um anúncio para vaga de estágio para quem estivesse cursando, no mínimo, mestrado, então parecia meio óbvio que não haveria nenhum impedimento ao aluno de pós-graduação também. Com isso em mente, fui ler um pouco sobre a lei que regula os estágios e também alguns artigos sobre o assunto.

Um dos artigos que li sobre o assunto falava o seguinte:

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Ao ouvir falar sobre oportunidades de estágio, muitos profissionais imaginam vagas destinadas a alunos do Ensino Médio, Técnico ou Superior. Mas saiba que há também opções para estudantes de pós-graduação. A legislação permite estágios de pós-graduação, já que esses cursos, pelos dispositivos legais, são do Ensino Superior. Mas, para estagiar, é necessário que haja aprovação e intervenção da instituição de ensino do aluno.

“Para os estagiários de pós-graduação, valem as mesma regras. A carga horária também é de seis horas diárias, com tempo máximo de estágio de dois anos em uma mesma empresa”, explica a gerente de Treinamento do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), Carmen Alonso. Sobre a bolsa-auxílio, o estagiário recebe o valor aproximado dos estágios de graduação.

A especialista declara que aceitar um estágio de pós-graduação é válido para profissionais que querem mudar de ramo ou trabalhar em um segmento específico. “A vantagem é direcionar a carreira. Além de ser uma maneira mais rápida de migrar de área. Mesmo ganhando menos, vale a pena”, afirma.

Para as empresas, também existem vantagens em contratar um estagiário na pós-graduação, já que esses profissionais são mais maduros, têm mais experiência e conhecimento. “Para a empresa, o networking desse profissional também é importante. Essa pessoa já trabalhou antes e esses contatos podem agregar para a empresa”, acrescenta.

Sobre as áreas que oferecem mais vagas de estágios para alunos de pós-graduação, Carmen cita Saúde e Administração. “São áreas específicas como Administração em ênfase em Comércio Exterior. Há outras vagas disponíveis, mas, geralmente, os alunos não sabem que podem estagiar”, finaliza.

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Bem, não que fosse um sonho ver meu marido estagiando, mas quem não tem cão caça com gato, então pensei que, se ele conseguisse estágio em uma empresa bacana, quem sabe uma multinacional, seria muito bom para seu currículo, ainda que o salário fosse ruim. A longo prazo valeria a pena.

Outro artigo dizia o seguinte:

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Eu não posso fazer estágio durante a pós-graduação. Mito ou verdade?

Mito. Muitos desconhecem, mas estágios também são permitidos para estudantes de pós-graduação. Muita gente acha que os estágios são direcionados apenas para alunos de Ensino Médio, cursos técnicos e de graduação. Porém, o que muita gente desconhece é que os estágios também são permitidos por lei para a pós-graduação, já que, pelos dispositivos legais, ela integra o Ensino Superior.

O desconhecimento sobre o assunto existe tanto por parte de estudantes quanto de empresas, fato que contribui para uma baixa oferta de vagas destinadas a este público. Segundo a coordenadora do Centro de Desenvolvimento Pessoal e Profissional (Cedesp) da Unimonte, Flávia Dantas, as organizações parceiras da instituição costumam solicitar apenas estagiários de graduação. “Acredito que isso aconteça realmente por mera falta de informação e desconhecimento da lei. Há, por exemplo, organizações que limitam seus processos de seleção para recém-formados, quando poderiam adicionar também os pós-graduandos”.

Para se ter uma ideia, até mesmo as regras são iguais: carga horária de até seis horas diárias, com tempo máximo de estágio de dois anos em uma mesma empresa. Flávia ainda acrescenta: “Hoje em dia, o estudante de pós-graduação não possui tanta bagagem e vivência na área em que se graduou. Geralmente eles são recém-formados e a maior parte nem está ainda no mercado de trabalho. Ingressam na pós justamente para adquirir mais conhecimentos sobre um segmento específico e fazer networking”.

Entretanto, é preciso levar em conta que fazer um estágio como pós-graduando, na maior parte das vezes, representa abrir mão de salários maiores. Exige sacrifício financeiro. Além disso, é comum ainda existir um certo preconceito pelo fato de um profissional formado procurar um estágio ao invés de um emprego efetivo. “Neste caso em específico, a pessoa já formada faz isso pensando a longo prazo. Ela até pode ganhar menos durante um período, mas está em busca de dar uma direção à carreira, aprimorar o currículo com outras experiências para, depois, ir atrás de novas oportunidades profissionais e melhores salários”, afirma Leonardo Ferreira, diretor do núcleo de Pós-Graduação e Pesquisa da Unimonte.

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A Associação Brasileira de Estágios dispõe de um link em seu site com as dúvidas frequentes, e a pergunta mais interessante para nós, que nos relacionamos com estrangeiros, é essa abaixo:

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20. Pode ser concedido estágio a estudantes de pós-graduação (mestrado ou doutorado)? E a estudantes estrangeiros?

De acordo com os dispositivos legais vigentes, podem ser estagiários os estudantes de educação superior. Em termos amplos, ao considerarmos os cursos de pós-graduação, como de nível superior, como realmente o são, há possibilidade de contratar-se tais estudantes como estagiários, de acordo com a legislação vigente, desde que haja aprovação e interveniência da respectiva Instituição de Ensino. Os estudantes estrangeiros regularmente matriculados em instituição oficial ou reconhecida têm o mesmo direito dos nacionais.

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Bom, considerando o caso dos estudantes estrangeiros, que venham ao país portando visto temporário de estudante, ainda que não possam exercer atividade remunerada, de acordo com a legislação brasileira, pela natureza de seu visto, eles podem ganhar uns trocos como estagiários. Parece-me uma situação contraditória, mas que está lá elencada na legislação sobre estágios. Não custa tentar, certo?

Em nosso caso, como não precisávamos nos preocupar com isso, afinal, o marido era permanente, começamos a estudar as possibilidades e a procurar pelas oportunidades. Cheguei até a mandar um e-mail para uma analista de recursos humanos de uma grande multinacional japonesa perguntando se eles ofereciam programa de estágio de pós-graduação e falando brevemente sobre a lei que permite estágios nesta situação. E não é que ela respondeu? A resposta foi que eles ofereciam estágios técnicos e de graduação (na verdade ela escreveu estágio superior no lugar de graduação e logo percebi que ela não manjava nada e nem tinha noção do erro ao usar o termo “superior”, que é genérico, porque engloba mais opções que não só a graduação), mas pelo menos houve resposta.

Na verdade, como os próprios artigos acima deram a entender, não é lá muito fácil achar estágio para pós-graduação, mas a uma empresa, que não seja das grandes e que tenha receio de contratar um estrangeiro, pode ser ofertada essa possibilidade. Fizemos isso uma vez e não é que o sujeito se interessou? A ideia só não foi adiante porque meu marido conseguiu emprego.

A quem interessar possa, segue o link da legislação sobre estágio:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm

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Um Francês e Suas Impressões sobre o Brasil

Certa vez, alguém me passou o link de um blog escrito por um francês chamado (O outro) diário do Olivier  e tinha lá um post intitulado “Curiosidades Brasileiras(o único post do blog, por sinal) que me rendeu boas risadas. Achei que valeria a pena compartilhar o texto aqui com vocês, mas é claro que eu quero dar minha opinião em cada uma das observações feitas pelo sujeito.  Quem quiser ler o texto sem meus comentários, é só clicar nos links acima. O que está em negrito foi escrito por ele e eu copiei exatamente como ele escreveu, não corrigi nenhum erro.

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Aqui são umas das minhas observações, as vezes um pouco exageradas, sobre o Brasil. Nada serio.

Aqui no Brasil, tudo se organiza em fila: fila para pagar, fila para pedir, fila para entrar, fila para sair e fila para esperar a próxima fila. E duas pessoas já bastam para constituir uma fila.

Fila é vida, meu caro! Até hoje meu marido fica maravilhado ao ver pessoas respeitando filas, porque lá no país dele, eles nem sabem o que isso significa. Certa vez, eu estava aguardando minha vez para comprar um ingresso em uma fila exclusiva para mulheres, que mais parecida um amontado de mulheres lutando para conseguir chegar ao guichê, e não é que um sujeito, na maior cara de pau, simplesmente se atravessou em minha frente, bem na minha vez, porque a fila dos homens não estava andando? Fiquei louca da vida. Só dá valor a uma fila quem nunca teve ou experimentou uma situação caótica.

Aqui no Brasil, o ano começa “depois do Carnaval”

Mito ou verdade? Pode ser que seja verdade para muita gente, mas definitivamente não para mim, meu ano começa assim que termina meu recesso de fim de ano, ou seja, logo nos primeiros dias de janeiro.

Aqui no Brasil, não se pode tocar a comida com as mãos. No Mc Donalds, hamburguer se come dentro de um guardanapo. Toda mesa de bar, restaurante ou lanchonete tem um distribuidor de guardanapos e de palitos. Mas esses guardanapos são quase de plastico, nada de suave ou agradável. O objetivo não é de limpar suas mãos ou sua boca mas é de pegar a comida com as mãos sem deixar papel nem na comida nem nas mãos.

E frango frito se come como? E a batatinha frita? Achei a observação interessante. Até meu marido, que vem de uma cultura em que comer com a mão é a regra, aqui usa guardanapo fora de casa para quase tudo, inclusive no McDonald’s. Não acho que seja simplesmente uma regra de etiqueta, mas sim para não ficar com as mãos engorduradas, especialmente com frituras. Até que eu não uso tanto guardanapo, em especial se tiver apenas aqueles que não limpam nada, que mais parecem que só engorduram as mãos ainda mais, mas conheço muita gente que não vive sem guardanapo de jeito nenhum. Palito de dente eu acho uó! Devia ser extinto do planeta!

Aqui no Brasil todo é gay (ou ‘viado’). Beber chá: e gay. Pedir um coca zero: é gay. Jogar vólei: é gay. Beber vinho: é gay. Não gostar de futebol: é gay. Ser francês: é gay, ser gaúcho: gay, ser mineiro: gay. Prestar atenção em como se vestir: é gay. Não falar que algo e gay : também é gay.

Moro em uma região em que se fala muito em “coisas de macho”, mas não posso negar que qualquer coisinha pode ser classificada como uma coisa gay. Gaúcho com fama de gay, especialmente se for de Pelotas, é um clássico tupiniquim, mas mineiro é novidade para mim! De qualquer forma, acho mesmo que brasileiro é campeão no quesito tentar se auto-afirmar como um cabra muito macho. O mundo masculino, para eles, é dividido em dois, o mundo dos machos muito machos e o mundo das bibas. Coitado de quem gosta de Coca Zero e chá, tipo meu marido!

Aqui no Brasil, os homens não sabem fazer nada das tarefas do dia a dia: não sabem faxinar, nem usar uma maquina de lavar. Não sabem cozinhar, nem a nível de sobrevivência: fazer arroz ou massa. Não podem consertar um botão de camisa. Também não sabem coisas que estão consideradas fora como extremamente masculinas como trocar uma roda de carro. Fui realmente criado em outro mundo…

É verdade, em geral os homens brasileiros não costumam ajudar nas tarefas domésticas desde pequenos, por incentivo de seus próprios pais. Muitos ainda acompanham esse pensamento ultrapassado de que apenas as mulheres devem realizar as tarefas do lar. Eu mesma cresci em uma família assim. Ainda bem que meu marido é multiuso, sabe cozinhar, lavar louça e roupas (mas é um saco de preguiça). Mas em relação à troca do pneu do carro, não concordo com ele, pois não conheço nenhum homem que não saiba, afinal, carros e afins é “coisa de macho, muito macho”.

Aqui no Brasil, sinais exteriores de riqueza são muito comuns: carros importados, restaurantes caríssimos em bairros chiques, clubes seletivos cujos cotas atingem valores estratosféricas.

Sem dúvida. E mostrar uma riqueza que a pessoa não tem é ainda mais comum. Gente que se afunda em contas, passa necessidade em casa, mora praticamente em um barraco, mas que tem carro do ano e importado é o que mais tem. Aqui no Brasil dizemos que gente assim come ovo e arrota caviar.

Aqui no Brasil, os casais sentam um do lado do outro nos bares e restaurantes como se eles estivessem dentro de um carro.

Óin, adoro sentar do ladinho de meu marido em qualquer lugar

Aqui no Brasil, os homens se vestem mal em geral ou seja não ligam. Sapatos para correr se usam no dia a dia, sair de short, chinelos e camisetas qualquer e comum. Comum também é sair de roupas de esportes mas sem a intenção de praticar esporte. Se vestir bem também é meio gay

Desculpem-me os brasileiros leitores do blog, mas é verdade, de maneira geral o homem brasileiro não é lá muito chegado a vestir-se bem. Eles se vestem feito adolescentes quase em tempo integral: jeans, moletom, tênis, camiseta, bermuda estilo surfista. Meu marido, que sempre usou camisa, aos pouquinhos está aderindo à “modinha”.

Aqui no Brasil, o cliente não pede cerveja pro garção, o garção traz a cerveja de qualquer jeito.

Que exagero! Tudo bem que, dentre as bebidas alcoólicas, a cerveja é uma preferência nacional, mas aí também já é demais! Também pode ser porque cerveja é das bebidas mais baratas se comparada aos destilados da vida. Um copinho de caipirinha custa em torno de 15 reais, e a garrafa de cerveja? Bem mais em conta. Garção é bão!

Aqui no Brasil, todo mundo torce para um time, de perto ou de longe.

Futebol, uma paixão nacional, até mulheres gostam, mas certamente não é uma paixão minha, nem de perto e nem de longe! E meu marido detesta o futebol sul-americano, prefere o europeu. Aliás, futebol não é a praia dele, mas ele decidiu começar a jogar uma vez por semana para mexer o corpinho e conhecer pessoas. Era um perna de pau no início, mas agora até já faz gols (no momento nem joga mais).

Aqui no Brasil, sempre tem um padre falando na televisão ou na radio.

Ah, sim, certamente. Em torno de 87% da população é cristã, mas eu vejo mais pastor na TV do que qualquer outra coisa. Na verdade, há anos que não assisto tv.

Aqui no Brasil, a vida vai devagar. E normal estar preso no transito o dia todo. Mas não durma no semáforo não. Ai tem que ser rápido e sair ate antes do semáforo passar no verde. Não depende se tiver muitas pessoas atrás, nem se estiverem atrasados. Também é normal ficar 10 minutos na fila do supermercado embora que tenha só uma pessoa na sua frente. Ai demora para passar os artigos, e muitas vezes a pessoa da caixa tem que digitar os códigos de barra na mão ou pedir ajuda para outro funcionário para achar o preço de um artigo. Mas, na hora de retirar o cartão de credito, ai tem que ser rápido. Não é brincadeira, se não retirar o cartão na hora, a mesma moça da caixa que tomou 10 minutos para 10 artigos vai falar agressivamente para você agilizar: “pode retirar o cartão!”

Realmente, o trânsito está cada vez pior e o povo cada vez mais enlouquecido para comprar carro. Na primeira oportunidade, já se afundam em financiamento para comprar um carrinho popular, ou seja, a tendência é piorar ainda mais. Enquanto isso, nos países desenvolvidos, o povo está aderindo cada vez mais aos transportes públicos. Esse é o nosso Brasil, sempre na contramão!

Aqui no Brasil, os chineses são japoneses.

Ou os japoneses são chineses? E os coreanos? Ninguém sabe quem é quem, é difícil identificar.

Aqui no Brasil, a política não funciona só na dimensão esquerda – direita. Brasil é um pais de esquerda em vários aspectos e de direita em outros. Por exemplo, se pode perder seu emprego de um dia pra outro quase sem aviso. Tem uma diferencia enorme entre os pobres e os ricos. Ganhar vinte vezes o salario minimo é bastante comum, e ganhar o salario minimo ainda mais. As crianças de classe media ou alta estudam quase todos em escolas particulares, as igrejas tem um impacto muito importante sobre decisões politicas. E de outro lado, existe um sistema de saúde publico, o estado tem muitas empresas, tem muitos funcionários públicos, tem bastante ajuda para erradicar a pobreza em regiões menos desenvolvidas do país. O mesmo governo é uma mistura de política conservadora, liberal e socialista.

Ele está por fora, agora tudo se resume a esquerda mortadela e direta coxinha.

Aqui no Brasil, e comum de conhecer alguem, bater um papo, falar “a gente se vê, vamos combinar, ta?”, e nem trocar telefone.

É o clássico “Vamos combinar? Vamos” e fica tudo por isso mesmo! Quando alguém fala para meu marido “vamos combinar?”, ele logo responde “quando? amanhã?” e deixa a pessoa que perguntou com cara de bunda.

Aqui no Brasil, a palavra “aparecer” em geral significa, “não aparecer”. Exemplo: “Vou aparecer mais tarde” significa na pratica “não vou não”.

Eu discordo, significa que um dia vai aparecer, sim, não necessariamente amanhã ou depois! Um ano, quem sabe?

Aqui no Brasil, não falta espaço. Falam que o pais tem dimensões continentais. E é verdade, daria para caber a humanidade inteira no Brasil. Mas então se tiver tanto espaço, por que é que as garagens dos prédios são tão estreitos? Porque existe até o conceito de vaga presa?

Rapaz, garagem aqui é sinônimo de lucro, tem até gente que aluga e vende a dita! Tem gente que se estapeia por causa delas. Estacione seu carro por um minuto em uma vaga de garagem que não é sua para você ver o que acontece, corre-se um sério perigo.

Aqui no Brasil, comida salgada é muito salgada e comida dolce é muito doce. Ate comida é muita comida.

Será? Meu marido vive reclamando que falta sal nas comidas daqui! E os doces ele adora, quanto mais doce melhor! O negócio aqui é fartura mesmo e sempre achamos que franceses passam fome comendo aquele miserê de comida, é muito espetáculo para pouca comida.

Aqui no Brasil, se produz o melhor café do mundo e em grandes quantidades. Uma pena que em geral se prepare muito mal e cheio de açúcar.

Café cheio de açúcar é muito amor! Se for com leite, então, é uma explosão de amor! Originalmente, meu marido é fã de chá, mas aprendeu a tomar café preto puro.

Aqui no Brasil, praias bonitas não faltam. Porem, a maioria dos brasileiros viajam todos para as mesmas praias, Búzios, Porto de Galinhas, Jericoacoara, etc.

Há os destinos mais famosos, que por sua vez têm mais infra-estrutura para receber os turistas justamente por serem mais famosos e frequentados, mas nada a ver falar que viajamos todos para as mesmas praias, portanto, discordo dele. Aqui quem manda é o dinheiro, viaja-se até onde seu dinheiro possa te levar.

Aqui no Brasil, futebol é quase religião e cada time uma capela.

Nesse quesito sou ateia.

Aqui no Brasil, as pessoas acham que dirigir mal, ter transito, obras com atraso, corrupção, burocracia, falta de educação, são conceitos especificamente brasileiros. Mas nunca fui num pais onde as pessoas dirigem bem, onde nunca tem transito, onde as obras terminam na data prevista, onde corrupção é só uma teoria, onde não tem papelada para tudo e onde tudo mundo é bem educado!

Não adianta disfarçar, o Brasil é, sim, um país bastante atrasado e subdesenvolvido nesses aspectos.

Aqui no Brasil, esporte é ou academia ou futebol. Uma pena que só o futebol seja olímpico.

Nada a ver. Claro que há muitos esportes que não são nada populares no país, mas dizer que tudo se resume a academia e futebol é generalizar demais. Tudo bem que, em termos olímpicos, o Brasil quase sempre é uma decepção, mas há uma infinidade de esportes praticados por aqui que não somente academia e futebol. O povo adora corrida de rua, caminhada, passeio ciclístico, surf, entre muitos outros.

Aqui no Brasil, existe três padrões de tomadas. Vai entender porque…

Pois é, ele deve estar se referindo às tomadas antigas, aquelas que davam curto e pegavam fogo fácil, fácil. Muitas vezes, ao secar meu cabelo com um secador mais potente, vi a tomada derretendo ou saindo faísca, um perigo! Por isso eles acabaram mudando o padrão das tomadas. Mas isso não significa que todas elas foram trocadas em todos os lugares, e por isso ainda há as do padrão antigo convivendo harmoniosamente com as atuais. Em minha casa tem de tudo.

Aqui no Brasil, não se assuste se estiver convidado para uma festa de aniversário de dois anos de uma criança. Vai ter mais adultos do que crianças, e mais cerveja do que suco de laranja. Também não se assuste se parece mais com a coroação de um imperador romano do que como o aniversário de dois anos. E ‘normal’.

Sim, é normal ter muitos adultos, alguém tem que cuidar da fedelhama para não aprontarem demais e deixar a mãe do aniversariante louca. Ele esqueceu de mencionar que os aniversário infantis são super produções em que se gasta barris de dinheiro em uma festa que dura pouco mais de 5 horas. E raramente se vê suco de laranja, é Fanta, Coca e Guaraná mesmo que servem.

Aqui no Brasil, nõ tem o conceito de refeição com entrada, prato principal, queijo, e sobremesa separados. Em geral se faz um prato com tudo: verdura, carne, queijo, arroz e feijão. Dai sempre acaba comer uma mistura de todo.

Sim, neste quesito não somos muito refinados. Brasileiro gosta mesmo é de rodízio, buffet livre, comilança e orgia gastronômica.

Aqui no Brasil, se acha tudo tipo de nomes, e muitos nomes americanos abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc.

Além destas preciosidades americanizadas, brasileiro adora nomes bíblicos, nomes compostos e muito y.

Aqui no Brasil, quando comprar tem que negociar.

Depende do que se está comprando, as compras do dia a dia praticamente não permitem pechincha, tem lá seu descontinho mixuruco, mas isso é tudo. Talvez ele estivesse se referindo a compra de imóveis ou bens de maior valor.

Aqui no Brasil, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço: se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se beija. Isso também é gay.

Beija, sim, como não? Quando são bastante amigos ou parceiros, rola beijo, sim, mas bem menos meloso que o usual adotado por mulheres, porque afinal, muito grude não é “coisa de macho”.

Aqui no Brasil, o polegar erguido é sinal pra tudo : “Ta bom?”, “obrigado”, “desculpa”.

Sim, é bem isso mesmo! E são os homens que gostam mais de gastar seus polegares fazendo esses sinais do que as mulheres.

Aqui no Brasil, quando um filme passa na televisão, não passa uma vez só. Se perder pode ficar tranquilo que vai passar mais umas dez outras vezes nos próximos dias. Assim já vi “Hitch” umas quatro vezes sem querer assistir nenhuma.

Quando eles anunciam um filme inédito na televisão brasileira aberta, isso já é algo inédito por si só. E ele fala de Hitch porque nunca assistiu “A Lagoa Azul” na sessão da tarde, um clássico da televisão brasileira.

Aqui no Brasil, todo mundo gosta de pipoca e de cachorro quente. Não entendo.

Pipoca, cachorro quente, espetinho de gato, coxinha, churros, sonho, pamonha, tudo quentinho e na porta de sua casa.

Aqui no Brasil, as lojas, o negócios e os lugares sempre acham um jeito de se vender como o melhor. Já comi em em vários ‘melhor bufe da cidade’ na mesma cidade. Outro superativo de cara de pau é ‘o maior da América latina’. Não costa nada e ninguém vai ir conferir.

Parece-me que ele não entende nada de marketing barato.

Aqui no Brasil, tem uma relação ambígua e assimétrica com a América latina. A cultura do resto da América latina não entra no Brasil, mas a cultura brasileira se exporta la. Poucos são os brasileiros que conhecem artistas argentinos ou colombianos, poucos são os brasileiros que vão de ferias na América latina (a não ser Buenos Aires ou o Machu Pichu), mas eles em geral visitaram mais países europeus do que eu. O Brasil as vezes parece uma ilha gigante na América latina, embora que tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente.

Como é que a cultura da América Latina não entra aqui? Entra muito. O conceito de churrasco vem dos pampas (brasileiro, uruguaio e argentino), tem o fenômeno do portunhol, os imigrantes tocando aquelas flautinhas enlouquecidamente nas praças nos centros das grandes cidades, vendendo seus CDs, empanadas chilenas, argentinas, os montes de vinhos nos supermercados, o alfajor, aquelas toucas e casados de inverno cheio de desenhos característicos dos povos andinos, isso sem falar que se encontra brasileiro aos montes fazendo turismo em todos os países vizinhos, inclusive no Paraguay. Eu poderia ficar um bom tempo apenas falando sobre tudo aquilo que entra aqui.

Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, (ex-mulher…). Amor com rótulos.

A sociedade gosta, a sociedade quer.

Aqui no Brasil, a comida é: arroz, feijão e mais alguma coisa.

Meu marido diz a mesma coisa. Ele está de saco cheio de arroz e feijão desde o primeiro mês no Brasil. Certa vez, encontrei uma francesa na Polícia Federal, e lá estava ela reclamando do nosso arroz com feijão. Não que eu seja fã da combinação, mas perguntei a ela o que os franceses comiam em seu dia a dia no final das contas. Ela disse que comem purê de batata e mais alguma coisa. Achei estranho, aliás, ela não falou coisa com coisa, mas fez questão de acabar com a raça do arroz com feijão.

Aqui no Brasil, o brasileiros acreditam pouco no Brasil. As coisas não podem funcionar totalmente ou dar certo, porque aqui, é assim, é Brasil. Tem um sentimento geral de inferioridade que é gritante. Principalmente a respeito dos Estados Unidos. To esperando o dia quando o Brasil vai abrir seus olhos.

É, brasileiro é, em sua maioria, paga pau dos Estados Unidos. Alguns até disfarçam e também há aqueles que adoram fazer discurso anticapitalista, leia-se aqui anti-americanismo. Aposto que comem no McDonald’s, têm carrinho da Ford e um celular da Apple.

Aqui no Brasil, de vez em quando no vocabulário aparece uma palavra francesa. Por exemplo ‘petit gâteau’. Mas para ser entendido, tem que falar essas palavras com o sotaque local. Faz sentido mas não deixa de ser esquisito.

Não só petit gâteau, mas também abajur, ballet, boutique, buffet, boite, champagne, chic, croissant, garçom, glacé, rouge… Isso se chama galicismo. Do mesmo modo que também adotamos mais trocentas palavras inglesas.

Aqui no Brasil, dentro dos carros, sempre tem uma sacola de tecido no alavanca de mudança pra colocar o lixo.

Claro, ninguém vai jogar o lixo pela janela, nem emporcalhar o chão do carro. Não é algo óbvio ter um lixinho exatamente ali?

Aqui no Brasil, os brasileiros se escovam os dentes no escritório depois do almoço.

Diz a lenda que é bom escovar os dentes sempre após as refeições, acho que ele nunca deve ter escutado.

Aqui no Brasil, se limpa o chão com esse tipo de álcool que parece uma geleia.

Aqui se limpa o chão não só com álcool, mas também querosene, para espantar insetos e mais trocentos produtos de limpeza com cheirinho de laranja, limão, flores do campo e eucalipto. Eu amo o de cheirinho de laranja.

Aqui no Brasil, a versão digital de ‘fazer fila’ e ‘digitar codigos’. No banco, pra tirar dinheiro tem dois códigos. No supermercado, o leitor de código de barra estando funcionando mal tem que digitar os códigos dos produtos. Mas os melhores são os boletos pra pagar na internet: uns 50 dígitos. Sempre tem que errar um pelo menos. Demora.

Antigamente nem isso tinha, o caixa tinha que digitar os preços dos produtos um a um, aliás, até hoje há mercadinhos, armazéns e afins trabalhando dessa maneira.

Aqui no Brasil, tem um lugar chamado cartório. Grande invenção para ser roubado direito e perder seu tempo durante horas para tarefas como certificar uma copia (que o funcionário nem vai olhar), o conferir que sua firma é sua firma.

Sim, cartório caça níquel mesmo, uma máfia. Meu sonho dourado é ser dona de cartório e motel também, dão muito dinheiro.

Aqui no Brasil, pode pedir a metade da pizza de um sabor e a metade de outro. Ideia simples e genial.

Pena que eles também não façam isso nas pizzas brotinho.

Aqui no Brasil, no tem agua quente nas casas. Dai tem aquele sistema muito esperto que é o chuveiro que aquece a agua. Só tem um porem. Ou tem agua quente ou tem um vazão bom. Tem que escolher porque não da para ter os dois.

Ah, o chuveiro elétrico! De-tes-to! Mas há muito tempo que esses chuveiros estão dando lugar mais e mais a aquecimento a gás.

Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais.

Sim, e às vezes casam e continuam morando na casa dos pais por motivos diversos, ou se tornam vizinhos. Eu não gostaria de ser americana, por exemplo, que quando vai para a faculdade já tem que começar a se coçar para morar sozinho. Depois de se conquistar a total independência financeira, não vejo problema nenhum a pessoa sair de casa, nada mais natural, mas também não penso que deva ser compulsório, se a pessoa gosta de morar com os pais, que mal tem?

Aqui no Brasil, tem três palavras para mandioca: mandioca, aipim e macaxeira. La na franca nem existe mandioca.

Aqui em casa comemos mandioca sempre, aipim de vez em quando e macaxeira nunca!

Aqui no Brasil, tem o numero de telefone tem um DDD e também um numero de operadora. Uma complicação a mais que pode virar a maior confusão.

Certa vez, eu e meu marido sentamos bonito, a operadora que costumamos usar para fazer ligação internacional estava com problemas naquele dia e resolvemos tentar outra. Quase caímos para trás quando a conta chegou, eles cobraram dez reais um minuto. Merda de telefonia brasileira.

Aqui no Brasil, no taxi, nunca se paga o que esta escrito. Ou se aproxima pra cima ou pra baixo.

A aproximação leva em conta uma regra de arredondamento matemático universal, não é isso?

Aqui no Brasil, marcar um encontro as 20:00 significa as 21:00 ou depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas.

Pontualidade britânica e chá das cinco só mesmo na Inglaterra.

Aqui em Belo Horizonte, e a menor cidade grande do mundo. 5 milhões de habitantes, mas todo mundo conhece todo mundo. Por isso que se fala que BH é um ovo. Eu diria que é um ovo frito. Assim fica mais mineiro.

Ah, mal sabe ele que o próprio mundo é um ovo.

Planos Pessoais de Brasileiras Casadas com Estrangeiros em Modo de Espera

Um dos erros que cometi ao longo de meu relacionamento com meu marido estrangeiro foi deixar alguns projetos pessoais de lado. Até que meu caso não foi grave, eu não larguei coisas pela metade, nem abandonei projetos, família e amigos por causa de minha relação, mas posso dizer que não fiz nada de relevante por mim e apenas por mim durante a maior parte do tempo em que estávamos lutando para nos estabelecer em algum lugar em definitivo.

A realidade dos relacionamentos com um estrangeiro como um todo é muito pior que isso, pelo menos tomando por base as histórias que escuto e leio por aí. Na maioria das vezes, é a mulher que acaba abdicando de todos os seus projetos pessoais para conseguir vivenciar seu relacionamento. Não acho que seja ruim dedicar-se a um relacionamento amoroso com um estrangeiro, que naturalmente requer mais atenção e cuidados do que relacionar-se com alguém de mesma nacionalidade e que mora na mesma localidade, mas a longo prazo, a abdicação pode tornar-se um fardo e motivo de frustração pessoal, que pode ser agravada ainda mais caso o relacionamento não dê certo.

Eu não cheguei a me frustrar por ter deixado meus planos em modo de espera, mas às vezes tenho a sensação de que desperdicei um tempo importante de minha vida me dedicando com intensidade a meu relacionamento. Não foi um tempo ruim, longe disso, foi um período muito feliz, mas sinto que eu poderia ter feito mais em prol de meu crescimento pessoal. Minha sorte foi ter conhecido meu marido depois de ter finalizado minha graduação. Não acho que eu teria largado meus estudos, mas tenho a impressão que eu ficaria um pouco desestabilizada emocionalmente se tivesse me relacionado durante aquele período. Lembro de ter acompanhado o blog de uma moça que se relacionava à distância com um rapaz asiático. Ela intercalava sua vida com encontros esporádicos para a manutenção do relacionamento e frequentemente relatava sua imensa dificuldade em estudar, trabalhar e concentrar-se em sua rotina diária, tudo por causa desse amor tão distante. Era uma angústia e uma preocupação sobre o futuro constantes, além da falta física que sentia da pessoa.

Claro que nem todos sofrem assim, há também uma porção de gente que consegue tocar seus projetos sem stress, mesmo com um relacionamento à distância, mas, em geral, não é das tarefas mais fáceis equilibrar os projetos pessoais com os planos conjugais nesses termos. Uma hora essa distância vai ter de deixar de existir e a chance de que um dos dois tenha que sacrificar algo é alta. Meu marido, por exemplo, planejava cursar mestrado na Europa antes de me conhecer. Não sei se ele ainda tem esse desejo, mas desde que eu entrei na vida dele, esse plano foi cancelado, ou adiado, não sei. Bom, acredito que nessa altura do campeonato ele nem tem mais esse plano. Eu não cheguei a cancelar nenhum, mas não realizei nenhum de relevância durante todo esse tempo. Comecei a esboçar uma reação, no sentido de me dedicar um pouco mais a mim, apenas quando meu marido já estava aqui no Brasil comigo. Aliás, durante todo o tempo em que não tivemos residência fixa em definitivo, nem lá, nem cá, o único plano que eu tinha era apenas no plano amoroso, a dois, nenhuma das ideias contemplava apenas a mim mesma, o que hoje em dia eu acho um horror, como eu pude largar praticamente tudo de lado?

Quando ele chegou aqui e fixamos residência é que eu finalmente comecei a arejar um pouco mais minhas ideias e a focar outras coisas que não em planos conjugais amorosos, e consegui começar a traçar meus planos para dali em diante. Acho que quando a situação no relacionamento se torna nítida e relativamente estável é que é possível se focar novamente, pois é muito difícil conciliar todos os projetos simultaneamente, alguma coisa vai sair prejudicada, tanto podendo ser seu próprio relacionamento, como suas realizações pessoais, o que pode incluir estudo, trabalho, projetos e até mesmo sua saúde.

Além de não me dedicar a nada novo por um bom tempo, eu descuidei um pouco de minha saúde, especialmente quando procurava emprego para meu marido. O stress diário por causa da situação e a dificuldade em lidar com as tensões e contratempos fez minha saúde se deteriorar, tive problemas gástricos, dor de cabeça quase constante, além de ter ganhado bastante peso. Comida, além de ser uma grande fonte de prazer, tornou-se fonte de conforto.

A minha sorte é que minha situação profissional nunca foi empecilho, pude morar no exterior por um tempo sem maiores problemas, e quando voltei apenas dei continuidade àquilo que eu fazia antes, nada ficou prejudicado. Posso dizer que minha atividade só ficou em modo de espera, mas também não fiz maiores evoluções, que é justamente aquilo que eu falei acima, não houve dedicação, de minha parte, a novos projetos nesse meio tempo. Não parei para analisar o que eu poderia ter feito e nem se seria realmente possível conciliar todas as coisas, mas quem quer muito fazer algo dá um jeito, se vira.

Sei que nem todos gozam desse privilégio e por isso não são poucas as pessoas que largam emprego, estabilidade e zona de conforto para trás para fazer o relacionamento acontecer. Bem, não acho que isso seja de todo ruim, até porque eu também cheguei a cogitar me estabelecer com meu marido lá no país dele e para isso eu precisaria deixar todas as minhas coisas aqui definitivamente para trás. Por outro lado, eu me dedicaria a novos projetos lá, porque eu não queria ficar ociosa, eu queria trabalhar, fazer o meu dinheirinho também, pois me mudar para o exterior e ficar completamente dependente do marido não estava me parecendo algo muito inteligente, considerando minha natureza e meus valores. Sei de gente que vive dependente do marido no exterior (e no Brasil também) feliz da vida, cuidando da casa, do marido e das crianças, mas esse não é meu perfil. De toda forma, para todas as coisas existe o plano B, para o bem ou para o mal.

Eu penso que deixar planos em modo de espera, ou até mesmo abortá-los, não é um crime, em especial se considerarmos as circunstâncias envolvidas em um relacionamento com estrangeiros, mas caso a relação não dê certo, pode ser muito problemático e a pessoa que sairá mais prejudicada é aquela que abdicou de mais coisas. Também há casos em que a pessoa larga conforto, trabalho, estabilidade, família e amigos para se mudar, seja para o exterior ou para o Brasil, para no fim ter uma vida pior que a de antes e infeliz, será que vale a pena? Eu não sei a resposta, mas imagino que seu parceiro tenha de ser uma pessoa muito maravilhosa para que você se submeta a isso.

Se eu me mudasse em definitivo, tentaria achar um emprego legal que tivesse a ver com minha formação ou experiência. Se fosse para me esgoelar de trabalhar em algo ruim e que eu não gostasse apenas em nome do dinheiro, acho que nesse caso eu iria aceitar, sem problema algum, que meu marido me bancasse em tempo integral, coisa que ele também faria sem pestanejar, mas também não sei se eu me sentiria confortável em viver assim indefinidamente.

Bem, é difícil aconselhar sobre o que fazer com sua vida no que diz respeito exclusivamente a você e a seus planos pessoais, independentemente de seu relacionamento com estrangeiro(a), mas acredito que a coisa mais acertada a se fazer é não abdicar demais a ponto de sair prejudicado mais tarde. Um relacionamento, em especial com estrangeiro, precisa de dedicação, mas não deve se tornar seu único projeto de vida. Ambas as partes precisam ceder e abdicar em certos pontos, mas não em tudo. E é muito importante tentar tocar em frente as coisas que dizem respeito somente a você, faz bem para sua auto-confiança, estima e futuro.

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Processo Admissional e Integração de Estrangeiro Trabalhando no Brasil

Tão logo meu marido soube, por telefone, que fora selecionado para a vaga de seu primeiro emprego no Brasil (escrevi sobre como ele conseguiu esse emprego aqui), já foi convocado a comparecer à empresa para a abertura do processo admissional naquele mesmo dia. A responsável pelo departamento de gestão de pessoas deu a ele alguns documentos para preencher e assinar, que eram relativos à sua saúde e algumas outras coisas, e passou uma lista de documentos para trazer e exames de saúde para fazer, todos para serem entregues no prazo de uma semana. Nada de anormal, o procedimento foi o mesmo adotado para qualquer outro brasileiro quando contratado.

No dia seguinte, fomos tomar as vacinas obrigatórias. Meu marido tomou as primeiras doses da DT e hepatite B e eu tomei a última dose também de hepatite B, já aproveitando o embalo e deixando minha carteira de vacinação em dia. Não pagamos nem um centavo pelas doses, pois fomos à uma unidade de saúde pública que as disponibiliza gratuitamente. Eles fizeram um cadastro simples e pediram apenas o RG e o CPF do marido. Também levei a certidão de casamento apenas por questão de segurança caso houvesse algum problema.

Depois de tomadas as vacinas, foi a vez de fazer os exames de saúde admissionais, que já estavam previamente agendados pela empresa. Não nos preocupamos em buscar os resultados, pois os mesmos seriam encaminhados diretamente. Faltava apenas coletar os documentos admissionais requeridos, o que foi uma moleza, nada de anormal foi pedido, apenas os documentos de praxe:

– Cópia da carteira de vacinação com as doses obrigatórias;

– Fotos 3×4;

– Cópia do CPF;

– Extrato de PIS ativo (que é obtido na Caixa Econômica Federal);

– Carteira de Trabalho;

– Cópia do RG da mãe (não tínhamos, tivemos de pedir uma cópia digitalizada para os parentes lá do país do meu marido);

– Atestado médico de saúde ocupacional considerado apto (é o próprio médico da empresa, ou outro qualquer designado, quem dá esse atestado após analisar todos os exames);

– Cópia da certidão de casamento;

– Comprovante de endereço;

– Comprovante de escolaridade de acordo com o cargo (nesse caso, ele apresentou seu diploma de graduação original, em inglês, com os carimbos da Embaixada do Brasil, e também a sua tradução juramentada para o português).

O que não foi necessário entregar por se tratar de estrangeiro foi:

– Certificado de Reservista;

– Título de Eleitor;

– CPF da mãe.

Todos esses documentos solicitados para a admissão foram baseados na condição de permanente de meu marido aqui no Brasil. Um estrangeiro que venha ao país com visto de trabalho precisa apresentar muitos outros documentos, em um processo bastante diferente e que começa antes mesmo de se chegar ao Brasil.

De toda forma, reparem que na contratação do estrangeiro permanente no Brasil não há nenhum segredo, não é preciso apresentar documentos malucos, nem nada, é simplesmente uma contratação como outra qualquer, como se fosse um brasileiro, o único documento extra solicitado foi a cópia do passaporte. Nessa empresa específica para a qual meu marido trabalhou, todos os documentos foram verificados e analisados pelo setor jurídico antes mesmo que meu marido soubesse que fora selecionado. Eles analisaram seu passaporte, visto, carimbo da imigração, data de entrada no país, nossa certidão de casamento, carteira de trabalho, RNE e CPF. Só depois do ok do setor jurídico é que ele pôde passar, enfim, para o processo admissional. Isso não é de praxe, foi uma exceção, e não aconteceu nas outras contratações pelas quais meu marido passou aqui no Brasil.

Interessante observar que, ao longo de todo o processo de procura por emprego, percebemos o medo e o receio de algumas poucas empresas em contratar um estrangeiro, porque pensam que, para contratá-los, há um processo burocrático altamente complexo, talvez pensando que seja parecido com o visto de trabalho, mas não é nada disso. Acho que há essa ideia no ar, porque o processo para trazer um estrangeiro sob visto de trabalho é cheio de burocracias, e também por pura falta de conhecimento sobre o assunto. Enquanto houver esse tipo de pensamento, o jeito é se virar, durante os processos seletivos, para “instruí-los” com as informações corretas.

O processo admissional foi isso então, muito simples, muito prático e muito rápido. Logo eles comunicaram o dia em que ele começaria e era só aguardar.

A primeira semana do marido na empresa transcorreu sem maiores problemas, foi um processo muito suave para ele. Na verdade, não foi um trabalho propriamente dito, mas sim uma semana inteira de integração, em que ele e os demais contratados foram introduzidos à toda a sistemática, procedimentos e filosofias da empresa.

Ao longo da semana, o contrato de trabalho foi assinado e a conta em banco foi aberta. Aqui não há segredo, para abrir essa conta, só foi necessário, além de uma carta de encaminhamento da empresa, apresentar cópia do RNE e do CPF e um comprovante de residência. Como ele não tinha comprovante em seu nome, a residência foi comprovada da seguinte maneira, o proprietário do imóvel em que moramos fez uma declaração de residência para ele (super fácil achar modelo dessa declaração na internet caso não saiba como fazer) e a assinatura dele teve firma reconhecida em cartório. Daí só precisamos anexar uma conta de luz ou qualquer outra, que pode ser em nome do mesmo proprietário do imóvel.

Naquela mesma semana, uma equipe da empresa deu as boas-vindas, além de explicações sobre o regimento interno da empresa, normas de conduta, também explicaram sobre seus valores, missão, fizeram várias atividades e mostraram todos os setores da empresa, tudo muito suave e agradável. Meu marido também recebeu explicações sobre algumas coisas relativas às leis trabalhistas, tipo cálculo de férias, horas-extras e mais uma infinidade de outras coisas. Diz ele que estava entendendo quase tudo, mas vocês sabem, né? Não confio muito em português de gringo rs…

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Vale a Pena para um Estrangeiro Morar no Brasil?

Depende. Depende da disposição, da situação financeira e de uma série de outros fatores não menos importantes, tudo deve ser levado em consideração, até mesmo as pequenas coisas, como o clima, por exemplo. Há que se ponderar muito antes de tomar uma decisão, estudar muito as possibilidades e ser extremamente realista com a situação. Às vezes, morar no Brasil pode não ser a solução ideal nem a mais inteligente para muitos casais gringo-brasileiros por inúmeros fatores, mas ainda que tudo aponte para não morar aqui, tem gente que insiste.

O grande problema é que muita gente idealiza as coisas demais e é lógico que é muito pouco provável que as coisas se ajustem aos seus desejos, é você quem terá de ajustar seus desejos às situações. Eu acho que uma das primeiras coisas a se refletir é sobre um prazo razoável e realista até que se atinja um estágio de adaptação relativa no Brasil, o que inclui livrar-se de todas as burocracias, ter boa desenvoltura no idioma e conquistar a primeira oportunidade de emprego no país. Não dá para estipular menos de um ano para tudo isso, ainda que haja um ambiente altamente propício em algumas situações, mas a possibilidade de que tudo se resolva rápido é mínima. Minha estimativa máxima, em nosso caso, era três anos, um pouco exagerado, já meu marido imaginou que tudo se arranjaria em 6 meses. Nenhum de nós acertou, mas meu marido com certeza exagerou em seu otimismo inicial. São muitos os casos de estrangeiros que ficam patinando por anos aqui até que tudo se ajeite, então é uma realidade da qual não se tem como fugir, especialmente se o português for ruim.

É por isso que muita gente me pergunta por que eu e meu marido escolhemos morar no Brasil, mesmo sabendo sobre as inúmeras dificuldades envolvidas em diversos aspectos e que dificultam estabelecer-se decentemente aqui. Primeira coisa, a dificuldade para mim era muita clara, já meu marido não tinha muita noção sobre isso. De qualquer modo, tanto eu quanto ele estávamos dispostos a pagar para ver e a razão principal de termos optado por morar no Brasil se resume em uma única palavra: JUVENTUDE. Se não fosse agora, que somos jovens, então quando? Quando meu marido conquistasse estabilidade financeira lá no país dele? Quando eu já estivesse completamente inserida e adaptada à sua cultura? Quando eu também tivesse me arranjado profissionalmente lá? Quando os filhos viessem? Quando ficássemos mais velhos, preguiçosos e exigentes? Quando o comodismo se instalasse? Aquela era a hora para nós e eu nem pensei muito nos contras, porque eu tinha a juventude ali para me salvar e amparar. Eu só conseguia pensar em uma coisa, uma vez que o visto permanente de meu marido estivesse garantido, então teríamos toda a liberdade do mundo para tentarmos todas as possibilidades possíveis, já que uma das hipóteses para perda de permanência é ficar ausente do Brasil por mais de dois anos consecutivos.

De qualquer forma, para mim, qualquer opção escolhida estaria bom, tanto eu poderia morar no país do marido como poderia morar aqui e também não descartamos voltar para lá um dia, ainda que isso seja pouco provável. O desespero para morar no Brasil também não existia, tanto é que nos fixamos aqui quase dois anos depois de casados, ou seja, tivemos tempo suficiente para avaliar se a mudança valeria a pena. Concluímos que valeria, ainda que houvesse alguns riscos envolvidos.

Supondo que tudo desse errado, ainda assim sairíamos no lucro: um visto permanente para poder voltar a morar aqui quando desse vontade, uma nova língua para o currículo do marido e, claro, uma grande experiência cultural. Um casal já vivendo um outro momento na vida não veria tal situação com tanto otimismo quanto nós. Tenho um exemplo. Certa vez, fui fazer uma visita de rotina à minha médica e ela comentou que tinha outras duas pacientes também casadas com estrangeiros. Interessei-me sobre o assunto e comecei a especular. Logo descobri que os dois casais estavam vivendo uma intensa frustração. Já não eram tão jovens, deixaram não só seus empregos para trás, mas também a estabilidade financeira e social achando que as coisas no Brasil seriam como no paraíso. Na prática, eles estavam enfrentando dificuldades para entrar no mercado de trabalho e também estavam se lamentando muito por terem jogado tudo para o alto para viver com suas esposas aqui.

É nessas horas que eu fico me perguntando, será que as pessoas pesquisam e tentam se informar antes de vir de mala e cuia para o Brasil? Será que têm a mínima noção de todos os processos burocráticos envolvidos e de todas as dificuldades que existem ou simplesmente pensam que, por se tratar do país do carnaval, tudo é uma festa? Eu não sei, mas às vezes me parece que é exatamente isso. Tudo que escrevo aqui no blog é fruto de mais de 5 anos de muita pesquisa, muita procura por informações, isso tudo antes mesmo de meu marido se mudar, será que as outras pessoas também fazem isso? Será que se preparam economicamente para as vacas magras antes de vir? Fazem uma pesquisa do mercado de trabalho em sua área de atuação? Estudam português? Pensam em soluções alternativas caso algo saia errado? Sempre há uma saída para tudo, mas dificilmente uma pessoa madura irá querer arriscar passar mais de ano vendo nada de concreto acontecendo, apostando em um futuro sem garantia nenhuma, apesar de ser promissor, sim, para quem luta por isso. Mas até lá, o que fazer com as contas? Como botar comida na mesa? Seu companheiro(a) brasileiro conseguiria, sozinho, dar conta de tudo, sustentando a família durante o tempo em que vocês estarão lutando pela estabilidade?

Tudo isso são pontinhos muito sensíveis a se ponderar. Eu e meu marido não tínhamos nada mesmo a perder, estávamos, praticamente, começando a vida juntos e felizmente sempre tivemos muito apoio. Dinheiro também não foi um grande problema, apesar de ser um pouco curto para o sustento de dois, então é claro que tivemos alguma dificuldade, pois tudo no Brasil é muito caro, mas pagamos todas as nossas contas. Investimos um dinheiro considerável nos cursos de aperfeiçoamento que meu marido fez e passamos alguns meses apertados por causa disso, mas também não tínhamos maiores preocupações, como filhos, por exemplo, então não precisamos ficar fundindo a cuca e fazendo mágica com nossa verba mensal. Eu sinceramente acho que a falta de dinheiro é uma das piores inimigas do casal gringo-brasileiro, o relacionamento simplesmente não acontece, não se realiza.

O que eu quero dizer é que, mesmo se as coisas demorassem um pouco para se ajeitar para a gente, como de fato demorou, não sofreríamos maiores efeitos colaterais. Meu marido estava ficando preocupado com sua carreira, pois ele achava que um tempo considerável sem emprego seria péssimo para seu histórico profissional. Já eu não partilhava da mesma ideia, afinal, ele não estava simplesmente coçando sem fazer nada, mas estava aprendendo uma língua nova, fazendo cursos direcionados à sua carreira e isso, hoje em dia, é motivo de muita valorização do profissional no mercado de trabalho.

É lógico que sempre há a possibilidade de algo sair errado no emprego e ele ser dispensado, como de fato aconteceu, conforme contei aqui, mas a opção de voltarmos para o país dele sempre estará lá, nos dando um pouco de conforto. E se não quisermos voltar para lá, já conhecemos muito bem o caminho para conquistar um emprego, por mais demorado e cheio de pedras que seja.

Penso, então, que em nosso caso valeu a pena, sim. Meu marido está muito melhor profissionalmente aqui e nossa vida pessoal também se beneficiou dessa escolha em muitos aspectos. Não acho que eu teria maiores dificuldades para me adaptar plenamente ao país de meu marido, mas é inegável que aqui é muito melhor para mim. Em termos de adaptação cultural, meu marido gosta do Brasil, não tem queixas sérias sobre o país, apenas em poucos aspectos ele se mostrou resistente, como em relação a comida e ao idioma, muito por causa de sua preguiça extrema de estudar português. Mas o que ele me infernizou de verdade foi por causa de emprego, foram muitas e muitas as vezes em que ele extrapolou sua cota chiliquenta, acho até que mereço um prêmio por tê-lo aguentado nesses momentos. Mas, como qualquer casal normal, nos desentendemos por vários outros motivos que em nada têm a ver com nossa nova vida no Brasil, muito menos com o fato de sermos dois estrangeiros se relacionando, são coisas corriqueiras, como acontece com qualquer casal “normal”.

O que quer que tenhamos conquistado até agora, foi fruto de um esforço muito maior meu (em termos operacionais) e meu marido sempre teve a humildade de reconhecer isso, sem nenhum rodeio, para todo mundo, não importa quem. Isso não quer dizer que ele é aproveitador ou que não ajudou nem fez nada, foi simplesmente o modo como nos arranjamos para fazer as coisas acontecerem. De todo modo, não me incomoda o fato de ter feito mais do que ele na maior parte do tempo antes de ele começar a trabalhar aqui no Brasil, eu fiz o que tinha que ser feito e com o tempo essa equação tem se equilibrado muito bem. Quando trazemos nosso companheiro estrangeiro para cá, grande parte do sucesso dessa escolha de morar aqui recai em nossas costas, são muitas as responsabilidades. O mesmo aconteceria com seu companheiro se ele decidisse te levar para lá.

E se levar um pé na bunda depois de tudo isso? É a pergunta que atormenta a vida da maioria das pessoas que se relaciona com estrangeiros. É um risco que se corre. Se acontecer comigo, pela minha natureza, é claro que vou surtar e ficar com vontade de matar e esquartejar, eu sou meio possessiva e passional, mas terei a consciência tranquila de que fiz tudo que era possível, de minha parte, para ajudar a fazer a coisa dar certo. Nunca se esqueçam, basta estar vivo para correr perigo. E sempre há tempo para recomeçar.

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