Programa PEC-PG – Estrangeiro Sendo Pago para Estudar no Brasil

Muitos brasileirxs que se relacionam com estrangeiros quebram a cabeça pensando em soluções para trazer o seu companheiro para o Brasil com segurança, isto é, sem que haja excesso de sofrimento para se estabelecer em definitivo no país, sendo o fator emprego o aspecto mais preocupante. Quem acompanha o blog desde o início sabe bem como foi sofrido para meu marido conseguir seu primeiro emprego no Brasil. Foram quase dois anos de muita luta e algumas lágrimas também, e tudo por causa do português horroroso dele, mas felizmente conseguimos, como já contei no post “Como Conseguir Emprego para Estrangeiro no Brasil – Relato de Sucesso“.

Pois bem, então como sofrer menos e ser mais bem sucedido na mudança para o Brasil? Além de se esmerar no estudo do português, coisa que eu já falei mil vezes por aqui, mas não custa repetir, é preciso procurar alternativas, e não simplesmente esperar para ver no que vai dar. Uma opção é estudar e ser pago para isso.

Desde o início de meu relacionamento com meu marido estrangeiro, a coisa que eu mais fiz foi escarafunchar sites oficiais, tais como o da Polícia Federal, Ministérios diversos, etc, e essas escarafunchadas, além de evitar que fizéssemos algumas cagadas, sempre nos trazia algumas descobertas, uma delas foi sobre a existência do DCE – Divisão de Temas Educacionais do Ministério das Relações Exteriores. O fato é que eu descobri um pouco tarde demais, quando meu marido já era permanente no país há muito tempo e estava quase completando seu primeiro aniversário de trabalho no Brasil, mas sei que a informação pode ser útil para quem ainda não se estabeleceu no país e ainda está na fase de planejamento da mudança.

Na seção de Perguntas Frequentes do Itamaraty, achei a seguinte questão e dela descobri a existência dessa Divisão de Temas Educacionais:
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Sou formado em curso X e gostaria de saber se haveria algum programa de pós-graduação no Brasil.

O Ministério das Relações Exteriores administra, em parceria com o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Programa de Convênio para Cursos de Pós-Graduação (PEC-PG), oferecido a estudantes de países em desenvolvimento com os quais o Brasil tenha acordo educacional, cultural ou científico e tecnológico. O Programa consiste em bolsa de estudo equivalente à oferecida a estudantes brasileiros de pós-graduação.

Interessados no PEC-PG precisam:

1) possuir o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros ­Celpe-Bras (que é o exame oficial do Ministério da Educação brasileiro para certificar a habilidade em comunicação oral e escrita no idioma português falado no Brasil, cujas provas no exterior são realizadas nos Centros Culturais Brasileiros (CCBs) em todo o mundo); ter concluído curso de graduação ou mestrado; bem como ter projeto de pesquisa aceito por uma universidade brasileira. A inscrição para o Programa acontece todo ano, entre maio e julho – e deve ser feita online, de acordo com as exigências do Edital vigente.

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E daí que o tal Programa de Estudantes – Convênio de Pós-Graduação, mais conhecido como PEC-PG, tem por objetivo possibilitar cidadãos estrangeiros de países em desenvolvimento a realização de estudos de pós-graduação em Instituição de Ensino Superior brasileira. O PEC-PG constitui atividade de cooperação educacional exercida exclusivamente com os países os quais o Brasil mantém Acordo de Cooperação Cultural e Educacional. É também apoiado, conjuntamente, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq; pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES  e pela Divisão de Temas Educacionais – DCE,  do Ministério das Relações Exteriores – MRE. Concede bolsas de Mestrado (até 24 meses – Bolsa do CNPq) e Doutorado (até 48 meses – Bolsa da CAPES), para estrangeiros que venham a realizar pós-graduação no Brasil. Os valores das bolsas aos estrangeiros são equivalentes aos pagos a estudantes brasileiros. Outros benefícios são Isenção de taxas escolares, as quais são custeadas de acordo com as normas e critérios das agências, e passagem aérea de retorno aos bolsistas que defenderem Dissertação/Tese. A chamada é disponibilizada nas páginas do CNPq, da CAPES e do MRE e as submissões das candidaturas são realizadas via sistema online do CNPq ou da CAPES. Essas bolsas contemplam todas as áreas de conhecimento nas quais existam cursos de mestrado e  doutorado recomendados ou reconhecidos pela CAPES com conceito igual ou superior a 03 (três) e que emitam diplomas de validade nacional.

Nada mau, não é mesmo? E já tem uma porção de estrangeiros nesses termos no Brasil! A bolsa de estudo oferecida não é a mais atrativa, mas também não é de se desprezar.

Copio abaixo as informações que achei no site da Capes referente à seleção de 2013.

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OBJETIVO DO PROGRAMA:

Concessão de bolsas de doutorado visando o aumento da qualificação de professores universitários, pesquisadores, profissionais e graduados do ensino superior dos países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém Acordo de Cooperação Educacional, Cultural ou de Ciência e Tecnologia. Essas bolsas serão concedidas em todas as áreas de conhecimento nas quais existam cursos de doutorado recomendados ou reconhecidos pela CAPES com conceito igual ou superior a 03 (três) que emitam diplomas de validade nacional.


BENEFÍCIOS:

  • bolsa de estudo de doutorado mensal no valor de R$ 2.200,00 por até 48 meses;
  • passagem aérea de retorno.

QUEM PODE PARTICIPAR:

Em 2013, poderá participar candidato para bolsas de doutorado que:

  • Seja cidadão de país participante do Programa;
  • Não seja cidadão brasileiro, ainda que binacional, nem possua genitor ou genitora brasileiro;
  • Não possua visto permanente, visto diplomático, visto MERCOSUL, visto de turista ou visto que autorize o exercício de atividade remunerada no Brasil;
  • Tenha curso de graduação ou mestrado completo em uma das áreas do conhecimento científico;
  • Seja aceito por IES brasileira, pública ou privada, que emita diploma de validade nacional, em curso de doutorado recomendado ou reconhecido pela CAPES, com conceito igual ou superior a 03 (três).

NOVAS EXIGÊNCIAS:

  • Não tenha iniciado o curso de doutorado pretendido;
  • Não tenha formação anterior no doutorado;
  • Seja portador de documento que certifique a proficiência em língua portuguesa – para qualquer nacionalidade;
  • Tenha permanecido em seu país de origem ou residência por, pelo menos, dois anos após ter obtido o diploma brasileiro, no caso de ex-estudante graduado pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação – PEC-G;
  • Tenha permanecido em seu país de origem ou residência por, pelo menos, dois anos após ter obtido o diploma brasileiro, no caso de candidato que tenha recebido bolsa de estudos e pesquisa de agência brasileira de fomento para cursar graduação no Brasil e deseje inscrever-se para doutorado direto;
  • Tenha permanecido em seu país de origem ou residência por, pelo menos, dois anos após ter obtido o título de mestre (profissional ou acadêmico), no caso de candidato que tenha recebido bolsa de estudos e pesquisa de agência brasileira de fomento.

PAÍSES PARTICIPANTES DO PEC-PG:

África, Ásia e Oceania.

América Latina e Caribe

África do Sul Antígua – Barbuda
Angola Argentina
Argélia Barbados
Benin Bolívia
Cabo Verde Chile
Camarões Colômbia
China Costa Rica
Costa do Marfim Cuba
Egito El Salvador
Gabão Equador
Gana Guatemala
Índia Guiana
Líbano Haiti
Mali Honduras
Marrocos Jamaica
Moçambique México
Namíbia Nicarágua
Nigéria Panamá
Paquistão Paraguai
Quênia Peru
República Democrática do Congo República Dominicana
República do Congo Suriname
São Tomé e Príncipe Trinidad e Tobago
Senegal Uruguai
Síria Venezuela
Tailândia  
Tanzânia  
Timor Leste  
Togo  
Tunísia  

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Outras informações podem ser encontradas no site do DCEMRE:

O Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG), criado oficialmente em 1981, oferece bolsas de estudo para nacionais de países em desenvolvimento com os quais o Brasil possui acordo de cooperação cultural e/ou educacional, para formação em cursos de pós-graduação strictu sensu (mestrado e doutorado) em Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras.

São oferecidos aos contemplados os seguintes benefícios:

  • Vagas em IES brasileiras recomendadas pela Capes, sem custos de matrícula;
  • Bolsa mensal no mesmo valor que a oferecida aos estudantes brasileiros, a saber: R$1500,00 para mestrado, com duração máxima de 24 meses, e R$2200,00 para doutorado, com duração máxima de 48 meses; e
  • passagem aérea de retorno ao país do estudante estrangeiro.

O PEC-PG é administrado em parceria por três órgãos:

  • Pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio da Divisão de Temas Educacionais (DCE), a quem cabe a divulgação do Programa no exterior e o pagamento das passagens de retorno dos estudantes;
  • pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a quem cabe a seleção e o pagamento das bolsas de doutorado para estudantes de todos os países participantes e de mestrado para estudantes do Timor-Leste; e
  • pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho Nacional para Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a quem cabe a seleção e o pagamento das bolsas de mestrado para estudantes de todos os países participantes, com exceção de Timor-Leste.

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Para maiores informações sobre o programa, clique aqui.

Outra possibilidade super interessante é o Programa de Ensino Profissional Marítimo para Estrangeiros:

“O Programa de Ensino Profissional Marítimo para Estrangeiros (PEPME), oferecido pelo Estado Maior da Armada (EMA), destina-se à formação e ao aperfeiçoamento de Oficiais da Marinha Mercante provenientes de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos culturais ou educacionais.

No âmbito do PEPME, o EMA oferece, anualmente, os seguintes cursos:

  • Curso de Formação de Oficial de Náutica da Marinha Mercante
  • Curso de Formação de Oficial de Máquinas da Marinha Mercante
  • Curso de Aperfeiçoamento para Oficiais de Náutica
  • Curso de Aperfeiçoamento para Oficiais de Máquinas

O pedido de vaga para participação nos cursos oferecidos pelo PEPME deverá ser feito pelo órgão oficial do Governo do país amigo à Representação Diplomática do Brasil, dentro do prazo estipulado para cada um dos cursos.

Os representantes diplomáticos somente encaminharão à DCE as candidaturas daqueles que estejam com a documentação completa e corretamente preenchida. Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) encaminhará ao Estado-Maior da Armada (EMA) a documentação relativa às candidaturas.

A confirmação, pelo Governo brasileiro, das vagas concedidas para esses cursos de aperfeiçoamento, será comunicada ao governo solicitante, no prazo estabelecido, pela Representação Diplomática do Brasil.

O PEPME e o PACCD são oferecidos aos seguintes países:

  1. Angola
  2. Argentina
  3. Barbados
  4. Bolívia
  5. Cabo Verde
  6. Chile
  7. Colômbia
  8. Costa Rica
  9. Equador
  10. Gabão
  11. Guiana
  12. Guiné-Bissau
  13. Honduras
  14. Moçambique
  15. Panamá
  16. Paraguai
  17. Peru
  18. República Dominicana
  19. São Tomé
  20. Suriname
  21. Trinidad e Tobago
  22. Uruguai
  23. Venezuela

Mais informações sobre os cursos constantes do PEPME e do PACCD, tais como: currículos, formulários etc, podem ser obtidas pelos órgãos oficiais dos governos dos países amigos junto à respectiva Representação Diplomática do Brasil.

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Para saber mais sobre orientações sobre vistos e documentação para estudantes estrangeiros, clique aqui.

Para ler depoimentos de quem estudou no Brasil, clique aqui.

Para outras perguntas frequentes, clique aqui.

E, claro, também é preciso muita vontade de estudar de fato e não apenas cavar uma oportunidade para vir morar no país.

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Casada no Exterior – Solteira no Brasil?

Negativo! Casada no exterior é considerada casada no Brasil também! Veja porquê!

* Informações retiradas do FAQ do site Itamaraty MRE – Portal Consular.

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Casei-me em país estrangeiro, mas não registrei o meu casamento em Repartição Consular brasileira e tampouco fiz o traslado da certidão estrangeira no Brasil, em Cartório de Primeiro Ofício de Registro Civil. Por esse motivo, entendo que o meu estado civil no Brasil seja o de solteiro (a). Essa interpretação está correta?

Não. Os casamentos de brasileiros celebrados por autoridades estrangeiras são considerados válidos pela legislação brasileira. Assim, o(a) brasileiro(a) que tenha casado no exterior também será considerado casado no Brasil, a partir da data de celebração do casamento estrangeiro.

Caso declare-se solteiro(a) incorrerá em crime de falsidade ideológica e caso contraia novas núpcias no Brasil poderá responder judicialmente pelo crime de bigamia, ambos tipificados no Código Penal Brasileiro.

A procuração pública para a venda de imóveis de brasileiros casados no exterior que se declarem solteiros(as) estará sujeita à anulação, conforme os termos do Art. 1.649 do Código Civil brasileiro. A procuração somente não será anulável se o regime de bens do casamento estrangeiro corresponder ao regime brasileiro de SEPARAÇÃO DE BENS (Art. 1.647 do CC).

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Casei-me no exterior e depois me divorciei também no exterior. Também serei considerado divorciado no Brasil?

Não. Os brasileiros que se divorciam no exterior só passarão a ter o estado civil de divorciado no Brasil após a devida homologação (confirmação) da sentença estrangeira de divórcio pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As orientações para a homologação de sentença estrangeira de divórcio encontram-se disponíveis na “Cartilha de Orientação Jurídica aos Brasileiros no Exterior”. Embora a cartilha seja endereçada àqueles que necessitem valer-se dos serviços gratuitos da Defensoria Pública da União, suas orientações também serão úteis aos que tenham condições de pagar os honorários de um advogado particular.

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“Casei-me no exterior e depois me divorciei também no exterior. Sou casado no Brasil?”

a) Se você estiver no exterior, é aconselhável fazer o registro de seu casamento na Repartição Consular brasileira da jurisdição do local do casamento e posteriormente fazer a transcrição no Brasil. Na certidão consular constará o regime de bens previsto pela lei local ou, na falta deste, do regime de bens estabelecido pela legislação brasileira.

b) Se você estiver no Brasil, provavelmente terá que requerer judicialmente o registro do casamento, depois de legalizar a certidão estrangeira no Consulado brasileiro responsável pela jurisdição do local de expedição, mandar traduzir por tradutor juramentado brasileiro e ainda comprovar qual o regime de bens previsto pela lei do local do casamento.

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“Casei-me no exterior e na minha certidão estrangeira de casamento não consta o regime de bens. O que devo fazer?”

a) Se você estiver no exterior, é aconselhável fazer o registro de seu casamento na Repartição Consular brasileira da jurisdição do local do casamento e posteriormente fazer a transcrição no Brasil. Na certidão consular constará o regime de bens previsto pela lei local ou, na falta deste, do regime de bens estabelecido pela legislação brasileira.

b) Se você estiver no Brasil, provavelmente terá que requerer judicialmente o registro do casamento, depois de legalizar a certidão estrangeira no Consulado brasileiro responsável pela jurisdição do local de expedição, mandar traduzir por tradutor juramentado brasileiro e ainda comprovar qual o regime de bens previsto pela lei do local do casamento.

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“Como faço para efetuar o traslado da certidão de casamento emitida por Repartição Consular brasileira em Cartório de Primeiro Ofício de Registro Civil, no Brasil?

As instruções e os pré-requisitos para o traslado encontram-se na Resolução nº 155, de 16 de julho de 2012, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). (http://www.cnj.jus.br/atos-administrativos/atos-da-presidencia/resolucoespresidencia/20313-resolucao-n-155-de-16-de-julho-de-2012)

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Como faço para registrar a minha certidão estrangeira de casamento em Repartição Consular brasileira?

O registro deverá ser efetuado na Repartição Consular (Consulado ou Setor Consular de Embaixada) que tenha jurisdição sobre o local de sua residência (geralmente, será aquela localizada na sua cidade ou na cidade mais próxima). Nas páginas das Repartições Consulares existentes neste Portal poderão ser confirmadas as respectivas jurisdições e obtidas as necessárias instruções para o registro do casamento.

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Se a legislação brasileira já reconhece o meu casamento estrangeiro como válido, porque motivo tenho de registrá-lo em Repartição Consular brasileira e, posteriormente, trasladá-lo em cartório brasileiro de primeiro ofício de registro civil?

Embora o casamento estrangeiro seja considerado válido a partir da data de sua celebração, há a obrigatoriedade legal de que a certidão estrangeira seja devidamente registrada em Repartição Consular Brasileira e, posteriormente, trasladado em cartório brasileiro de primeiro ofício de registro civil. Tais procedimentos são necessários para que o casamento tenha a devida publicidade no território nacional e possa produzir todos os efeitos jurídicos previstos no ordenamento jurídico brasileiro.

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Claro que tudo isso é muito bonito no papel. Na prática, aquela pessoa que se casou no exterior e se separou lá também muitas vezes se finge de morta quando retorna ao Brasil. É muito fácil se passar por uma pessoa solteira aqui se não houve registro do casamento na repartição consular no país onde você se casou e, posteriormente, o registro dessa certidão no cartório do primeiro ofício aqui no Brasil. Conheço, inclusive, pessoas que fizeram isso sem constrangimento algum. Foram para o exterior, casaram-se, separam-se, mas continuam solteiríssimas no Brasil para todos os efeitos (ao menos nos papéis oficiais brasileiros), até porque é caro lidar com esse tipo de papelada. Claro que é um risco que se corre, ainda mais em tempos de redes sociais e registros fotográficos. Se você resolver se casar novamente por aqui, alguém pode dedar a bigamia (sim, porque é) e isso pode ser um problemão. Enfim, só me resta desejar sorte em casos como esses.

Para maiores informações sobre registro consular de casamento celebrado no exterior, sugiro a leitura deste post aquiSe este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Estrangeiros e Suas Impressões sobre São Paulo

Certa vez, navegando pela internet, achei essa reportagem super interessante intitulada “Nove Estrangeiros que Vivem em São Paulo Listam suas Impressões sobre a Cidade“, publicada pelo jornal Folha de São Paulo. Para ver a reportagem original, clique aqui.

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Entrar em um banheiro e notar que é preciso usar um cesto de lixo nunca foi problema para quem vive em São Paulo ou em qualquer outro canto do país. Mas, para quem passou a vida toda evitando essa fadiga, lidar com o cesto é um choque.

“Isso é muito desconcertante e difícil para muitos estrangeiros. É quase tão impactante quanto ir para a Índia e não ter papel higiênico”, diz o economista irlandês Kieran Gartlan, 46, que vive no Brasil desde 1994.

Ele é o criador do site Gringoes, uma comunidade virtual em que pessoas de todo o mundo tiram dúvidas e trocam experiências sobre a vida por aqui.

Embalada pelas listas de estrangeiros que circulam na internet, convidamos nove pessoas de várias nacionalidades que moram em São Paulo – e um paulistano que vive há sete anos em Portugal – para contarem o que há de estranho ou peculiar na cidade e nos costumes brasileiros.

Só no ano passado, até setembro, o Ministério do Trabalho concedeu 22.021 autorizações para que estrangeiros trabalhassem no Estado de São Paulo. “Só que os brasileiros não sabem que aqui é uma terra de oportunidades”, diz a libanesa Aliah Khreiis, 37, sócia de um restaurante na região central.

Embora sejam bem recebidos, os que vêm tentar a vida por aqui sofrem com o barulho, com a burocracia e com os preços altos. “Obra e trânsito formam o casal mais paulistano de todos”, brinca o modelo francês Baptiste Demay, 26. “Por outro lado, São Paulo é onde mais sinto boas vibrações e troca de energia entre o morador e a cidade.”

Veja abaixo o que os estrangeiros dizem sobre a cidade:

Sasha Yaklovena, 25, russa, jornalista

  • Em São Paulo, no verão, poucas pessoas usam roupa curta e aberta. Em Moscou, homens e mulheres andam quase pelados!
  • Na Rússia anoitece por volta das 22h30. No Brasil, às 20h já está escuro.
  • Você tem que estar muito arrumado para entrar na balada em Moscou, senão pode ser barrado. Em São Paulo, mesmo nas baladas mais chiques, tem gente de jeans, tênis e camiseta
  • Aqui as pessoas se ajudam. Dão informações na rua ou no metrô, seguram sua bolsa no vagão e ajudam a carregar a mala.
  • A capital paulista tem ruas muito íngremes e cheias de buracos. Vejo mulheres de São Paulo usando salto só nos escritórios.
  • O serviço nos restaurantes de São Paulo é excelente. Nunca vi tantos garçons gentis e sorridentes.
  • Parques em São Paulo são feitos só para praticar esportes.

Kieran Gartlan, 46, irlandês, economista

  • Os brasileiros adoram tomar banho.
  • As pessoas falam muito alto, ouvem música alta e buzinam em túneis.
  • As crianças fazem o que querem aqui. Parece que os pais brasileiros têm problema em dizer “não” aos seus filhos.
  • Os brasileiros escovam os dentes a cada refeição. A higiene dental não é tão importante na Irlanda.
  • Aqui as pessoas não respeitam fila. É normal ver alguém passando na frente e ninguém falar nada.
  • Em São Paulo, você pode sair à noite qualquer dia da semana e achar o que fazer.
  • No Brasil existe o sistema de comandas nos bares. Na Irlanda, sai muito mais caro, as pessoas pagam rodadas para todos os amigos.

Michelle Warmbier, 25, alemã, terapeuta de dança

  • Tem muita gente com olhos da cor verde ou mel e com a pele meio escura. É uma combinação bonita que você não vê muito na Alemanha.
  • As mulheres prendem o cabelo com o próprio cabelo fazendo um nó.
  • Na Alemanha, jogamos o papel higiênico no vaso, não no lixo.
  • Em São Paulo, você dá um beijo na pessoa quando a encontra.
  • Sempre tem suco de laranja natural nos restaurantes e nas lanchonetes. É a melhor bebida do mundo!
  • Aqui é muito comum que os filhos morem na casa dos pais até casar.
  • Aqui a família tem prioridade muito alta. Lá, nem sempre.
  • Os biquínis são muito pequenos. Particularmente a parte de baixo.
  • Grafite aqui é arte e não só vandalismo. Que bom!
  • Qualquer lugar no Brasil tem uma fila preferencial. As pessoas são muito atentas e educadas, sempre deixando passar na frente ou oferecendo um assento no metrô para quem está com um bebê no colo.

Marina Pipatpan, 54, tailandesa, empresária

  • Em São Paulo, sorriem pouco na comparação com a Tailândia, que é conhecida como “a terra dos sorrisos”.
  • Na Tailândia, cumprimentamos o outro colocando as mãos juntas em forma da flor de Lótus. Nada de beijinhos.
  • Em São Paulo tem poucas frutas e comida sendo vendidas na rua.
  • Aqui nem sempre se tira sapato quando se entra na casa de alguém. Na Tailândia, chegamos ao ponto de funcionários usarem chinelos fofinhos no local de trabalho.
  • Os paulistanos falam muito alto. Os tailandeses, que sussurram delicadamente, não entendem por que tudo mundo berra.
  • Quando recebo tailandeses, aviso que eles têm de tirar suas joias. Eles não entendem como é realmente perigoso.

Baptiste Demay, 26, francês, modelo

  • Aqui você pode ser convidado para ir a casa de alguém que não te conhece e ser bem recebido.
  • A proporção de mulheres que entendem de futebol e que torcem com fervor para um time é maior que a proporção de homens do meu país.
  • Vestir-se bem não é coisa de macho.
  • A burocracia do meu país é bem louca, mas o Brasil fica em primeiro lugar. Tenho a impressão de ser o Asterix realizando um dos seus 12 trabalhos quando tenho que fazer qualquer serviço administrativo.
  • Ver as babás (geralmente negras) vestidas de branco é chocante – é algo que remete à escravidão ou, ao menos, a uma regressão social.
  • Comer de maneira saudável é coisa de rico aqui.
  • As pessoas expressam muito mais os seus sentimentos, deixam saber o que elas sentem de bom sobre a outra pessoa. Às vezes, até demais. Acho legal. Os franceses e os europeus são mais frios e têm bastante a aprender com isso.
  • Fazer tatuagem no Brasil é como trocar de cueca.

Indra Barrios, 49, panamenha, professora

  • O fato de as crianças fazerem bagunça me choca. Nos ônibus, é comum ver as mães em pé e as crianças sentadas nos lugares preferenciais.
  • Fico abismada quando vejo quantidades monumentais de comida ou de carne nos almoços de domingo. Por que tanta comida? “Não pode nunca faltar. Pode sobrar, mas faltar jamais!”
  • Brasileiras têm mania de limpar tudo com água sanitária: calçadas, casas, carros e, desconfio eu, até cachorros!
  • “Está servido?” Sempre que alguém come algo, oferece para outra pessoa, mesmo que seja um completo estranho.
  • Ainda me surpreende ver homens sem camisa nas ruas. Quando faz calor, os brasileiros não pensam duas vezes e tiram a camisa onde quer que estejam.
  • Esse tal de palitinho após as refeições. Fico intrigada cada vez que vejo alguém com uma mão sobre a boca e a outra fazendo alguma coisa com o palitinho nos dentes.

Zhen Zhang, 27, chinês, gerente de marketing

  • No futebol, as pessoas não se importam só com o seu time. Se há um jogo, elas sentam e assistem à partida inteira.
  • Não é possível sobreviver no Brasil sem um CPF. Não dá para ter nem um número de celular sem isso.
  • Em muitos documentos, não basta a sua assinatura. Você precisa ir ao “cartório” para autenticá-la.
  • Muita gente aqui é religiosa e é estranho para eles saberem que tem gente que não tem religião.
  • Nunca vi tanta gente se beijando como no carnaval.
  • É mais barato viajar aos EUA para comprar um computador do que comprá-lo aqui.
  • Dá para pagar com crédito ou débito até em uma ilha.

Melanito Biyouha, 43, camaronesa, dona de restaurante

  • Aqui existem sobremesas. Na África, comemos frutas.
  • O modo de cozinhar feijão aqui é diferente. Na África, ele tem muitos temperos, vai tomate e é bem seco.
  • O Brasil é mais bonito do que nos documentários, que só mostram a parte ruim do país.
  • No Brasil, a mulher participa das decisões da família. Na África, ela tem de ser só bonita e calada.
  • Em São Paulo existem muitas invasões de prédios. Nunca tinha visto isso.

Aliah Khreiis, 37, libanesa, sócia de restaurante

  • A educação nas escolas é ruim e os brasileiros não sabem dos direitos que têm.
  • A mulher aqui não nasce para ser dona de casa. É a melhor coisa do Brasil.
  • Aqui você aprende a respeitar as diferenças.
  • Aqui há muitas oportunidades de trabalho e de se crescer na vida.
  • No meu país, há uma guerra declarada. Aqui ela parece que acontece escondida (se referindo às pessoas que vivem na cracolândia).

Eduardo Cavellucci, 31, paulistano que mora em Lisboa, tatuador

  • Em Portugal, as pessoas são desconfiadas, não interagem. A gente sempre será estrangeiro.
  • Primeira vez em que fui a um banheiro de um bar apertado, escutei do garçom: “Só tomares atenção porque o autoclismo da sanita está avariado, epa!”. Entrei no banheiro e procurei algo avariado. Aparentemente, nada quebrado! Puxei a descarga e a água não parava mais de de sair. O atendente do bar não poupou “elogios”!
  • Os portugueses se arrumam mais, se vestem melhor.
  • Vinte quilômetros km pro português é longe. 100 km é uma viagem.
  • O transporte público português cumpre horário.
  • Meu breve glossário do português de Portugal:

Autoclismo = descarga
Rotunda = rotatória
Comboio = trem
Nadador salvador = salva-vidas
Comando da TV = controle remoto
Fixe = legal
Faixa de travessia de peões = faixa de pedestre
Palinha = canudinho
Bué da fixe = muito louco
Os putos = as crianças
Casa de banho = banheiro
Bicha = fila
Cu = bunda
Rola = vagina, ha ha ha

Casamento Por Procuração

Muita gente chega ao blog procurando informações sobre casamento por procuração, então hoje vou falar um pouco sobre ele, que figura no rol dos casamentos considerados especiais para o Direito de Família.

Sendo o casamento por procuração uma modalidade especial, não há dúvida que ele deve ser usado em situações igualmente ESPECIAIS. Não à toa, é uma modalidade de casamento pouco usada, pois em regra o ato se realiza na presença dos noivos. Deve ser, portanto, usado com muita parcimônia. Case-se por procuração apenas se for a última das últimas opções dos desesperados. Não case por procuração apenas para facilitar a vinda de seu namorado estrangeiro ao Brasil, caso ele(a) seja originário de um país em que o visto turista não seja facilmente emitido pela Embaixada Brasileira. Isso é conhecido como “casamento por conveniência”. Casamento não é para facilitar visto, casamento é um vínculo jurídico que visa o auxílio mútuo, seja material ou espiritual, e que objetiva formar uma família de fato. Ou seja, cuidado para não se enfiar em uma roubada. Atente-se ao fato de que a autoridade consular poderá NEGAR o visto para o Brasil com base em casamento com brasileiro caso suspeite da real intenção do estrangeiro.

O próprio Ministério das Relações Exteriores, em seu Portal Consular, tornou pública uma recomendação às brasileiras em relacionamento com estrangeiros pela internet. Veja o que eles recomendaram:

“O Ministério das Relações Exteriores vem recebendo numerosas queixas de cidadãs brasileiras vítimas de roubos, fraudes e violência cometidos por cônjuges estrangeiros que conheceram pela internet e com os quais tiveram pouco ou nenhum convívio presencial antes do casamento. De acordo com os relatos recebidos, que incluem denúncias de cárcere privado, é frequente, nesses casos, que os maridos estrangeiros mudem completamente de comportamento, logo após a formalização do matrimônio, tornando-se agressivos e manipuladores ou interrompendo repentinamente o contato com as vítimas, após obterem visto de permanência no Brasil. Nessas condições, recomenda-se às brasileiras e aos brasileiros especial cuidado com os relacionamentos virtuais mantidos com estrangeiros com o propósito de celebrar casamento, a fim de protegerem-se contra golpes e situações de risco. Sugere-se, entre outras precauções, buscar obter referências do cidadão estrangeiro por parte de terceiras pessoas de conhecimento comum, além de evitar manter o contato restrito aos meios de comunicação à distância, previamente ao matrimônio”.

Dito isso, então vamos lá!

O Código Civil facilita a vida de alguns noivos ao possibilitar a representação de um ou ambos via procuração. Esse dispositivo legal autoriza os noivos a constituir mandatários para representá-los no caso de impossibilidade de comparecerem à cerimônia de casamento. A maior exigência que se verifica é apenas que a procuração seja constituída por instrumento público, com poderes especiais, conforme dispõe o art. 1.542 do Código Civil. Esses poderes especiais referem-se especificamente à designação da pessoa com quem o noivo deseja casar, sob pena de restar prejudicado o livre consentimento exigido no casamento.

A cerimônia é idêntica a de um casamento civil tradicional, o que muda é que um ou os dois noivos se casarão, obviamente, por procuração e serão representados por outras pessoas. A procuração deve especificar o nome e a qualificação do noivo(a) com quem se casará para de evitar que o representante se case com pessoa diversa daquela que o noivo representado queira. A procuração possui, também, poder especial, ou seja, não se admite procuração em aberto. E olha só que interessante, a pessoa que possui a procuração para casar em nome do noivo, pode, inclusive, dizer NÃO, então muita cautela ao escolher o representante do noivo para o casamento. Se, por algum motivo, o casamento aconteceu mesmo com a procuração revogada, é possível anulá-lo, desde que o casal não tenha convivido após a celebração. É o que diz o do art. 1.542 do Código Civil.

Com relação ao gênero do representante do noivo(a) na cerimônia, a lei não faz qualquer menção, isso significa que a cerimônia pode ter como protagonistas dois homens ou duas mulheres, (cada qual desempenhando o seu papel: o nubente presente e o representante do nubente ausente), declarando expressamente, perante a autoridade celebrante a vontade de contrair o matrimônio.

O prazo de eficácia do mandato é de noventa dias, de acordo com o parágrafo 3º do mencionado artigo do Código Civil, prazo esse em que se deve realizar o casamento. No mais, o processo de habilitação do casamento por procuração (ou seja, aquele processo anterior, em que se reúnem todos os documentos e entrega-os no cartório), é exatamente o mesmo do casamento sem procuração. Para saber qual a documentação exata solicitada nesse processo de habilitação, o ideal é ir ao cartório de sua comarca. Para informações mais genéricas, sugiro a leitura do post “Casamento Civil com Estrangeiro no Brasil“. Só relembrando o que é esse procedimento de habilitação: é o procedimento que objetiva verificar se os noivos estão aptos a casar, para verificar se não há nenhum impedimento, por isso é que se pede tantos selos, carimbos e traduções dos documentos do noivo(a) estrangeiro(a), para verificar se está tudo certinho, para ver se o sujeito é solteiro, casado, divorciado ou viúvo. Lembrando que bigamia é crime e que uma pessoa com estado civil de casado no exterior não pode se casar aqui a menos que se divorcie legalmente. A regra é igual para todos, não importa se é brasileiro ou não. Já falei sobre esse assunto no post “Casada no Exterior – Solteira no Brasil?” e recomendo fortemente a sua leitura.

Com a certidão de casamento em mãos, bem como outros documentos, é possível solicitar o visto permanente para o Brasil com base em casamento com brasileiro, o que pode ser feito tanto no Brasil, conforme relatei neste post aqui, como no exterior, detalhado neste outro post aqui.

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Preconceito de Estrangeiro Contra o Brasil

O ponto de partida deste post é baseado em relatos de estrangeiros sobre o Brasil, mais especificamente o relato negativo. Qualquer pessoa que tenha a oportunidade de morar em um país estrangeiro, qualquer que seja, muito provavelmente terá uma lista de coisas daquilo que gosta e que desgosta sobre o país em que vive como expatriado, isso é absolutamente normal e até mesmo esperado. Meu marido, por exemplo, gosta e desgosta de várias coisas no Brasil, o mesmo acontece comigo em relação ao país dele. E mesmo eu, enquanto brasileira, gosto e desgosto de muitas coisas de nosso próprio país. Até aqui tudo bem. Se meu marido falar que ele detesta futebol, samba e caipirinha, beleza, não ficarei ofendida, vou até gostar. Se ele assistir no noticiário às barbaridades nossas de cada dia e criticá-las, ora, o que há de errado nisso? Nada! Ele é estrangeiro, mas não é burro nem muito menos cego. Não é pelo fato de ser estrangeiro que ele deve ser indiferente às coisas e acontecimentos relativos ao país em que ele está vivendo. Como ele vive aqui permanentemente, estará sempre passível a sofrer influência direta de tudo em sua própria vida, e inclua aqui todas as esferas possíveis, seja economia, saúde, violência, educação, transporte e tudo o mais que se possa imaginar. Então, como ser indiferente e alheio?

O que eu quero dizer é que eu acho digno e genuíno que eles, os estrangeiros, tenham opiniões sobre o país, sejam elas positivas ou negativas, não é um crime reclamar ou não gostar de muitas coisas no Brasil. Então, qual é problema? O radicalismo, aqueles que desprezam tudo e todos, desfazem da cultura, debocham das pessoas, reclamam de absolutamente tudo, não sabem reconhecer aquilo que é bom, acham que tudo que é do Brasil é uma grande merda, e que têm como ideal de vida a experiência e cultura de certos países no exterior, sendo os Estados Unidos seu ideal máximo, o ápice de realização de uma vida.

Não sei o motivo pelo qual tais pessoas se encontram ligadas ao Brasil, qual é o motivo que os trouxe a morar aqui, o que eu sei é que, quando alguém se propõe a viver no exterior, ela tem de se despir de seus preconceitos e, principalmente, deixar a comparação entre os países de lado, caso contrário a estadia estará seriamente prejudicada.

Nós, brasileiros, temos consciência de que, fora do Brasil, há muitos países infinitamente mais avançados e desenvolvidos que o nosso, que oferecem mais qualidade de vida a seus cidadãos e tudo o mais. Na verdade, sempre haverá alguém melhor que a gente, mas isso não significa dizer que o que quer que tenhamos aqui é ruim ou deplorável, que devemos nos envergonhar da nossa cultura uma vez que há outras “melhores”. Aliás, o conceito de “melhor” é bem relativo, não é mesmo?

A grande questão é, quem disse que o modelo de vida do país x ou y é o melhor? Uma coisa é oferecer melhores condições de vida, outra é se vender como o melhor, como o único estilo de vida socialmente aceitável e o ideal para o resto da humanidade. Tem muito gringo aqui que pensa assim, e não por coincidência são, em sua maioria, de países “de primeiro mundo”.

É nesse sentido que entra a minha reflexão sobre estrangeiros e também brasileiros que são cegados por um determinado estilo de vida. Cansei de ver brasileiro falando horrores do Brasil em fóruns públicos, dizendo que têm vergonha do Brasil e que lugar bom mesmo é Estados Unidos, Inglaterra, que aqui não tem nada que preste, que somos um bando de animais selvagens, que nossas cidades são um lixo e acrescente aqui tudo de ruim que você possa imaginar, eles já falaram pior, muito pior. Eu penso o seguinte, somos o que somos, somos frutos da nossa cultura e temos nosso próprio ritmo de evoluir, e evoluímos, ainda que aos poucos. Não se pode esperar, de qualquer nação que seja, que se tenha um mesmo tipo de comportamento e desenvolvimento, pois isso jamais irá acontecer. Ainda que o Brasil se torne um país de primeiro mundo, com melhores condições de vida e mais igualitário, jamais seremos como americanos ou europeus, simplesmente porque somos únicos. O que seria do mundo se fôssemos todos iguais?

Quero esclarecer que não tenho preconceitos contra países desenvolvidos, bem como não sofro da síndrome de inferioridade, eu reconheço as qualidades deles e acredito mesmo que eles sirvam de modelo para muitas coisas que ainda precisamos melhorar, mas isso não se aplica a muitos de nossos aspectos culturais. Somos parte de um país tão rico culturalmente, por que achar que o estilo de vida dos outros é o único legítimo e o melhor? Não existe melhor e pior nesse sentido, há o diferente e desde que o diferente não seja ofensivo e que não restrinja suas liberdades e direitos como humano digno daquilo que há de melhor, então é válido.

Então, se uma família gringo-brasileira conclui que os Estados Unidos, por exemplo, oferece melhores condições de vida e oportunidades para eles, tudo bem, mas isso não significa que o Brasil deva ser menosprezado por eles, nem rebaixado. Infelizmente vejo muito isso, há muita gente que não consegue entender que isso é ridículo. Tenho um exemplo. Certa vez, apareceu um termo de busca que direcionou o leitor aqui para o blog que dizia o seguinte:

“Meu marido é estrangeiro e vive comigo no Brasil, mas ele sempre fala mal do Brasil e por isso temos brigado muito”

Complicado, não? Sem dúvida é um dos grandes desafios que um casal gringo-brasileiro tem de enfrentar, dentre tantas outras coisas. Acho que vale a pena refletir um pouco mais sobre isso.

Meu marido, como todos sabem, também é estrangeiro e vivemos no Brasil, mas ele raramente fala mal daqui e nunca brigamos por causa disso. Ele não fala mal por um motivo bem simples, ele está quase plenamente satisfeito com a vida que levamos aqui, simples assim. Nem tenho como alongar muito, nem justificar de mil maneiras, pois o fato é que não há reclamações. Eventualmente ele reclama dos preços das coisas, pois acha tudo muito caro, em especial  se comparado ao preço das coisas no país dele, mas como é tudo muito caro mesmo, nem tem o que contestar, eu mesma faço coro à sua reclamação. Ele também reclama da comida brasileira por ser acostumado a comidas condimentadas, mas nada que possa provocar problemas de relacionamento.

Não acho que levei sorte, porque meu marido é reclamão por natureza, a grande questão é, ele vem de um país um pouco mais problemático que o Brasil, então é natural que ele se sinta bem e confortável aqui. Em termos culturais também não há stress, talvez ele não curta algumas coisas, mas nada que interfira em nosso relacionamento propriamente dito. O Brasil e o estilo de vida que levamos aqui não são motivos fortes o suficiente para desestabilizar nosso relacionamento.

O que eu percebo em diversos fóruns de discussão em que os participantes são, em sua maioria, estrangeiros vivendo no Brasil, é que grande parte dos reclamões vem de países mais desenvolvidos ou de países em que a língua nativa é a inglesa. Não estou afirmando nada, estou apenas compartilhando uma impressão minha, pode ser que eu esteja errada. Mas até que faz algum sentido, pois é lógico que estrangeiros oriundos de países como Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo – apenas para citar os casos mais clássicos – onde tudo é moderno e avançado, com milhares de facilidades, mais conforto, e tudo o mais, vão ter um pouco mais de dificuldade para se adaptar às coisas daqui que, diga-se de passagem, está mesmo aquém do esperado por eles. Mas ao mesmo tempo, há inúmeros deles que relatam ter escolhido o Brasil justamente por estarem cansados de tudo lindo, tudo perfeito, mas frio, sem o “calor humano”. Basicamente não dá para fazer um traçado muito claro da situação, pois ela é muito diversa.

Só que o problema de hoje é o marido estrangeiro da leitora que só faz reclamar do Brasil, o que acaba gerando muito discussão entre os dois, afinal, quem é que gosta de escutar alguém reclamando dia e noite do lugar em que nascemos e crescemos, lugar esse que guardamos os melhores sentimentos, as melhores lembranças e que nutrimos imenso carinho e, lógico, gostamos também? Não é fácil estar em uma situação dessa. Não podemos esquecer, também, que estrangeiros têm sentimentos, justamente o que eu já comentei mais acima. Eles têm o direito de gostar e desgostar das coisas daqui, reclamar ou não, isso é absolutamente normal. Em meu relacionamento, tivemos a felicidade de gostar e se sentir em casa em ambos os países, seja no país de meu marido, ou aqui, mas nem todos os casais gringo-brasileiros partilham da mesma felicidade. Conheço uma brasileira que detesta o país do parceiro e que não moraria lá de maneira alguma, então para o casal ficar junto, só havia uma solução, morar no Brasil ou em qualquer outro país, menos no país de origem dele. Aparentemente eles conseguiram resolver o impasse e vivem bem aqui.

Acho que a primeira coisa é analisar o porquê de tanta briga. Não gosta do Brasil e só reclama? Ok, até certo ponto é compreensível. Mas se a coisa for realmente demais, a ponto de uma conversa franca, explicando que a pessoa passou dos limites, que está magoando e provocando discórdia, já não estar mais funcionando, bem, aí eu acho que é o momento de começar a pensar no plano B, sem muitas delongas, por que estender uma situação até as últimas consequências? Claro que estou considerando uma situação extrema, em que o tempo passou, a pessoa de fato não se adaptou, em que todas as alternativas foram usadas e ainda assim nada resolveu a situação, isso pode mesmo acontecer. Aí o casal tem que sentar e resolver a situação e não ficar minando o relacionamento aos poucos.

Se o reclamão ou reclamona pode maneirar na encheção de saco e pegar mais leve, que faça a sua parte, brigar em casa por não gostar do Brasil ou de várias coisas no país não vai refrescar em nada, só piora a situação, afinal, é em casa que está a base de tudo. E a vítima do reclamão ou reclamona deve refletir se a reclamação é mesmo genuína ou se está se ofendendo gratuitamente por pouca coisa, o ego pode estar um tantinho inflado também, não é mesmo? Tudo tem dois lados e todos eles devem ser considerados. Se nada resolver, se não houver jeito que ajeite, aí é hora de começar a avaliar outras possibilidades. Aliás, quem se relaciona com estrangeiro tem que ter em mente que considerar outras possibilidades faz parte do jogo, sempre!

Possibilidade de Estrangeiro Fazer Estágio de Pós-Graduação no Brasil

Quando meu marido estava sem emprego e procurávamos um insistentemente, começamos a pensar em soluções alternativas que pudessem ajudá-lo a encontrar uma vaga mais rapidamente. Então eu descobri que QUEM FAZ PÓS-GRADUAÇÃO TAMBÉM PODE ESTAGIAR. Olha só que coisa linda – foi o que eu pensei.

A legislação que regula o estágio permite que os estudantes de pós-graduação estagiem, uma vez que, de acordo com esse dispositivo legal, pós-graduação é classificado como um curso do Ensino Superior. Dei pulos de alegria ao fim de minha pesquisa, pois seria mais uma opção, mais um alvo para tentar acertar.

Claro que a ideia da pesquisa sobre estágio em pós-graduação não brotou do nada, pois eu nunca tinha parado para pensar se isso era possível ou não, mas por acaso lembrei que, certa vez, em minhas procuras por emprego, vi um anúncio para vaga de estágio para quem estivesse cursando, no mínimo, mestrado, então parecia meio óbvio que não haveria nenhum impedimento ao aluno de pós-graduação também. Com isso em mente, fui ler um pouco sobre a lei que regula os estágios e também alguns artigos sobre o assunto.

Um dos artigos que li sobre o assunto falava o seguinte:

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Ao ouvir falar sobre oportunidades de estágio, muitos profissionais imaginam vagas destinadas a alunos do Ensino Médio, Técnico ou Superior. Mas saiba que há também opções para estudantes de pós-graduação. A legislação permite estágios de pós-graduação, já que esses cursos, pelos dispositivos legais, são do Ensino Superior. Mas, para estagiar, é necessário que haja aprovação e intervenção da instituição de ensino do aluno.

“Para os estagiários de pós-graduação, valem as mesma regras. A carga horária também é de seis horas diárias, com tempo máximo de estágio de dois anos em uma mesma empresa”, explica a gerente de Treinamento do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), Carmen Alonso. Sobre a bolsa-auxílio, o estagiário recebe o valor aproximado dos estágios de graduação.

A especialista declara que aceitar um estágio de pós-graduação é válido para profissionais que querem mudar de ramo ou trabalhar em um segmento específico. “A vantagem é direcionar a carreira. Além de ser uma maneira mais rápida de migrar de área. Mesmo ganhando menos, vale a pena”, afirma.

Para as empresas, também existem vantagens em contratar um estagiário na pós-graduação, já que esses profissionais são mais maduros, têm mais experiência e conhecimento. “Para a empresa, o networking desse profissional também é importante. Essa pessoa já trabalhou antes e esses contatos podem agregar para a empresa”, acrescenta.

Sobre as áreas que oferecem mais vagas de estágios para alunos de pós-graduação, Carmen cita Saúde e Administração. “São áreas específicas como Administração em ênfase em Comércio Exterior. Há outras vagas disponíveis, mas, geralmente, os alunos não sabem que podem estagiar”, finaliza.

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Bem, não que fosse um sonho ver meu marido estagiando, mas quem não tem cão caça com gato, então pensei que, se ele conseguisse estágio em uma empresa bacana, quem sabe uma multinacional, seria muito bom para seu currículo, ainda que o salário fosse ruim. A longo prazo valeria a pena.

Outro artigo dizia o seguinte:

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Eu não posso fazer estágio durante a pós-graduação. Mito ou verdade?

Mito. Muitos desconhecem, mas estágios também são permitidos para estudantes de pós-graduação. Muita gente acha que os estágios são direcionados apenas para alunos de Ensino Médio, cursos técnicos e de graduação. Porém, o que muita gente desconhece é que os estágios também são permitidos por lei para a pós-graduação, já que, pelos dispositivos legais, ela integra o Ensino Superior.

O desconhecimento sobre o assunto existe tanto por parte de estudantes quanto de empresas, fato que contribui para uma baixa oferta de vagas destinadas a este público. Segundo a coordenadora do Centro de Desenvolvimento Pessoal e Profissional (Cedesp) da Unimonte, Flávia Dantas, as organizações parceiras da instituição costumam solicitar apenas estagiários de graduação. “Acredito que isso aconteça realmente por mera falta de informação e desconhecimento da lei. Há, por exemplo, organizações que limitam seus processos de seleção para recém-formados, quando poderiam adicionar também os pós-graduandos”.

Para se ter uma ideia, até mesmo as regras são iguais: carga horária de até seis horas diárias, com tempo máximo de estágio de dois anos em uma mesma empresa. Flávia ainda acrescenta: “Hoje em dia, o estudante de pós-graduação não possui tanta bagagem e vivência na área em que se graduou. Geralmente eles são recém-formados e a maior parte nem está ainda no mercado de trabalho. Ingressam na pós justamente para adquirir mais conhecimentos sobre um segmento específico e fazer networking”.

Entretanto, é preciso levar em conta que fazer um estágio como pós-graduando, na maior parte das vezes, representa abrir mão de salários maiores. Exige sacrifício financeiro. Além disso, é comum ainda existir um certo preconceito pelo fato de um profissional formado procurar um estágio ao invés de um emprego efetivo. “Neste caso em específico, a pessoa já formada faz isso pensando a longo prazo. Ela até pode ganhar menos durante um período, mas está em busca de dar uma direção à carreira, aprimorar o currículo com outras experiências para, depois, ir atrás de novas oportunidades profissionais e melhores salários”, afirma Leonardo Ferreira, diretor do núcleo de Pós-Graduação e Pesquisa da Unimonte.

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A Associação Brasileira de Estágios dispõe de um link em seu site com as dúvidas frequentes, e a pergunta mais interessante para nós, que nos relacionamos com estrangeiros, é essa abaixo:

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20. Pode ser concedido estágio a estudantes de pós-graduação (mestrado ou doutorado)? E a estudantes estrangeiros?

De acordo com os dispositivos legais vigentes, podem ser estagiários os estudantes de educação superior. Em termos amplos, ao considerarmos os cursos de pós-graduação, como de nível superior, como realmente o são, há possibilidade de contratar-se tais estudantes como estagiários, de acordo com a legislação vigente, desde que haja aprovação e interveniência da respectiva Instituição de Ensino. Os estudantes estrangeiros regularmente matriculados em instituição oficial ou reconhecida têm o mesmo direito dos nacionais.

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Bom, considerando o caso dos estudantes estrangeiros, que venham ao país portando visto temporário de estudante, ainda que não possam exercer atividade remunerada, de acordo com a legislação brasileira, pela natureza de seu visto, eles podem ganhar uns trocos como estagiários. Parece-me uma situação contraditória, mas que está lá elencada na legislação sobre estágios. Não custa tentar, certo?

Em nosso caso, como não precisávamos nos preocupar com isso, afinal, o marido era permanente, começamos a estudar as possibilidades e a procurar pelas oportunidades. Cheguei até a mandar um e-mail para uma analista de recursos humanos de uma grande multinacional japonesa perguntando se eles ofereciam programa de estágio de pós-graduação e falando brevemente sobre a lei que permite estágios nesta situação. E não é que ela respondeu? A resposta foi que eles ofereciam estágios técnicos e de graduação (na verdade ela escreveu estágio superior no lugar de graduação e logo percebi que ela não manjava nada e nem tinha noção do erro ao usar o termo “superior”, que é genérico, porque engloba mais opções que não só a graduação), mas pelo menos houve resposta.

Na verdade, como os próprios artigos acima deram a entender, não é lá muito fácil achar estágio para pós-graduação, mas a uma empresa, que não seja das grandes e que tenha receio de contratar um estrangeiro, pode ser ofertada essa possibilidade. Fizemos isso uma vez e não é que o sujeito se interessou? A ideia só não foi adiante porque meu marido conseguiu emprego.

A quem interessar possa, segue o link da legislação sobre estágio:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm

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Um Francês e Suas Impressões sobre o Brasil

Certa vez, alguém me passou o link de um blog escrito por um francês chamado (O outro) diário do Olivier  e tinha lá um post intitulado “Curiosidades Brasileiras(o único post do blog, por sinal) que me rendeu boas risadas. Achei que valeria a pena compartilhar o texto aqui com vocês, mas é claro que eu quero dar minha opinião em cada uma das observações feitas pelo sujeito.  Quem quiser ler o texto sem meus comentários, é só clicar nos links acima. O que está em negrito foi escrito por ele e eu copiei exatamente como ele escreveu, não corrigi nenhum erro.

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Aqui são umas das minhas observações, as vezes um pouco exageradas, sobre o Brasil. Nada serio.

Aqui no Brasil, tudo se organiza em fila: fila para pagar, fila para pedir, fila para entrar, fila para sair e fila para esperar a próxima fila. E duas pessoas já bastam para constituir uma fila.

Fila é vida, meu caro! Até hoje meu marido fica maravilhado ao ver pessoas respeitando filas, porque lá no país dele, eles nem sabem o que isso significa. Certa vez, eu estava aguardando minha vez para comprar um ingresso em uma fila exclusiva para mulheres, que mais parecida um amontado de mulheres lutando para conseguir chegar ao guichê, e não é que um sujeito, na maior cara de pau, simplesmente se atravessou em minha frente, bem na minha vez, porque a fila dos homens não estava andando? Fiquei louca da vida. Só dá valor a uma fila quem nunca teve ou experimentou uma situação caótica.

Aqui no Brasil, o ano começa “depois do Carnaval”

Mito ou verdade? Pode ser que seja verdade para muita gente, mas definitivamente não para mim, meu ano começa assim que termina meu recesso de fim de ano, ou seja, logo nos primeiros dias de janeiro.

Aqui no Brasil, não se pode tocar a comida com as mãos. No Mc Donalds, hamburguer se come dentro de um guardanapo. Toda mesa de bar, restaurante ou lanchonete tem um distribuidor de guardanapos e de palitos. Mas esses guardanapos são quase de plastico, nada de suave ou agradável. O objetivo não é de limpar suas mãos ou sua boca mas é de pegar a comida com as mãos sem deixar papel nem na comida nem nas mãos.

E frango frito se come como? E a batatinha frita? Achei a observação interessante. Até meu marido, que vem de uma cultura em que comer com a mão é a regra, aqui usa guardanapo fora de casa para quase tudo, inclusive no McDonald’s. Não acho que seja simplesmente uma regra de etiqueta, mas sim para não ficar com as mãos engorduradas, especialmente com frituras. Até que eu não uso tanto guardanapo, em especial se tiver apenas aqueles que não limpam nada, que mais parecem que só engorduram as mãos ainda mais, mas conheço muita gente que não vive sem guardanapo de jeito nenhum. Palito de dente eu acho uó! Devia ser extinto do planeta!

Aqui no Brasil todo é gay (ou ‘viado’). Beber chá: e gay. Pedir um coca zero: é gay. Jogar vólei: é gay. Beber vinho: é gay. Não gostar de futebol: é gay. Ser francês: é gay, ser gaúcho: gay, ser mineiro: gay. Prestar atenção em como se vestir: é gay. Não falar que algo e gay : também é gay.

Moro em uma região em que se fala muito em “coisas de macho”, mas não posso negar que qualquer coisinha pode ser classificada como uma coisa gay. Gaúcho com fama de gay, especialmente se for de Pelotas, é um clássico tupiniquim, mas mineiro é novidade para mim! De qualquer forma, acho mesmo que brasileiro é campeão no quesito tentar se auto-afirmar como um cabra muito macho. O mundo masculino, para eles, é dividido em dois, o mundo dos machos muito machos e o mundo das bibas. Coitado de quem gosta de Coca Zero e chá, tipo meu marido!

Aqui no Brasil, os homens não sabem fazer nada das tarefas do dia a dia: não sabem faxinar, nem usar uma maquina de lavar. Não sabem cozinhar, nem a nível de sobrevivência: fazer arroz ou massa. Não podem consertar um botão de camisa. Também não sabem coisas que estão consideradas fora como extremamente masculinas como trocar uma roda de carro. Fui realmente criado em outro mundo…

É verdade, em geral os homens brasileiros não costumam ajudar nas tarefas domésticas desde pequenos, por incentivo de seus próprios pais. Muitos ainda acompanham esse pensamento ultrapassado de que apenas as mulheres devem realizar as tarefas do lar. Eu mesma cresci em uma família assim. Ainda bem que meu marido é multiuso, sabe cozinhar, lavar louça e roupas (mas é um saco de preguiça). Mas em relação à troca do pneu do carro, não concordo com ele, pois não conheço nenhum homem que não saiba, afinal, carros e afins é “coisa de macho, muito macho”.

Aqui no Brasil, sinais exteriores de riqueza são muito comuns: carros importados, restaurantes caríssimos em bairros chiques, clubes seletivos cujos cotas atingem valores estratosféricas.

Sem dúvida. E mostrar uma riqueza que a pessoa não tem é ainda mais comum. Gente que se afunda em contas, passa necessidade em casa, mora praticamente em um barraco, mas que tem carro do ano e importado é o que mais tem. Aqui no Brasil dizemos que gente assim come ovo e arrota caviar.

Aqui no Brasil, os casais sentam um do lado do outro nos bares e restaurantes como se eles estivessem dentro de um carro.

Óin, adoro sentar do ladinho de meu marido em qualquer lugar

Aqui no Brasil, os homens se vestem mal em geral ou seja não ligam. Sapatos para correr se usam no dia a dia, sair de short, chinelos e camisetas qualquer e comum. Comum também é sair de roupas de esportes mas sem a intenção de praticar esporte. Se vestir bem também é meio gay

Desculpem-me os brasileiros leitores do blog, mas é verdade, de maneira geral o homem brasileiro não é lá muito chegado a vestir-se bem. Eles se vestem feito adolescentes quase em tempo integral: jeans, moletom, tênis, camiseta, bermuda estilo surfista. Meu marido, que sempre usou camisa, aos pouquinhos está aderindo à “modinha”.

Aqui no Brasil, o cliente não pede cerveja pro garção, o garção traz a cerveja de qualquer jeito.

Que exagero! Tudo bem que, dentre as bebidas alcoólicas, a cerveja é uma preferência nacional, mas aí também já é demais! Também pode ser porque cerveja é das bebidas mais baratas se comparada aos destilados da vida. Um copinho de caipirinha custa em torno de 15 reais, e a garrafa de cerveja? Bem mais em conta. Garção é bão!

Aqui no Brasil, todo mundo torce para um time, de perto ou de longe.

Futebol, uma paixão nacional, até mulheres gostam, mas certamente não é uma paixão minha, nem de perto e nem de longe! E meu marido detesta o futebol sul-americano, prefere o europeu. Aliás, futebol não é a praia dele, mas ele decidiu começar a jogar uma vez por semana para mexer o corpinho e conhecer pessoas. Era um perna de pau no início, mas agora até já faz gols (no momento nem joga mais).

Aqui no Brasil, sempre tem um padre falando na televisão ou na radio.

Ah, sim, certamente. Em torno de 87% da população é cristã, mas eu vejo mais pastor na TV do que qualquer outra coisa. Na verdade, há anos que não assisto tv.

Aqui no Brasil, a vida vai devagar. E normal estar preso no transito o dia todo. Mas não durma no semáforo não. Ai tem que ser rápido e sair ate antes do semáforo passar no verde. Não depende se tiver muitas pessoas atrás, nem se estiverem atrasados. Também é normal ficar 10 minutos na fila do supermercado embora que tenha só uma pessoa na sua frente. Ai demora para passar os artigos, e muitas vezes a pessoa da caixa tem que digitar os códigos de barra na mão ou pedir ajuda para outro funcionário para achar o preço de um artigo. Mas, na hora de retirar o cartão de credito, ai tem que ser rápido. Não é brincadeira, se não retirar o cartão na hora, a mesma moça da caixa que tomou 10 minutos para 10 artigos vai falar agressivamente para você agilizar: “pode retirar o cartão!”

Realmente, o trânsito está cada vez pior e o povo cada vez mais enlouquecido para comprar carro. Na primeira oportunidade, já se afundam em financiamento para comprar um carrinho popular, ou seja, a tendência é piorar ainda mais. Enquanto isso, nos países desenvolvidos, o povo está aderindo cada vez mais aos transportes públicos. Esse é o nosso Brasil, sempre na contramão!

Aqui no Brasil, os chineses são japoneses.

Ou os japoneses são chineses? E os coreanos? Ninguém sabe quem é quem, é difícil identificar.

Aqui no Brasil, a política não funciona só na dimensão esquerda – direita. Brasil é um pais de esquerda em vários aspectos e de direita em outros. Por exemplo, se pode perder seu emprego de um dia pra outro quase sem aviso. Tem uma diferencia enorme entre os pobres e os ricos. Ganhar vinte vezes o salario minimo é bastante comum, e ganhar o salario minimo ainda mais. As crianças de classe media ou alta estudam quase todos em escolas particulares, as igrejas tem um impacto muito importante sobre decisões politicas. E de outro lado, existe um sistema de saúde publico, o estado tem muitas empresas, tem muitos funcionários públicos, tem bastante ajuda para erradicar a pobreza em regiões menos desenvolvidas do país. O mesmo governo é uma mistura de política conservadora, liberal e socialista.

Ele está por fora, agora tudo se resume a esquerda mortadela e direta coxinha.

Aqui no Brasil, e comum de conhecer alguem, bater um papo, falar “a gente se vê, vamos combinar, ta?”, e nem trocar telefone.

É o clássico “Vamos combinar? Vamos” e fica tudo por isso mesmo! Quando alguém fala para meu marido “vamos combinar?”, ele logo responde “quando? amanhã?” e deixa a pessoa que perguntou com cara de bunda.

Aqui no Brasil, a palavra “aparecer” em geral significa, “não aparecer”. Exemplo: “Vou aparecer mais tarde” significa na pratica “não vou não”.

Eu discordo, significa que um dia vai aparecer, sim, não necessariamente amanhã ou depois! Um ano, quem sabe?

Aqui no Brasil, não falta espaço. Falam que o pais tem dimensões continentais. E é verdade, daria para caber a humanidade inteira no Brasil. Mas então se tiver tanto espaço, por que é que as garagens dos prédios são tão estreitos? Porque existe até o conceito de vaga presa?

Rapaz, garagem aqui é sinônimo de lucro, tem até gente que aluga e vende a dita! Tem gente que se estapeia por causa delas. Estacione seu carro por um minuto em uma vaga de garagem que não é sua para você ver o que acontece, corre-se um sério perigo.

Aqui no Brasil, comida salgada é muito salgada e comida dolce é muito doce. Ate comida é muita comida.

Será? Meu marido vive reclamando que falta sal nas comidas daqui! E os doces ele adora, quanto mais doce melhor! O negócio aqui é fartura mesmo e sempre achamos que franceses passam fome comendo aquele miserê de comida, é muito espetáculo para pouca comida.

Aqui no Brasil, se produz o melhor café do mundo e em grandes quantidades. Uma pena que em geral se prepare muito mal e cheio de açúcar.

Café cheio de açúcar é muito amor! Se for com leite, então, é uma explosão de amor! Originalmente, meu marido é fã de chá, mas aprendeu a tomar café preto puro.

Aqui no Brasil, praias bonitas não faltam. Porem, a maioria dos brasileiros viajam todos para as mesmas praias, Búzios, Porto de Galinhas, Jericoacoara, etc.

Há os destinos mais famosos, que por sua vez têm mais infra-estrutura para receber os turistas justamente por serem mais famosos e frequentados, mas nada a ver falar que viajamos todos para as mesmas praias, portanto, discordo dele. Aqui quem manda é o dinheiro, viaja-se até onde seu dinheiro possa te levar.

Aqui no Brasil, futebol é quase religião e cada time uma capela.

Nesse quesito sou ateia.

Aqui no Brasil, as pessoas acham que dirigir mal, ter transito, obras com atraso, corrupção, burocracia, falta de educação, são conceitos especificamente brasileiros. Mas nunca fui num pais onde as pessoas dirigem bem, onde nunca tem transito, onde as obras terminam na data prevista, onde corrupção é só uma teoria, onde não tem papelada para tudo e onde tudo mundo é bem educado!

Não adianta disfarçar, o Brasil é, sim, um país bastante atrasado e subdesenvolvido nesses aspectos.

Aqui no Brasil, esporte é ou academia ou futebol. Uma pena que só o futebol seja olímpico.

Nada a ver. Claro que há muitos esportes que não são nada populares no país, mas dizer que tudo se resume a academia e futebol é generalizar demais. Tudo bem que, em termos olímpicos, o Brasil quase sempre é uma decepção, mas há uma infinidade de esportes praticados por aqui que não somente academia e futebol. O povo adora corrida de rua, caminhada, passeio ciclístico, surf, entre muitos outros.

Aqui no Brasil, existe três padrões de tomadas. Vai entender porque…

Pois é, ele deve estar se referindo às tomadas antigas, aquelas que davam curto e pegavam fogo fácil, fácil. Muitas vezes, ao secar meu cabelo com um secador mais potente, vi a tomada derretendo ou saindo faísca, um perigo! Por isso eles acabaram mudando o padrão das tomadas. Mas isso não significa que todas elas foram trocadas em todos os lugares, e por isso ainda há as do padrão antigo convivendo harmoniosamente com as atuais. Em minha casa tem de tudo.

Aqui no Brasil, não se assuste se estiver convidado para uma festa de aniversário de dois anos de uma criança. Vai ter mais adultos do que crianças, e mais cerveja do que suco de laranja. Também não se assuste se parece mais com a coroação de um imperador romano do que como o aniversário de dois anos. E ‘normal’.

Sim, é normal ter muitos adultos, alguém tem que cuidar da fedelhama para não aprontarem demais e deixar a mãe do aniversariante louca. Ele esqueceu de mencionar que os aniversário infantis são super produções em que se gasta barris de dinheiro em uma festa que dura pouco mais de 5 horas. E raramente se vê suco de laranja, é Fanta, Coca e Guaraná mesmo que servem.

Aqui no Brasil, nõ tem o conceito de refeição com entrada, prato principal, queijo, e sobremesa separados. Em geral se faz um prato com tudo: verdura, carne, queijo, arroz e feijão. Dai sempre acaba comer uma mistura de todo.

Sim, neste quesito não somos muito refinados. Brasileiro gosta mesmo é de rodízio, buffet livre, comilança e orgia gastronômica.

Aqui no Brasil, se acha tudo tipo de nomes, e muitos nomes americanos abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc.

Além destas preciosidades americanizadas, brasileiro adora nomes bíblicos, nomes compostos e muito y.

Aqui no Brasil, quando comprar tem que negociar.

Depende do que se está comprando, as compras do dia a dia praticamente não permitem pechincha, tem lá seu descontinho mixuruco, mas isso é tudo. Talvez ele estivesse se referindo a compra de imóveis ou bens de maior valor.

Aqui no Brasil, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço: se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se beija. Isso também é gay.

Beija, sim, como não? Quando são bastante amigos ou parceiros, rola beijo, sim, mas bem menos meloso que o usual adotado por mulheres, porque afinal, muito grude não é “coisa de macho”.

Aqui no Brasil, o polegar erguido é sinal pra tudo : “Ta bom?”, “obrigado”, “desculpa”.

Sim, é bem isso mesmo! E são os homens que gostam mais de gastar seus polegares fazendo esses sinais do que as mulheres.

Aqui no Brasil, quando um filme passa na televisão, não passa uma vez só. Se perder pode ficar tranquilo que vai passar mais umas dez outras vezes nos próximos dias. Assim já vi “Hitch” umas quatro vezes sem querer assistir nenhuma.

Quando eles anunciam um filme inédito na televisão brasileira aberta, isso já é algo inédito por si só. E ele fala de Hitch porque nunca assistiu “A Lagoa Azul” na sessão da tarde, um clássico da televisão brasileira.

Aqui no Brasil, todo mundo gosta de pipoca e de cachorro quente. Não entendo.

Pipoca, cachorro quente, espetinho de gato, coxinha, churros, sonho, pamonha, tudo quentinho e na porta de sua casa.

Aqui no Brasil, as lojas, o negócios e os lugares sempre acham um jeito de se vender como o melhor. Já comi em em vários ‘melhor bufe da cidade’ na mesma cidade. Outro superativo de cara de pau é ‘o maior da América latina’. Não costa nada e ninguém vai ir conferir.

Parece-me que ele não entende nada de marketing barato.

Aqui no Brasil, tem uma relação ambígua e assimétrica com a América latina. A cultura do resto da América latina não entra no Brasil, mas a cultura brasileira se exporta la. Poucos são os brasileiros que conhecem artistas argentinos ou colombianos, poucos são os brasileiros que vão de ferias na América latina (a não ser Buenos Aires ou o Machu Pichu), mas eles em geral visitaram mais países europeus do que eu. O Brasil as vezes parece uma ilha gigante na América latina, embora que tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente.

Como é que a cultura da América Latina não entra aqui? Entra muito. O conceito de churrasco vem dos pampas (brasileiro, uruguaio e argentino), tem o fenômeno do portunhol, os imigrantes tocando aquelas flautinhas enlouquecidamente nas praças nos centros das grandes cidades, vendendo seus CDs, empanadas chilenas, argentinas, os montes de vinhos nos supermercados, o alfajor, aquelas toucas e casados de inverno cheio de desenhos característicos dos povos andinos, isso sem falar que se encontra brasileiro aos montes fazendo turismo em todos os países vizinhos, inclusive no Paraguay. Eu poderia ficar um bom tempo apenas falando sobre tudo aquilo que entra aqui.

Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, (ex-mulher…). Amor com rótulos.

A sociedade gosta, a sociedade quer.

Aqui no Brasil, a comida é: arroz, feijão e mais alguma coisa.

Meu marido diz a mesma coisa. Ele está de saco cheio de arroz e feijão desde o primeiro mês no Brasil. Certa vez, encontrei uma francesa na Polícia Federal, e lá estava ela reclamando do nosso arroz com feijão. Não que eu seja fã da combinação, mas perguntei a ela o que os franceses comiam em seu dia a dia no final das contas. Ela disse que comem purê de batata e mais alguma coisa. Achei estranho, aliás, ela não falou coisa com coisa, mas fez questão de acabar com a raça do arroz com feijão.

Aqui no Brasil, o brasileiros acreditam pouco no Brasil. As coisas não podem funcionar totalmente ou dar certo, porque aqui, é assim, é Brasil. Tem um sentimento geral de inferioridade que é gritante. Principalmente a respeito dos Estados Unidos. To esperando o dia quando o Brasil vai abrir seus olhos.

É, brasileiro é, em sua maioria, paga pau dos Estados Unidos. Alguns até disfarçam e também há aqueles que adoram fazer discurso anticapitalista, leia-se aqui anti-americanismo. Aposto que comem no McDonald’s, têm carrinho da Ford e um celular da Apple.

Aqui no Brasil, de vez em quando no vocabulário aparece uma palavra francesa. Por exemplo ‘petit gâteau’. Mas para ser entendido, tem que falar essas palavras com o sotaque local. Faz sentido mas não deixa de ser esquisito.

Não só petit gâteau, mas também abajur, ballet, boutique, buffet, boite, champagne, chic, croissant, garçom, glacé, rouge… Isso se chama galicismo. Do mesmo modo que também adotamos mais trocentas palavras inglesas.

Aqui no Brasil, dentro dos carros, sempre tem uma sacola de tecido no alavanca de mudança pra colocar o lixo.

Claro, ninguém vai jogar o lixo pela janela, nem emporcalhar o chão do carro. Não é algo óbvio ter um lixinho exatamente ali?

Aqui no Brasil, os brasileiros se escovam os dentes no escritório depois do almoço.

Diz a lenda que é bom escovar os dentes sempre após as refeições, acho que ele nunca deve ter escutado.

Aqui no Brasil, se limpa o chão com esse tipo de álcool que parece uma geleia.

Aqui se limpa o chão não só com álcool, mas também querosene, para espantar insetos e mais trocentos produtos de limpeza com cheirinho de laranja, limão, flores do campo e eucalipto. Eu amo o de cheirinho de laranja.

Aqui no Brasil, a versão digital de ‘fazer fila’ e ‘digitar codigos’. No banco, pra tirar dinheiro tem dois códigos. No supermercado, o leitor de código de barra estando funcionando mal tem que digitar os códigos dos produtos. Mas os melhores são os boletos pra pagar na internet: uns 50 dígitos. Sempre tem que errar um pelo menos. Demora.

Antigamente nem isso tinha, o caixa tinha que digitar os preços dos produtos um a um, aliás, até hoje há mercadinhos, armazéns e afins trabalhando dessa maneira.

Aqui no Brasil, tem um lugar chamado cartório. Grande invenção para ser roubado direito e perder seu tempo durante horas para tarefas como certificar uma copia (que o funcionário nem vai olhar), o conferir que sua firma é sua firma.

Sim, cartório caça níquel mesmo, uma máfia. Meu sonho dourado é ser dona de cartório e motel também, dão muito dinheiro.

Aqui no Brasil, pode pedir a metade da pizza de um sabor e a metade de outro. Ideia simples e genial.

Pena que eles também não façam isso nas pizzas brotinho.

Aqui no Brasil, no tem agua quente nas casas. Dai tem aquele sistema muito esperto que é o chuveiro que aquece a agua. Só tem um porem. Ou tem agua quente ou tem um vazão bom. Tem que escolher porque não da para ter os dois.

Ah, o chuveiro elétrico! De-tes-to! Mas há muito tempo que esses chuveiros estão dando lugar mais e mais a aquecimento a gás.

Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais.

Sim, e às vezes casam e continuam morando na casa dos pais por motivos diversos, ou se tornam vizinhos. Eu não gostaria de ser americana, por exemplo, que quando vai para a faculdade já tem que começar a se coçar para morar sozinho. Depois de se conquistar a total independência financeira, não vejo problema nenhum a pessoa sair de casa, nada mais natural, mas também não penso que deva ser compulsório, se a pessoa gosta de morar com os pais, que mal tem?

Aqui no Brasil, tem três palavras para mandioca: mandioca, aipim e macaxeira. La na franca nem existe mandioca.

Aqui em casa comemos mandioca sempre, aipim de vez em quando e macaxeira nunca!

Aqui no Brasil, tem o numero de telefone tem um DDD e também um numero de operadora. Uma complicação a mais que pode virar a maior confusão.

Certa vez, eu e meu marido sentamos bonito, a operadora que costumamos usar para fazer ligação internacional estava com problemas naquele dia e resolvemos tentar outra. Quase caímos para trás quando a conta chegou, eles cobraram dez reais um minuto. Merda de telefonia brasileira.

Aqui no Brasil, no taxi, nunca se paga o que esta escrito. Ou se aproxima pra cima ou pra baixo.

A aproximação leva em conta uma regra de arredondamento matemático universal, não é isso?

Aqui no Brasil, marcar um encontro as 20:00 significa as 21:00 ou depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas.

Pontualidade britânica e chá das cinco só mesmo na Inglaterra.

Aqui em Belo Horizonte, e a menor cidade grande do mundo. 5 milhões de habitantes, mas todo mundo conhece todo mundo. Por isso que se fala que BH é um ovo. Eu diria que é um ovo frito. Assim fica mais mineiro.

Ah, mal sabe ele que o próprio mundo é um ovo.