Fazer Dinheiro com Qualquer Trabalho ou Manter o Foco no Objetivo?

É fato sabido e notório que uma grande parte dos estrangeiros que se muda para o Brasil em caráter permanente acaba dando os primeiros passos profissionais no mercado  de trabalho brasileiro dando aulas de idiomas, seja inglês, espanhol ou qualquer outra língua em cursos regulares ou aulas particulares. É um jeito de ganhar um dinheiro e ocupar o tempo até que conquiste uma vaga de trabalho efetiva na área de atuação. Há, também, pessoas que topam serviços gerais ou operacionais, dependendo do grau de necessidade de dinheiro, e muitas vezes na informalidade, mesmo.

A decisão de se dar aulas de idiomas ou encarar subempregos é muito subjetiva, vai do consenso do casal e de suas necessidades mais emergenciais. Em meu caso, meu marido e eu conversamos muito sobre isso e, apesar de ele ter se mostrado inclinado a dar aulas de conversação em inglês, acabei convencendo-o a adiar esse plano naquele momento, porque fazer dinheiro a qualquer custo não era prioridade, os planos eram outros.

Certa vez, como já comentei neste post aqui, fizemos um trabalho freelance como recepcionistas bilíngues em um encontro médico. Conversando com uma das expositoras do evento, ela foi extremamente indelicada. Lá pelas tantas da conversa, em que o assunto era emprego fixo para meu marido, a mulher começou a falar que ele não poderia escolher emprego, que deveria pegar o que aparecesse pela frente, que ele deveria trabalhar como garçom, lavador de prato, o que viesse. Não tenho preconceito algum contra esse tipo de emprego, jamais, de maneira alguma, são empregos dignos e que, se fosse necessário, eu mesma encararia qualquer um deles. Mas o fato é que pessoas que trabalham em serviços gerais ou operacionais o fazem por falta de opção, instrução, experiência, oportunidade, raros são os casos de quem acredita que nasceu para esses ofícios sem querer evoluir para outros melhores. São trabalhos árduos, exaustivos e muitas vezes mal remunerados. Imigrantes brasileiros ilegais no Estados Unidos costumavam (e ainda costumam) a trabalhar nesse tipo de serviço, mas infinitamente mais bem remunerados. Lá, eles também não têm muitas opções por causa da situação ilegal e talvez, também, por causa do pouco domínio do idioma pela maioria deles.

O que acontece é o seguinte, meu marido é instruído, diplomado, em situação regular no país, com boas condições financeiras. Ele veio por minha causa e se a situação profissional estiver tão ruim assim, a ponto de ter de trabalhar arduamente para ganhar um salário mínimo, é lógico que é melhor que ele fique trabalhando lá no país dele em sua área de atuação e ganhando muito melhor. Pode não ser maravilhosamente bem remunerado, mas vai ter a satisfação de se trabalhar com aquilo que gosta, com o que dá prazer, fazendo valer o tempo e o dinheiro gastos frequentando uma universidade para um ofício que ele mesmo escolheu para seu futuro.

Eu disse à abençoada que falou que ele deveria lavar pratos que se ele tivesse mesmo que lavar, melhor seria ele (e eu) voltar para seu país e trabalhar por lá mesmo. E ela ainda teve a audácia de falar “que volte então”. Eu queria socar a cara daquela mulher, juro! E disse a ela que ela fosse lavar pratos, então, já que ela gostava tanto. Lamentável ter de discutir isso com uma estranha que nem sabe nada de sua vida, mas que quer dar lição de moral.

Sobre dar aulas de inglês, é algo que não descartávamos na época, mas a questão central era, tínhamos um objetivo específico e trabalhávamos com foco, queríamos uma vaga na área dele e não queríamos nos desvirtuar. Ele estudou muito para isso e, a cada processo seletivo, ele dava um passo a mais e ficava cada dia mais próximo do alvo. Trabalhando como professor, com carteira assinada ou não, ele teria horas de trabalho a cumprir, como iria administrar os cursos de aperfeiçoamento, as entrevistas e as ligações com um emprego em tempo integral? Isso acabaria dificultando o processo.

Claro que isso foi uma opção nossa, há pessoas que preferem encarar empregos alternativos para não ficarem ociosos e, claro, ganhar dinheiro. Acho super válido e vai da cabeça de cada um, afinal, nem sempre o que é bom para mim é bom para você. Então, não há resposta certa para a pergunta do título do post, você deve fazer o que for melhor, o que se encaixa mais adequadamente à situação. Em nosso caso, achamos que encarar empregos fora da área de formação do meu marido atrapalharia o processo de procura por emprego.

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Trabalhos Freelance Bilíngues

Vez ou outra, antes de meu marido começar a trabalhar formalmente no Brasil, fazíamos alguns trabalhinhos como recepcionistas bilíngues em eventos diversos, coisa rápida, e que rendia um dinheiro extra sem maiores sacrifícios. Precisávamos apenas de um traje social, um sorriso no rosto e o inglês razoável, sem fluente precisava ser.

O trabalho pode durar uma manhã, uma tarde ou uma noite, talvez até um dia inteiro, dois ou uma semana toda. A diária, na época, girava em torno de 120 reais. Na última vez em que fomos convidados, ganhamos quase 500 reais em apenas dois dias, quer coisa melhor? Recepcionistas não bilíngues ganham menos, mas ainda assim vale a pena para ganhar uns bons trocos nas horas de folga.

Não me perguntem como arranjar esse tipo de freelance, porque eu não sei, meu caso era por conta de um contato imediato que eu tinha, alguém muito próximo da família, que foi quem nos convidou. Sempre que surgia uma oportunidade, aceitávamos prontamente, é lógico. Chegamos a ganhar um bom dinheiro com isso e até ficamos uma semana inteira em outra cidade, com hospedagem e alimentação pagos, sem contabilizar o valor das diárias. Por problemas de relacionamento com esse familiar, os contatos acabaram cessando. Faz parte.

A primeira vez que fomos convidados, meu marido já estava no Brasil havia seis meses, e seu português era básico do básico. Era um encontro médico com profissionais de vários países, dentre eles Suécia, Itália, Coréia do Sul, Japão, Inglaterra e Romênia. Quando solicitados, deveríamos auxiliar os convidados estrangeiros. Dentre os convidados do Reino Unido, havia um senhorzinho muito simpático, de seus 70 e poucos anos, com um inglês fofo, ele falava devagar normalmente e não porque éramos brasileiros, sua dicção era super clara e ele tinha aquele sotaque lindo que só os britânicos têm. Em compensação, havia um outro sujeito, inglês também, que eu simplesmente não entendia nada do que ele falava. O marido salvou a pátria, não só entendeu o que o rapaz dizia, como até hoje ele debocha de mim por causa da situação porque eu não estava entendendo patavinas. Disgramado! Talvez hoje em dia eu entendesse, ou não, porque para mim parecia que ele estava falando uma língua aborígene e não inglês! rs… Foi um pesadelo falar com o sujeito.

Sugiro, então, que vocês pesquisem na internet sobre recepção de eventos bilíngue, volte e meia empresas de eventos contratam, com certeza vale a pena dar uma olhada. O bom é que seu parceiro não precisa manjar muito de português para fazer isso, basta gastar o inglês (ou outra língua) à toa. É uma ótima pedida para preencher o tempo com uma atividade fácil e remunerada, em que se pode, inclusive, fazer uns contatos e sem se comprometer em horário integral, ou seja, será possível se dedicar a outras atividades paralelamente.

Fica a dica aos interessados. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!