Dicas de Procura de Emprego para Estrangeiro no Brasil – II

Para quem não leu o primeiro post com dicas para a procura por emprego para estrangeiro morando no Brasil, sugiro que lei o primeiro post de dicas, clicando aqui, e também o post “Como Conseguir Emprego para Estrangeiro no Brasil – Relato de Sucesso“. Continuemos, então.

Supondo que não haja nada de errado com o currículo, ou seja, que ele esteja bem escrito, e que seja claro e objetivo na descrição das experiências e conquistas profissionais; supondo, também, que o estrangeiro esteja procurando emprego com vontade, enviando currículo todos os dias, religiosamente, ou pelo menos quase, e que também esteja procurando se aperfeiçoar profissionalmente para se posicionar melhor no mercado de trabalho, é quase certo que, muito em breve, ele comece a receber ligações das empresas, não tem erro.

Só para vocês terem uma ideia da necessidade de ser regular e insistente em seus envios de currículos, sempre que meu marido é aprovado em um processo seletivo, eu, logicamente, paro completamente de enviar currículos, e as ligações também param abruptamente. Às vezes recebemos algumas ligações “residuais” relativas ao envio de currículo durante o período imediatamente anterior à contratação, quando ainda enviávamos currículos sistematicamente, mas, basicamente, as ligações cessam completamente.

Isso apenas reforça aquilo que eu já falei em outros posts, não tenha preguiça! Quanto menos currículos enviar, quanto mais dias você falhar e sentir preguiça, mais suas chances diminuirão. Você, estrangeiro(a) ou companheiro(a) de estrangeiro, procurando emprego, não pode se dar ao luxo de pensar na morte da bezerra. Se quiser trabalho, vai ter de trabalhar muito antes, e o pior, trabalho não remunerado, mas pode estar certo que, quando você conseguir, verá como todo o esforço terá valido a pena e terá se arrependido de não ter feito isso antes.

Lembro de ter lido, certa vez, em um site popular entre estrangeiros morando no Brasil, um sujeito reclamando de dar muitas entrevistas e de nunca dar em nada, e que ele estava farto disso. Isso é mesmo um fato, você dá mesmo uma infinidade de entrevistas que, no final das contas, foram quase perda de tempo, e de dinheiro também, e que não dão mesmo em nada. Só não é uma completa perda de tempo, porque a pessoa que passa por muitos processos seletivos aprende muita coisa, incluindo como se portar, o que falar ou não, quais erros não cometer novamente em outra oportunidade, o que fez corretamente. Isso é igual para estrangeiros e brasileiros. Não adianta reclamar, tudo isso faz parte, você vai ter de gastar muita sola de sapato, muita gasolina ou passagem de ônibus, muito tempo indo para lá e para cá, torrar muitos neurônios, porque, definitivamente, não se consegue emprego da noite para o dia. Você vai se cansar, vai se frustrar, mas não pode desistir jamais, terá que continuar gastando a sola do sapato até conseguir algo, por mais que tudo indique que nunca irá conseguir. Só não vai conseguir se não tentar. Só se tem duas opções, enfiar a cara e lutar até conseguir ou voltar para sua zona de conforto em seu país de origem. Meu marido até que pensou várias vezes em voltar para sua zona de conforto, mas eu nunca o encorajei a pensar nisso, sempre procurei incentivá-lo a pensar a longo prazo, nas infinitas possibilidades que se abririam para ele caso continuasse firme em seu propósito. No fim das contas, ele mesmo reconheceu que eu estava certa e que ele só precisava de uma única chance para deslanchar aqui. E foi exatamente o que aconteceu.

Eu já contei sobre a imensa dificuldade que meu marido teve para lidar com todas as ligações para entrevista que ele recebia neste post aqui, foi um verdadeiro tormento na vida dele e na minha também. Por quê? Porque ele ainda não era fluente em português naquele momento, então imaginem como era no começo, com um português básico. No caso dele, sempre houve muita dificuldade de compreensão ao telefone e também uma boa dose de falta de confiança para lidar com as ligações sozinho. Mas ele teve que dar um jeito e dar seus pulos para conseguir marcar as entrevistas.

Depois de escutar meu marido falando ao telefone em dezenas de ligações, consigo, seguramente, traçar um script para todas elas, a coisa pouco muda. A pessoa liga, pede para falar com fulano de tal, daí dizem que estão ligando da empresa x, para a vaga y e perguntam se ele tem interesse na vaga. Às vezes comentam um pouco sobre a atividade a ser desenvolvida, sobre os benefícios e salários ofertados e então, ou fazem algumas perguntas relativas à experiência profissional, ou sem maiores indagações já marcam direto o dia e a hora da entrevista. Quando dizem que tornarão a ligar, depois de especular um pouco sobre o candidato ao telefone, é pouco provável que liguem, por mais contraditório que possa parecer. E quando perguntam algo, é sempre para falar um pouco sobre sua experiência profissional ou para perguntar se tem alguns conhecimentos específicos, geralmente coisas que são solicitadas para a vaga em questão. Também perguntam bastante sobre nível de conhecimento de inglês, país de origem, qual a situação no país, e coisinhas assim, nada complexo ou difícil. São perguntas básicas que qualquer estrangeiro com um nível de compreensão intermediário na língua portuguesa conseguirá se virar razoavelmente bem para responder e, caso esteja encontrando dificuldades, não há problema nenhum em pedir para a pessoa do outro lado repetir ou falar mais devagar. Muitas das pessoas que ligaram para meu marido até mesmo se ofereceram para conversar e explicar as coisas em inglês, poucas foram as pessoas que foram grosseiras. Para ser mais específica, três pessoas desligaram o telefone na cara dele quando perceberam que ele era estrangeiro, vejam só quanto profissionalismo por parte delas. Sempre tem aquele profissional despreparado e que nem merece estar ocupando tal posição.

Pois bem, se você conseguiu superar uma ligação e conseguiu ter uma entrevista agendada, já é meio caminho andado, uma primeira barreira superada, e significa que a empresa quer conhecer melhor seu perfil profissional, apesar de que isso, a princípio, não significa muita coisa, significa apenas que seu perfil despertou interesse.

O que se deve fazer agora é estudar e se preparar do melhor jeito possível. Se você pensa que é só sentar e esperar pelo dia da entrevista, então você estará assassinando e enterrando sua chance desde já. As entrevistas também seguem um script previsível e é dentro desse script que você terá de se virar nos trinta para mostrar toda sua capacidade e potencial. Isso sem falar na possibilidade de ter de fazer testes, como eu já falei bastante nesta publicação aqui.

Nas primeiras entrevistas que meu marido deu, ele não conseguiu mostrar a que veio, ele apenas mostrou que era um gringo com um português ruim de dar dó e desesperado para conseguir um emprego. Quando seu português começou a dar sinais de estar deixando de ser um atentado aos ouvidos alheios, ele começou a ter noção de que precisava se preparar adequadamente para as entrevistas, em especial após uma delas, em que o analista e o supervisor de recursos humanos de uma empresa acabaram com a raça dele, fazendo perguntas e mais perguntas para as quais meu marido não tinha a mínima noção do que responder. Depois desse episódio, ele fez uma extensa pesquisa na internet sobre as questões mais perguntadas durante entrevistas, fez uma lista delas e respondeu uma a uma em inglês, que depois eu traduzi para o português para ele. Em geral, eles sempre perguntam algumas daquelas questões que ele havia preparado as respostas. E é muito, muito difícil o recrutador brasileiro fazer perguntas esdrúxulas durante os processos seletivos, apesar de ser algo comum no exterior.

Outro ponto importante é sempre ler sobre a empresa na qual você fará a entrevista. Acesso o site dela e leia de cabo a rabo a parte institucional, missão, valores, investimentos, novidades, tudo, isso mostra que a pessoa tem interesse, que dedicou um tempo pesquisando sobre a empresa. Claro que isso, por si só, não te garante emprego nenhum, mas certamente conta pontos, além de encorpar substancialmente sua fala na hora da entrevista.

Além de ter essas questões preparadas e respondidas, você sempre deve estudar em casa antes de toda e qualquer entrevista. Revise as respostas das perguntas frequentes até cansar. Meu marido fica praticando as respostas sozinho por horas até sentir que está seguro para falar. Procure, também, ler artigos sobre o assunto em sites que publiquem dicas sobre carreira e emprego, especialmente erros frequentes durante entrevistas de emprego e coisas assim, até mesmo sobre que tipo de traje vestir. Meu marido errou o traje uma única vez, em sua primeira entrevista, mas logo compramos um traje social para ser usado somente para esse fim, que consistia de calça social risca de giz azul marinho, duas camisas sociais de manga longa – branca e azul – e um par de calçado preto social. Simplesmente não tem erro, a não ser que seja uma entrevista para altos cargos executivos e formais, situação que requer uso de terno e gravata. Como não era nosso caso, o traje que escolhemos estava mais do que bom. Meu marido não aguenta mais nem ver em sua frente seu modelito de entrevista.

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Dicas de Procura de Emprego para Estrangeiro no Brasil – I

Já relatei, brevemente, no post “Como Conseguir Emprego para Estrangeiro no Brasil“, um pouco sobre como foi que meu marido conseguiu emprego aqui. Não há uma fórmula pronta e mágica para conseguir um emprego, mas sim uma somatória de ações positivas que, juntas, acabam fazendo uma grande diferença no fim. Até então, eu nunca havia trocado ideias com um brasileiro desempregado à procura de emprego para saber se a dificuldade é a mesma que um estrangeiro enfrenta ou não, mas eu realmente acho que não é fácil para ninguém.

As empresas, hoje em dia, querem excelência. Eles procuram, sim, o melhor candidato, o mais preparado, o mais qualificado, e a disputa é acirrada. Aquele que mais atende aos requisitos da vaga, seja brasileiro ou estrangeiro, é quem vai conquistar a vaga. Um dia, meu marido comentou comigo que o gerente da empresa que o contratou naquele que foi seu primeiro emprego no Brasil disse a ele, na segunda rodada de entrevista, que ele só contratava quem fosse melhor que ele mesmo. Mas mesmo meu marido se sentindo elogiado e valorizado, é sempre bom lembrar que, via de regra, sempre há alguém melhor que a gente, não somos únicos, não somos insubstituíveis, há uma disputa acirradíssima em tudo.

O difícil mesmo é achar a vaga perfeita para você. Claro que um estrangeiro precisa se adequar e se esforçar mais que um brasileiro por causa dos pontos deficientes, como a questão da língua e da cultura, por exemplo, mas se houver um empenho grande para suprimir esses pontos, com certeza há, também, uma possibilidade bem grande de se competir de igual para igual com brasileiros.

O calcanhar de aquiles de meu marido sempre foi o português, e também alguns conhecimentos técnicos específicos os quais ele não tinha, foi por isso que ele fez cursos de aprimoramento em sua área de trabalho aqui no Brasil, para aumentar suas chances, o que, de fato, aumentou mesmo, conforme já comentei neste post aquiFoi muito bom e percebemos a diferença que fez não só no currículo, mas também em sua desenvoltura em entrevistas. Acho que metade delas só foi possível por causa daquele curso. Gostamos tanto dos efeitos positivos que o curso proporcionou que, poucos meses depois do término do primeiro, ele já fez um segundo. Foi um cursinho de apenas um dia, e não de 3 meses como o primeiro, mas que foi ótimo e trouxe mais chances de entrevistas. O melhor de tudo foi que, nesse segundo curso, seu aproveitamento foi infinitamente melhor do que no primeiro. Apesar de meu marido ter gravado o áudio para poder escutar em casa mais tarde, acabou nem sendo necessário, pois ele compreendeu tudo muito bem, aproveitou o curso, participou ativamente das atividades e eu fiquei super contente de finalmente perceber uma evolução realmente significativa em seu desempenho no português. Foi por causa desse segundo curso que ele quase conseguiu um emprego naquela oportunidade, apesar de que “quase conseguir” não significa muita coisa, mas é um injeção de ânimo e tanto!

Eu já falei aqui sobre a importância de se ter um currículo bem escrito, por mais simples que seja sua experiência. Já falei, também, sobre a importância de se pesquisar sobre as tendências e demandas do mercado, e também aquelas coisas todas que os profissionais de RH valorizam em um currículo. Lembrem-se que estrangeiro permanente no Brasil não goza de processo seletivo diferenciado, é tudo igual, ele é apenas mais um procurando emprego. Eu acho muito certo isso, estrangeiro não é especial. Meu marido concorda também, então está tudo certo.

Um ponto importante é saber mandar currículo por e-mail. Parece besta falar isso, mas são os detalhes que fazem a diferença. A primeira regra é: só mande seu currículo para vagas que tenham, de fato, seu perfil profissional, ou que, pelo menos, seja parcialmente relacionado. Não adianta nada sair atirando para tudo quanto é lado, mandando currículo para vagas que não têm nada a ver com seu perfil, caso contrário seu currículo será descartado. Tenha foco! Se eles pedem pretensão salarial, não coloque “a combinar”, faça exatamente aquilo que eles pedirem. Se não souber quanto pedir, faça uma pesquisa na internet sobre média salarial para a referida profissão ou cargo, há trocentas delas e logo você terá uma ideia de quanto pedir. Se o título da vaga é, por exemplo, ANALISTA ADMINISTRATIVO, é exatamente isso que deverá estar escrito no campo ASSUNTO de seu e-mail, a não ser que eles peçam que encaminhem o e-mail com outro nome de assunto qualquer. Sempre faça o que é solicitado, é muito simples.

O corpo do texto do e-mail é muito importante também. Só depois de muito tempo mandando currículo com um texto ridículo é que eu aprendi a escrever algo que prestasse. Só me atentei a esse fato quando eu e o marido aprendemos a fazer carta de apresentação. Você não precisa escrever uma carta de apresentação no corpo de texto de seu e-mail. Nós chegamos a fazer isso, mas ficou over demais. O ideal é fazer um resuminho bem conciso, de no máximo dois parágrafos curtinhos, descrevendo muito brevemente sua experiência profissional e suas maiores conquistas. Atente-se aos números, eles são muito importante e chamam muita atenção!

No primeiro e-mail com currículo que eu mandei, eu escrevi algo mais ou menos assim: “Boa tarde, segue em anexo currículo relativo à vaga anunciada na edição de domingo do jornal tal. Atenciosamente, Fulano de Tal“. Quando eu olho para isso, tenho um pouco de vergonha de mim. Que imagem eu passei do meu marido nesse primeiro contato? Aos poucos fui melhorando até que cheguei a um texto mais elaborado, ainda que conciso, e mais personalizado, que eu adapto de acordo com a descrição da vaga e da empresa. Eu não menciono nada sobre conhecimento em língua portuguesa no currículo redigido em português para não dar bandeira, logo de cara, de que se trata de estrangeiro, não coloco nem a nacionalidade do meu marido para que ele não seja sumariamente eliminado só por ser estrangeiro. É melhor ocultar essas coisas em um primeiro momento e depois ver no que vai dar, afinal, a ideia é atrair a atenção do recrutador para que ele se interesse pelo perfil profissional somente e marque uma entrevista.

A última dica do dia é, NÃO TENHA PREGUIÇA!!! Procure emprego todos os dias, faça o seu melhor para conseguir mandar, pelo menos, uma dezena de currículos diariamente. Só para vocês terem uma ideia, eu mandava, em média, 150 currículos por mês! É muita coisa e também muito trabalhoso, são horas e horas no computador repassando a lista de sites de empresas e consultorias de recursos humanos, procurando, procurando, procurando. Quando você está quase desistindo e sucumbindo ao desânimo, do nada você recebe uma ligação para entrevista e o ânimo vem com tudo novamente, afinal, se estão ligando é porque há interesse, se há interesse, é lógico que uma hora pode dar certo. Se não estiverem ligando, é hora de fazer uma avaliação:

  • Estou mandando currículos com frequência diária?
  • Meu currículo está bem elaborado?
  • Meus envios estão de acordo com o perfil da vaga?
  • Estou atualizado aos olhos do mercado de trabalho?

Se a resposta for não para alguma delas, então está na hora de rever suas ações. Em nosso caso, tínhamos certeza que o currículo estava legal, pois meu marido sempre ouvia, durante as entrevistas, que seu currículo estava muito bom, e ainda assim eu sempre estava fazendo alterações e correções, até conseguir uma versão que me agradasse por completo. Faço isso até hoje. Também me esforçava, dia após dia, para mandar o máximo de currículos possíveis.

Então, basicamente, esses foram os quatro pilares para conseguir entrevista de emprego:

  • Currículo bem redigido;
  • Envio diário;
  • Estudo de português;
  • Curso de aprimoramento.

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Como Conseguir Emprego para Estrangeiro no Brasil – Relato de Sucesso

Quando publiquei este post, no ano de 2013, foi com muita alegria e intensa sensação de dever cumprido que compartilhei aqui no blog a notícia de que meu marido estrangeiro fora aprovado em não apenas um, mas em dois processos seletivos aqui no Brasil para vagas de emprego em sua área de formação, exatamente o tipo de emprego que queríamos e que tanto lutamos para conquistar! Pudemos, então, avaliar e escolher a melhor oportunidade para ele. Na verdade, não cheguei a ficar surpresa com a notícia, pois foram incontáveis ligações e entrevistas nos meses que precederam sua contratação. Então eu sentia que seria apenas uma questão de tempo até que tudo se encaixasse perfeitamente e até já estava esperando por isso.

A proposta de contratação das empresas aconteceu exatamente 1 ANO e 10 MESES depois da chegada de meu marido ao Brasil. Apenas para recapitular, começamos a nos organizar para a procura por trabalho para ele três meses depois de sua chegada, mas essa procura começou a andar e funcionar bem mesmo quase um ano depois, quando o português do meu marido já estava bem melhor.

Só para vocês terem uma breve ideia de como foi todo o processo, extraí todas as informações abaixo analisando meu caderninho de anotações, que é onde eu anoto todas as vagas para as quais eu enviei o currículo dele, a data e o nome do site de recursos humanos ou empresa:

– CADASTRO DE CURRÍCULO EM MAIS DE 50 SITES DE EMPRESAS DE RECURSOS HUMANOS;

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– TOTAL DE CURRÍCULOS ENVIADOS – 2.120 CURRÍCULOS (sem contabilizar aqueles que meu marido enviou sem me avisar ou anotar no caderninho);

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– Desses 2.120 currículos, o envio se subdividiu da seguinte maneira:

326 ENVIADOS POR E-MAIL, sendo:

  • 57 currículos enviados diretamente para o departamento de RH das empresas;
  • 269 currículos enviados para vagas específicas, anunciadas em jornais e blogs de divulgação de vagas.

1.794 CURRÍCULOS ENVIADOS DIRETAMENTE EM SITES DE RECURSOS HUMANOS.

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– Dentre os sites de recursos humanos, os mais utilizados e conhecidos nacionalmente foram:

  • CATHO – 533 VAGAS;
  • VAGAS.COM – 222 VAGAS;
  • INFOJOBS – 191 VAGAS;

Recebemos ligações de currículos selecionados em todos eles.

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– TOTAL DE VAGAS EM QUE O CURRÍCULO FOI SELECIONADO E QUE LIGARAM PARA O MARIDO:

40 VAGAS

Média de uma ligação/contato para cada 53 currículos enviados.

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– DESTAS 40:

  • 14 vagas foram de contato por telefone e que não evoluíram para entrevista pessoalmente;
  • 24 vagas resultaram em entrevistas pessoalmente;
  • 2 vagas fomos convocados para dinâmicas em grupo.

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– DAS 24 ENTREVISTAS QUE MEU MARIDO DEU PESSOALMENTE:

  • 9 delas foram entrevistas em agências de Recursos Humanos, sem ser selecionado para uma segunda rodada de entrevista na empresa contratante;
  • 3 delas tiveram uma primeira rodada em agências de recursos humanos e segunda rodada nas empresas contratantes;
  • 12 das entrevistas foram diretamente nas empresas, sem que houvesse nenhuma empresa de recursos humanos intermediando.

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E por fim, das 12 entrevistas feitas diretamente nas empresas, meu marido conseguiu DUAS PROPOSTAS de trabalho formais.

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Como vocês puderam perceber, nossa conquista foi fruto de muito esforço e trabalho ao longo de quase dois anos. 

A primeira empresa que deu uma oportunidade para meu marido no Brasil anunciou algumas vagas de emprego nos classificados de um jornal local de grande circulação e também no site da Catho. Mandei o currículo do marido para algumas delas tanto pela Catho como por e-mail, inclusive a vaga para a qual ele foi contratado.

Não sei exatamente qual foi o meio utilizado pela recrutadora para selecionar o currículo dele, se pela Catho ou por e-mail, o que eu sei é que praticamente um mês depois do envio do currículo, ela enviou um e-mail comunicando que ele fora selecionado para participar do processo seletivo para uma das vagas. Na mesma mensagem, pediu para que ele preenchesse uma ficha de inscrição e também que enviasse um currículo atualizado, juntamente com um e-mail confirmando participação no processo seletivo.

Enviamos a resposta prontamente com tudo o que ela havia solicitado. Já no dia seguinte, ela enviou uma nova mensagem explicando como seriam as próximas etapas do processo seletivo, que consistiram de provas online, entrevista individual com a gerente de recursos humanos e supervisores, e entrevista final com o gerente geral da empresa. Na mesma mensagem, ela já passou os links que direcionavam à página das provas online.

Quando viu o link para as provas – uma de inglês e outra de raciocínio lógico/matemática – meu marido cogitou esperar um dia, pelo menos, para poder se preparar, em especial porque era uma prova cronometrada. Mas, de repente, ele decidiu fazer a prova logo de uma vez para se livrar dela o mais rápido possível. O problema é que a prova estava super difícil, até mesmo a de inglês. Eram textos enormes, com um vocabulário bem complexo e com questões puramente de interpretação de texto e apenas uma ou outra questão cobrando gramática. Com certeza quem tinha um inglês bem mais ou menos, ou mesmo intermediário, deve ter tido bastante dificuldade. Para piorar, a prova de raciocínio lógico estava ainda mais difícil. Ele tentou dar o seu melhor solucionando as questões, mas estava tão complicado, que foi necessário chutar algumas das respostas. Ele terminou o teste com aquela sensação de “me ferrei” e nos resignamos pensando que aquela oportunidade estava perdida.

Mas como a vida é cheia de surpresas, um dia e meio depois a recrutadora mandou um e-mail parabenizando-o por ter sido aprovado nos testes e comunicando que ele passara para a próxima fase – entrevista individual – já com hora marcada e tudo. Ficamos perplexos, pois por essa não esperávamos.

A entrevista seria poucos dias depois e ele não se preparou tanto quanto deveria, mas estava tranquilo e confiante, afinal, depois de tantas entrevistas, ele achou que não era tão necessário se preparar exaustivamente, apenas leu sobre a história da empresa, missão, valores e coisas assim. Depois da entrevista, ele me contou que fora entrevistado por três pessoas simultaneamente e que, apesar da pressão de ter mais de uma pessoa entrevistando, ele estava muito satisfeito e animado com seu desempenho. A recrutadora o informou que se ele fosse aprovado naquela etapa, ela ligaria para marcar a entrevista final. E não é que ao fim daquele mesmo dia ela ligou? Ficamos super empolgados, pois até aquele momento nunca acontecera de um processo seletivo avançar tão rápido e tão bem, e a entrevista final seria já no dia seguinte!

Quem o entrevistou na etapa seguinte foi o gerente da planta, o que acabou deixando meu marido um pouco tenso e nervoso. Talvez por isso ele não tenha ficado nada satisfeito com seu próprio desempenho e achou que era o fim para ele. Depois dessa segunda rodada, não houve nenhum retorno da empresa por quase três semanas, então para controlar um pouco a ansiedade ou acabar de vez com a expectativa, resolvemos enviar um e-mail para a RH perguntando qual era o status do processo. Ela levou cinco dias para responder e quando respondeu foi com uma pergunta ao invés de uma resposta. Ela queria saber se ele era cadastrado ou não no conselho regional de sua categoria e também queria saber se o seu diploma de graduação era ou não reconhecido no Brasil.

Apesar da resposta sem resposta, concluímos que havia uma resposta implícita, pois se ele não houvesse sido aprovado, ela simplesmente diria que o processo seletivo havia sido encerrado, sem maiores rodeios. A partir desse momento, a ansiedade começou a aumentar.

Respondemos à mensagem com todo o cuidado para que ela pudesse compreender tudo perfeitamente. Explicamos detalhadamente sobre seu diploma de graduação no exterior, dizendo a ela que o mesmo possuía selos de autenticidade da Embaixada do Brasil no país de origem dele que o reconhecia como legal. Também mencionamos que tínhamos a tradução juramentada do diploma do inglês para o português e explicamos que ele ainda não havia sido revalidado em uma universidade pública no Brasil.

Sobre o registro no respectivo conselho de classe profissional, contamos que ele ainda não tinha pelo fato de seu diploma não ter sido revalidado, mas explicamos que, se o registro no conselho não fosse necessário para a vaga, então ele estaria totalmente apto a exercer a atividade, mesmo sem diploma revalidado, uma vez que não há nenhum impedimento legal quanto a isso. Aproveitamos para reafirmar que ele possuía todos os documentos legais – RNE, CPF e Carteira de Trabalho – todos em situação regular e que ele poderia trabalhar livremente, como outro brasileiro qualquer, desde que o registro no conselho de classe profissional não fosse necessário.

Dez dias depois, ela nos mandou uma mensagem pedindo que enviássemos todos os documentos que tivéssemos, digitalizados, pois eles seriam encaminhados para análise. Foi então que eu comecei acreditar fortemente que havia chances reais de contratação.

Quase três semanas depois, uma outra empresa ofertou trabalho a meu marido e por isso resolvemos ligar para a responsável pelo RH pedindo uma posição, pois meu marido não estava em situação de perder oportunidades. Explicamos sobre a proposta feita e finalmente soubemos que ele fora mesmo aprovado e que eles já dariam início ao processo de contratação do primeiro estrangeiro da história da empresa em minha cidade, pelo menos foi isso que a moça do RH nos contou.

Tudo isso demorou quase dois meses, do primeiro contato por e-mail à última ligação, quando a vaga foi confirmada. Ao longo do processo, praticamente todo o contato foi feito por e-mail, a RH nos ligou apenas uma única vez para confirmar o dia e o horário da entrevista.

Depois de tudo, só consigo pensar e reforçar a minha ideia de que, para conseguir emprego, seja o candidato brasileiro ou estrangeiro, tudo deve casar perfeitamente, do início ao fim, tanto em termos de atendimento pleno dos requisitos da vaga, como ser bem desenvolto ao se comunicar (especialmente em português). Obviamente, o candidato deve possuir, também, capacidade técnica e experiência, além de cativar as pessoas durante todo o processo seletivo, pois simpatia e conexão com o recrutador também contam muito. É muito tentador esperar conseguir emprego por indicação, aliás todo mundo fala que por indicação é infinitamente mais fácil, mas depois de tudo que passamos, eu não concordo, acho mesmo que, se a pessoa estiver cem porcento comprometida e trabalhando para isso incansavelmente, cedo ou tarde terá sucesso. Sem falar que a sensação de se conseguir por méritos próprios é indescritível, sem comparação. Em nosso caso, o resultado foi até mesmo melhor do que o esperado, meu marido conseguiu um cargo de chefia, em uma multinacional, não com o salário mais fantástico do mundo para a categoria, mas que certamente superou nossas expectativas.

O fato é, nós conseguimos, muitos outros conseguiram também, e não há dúvidas que você também pode conseguir, mas é preciso um único passo, que é trabalhar muito para isso, sem desanimar, sem diminuir o ritmo e jamais ficar esperando a ajuda das pessoas, pois isso só atrapalha, definitivamente não ajuda em nada, pelo menos essa é minha opinião pessoal.

No momento, meu marido já está em seu terceiro emprego no Brasil. Dois anos e meio depois de ser contratado por essa empresa, naquele que foi seu primeiro emprego no Brasil, a planta encerrou suas atividades em nossa cidade e foi para outra. Meu marido acabou sendo mandado embora e ficou 6 meses desempregado. Contei tudo isso no post “Desemprego de Estrangeiro no Brasil – I“. Conseguimos, então, outro emprego seguindo o mesmo método de procura que relatei em diversos posts aqui no blog. Entretanto, por problemas de adaptação à cultura da empresa e também com a chefia, ele foi mandado embora mais ou menos 9 meses depois, no auge da crise de desemprego aqui no Brasil. Ainda não contei esse causo aqui no blog, mas contarei em breve. Mas só para adiantar, deu tudo certo de novo no fim, o que me faz acreditar fortemente que nosso método de procura por emprego é realmente eficiente.

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Declaração de Imposto de Renda de Estrangeiro no Brasil

Certa vez, um leitor do blog indagou-me sobre como é o processo de declaração de imposto de renda no Brasil sendo estrangeiro. Achei que seria interessante escrever sobre o assunto em forma de post, pois poderá ajudar a elucidar dúvidas de quem tem a mesma indagação. Parece algo complicado de se entender, mas não é. Para quem não entende ou não sabe nada sobre o assunto, a melhor coisa a fazer é pesquisar sobre isso no site da Receita Federal do Brasil.

O estrangeiro, em situação regular no país, seja aquele que vive permanentemente aqui, ou que esteja apenas a trabalho temporariamente, que tenha CPF (Cadastro de Pessoa Física) e renda no Brasil, deve ficar atento a esse tópico, ainda que seja um pouco confuso, pois é muito importante manter-se em um situação regular para evitar problemas relativos a isso. Antes de qualquer coisa, que tal consultar qual é a situação cadastral de seu CPF (Cadastro de Pessoa Física)?

Para fazer a consulta, na página inicial do sítio da Receita Federal, do lado direito da tela, está escrito SERVIÇOS EM DESTAQUE. Clique em Comprovante de Situação Cadastral no CPF. Onde estiver escrito “Formas de Atendimento”, clique em “Acesso direto ou com senha específica”, então é só informar o número de seu CPF, digitar os caracteres dispostos ao lado e consultar.

No que diz respeito aos requisitos para a declaração do imposto de renda, todo ano a Receita Federal atualiza essa informação em seu próprio site, por isso é muito importante recorrer diretamente ao site deles para se informar e sanar todas as dúvidas. Lá eles explicam o conceito de residente no Brasil para fins tributários, determinam quem são as pessoas que moram no país em caráter permanente, que são aqueles que ingressaram no país com visto permanente, temporário ou de trabalho, dentre outros. Esclarecem, também, a faixa de rendimento tributável que deve ser declarada.

Enquanto meu marido permaneceu desempregado e sem renda no Brasil, ele não precisou se preocupar com isso, pois estava isento de fazer a declaração. Mas, por via das dúvidas, fui conferir no site da Receita Federal, na parte de serviços, qual era sua situação cadastral, apenas para desencargo de consciência, e durante todo o período sua situação fora REGULAR.

A primeira declaração dele foi enviada no ano de 2014 e coincidiu com seu primeiro aniversário de emprego no Brasil. Desde então, todo ano precisamos declarar sua renda e sou sempre eu quem faz isso. A primeira coisa que você deve fazer é verificar se vocês se encaixam nos requisitos de obrigatoriedade da declaração, informação que, conforme já expliquei anteriormente, está disponível no site oficial da Receita. Em nosso caso, como somos pobres trabalhadores e não temos muitas coisas a declarar, consigo fazer a declaração com tranquilidade sem qualquer ajuda de um profissional. Caso vocês tenham muitos bens, muitas rendas, muitas empresas, muitas complicações, talvez seja melhor procurar alguém especializado para fazer isso. Não precisa ser alguém especializado em declaração de imposto de renda para estrangeiros no Brasil, que muito provavelmente cobram mais caro, uma empresa de contabilidade simples especializada nisso faz tudo de olhos praticamente fechados.

Não acho que haja maiores dificuldades de se fazer a declaração por conta própria, mesmo considerando os casos mais complexos. Se o declarante tiver todos os documentos necessários em mãos, é só não deixar para a última hora e procurar ir fazendo aos pouquinhos para fazer tudo certinho.

Para declarar, é preciso baixar o programa da declaração do site da Receita (há um passo a passo lá explicando), cuja navegação é bem intuitiva. Tive poucas dúvidas nas primeiras declarações, e as poucas que tive foram facilmente esclarecidas fazendo uma pesquisa simples na internet. Há, também, inúmeros sites que também detalham cada uma das etapas da declaração. Ademais, convém destacar que talvez para nós tenha sido tudo bem simples porque não temos nenhuma renda e/ou bens no exterior, situações que geram muitas dúvidas nos declarantes.

De maneira geral, não há nada diferente na declaração do imposto de renda de um estrangeiro morando no Brasil em relação à declaração de brasileiros residentes aqui, é tudo igual. Você só precisa preencher todas as rendas/bens que você percebeu/adquiriu no ano anterior. Faço a declaração do meu marido baseada em um documento chamado de “informes/declaração de rendimentos”, que é fornecido pela empresa em que ele trabalha, e também alguns outros documentos, como recibos, comprovante de bens, etc. Caso a pessoa possua uma empresa, o escritório contábil ou o departamento responsável por isso fornecerá os documentos necessários para fazer a declaração, caso se opte por fazer sem ajuda especializada.

Se não possui bens e nem recebeu nada de renda, não há nada a declarar. O único campo que nós não preenchemos na declaração de imposto de renda, pelo fato de meu marido não ser brasileiro, é aquele em que se pede o título eleitoral, que ele não tem (e provavelmente nunca terá).

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Testes para Estrangeiros em Processos Seletivos no Brasil

Um dia, meu marido leu em um artigo na internet que a cada 100 empresas, 89 delas se utilizam de algum tipo de teste na hora de recrutar. Isso foi algo que constatamos na prática, quando ainda estávamos nos familiarizando com os processos seletivos no Brasil. Acho que ele já fez todos os testes possíveis e imagináveis desde então, sem brincadeira.

O primeiro teste que fizemos (sim, eu e ele) foi online para uma vaga de trainee (já comentei sobre isso aqui), que contava com provas de português, inglês e conhecimentos gerais. Respondi, por motivos óbvios, as provas de português e conhecimentos gerais, que eram em português, e a prova de inglês fizemos juntos.

Depois desse primeiro, começaram a aparecer vários outros testes de inglês e raciocínio lógico, também online, em especial para vagas de emprego anunciadas no site Vagas.com. Nesse caso, só de clicar no ícone “candidatar-se”, automaticamente abria uma “janelinha” para a resolução do teste online e somente depois de resolver o teste é que aparecia o ícone para “confirmar candidatura”. Os testes online nesse site de procura de emprego são todos cronometrados. A prova de inglês geralmente é aplicada em vagas que exigem inglês de avançado a fluente, e a prova de raciocínio lógico em geral é aplicada para vagas técnicas, em especial na área de exatas. Antigamente, esses testes se repetiam, e era necessário resolvê-lo toda vez que se aplicava para diferentes vagas que o requeriam. Houve um mesmo teste de inglês que resolvemos pelo menos umas três vezes, igualzinho. Hoje em dia, os testes de inglês e raciocínio lógico são resolvidos apenas uma vez e têm validade de seis meses. Apesar de mais prático, prefiro o sistema anterior, que permitia melhorar o desempenho a cada resolução.

Para resolver o teste de raciocínio lógico, meu marido copiava e colava os enunciados no Google Tradutor para agilizar, uma vez que são testes cronometrados. No começo, ele copiava porque não entendia quase nada mesmo. Com o passar do tempo, quando começou a entender, continuou no ctrl C – ctrl V para poder resolver o exercício mais rapidamente, já que o tempo é bem limitado para a resolução.

O primeiro teste em folha de papel que ele teve de resolver pessoalmente, durante uma entrevista, era um teste de raciocínio lógico e de conhecimentos técnicos específicos. Na segunda parte do teste ele não foi bem, porque seu conhecimento sobre o assunto era meio fraco, mas a parte de raciocínio lógico ele tirou de letra. Coincidentemente, depois desse primeiro teste presencial muitos outros vieram, por isso o trabalho de procurar emprego acabou ficando dobrado, pois além de se preparar para a entrevista em si, ele ainda tinha que se preparar para os testes. Ele precisou, então, estudar cálculos e resolver listas de exercícios por horas. Bem dizem que procurar emprego é o próprio emprego da pessoa, só que sem remuneração, porque há muito a se fazer, consome boa parte de seu dia e você fica cansado como se estivesse saindo para trabalhar.

Desde que chegou ao Brasil, ele já fez tudo um pouco durante os processos seletivos, incluindo testes psicológicos, redações do tipo “fale-me sobre você” em português e inglês, ou então “descreva suas experiências profissionais”, além de muito preenchimento de formulário à mão, mesmo que o recrutador tenha uma cópia do currículo em mãos. Acho que de todos os testes que ele já fez, só faltou mesmo teste de urina, de fezes e de resistência física rs…

O mais longo e extenuante teste que ele fez presencialmente durou quatro longas horas e incluiu teste de raciocínio lógico, matemática básica, português, além de dois testes aplicados no computador usando o Word e o Excel. Esses testes no computador e o teste de português nos pegaram de surpresa naquela ocasião. Primeiro o de português que, por incrível que pareça, foi a primeira vez que ele teve que resolver durante um processo seletivo. Até então eram apenas testes online de inglês. Os testes no Word e no Excel também foram novidade, se eu fosse a candidata, já teria dançado bonito no Excel, pois só sei fazer planilha podre, pior do que básica. Além de todos esses testes, ele também teve de preencher um formulário, falar um pouco sobre ele e no dia seguinte, depois da entrevista com o recrutador, ele precisou que resolver um teste psicológico, daqueles de ficar desenhando palitinhos em uma folha branca.

A grande questão é, se o português do sujeito for ruim (já falei um pouco sobre isso aqui e aqui), como é que vai poder participar de variados processos seletivos? Não sei quanto às empresas pequenas, mas há uma grande possibilidade de as grandes, ou as melhores, aplicarem algum teste de seleção. Então, não tem jeito, com um português ruim, as chances diminuem mesmo. Por isso bato sempre, sempre, sempre na mesmíssima tecla, façam seu companheiro estudar português e tudo o mais que seja necessário, é o único jeito de se dar realmente bem por aqui, não tem jeito, não tem segredo, não tem nada, é isso aí e fim de papo. Uma pessoa sem português é praticamente um ninguém, a não ser que se tenha muito contato para fazer e acontecer, mas partindo da premissa que não se tem, aí é com vocês. Como nós não temos, sempre nos descabelamos para fazer as coisas acontecerem do jeito tradicional mesmo. O jeito é trabalhar, estudar e continuar tentando, sempre melhorando, até que se chegue à perfeição, o resultado positivo será consequência.

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Estrangeiros Lidando com a Frustração no Brasil

Antes de meu marido e eu nos estabelecermos em definitivo no Brasil, não vou dizer que vivíamos em uma bolha de perfeição, até porque enfrentamos alguns contratempos. Entretanto, estávamos envolvidos por uma atmosfera em que tudo, coincidentemente ou não, estava se encaixando perfeitamente. Tudo o que planejamos aconteceu de acordo com o esperado e deu tão certo que era até mesmo difícil de acreditar. Mas foi só meu marido pisar no Brasil que as coisas começaram a desandar. O ritmo ao qual estávamos acostumados, com tudo dando certo, não perdurou e as coisas deixaram de sair conforme o planejado.

Tínhamos essa sensação porque as questões burocráticas, como casar e tirar visto, por exemplo, passam a falsa sensação de controle. A equação, nesses casos, é muito simples, dê exatamente aquilo que é requerido e obtenha exatamente aquilo que é esperado, não tem segredo, basta seguir o passo a passo.

E daí que a parte de documentação é mesmo uma receita de bolo. Preencheu os requisitos? Ótimo, fim de papo, não tem muito o que pensar, adaptar ou improvisar. E quanto ao resto? O resto é receita a olho, aquela em que você vai combinando os ingredientes até achar o ponto certo. Às vezes vocês acerta, outras erra, mas a cada erro vai adaptando e improvisando para que tudo dê certo no fim, mesmo que o resultado não seja lá muito satisfatório. Assim é a adaptação de um estrangeiro no Brasil.

Não sou uma pessoa que se frustra facilmente. Claro que fico chateada e cansada mentalmente com situações pontuais, sim, mas tenho consciência de que certas coisas se desenvolvem em um processo lento até que tudo se estabilize. Já o marido não. Na cabeça dele, estaríamos navegando em águas calmas e cristalinas em uns seis meses, máximo um ano. Não sei o exato motivo porque ele fixou isso em sua cabeça, mas ele dizia que eu nunca o alertei de que seria tão demorado. Isso me chateou um pouco, porque eu disse isso a ele inúmeras vezes, tanto é assim que, mesmo quando eu morava com ele no exterior, sempre peguei no pé dele para que começasse a estudar português de verdade.

Uma pergunta que meu marido sempre me fazia era: quanto tempo para arranjar um emprego? Difícil responder. Então de tempos em tempos ele tinha alguns ataques por causa da frustração que tomava conta , era um trabalhão imenso exorcizá-lo. Ele pensou em desistir, quis ir embora, ficou deprimido, não quis falar, não quis comer, brigamos, quase nos estapeamos, já passamos por todas essas fases e não tenho vergonha nenhuma em admitir isso, pois são fases que, infelizmente, têm uma grande chance de acontecer. O bom é que, se você passar por todas elas, com certeza sairá mais fortalecido e mais realista em relação aos fatos, mas é duro, não é fácil velejar em mares revoltos, ainda que simplesmente façam parte.

O que faz a diferença é sua postura em relação a isso. Se eu fosse uma frustrada, chiliquenta, pavio curto, impaciente e incompreensiva, eu diria que meu casamento já teria ido para o espaço há muito tempo. Apesar de eu não gostar quando meu marido passava por uma grave crise de frustração – ficava triste mesmo – eu tentava compreender, pois acho mesmo que é justificável. Um estrangeiro, tentando se adaptar, procurando emprego e não achando, com dificuldade com a comida, lutando com o idioma, longe da família e amigos e que ainda não fez nenhuma amizade sólida, é a fórmula da bomba atômica pronta.

Muitas vezes, enquanto ele estava com mil dúvidas e frustrações, eu também começava a me questionar e pensar “o que estamos fazendo aqui?”, mas, como sempre, eram questionamentos passageiros, como uma nuvem que passa mais rápido do que chega. A questão é simples, eu sou brasileira, em meu próprio território, em zona conhecida, se não eu, quem irá segurar as pontas? Ninguém. O jeito é se recompor e seguir firme, contornando as situações com serenidade. É o que eu tentei fazer todo esse tempo. Acho que deu certo, apesar do pesares.

Termino esse texto com uma frase que li no Facebook dia desses: “Não é o mais forte que sobrevive, nem é o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças“. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Telefone Maldito – o Inimigo Número Um do Estrangeiro com Português Ruim

Vocês devem lembrar que eu comentei que, no começo da procura por emprego para meu marido estrangeiro aqui no Brasil, quem tinha que atender às ligações para ele era eu, pois eu tinha que explicar que ele tinha dificuldade de compreensão ao telefone. Isso era mentira, pois a verdade é que ele nem sabia falar português direito naquela época, ele apenas elaborava frases soltas que, juntas, não faziam muito sentido. Então inventei essa história de dificuldade ao telefone para não pegar tão mal e para que o marido não fosse sumariamente eliminado dos processos seletivos. É, fui muito desavergonhada.

Era óbvio que daquele jeito não daria para continuar, porque definitivamente não era comigo que o recrutador queria papo. Lógico que eu era bem séria ao telefone, quase como se fosse comigo, mas não dá, né? Era só para quebrar um galho temporariamente. Além do mais, eu me sentia super mal e incomodada com aquela situação, afinal, se o marido não conseguia nem falar ao telefone, como é que seria capaz de trabalhar?

Depois de algum tempo, quando ele já estava avançando um pouco mais em seus estudos, conversei com ele e expliquei que não dava mais, dali em diante ele teria que começar a enfrentar as ligações, porque ninguém quer papo com esposa de candidato gringo, em especial esposa que fica contando histórias da carochinha para despistar.

Depois dessa conversa, a primeira ligação que ele atendeu foi um fiasco, é claro. No primeiro segundo de desespero, ele logo jogou o telefone para mim, nem ao menos falou para a pessoa do outro lado da linha um “espere um minuto”. Ele simplesmente deixou a mulher falando sozinha e me deu o telefone, mas eu insisti para que ele tentasse, e ele simplesmente não quis tentar e passou o telefone para mim novamente. Nesse meio tempo a mulher lá, falando sabe deus o quê. Aí, com muito ódio no coração, peguei o telefone e falei com a mulher, mas a merda já estava feita, àquela altura ela já tinha percebido que ele não tinha ao menos a mínima capacidade de falar ao telefone.

Uma coisa tão simples para nós, não é mesmo? Mas não, é complicado mesmo, é a prova de fogo de seu nível de compreensão em qualquer idioma e costuma ser o último item que dominamos no aprendizado de outra língua. Podemos falar, escrever, ler, mas se ficarmos frente a frente com um falante nativo, seja ao telefone, seja pessoalmente, é que vamos conferir a real situação da coisa.

Nem lembro mais como foi que a ligação acabou, o que a mulher disse por fim, nada, só lembro de meu marido insistindo em me passar o telefone e a mulher falando sozinha. O que eu sei é que era para uma vaga bem interessante, de uma empresa multinacional iniciando suas atividades no Brasil e fazendo as primeiras contratações. Suspeito que foi a recrutadora da própria empresa quem ligou diretamente, sem intermediários, porque depois disso, uma sucessão de fatos curiosos se desencadeou e o marido acabou recebendo seis ligações de diferentes empresas de recursos humanos recrutando para a mesma vaga.

Depois dessa conversa fiasquenta ao telefone, o marido começou a ficar preocupado, porque seu português estava mesmo melhorando, mas ele tinha uma imensa dificuldade de compreensão ao telefone. O que fazer? Começamos a pensar em soluções, pois não poderíamos mais desperdiçar oportunidades, as quais já eram naturalmente escassas para ele naquela ocasião. Então pensei na coisa mais óbvia, eu teria que escutar toda a conversa para, em caso de necessidade, acudi-lo. Pois é, olha a que ponto se chega para salvar um marido gringo do fracasso total ao telefone!

Inicialmente, as empresas costumavam ligar em nosso telefone fixo que, embora sem fio, não possuía o recurso viva voz, então eu ficava escutando a conversa dele bem quietinha, com meu ouvido colado ao aparelho e, caso fosse necessário, eu falava ao seu ouvido o que ele deveria responder. Algumas vezes foi complicado administrar a situação para não deixar a pessoa do outro lado perceber que tinha alguém ajudando, mas em geral deu certo. Também logo percebemos que o pessoal do RH segue um script ao telefone bem manjado, pouco se diferenciando uma ligação da outra, e justamente por causa deste script previsível ele foi ganhando confiança e experiência também.

Cheguei a conversar algumas vezes em português com meu marido ao telefone na fase em que ele ainda estava tentando superar a sua limitação. Foi engraçado, tipo último recurso dos desesperados, mas não deu muito certo, pois ele conhece bem minha voz, minha entonação, então não adiantaria muita coisa, ele teria que aprender na prática mesmo falando com estranhos.

A maioria das ligações foi feita para o celular, o que permitia o uso do viva voz, então quase sempre deu tudo certo. Enquanto ele conversava, eu ía anotando todas as informações, como endereço, telefone, nome do entrevistador, hora da entrevista, tudo certinho e o acudia caso fosse necessário, isso sem que a pessoa do outro lado ao menos desconfiasse. Com o tempo, descobrimos uma tática interessante, eu mesma atendia o celular, aí eles pediam para falar com o marido, eu dizia que ele não estava, mas que ele retornaria a ligação em quinze minutos. Então já emendava perguntando o nome da pessoa que estava ligando, o nome da empresa, da vaga, o que, em geral, eles costumam falar, às vezes até mesmo sem perguntar. Nesses quinze minutos em que ele teoricamente estava fora, podíamos relembrar os detalhes mais importantes, do tipo quando aplicamos para a vaga, a sua descrição e o que mais fosse necessário. Fazíamos isso porque a maioria das vagas eram aplicadas por mim e eu obviamente não fazia um relatório descritivo delas para meu marido, apenas anotava em meu caderninho de vagas o nome da empresa ou consultoria de RH, nome da vaga e o dia em que enviei o currículo. E como eu tenho boa memória, costumo lembrar facilmente do que se trata. Então o marido só precisava abrir a página da internet onde a vaga foi aplicada, ler a descrição, às vezes ler um pouquinho sobre a empresa para saber o que eles fabricavam. Somente depois de fazer isso, ele finalmente retornava a ligação, com calma e segurança. Essa tática dá muito certo e a conversa rende e se desenrola muito bem, ele conseguiu agendar várias entrevistas assim.

Um ponto negativo de ele falar ao telefone usando o recurso do viva voz comigo ao lado dando um auxílio que observei, foi que quando a pessoa do outro lado fazia uma pergunta mais crítica, ele ficava fazendo sinal para mim para que eu falasse o que ele deveria responder. Entendo e acho natural que ele quisesse uma luz, mas eu não gostava disso, pois eu poderia acabar atrapalhando o ritmo da conversa. Aconteceu isso certa vez. Ele perdeu uma oportunidade de entrevista porque hesitou ao telefone (e era uma ligação no fixo, não no celular). Ele se embananou na resposta enquanto eu e ele conversávamos por sinais e enquanto isso a mulher desligou o telefone na cara dele. Ela não ouviu nossa conversa, nem viu nossa mímica, mas a falta de um diálogo firme e objetivo por parte dele fez com que ela simplesmente desligasse o telefone. Acho que a culpa foi minha, ele acha que a culpa foi dele, mas a culpa foi mesmo nossa. Ele não precisava mais daquilo, ele já tinha chegado a um ponto em que estava completamente apto a manter uma conversação sozinho ao telefone, já entendia tudo, respondia corretamente, tudo certinho, mas tenho a impressão de que ele ficou com um leve trauma daqueles tempos em que ele não entendia nada ao telefone e era mesmo preciso que eu o auxiliasse durante as ligações. Hoje em dia, ele prefere que eu o deixe sozinho para falar ao telefone quando recebe ligação para entrevistas. Como as coisas mudam, não?

Felizmente, apenas em três ligações as analistas desligaram o telefone na cara dele, o que achei uma tremenda falta de profissionalismo e de educação também. Mas ainda bem que há muita gente querida e solícita, que ajuda, fala devagar se preciso, repete quando necessário e até mesmo falam em inglês se souberem, tudo para que ele entenda perfeitamente, sem perder uma vírgula da conversa. Os brasileiros são gentis, sim, com os estrangeiros durante os processos seletivos, também são curiosos e jamais os tratam com desrespeito.

Depois de algumas experiências ruins ao telefone, eu resolvi eliminar, por fim, o nosso número fixo do currículo dele e deixei apenas o número do celular para facilitar as coisas.

Por que estou falando tudo isso sobre telefone e as situações que o envolvem? Depois do envio do currículo, falar ao telefone é etapa inicial e fundamental na maioria dos processos seletivos. A pessoa do outro lado vai descobrir imediatamente que é um estrangeiro ao telefone e é nesse momento em que ela decidirá se deve levar a conversa adiante ou não, chamar ou não para uma entrevista, mesmo sendo estrangeiro. Por se tratar de um momento decisivo, tudo depende de seu desempenho, confiança e firmeza ao responder as perguntas. Uma conversa que flui adequadamente vai resultar em uma entrevista, mas ao primeiro deslize, pode-se colocar tudo a perder e estrangeiro procurando emprego no Brasil não pode se dar ao luxo de cometer erros, seu aproveitamento tem que ser alto e por este motivo nem os detalhes devem passar despercebidos, tudo para aumentar suas chances no mercado.

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Cursos de Aperfeiçoamento Profissional para Estrangeiros no Brasil

Após poucos meses mandando currículos para meu marido estrangeiro e já bem mais habituada aos termos técnicos e à atividade exercida por ele, comecei a perceber que, apesar da sua experiência, estava faltando alguns conhecimentos bem específicos que certamente tornariam seu currículo mais robusto e atraente no mercado de trabalho brasileiro.

Ao procurar determinadas vagas, comecei a fazer algumas anotações sobre os conhecimentos mais frequentemente exigidos e que estavam ausentes do currículo dele. A princípio não dei muita importância, apenas anotei por anotar para mais tarde analisar o que aquilo tudo poderia colaborar no seu futuro profissional, talvez quando o português dele estivesse bom o suficiente para frequentar cursos e realmente tirar proveito das aulas.

Já falei várias vezes da preguiça inicial do meu marido em estudar português com afinco e que por um bom tempo ele levou o estudo nas coxas. Bom, ao lembrar de um episódio específico que ocorreu no passado, acabei decidindo o que fazer com ele, matando vários coelhos com uma cajadada só, em uma situação em que ele ocupasse o tempo e a mente, desenvolvesse o português, fizesse contatos e que se aperfeiçoasse profissionalmente.

O episódio inspirador, que ocorreu antes mesmo da chegada dele ao Brasil, foi o seguinte: certa vez, levei minha mãe ao médico e, ao invés de esperá-la na recepção do consultório, preferi esperar na praça em frente, sentada tranquilamente em um banquinho. Logo uma moça muito loira e bonita me abordou, estava fazendo uma pesquisa, ou algo assim, nem lembro direito o que ela queria, só sei que respondendo a algumas perguntas, eu estaria concorrendo a um prêmio. Já estava quase despachando a pobre da moça, achando que era “golpe”, quando notei um leve sotaque, bem no finzinho das palavras, mas uma coisa muito leve mesmo. Até pensei que a moça era de outro estado. Então, disse a ela “você não é daqui, não é mesmo?”. A resposta foi surpreendente, pois ela disse que era finlandesa!!! Fiquei embasbacada! Seu português era perfeito, gramaticalmente impecável, infinitamente melhor que o português de muitos brasileiros e o leve sotaque dava até um certo charme! Claro que não perdi a oportunidade de encher a pobre da finlandesa de perguntas, atrapalhando seu trabalho na cara dura!

Minha primeira pergunta foi “quanto tempo demorou para falar português assim?”. Ela me contou que levou mais ou menos um ano e meio. Também me contou que seu marido era brasileiro e que veio morar aqui por causa dele. Perguntei, também, como ela conseguiu aprender tão rápido e impecavelmente daquele jeito e ela me disse que precisava estudar (talvez pós-graduação, uma vez que não era tão novinha) e que teve que dar um jeito e se virar. Imagino que, obviamente, ao se expor ao idioma, sozinha, sem ninguém auxiliando, em um ambiente em que pouquíssimos dominam outro idioma que não seja o português, é o único jeito de fazer a pessoa progredir mais rapidamente no idioma.

Então, pensei que, mandando o marido para cursos de aperfeiçoamento, seria uma mão na roda. Peguei aquela listinha de conhecimentos específicos que eu tinha anotada e comecei a procurar os cursos no Google. Nem demorei muito para achar, uma vez que era começo de ano e geralmente, nessa época, há muitas ofertas de cursos.

Não perdi meu tempo pesquisando cursos de pós-graduação à época, porque era um investimento muito alto para alguém que ainda estava em fase de aprendizado no idioma. Procurei cursos em que não houvesse prova, trabalho, nem nada valendo nota, mas apenas atividades em sala e a presença nas aulas para garantir o certificado.

Como é que eu fiz para que ele aproveitasse o conteúdo do curso cem porcento? Simples, comprei um mini-gravador. Todos os cursos de aperfeiçoamento que ele frequentou naquela época foram integralmente gravados. Meu objetivo, inicialmente, era transcrever todas as aulas, até transcrevi algumas, mas acabei desistindo depois de um tempo. Lógico que é bem trabalhoso fazer isso, mas tenho prática, pois eventualmente faço degravação freelance. De qualquer forma, pensei que ele teria dois benefícios diretos ao ler todo o conteúdo transcrito: aprimorar o português coloquial e técnico ao mesmo tempo e, claro, agregar conhecimento e, de quebra, ganhar certificado para isso.

O primeiro curso de aperfeiçoamento que meu marido fez foi, basicamente, um divisor de águas e ele finalmente começou a acordar para o mundo e para a vida. O curso duraria três meses, com aulas todas as terças e quintas à noite, o que foi muito bom para ocupar o tempo e a mente dele naquela ocasião, além de começar a trazer, de fato, boas oportunidades de entrevista, pois foi um curso que definitivamente fez diferença no currículo dele. Praticamente todos os colegas dele eram do mesmo ramo de atuação e ele pôde trocar muitas ideias com todos, fazer contatos importantes e finalmente praticar o português com estranhos. Resumindo história, foi um avanço e tanto!

Antes do curso começar fomos até o instituto para conversar com o responsável, pois estávamos um pouco preocupados, o português do marido ainda estava fraco na ocasião, a conversação e a compreensão durante uma conversa ainda não estavam nada bons. Daí o professor explicou que faria uso de apostila e exibição de slides e nós também pedimos autorização para gravar as aulas, o que ele autorizou sem problemas.

Acompanhei o marido em seu primeiro dia de curso apenas para me certificar de que não haveria maiores problemas e foi super tranquilo, havia participantes que falavam um pouco de inglês e que poderiam dar uma ajuda caso houvesse necessidade. E, de fato, ao longo do curso eles tiveram boa vontade em ajudá-lo nas atividades e dinâmicas em grupo.

Logo percebi uma grande diferença no comportamento do marido, ele estava se esforçando mais nos estudos de português para poder ter um desempenho melhor no curso e, principalmente, poder conversar direito com os colegas e fazer contatos. Ele não era o único estrangeiro do curso, havia um rapaz argentino também. Ele falava com bastante sotaque, mas não teve maiores problemas para entender e se fazer entender durante as aulas.

A única colaboração que o professor do curso deu, em termos de ajuda na procura por emprego, foi fazer pequenas correções no currículo e só. Ficamos um pouco decepcionados com a falta de boa vontade dele, pois para nos convencer a investir no curso, prometeu-nos que encaminharia ou indicaria o marido em várias empresas as quais ele prestava consultoria. Mas o que se há de fazer? A sorte é que no último mês do curso, outro professor veio dar aula em um módulo específico e ele foi muito bacana. Por causa dele, meu marido teve a oportunidade de fazer duas entrevistas em uma empresa de alimentos bem conhecida nacionalmente. Eu acredito que não tenha dado certo, porque não era exatamente a área que meu marido tinha experiência, mas só pelo fato de o rapaz se prontificar a ajudar já nos deixou imensamente feliz.

Por causa desse curso, meu marido começou a receber mais ligações para entrevistas. Quando eu falo em quantidade de ligações, não me refiro a quantidade por semana, mas sim por mês. Até dezembro de 2012, ele recebia, em média, duas ligações para entrevista por mês. Às vezes havia mês em que ele não recebia chamada nenhuma, outras vezes ele recebia umas três ou quatro chamadas. Parece não ser nada uma média de duas ligações por mês, mas considerando ser estrangeiro e não ter português fluente, não é nada mau. Aliás, nem para brasileiro esse número é ruim. Se você for pensar sob a perspectiva de que se manda centenas de currículos por mês para receber uma média de apenas duas ligações, é claro que não é um panorama muito animador, mas é assim que a coisa funciona. O fato de o perfil e o currículo dele ter despertado interesse foi um sinal claro de que estávamos indo pelo caminho certo.

Um aspecto interessante é que cursos de aperfeiçoamento aumentam o leque de possibilidades de envio de currículo. Quanto mais vagas você aplicar, mais chances de receber ligações. Então, definitivamente o curso foi uma escolha acertada, a maior exposição ao idioma, em uma situação em que ele se encontrava sozinho em meio a estranhos o estimulou a caprichar mais no estudo de português. Também foi super importante em termos de efeito psicológico, pois ele viu que estudar é a solução, além de ser um investimento com efeitos duradouros, e que ele não precisava ficar se martirizando por ainda não ter um emprego. Claro que esse era o objetivo principal, trabalhar, mas estudar também era uma ótima opção.

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Estrangeiro Permanente no Brasil Tentando Programa Trainee

Tentar um vaga de trainee no Brasil é uma possibilidade bem interessante, especialmente se o estrangeiro for recém-graduado. Como meu marido era graduado há dois anos quando chegou ao Brasil, achei que seria uma boa ideia inscrevê-lo em alguns processos seletivos, já que um dos requisitos é ser graduado há no máximo quatro anos. Isso depende, é claro, dos requisitos de cada processo seletivo.

Eu inscrevi meu marido tanto em processos seletivos para grandes como para médias empresas. Nas grandes, uma delas era uma montadora alemã, a outra uma cervejaria e a última era na área de petróleo e gás. Fazer esse tipo de inscrição é muito chato, em especial na primeira etapa, porque eles colocam um monte de pergunta ao estilo “por que você quer trabalhar em nossa empresa?”, também querem saber se você desenvolve algum tipo de trabalho voluntário e assim por diante. Claro que fui eu quem respondeu às perguntas tentando usar o máximo de minha criatividade, mas que não teve serventia nenhuma no processo seletivo da montadora alemã. Eles dão preferência àqueles candidatos que tenham alguma noção de alemão. Talvez eu também não tenha respondido às questões com tanta inspiração. Em compensação, emplacamos no processo seletivo da cervejaria.

Minha dica para essa primeira fase de preenchimento de formulário e elaboração das respostas é dar uma boa lida no site das empresas, em especial na parte em que fala sobre a missão da companhia, valores, objetivos, etc. e encaixar, de alguma forma, essas informações em suas respostas. Eles querem ver se você fez a lição de casa direitinho, ou seja, se pesquisou sobre a empresa, para ver se você está afinado, ou pelo menos interessado pelos ideais e valores que eles têm.

Estrangeiros são aceitos, SIM, nesses programas trainee e, por sinal, na maioria deles, então não é preciso se preocupar com relação a isso. Chegar até o fim e ser selecionado só depende de você.

Meu marido passou para a etapa seguinte na cervejaria e um tempo depois ele foi convocado para as provas online de português, inglês e conhecimentos gerais. Obviamente fui eu que fiz o teste de português e o de conhecimentos gerais porque esse último também era em português. Achei que foi de dificuldade média. A prova de inglês fizemos juntos.

Meu marido foi novamente aprovados e então convocado para a dinâmica em grupo, que ocorreria em um hotel de luxo da cidade. Naquela época, o português dele estava começando a melhorar consideravelmente. Ele se preparou um pouco apenas, leu alguma coisa sobre a empresa e seus produtos, mas nada tão profundo e intenso, foi algo bem superficial, talvez por isso não tenha sido aprovado para as entrevistas individuais.

Nem tem muito o que comentar sobre a dinâmica em si, porque há vários sites na internet com ampla informação sobre o assunto, mas foi aquela coisa básica, apresentação, divisão em grupos, atividades, debates, análise de caso, etc. Pelo menos o marido preparou uma apresentação bonitinha e o pessoal que falava inglês o ajudou na compreensão das atividades propostas. Até que não foi tão horrível assim, foi uma experiência bem interessante para ele e que ajudou, mais tarde, em outros processos seletivos.

Se o seu companheiro já consegue se virar no português e atende aos requisitos para se candidatar ao processo, eu acho que tentar algum programa trainee é uma ótima ideia. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Entrevista de Emprego de Estrangeiro no Brasil – Experiência Ruim

Hoje vou falar um pouco sobre nossas “aventuras” quando estávamos tentando arduamente fazer meu marido estrangeiro entrar no mercado de trabalho brasileiro. A segunda entrevista que ele deu pessoalmente foi fruto de um currículo enviado por meio do site da Catho (já recomendei antes, reforço a recomendação, e sempre recomendarei), durante os sete primeiros dias gratuitos. E o contato da empresa foi rápido, tipo, mandei o currículo hoje e dois ou três dias depois eles já estavam ligando.

Na verdade, a primeira abordagem foi por mensagem de celular, em que estava escrito um número de telefone para entrar em contato e o título da vaga. Por falta de familiaridade com esse tipo de contato, quando eu vi a mensagem, em um momento de pura burrice nem me liguei de que se tratava de um agendamento de entrevista, achei que era apenas uma empresa de recursos humanos fazendo divulgação de vagas, afinal, eu estava cadastrando o currículo dele em diversos sites, dando nome, telefone, endereço, então pensei mesmo que fosse apenas chamariz. Mais tarde, no mesmo dia, verificando o e-mail dele, achei a mesma mensagem que havia sido enviada por celular, mas agora fornecendo o nome da empresa. Foi então que percebi meu erro. Já era tarde da noite e nem adiantava mais ligar. No dia seguinte, logo cedo, ligamos para a empresa, ou mandamos e-mail, não lembro, só sei que, felizmente, não era uma empresa de RH, era a própria empresa contratante. Como minha memória está falhando, eu não lembro se uma conversa ao telefone chegou a se desenrolar, ou se detalhes como horário da entrevista e endereço foram acertados por e-mail, por isso não sei dizer como foi que meu marido se virou com o português ruim dele naquela época para acertar tudo. Sinceramente, nem sei porque ele foi chamado e, ainda por cima, selecionado como um dos finalistas, porque foi tudo ruim, um show do horror do início até o fim.

Bom, na hora da entrevista, a analista de RH deu um formulário para que ele preenchesse e saiu da sala, nos deixando sozinhos enquanto ia resolver alguma coisa em outro lugar. No formulário, era preciso especificar os dados pessoais, experiências, etc., tudo à mão. Por essa meu marido não esperava, e muito menos estava em condições de preencher aquilo. Como eu estava na sala de entrevista com ele, sabe-se deus porquê (acho que fui meio que compelida pela analista, por causa do português ruim do marido e do inglês inexistente dela), acabei preenchendo o tal do formulário para ele para agilizar a coisa. Quando a recrutadora retornou, ela logo percebeu que eu havia executado a tarefa inglória e só ergueu uma de suas sobrancelhas com ar de desaprovação. Eu queria me enfiar em um buraco e sumir! Mas tudo bem, tirando o nervosismo, até que foi cômico. Fica então a dica aos interessados, tentem simular preenchimento de formulário de recursos humanos em casa, nem que seja na base da decoreba, tem de saber de cabeça o endereço, telefone e demais informações necessárias em um processo seletivo. Quanto à descrição das experiências profissionais, é interessante ter uma cópia do currículo para ser usado como colinha. Ah, e um pequeno e discreto dicionário português-inglês, ou português-qualquer coisa para quebrar um galho na hora do apuro.

Pois bem, a mulher torceu o nariz para o formulário preenchido por mim, mas continuou com o processo mesmo assim. Ufa! O que veio depois foi ainda pior! Eu tive de ficar traduzindo as perguntas dela e as respostas dele e quando ele falava alguma merda em português por ter entendido tudo errado, eu tinha que me atravessar para acudi-lo. Meu pai, o que foi aquilo? Que nervoso! Que situação! Felizmente, a abençoada da analista de RH teve a presença de espírito de chamar seu supervisor, que graças aos céus, aos sais, às divindades, ao cosmos, falava inglês! Saí de fininho da sala e pude respirar aliviada, é terrível ter de participar indiretamente de uma entrevista, ainda mais naquelas circunstâncias.

Até que a conversa com o supervisor rendeu, único momento que não foi de puro horror. Além das questões de praxe em processo seletivo, rolou as perguntinhas clássicas “como vocês se conheceram?” e patati patatá. Ao fim da conversa, entrevista ou show do horror, não sei exatamente como designar tudo aquilo, eu estava prontinha para dar no pé e nunca mais voltar, quando, de repente, o supervisor nos informou que o marido fora selecionado para a entrevista final com o supervisor da área, que estava vindo de São Paulo especialmente para entrevistar os finalistas. Fiquei chocada e já era no dia seguinte!

Novamente na empresa para a segunda rodada, descobrimos que eram apenas ele e mais um. Pois é. O outro rapaz foi chamado primeiro e eles conversaram por uma hora e meia. Quando o marido foi e ficou apenas vinte minutos lá dentro, eu já sabia que era o fim. E ao final, eu ainda tive que escutar do supervisor que nós estávamos em uma situação complicada, por causa do “nosso português”. COMO ASSIM??? Ele estava achando que eu também era uma gringa louca me aventurando a morar no Brasil e tentando achar um emprego, foi surreal! Aliás, quantas e quantas vezes, só por estar falando em inglês com o marido, já me perguntaram se eu era estrangeira, perdi as contas! Já perguntaram se eu era alemã, americana e até já elogiaram meu “português” fluente! kkkkk…

Como a esperança é a última que morre, meu marido acreditou até o fim, quando finalmente ligou para o supervisor de RH para saber se ele havia sido selecionado ou não. Claro que não, né? O engraçado é que o marido continuou teimoso por um longo tempo, sempre querendo ter certeza absoluta do resultado. Eu costumava dizer a ele que, quando a empresa realmente deseja contratar o profissional e se ele foi o selecionado, eles vão ligar o mais breve possível, ninguém iria esquecer uma coisa importante dessa. Se ninguém te ligar, salva raras exceções (quando, por exemplo, o processo seletivo fica pendente), é um sinal muito óbvio de que não deu em nada, não adianta ficar ligando, mandando e-mail, atazanando a vida da pessoa. Com o tempo ele acabou se acalmando em relação a isso, exceto quando se tratava de alguma vaga pela qual ele tinha muito interesse. Eu já não tenho esse “sangue frio”, se demoram muito para dar a devolutiva, eu encaro como processo seletivo encerrado. Se alguém ligar nesse meio tempo, ótimo, estamos no lucro e eu nem precisei sofrer de ansiedade ou angústia pensando no resultado.

Só sei que foi mais uma experiência (e que experiência) de entrevista, aliás, a segunda, ele estava apenas começando. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!