Como Conseguir Emprego para Estrangeiro no Brasil – Relato de Sucesso

Quando publiquei este post, no ano de 2013, foi com muita alegria e intensa sensação de dever cumprido que compartilhei aqui no blog a notícia de que meu marido estrangeiro fora aprovado em não apenas um, mas em dois processos seletivos aqui no Brasil para vagas de emprego em sua área de formação, exatamente o tipo de emprego que queríamos e que tanto lutamos para conquistar! Pudemos, então, avaliar e escolher a melhor oportunidade para ele. Na verdade, não cheguei a ficar surpresa com a notícia, pois foram incontáveis ligações e entrevistas nos meses que precederam sua contratação. Então eu sentia que seria apenas uma questão de tempo até que tudo se encaixasse perfeitamente e até já estava esperando por isso.

A proposta de contratação das empresas aconteceu exatamente 1 ANO e 10 MESES depois da chegada de meu marido ao Brasil. Apenas para recapitular, começamos a nos organizar para a procura por trabalho para ele três meses depois de sua chegada, mas essa procura começou a andar e funcionar bem mesmo quase um ano depois, quando o português do meu marido já estava bem melhor.

Só para vocês terem uma breve ideia de como foi todo o processo, extraí todas as informações abaixo analisando meu caderninho de anotações, que é onde eu anoto todas as vagas para as quais eu enviei o currículo dele, a data e o nome do site de recursos humanos ou empresa:

– CADASTRO DE CURRÍCULO EM MAIS DE 50 SITES DE EMPRESAS DE RECURSOS HUMANOS;

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– TOTAL DE CURRÍCULOS ENVIADOS – 2.120 CURRÍCULOS (sem contabilizar aqueles que meu marido enviou sem me avisar ou anotar no caderninho);

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– Desses 2.120 currículos, o envio se subdividiu da seguinte maneira:

326 ENVIADOS POR E-MAIL, sendo:

  • 57 currículos enviados diretamente para o departamento de RH das empresas;
  • 269 currículos enviados para vagas específicas, anunciadas em jornais e blogs de divulgação de vagas.

1.794 CURRÍCULOS ENVIADOS DIRETAMENTE EM SITES DE RECURSOS HUMANOS.

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– Dentre os sites de recursos humanos, os mais utilizados e conhecidos nacionalmente foram:

  • CATHO – 533 VAGAS;
  • VAGAS.COM – 222 VAGAS;
  • INFOJOBS – 191 VAGAS;

Recebemos ligações de currículos selecionados em todos eles.

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– TOTAL DE VAGAS EM QUE O CURRÍCULO FOI SELECIONADO E QUE LIGARAM PARA O MARIDO:

40 VAGAS

Média de uma ligação/contato para cada 53 currículos enviados.

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– DESTAS 40:

  • 14 vagas foram de contato por telefone e que não evoluíram para entrevista pessoalmente;
  • 24 vagas resultaram em entrevistas pessoalmente;
  • 2 vagas fomos convocados para dinâmicas em grupo.

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– DAS 24 ENTREVISTAS QUE MEU MARIDO DEU PESSOALMENTE:

  • 9 delas foram entrevistas em agências de Recursos Humanos, sem ser selecionado para uma segunda rodada de entrevista na empresa contratante;
  • 3 delas tiveram uma primeira rodada em agências de recursos humanos e segunda rodada nas empresas contratantes;
  • 12 das entrevistas foram diretamente nas empresas, sem que houvesse nenhuma empresa de recursos humanos intermediando.

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E por fim, das 12 entrevistas feitas diretamente nas empresas, meu marido conseguiu DUAS PROPOSTAS de trabalho formais.

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Como vocês puderam perceber, nossa conquista foi fruto de muito esforço e trabalho ao longo de quase dois anos. 

A primeira empresa que deu uma oportunidade para meu marido no Brasil anunciou algumas vagas de emprego nos classificados de um jornal local de grande circulação e também no site da Catho. Mandei o currículo do marido para algumas delas tanto pela Catho como por e-mail, inclusive a vaga para a qual ele foi contratado.

Não sei exatamente qual foi o meio utilizado pela recrutadora para selecionar o currículo dele, se pela Catho ou por e-mail, o que eu sei é que praticamente um mês depois do envio do currículo, ela enviou um e-mail comunicando que ele fora selecionado para participar do processo seletivo para uma das vagas. Na mesma mensagem, pediu para que ele preenchesse uma ficha de inscrição e também que enviasse um currículo atualizado, juntamente com um e-mail confirmando participação no processo seletivo.

Enviamos a resposta prontamente com tudo o que ela havia solicitado. Já no dia seguinte, ela enviou uma nova mensagem explicando como seriam as próximas etapas do processo seletivo, que consistiram de provas online, entrevista individual com a gerente de recursos humanos e supervisores, e entrevista final com o gerente geral da empresa. Na mesma mensagem, ela já passou os links que direcionavam à página das provas online.

Quando viu o link para as provas – uma de inglês e outra de raciocínio lógico/matemática – meu marido cogitou esperar um dia, pelo menos, para poder se preparar, em especial porque era uma prova cronometrada. Mas, de repente, ele decidiu fazer a prova logo de uma vez para se livrar dela o mais rápido possível. O problema é que a prova estava super difícil, até mesmo a de inglês. Eram textos enormes, com um vocabulário bem complexo e com questões puramente de interpretação de texto e apenas uma ou outra questão cobrando gramática. Com certeza quem tinha um inglês bem mais ou menos, ou mesmo intermediário, deve ter tido bastante dificuldade. Para piorar, a prova de raciocínio lógico estava ainda mais difícil. Ele tentou dar o seu melhor solucionando as questões, mas estava tão complicado, que foi necessário chutar algumas das respostas. Ele terminou o teste com aquela sensação de “me ferrei” e nos resignamos pensando que aquela oportunidade estava perdida.

Mas como a vida é cheia de surpresas, um dia e meio depois a recrutadora mandou um e-mail parabenizando-o por ter sido aprovado nos testes e comunicando que ele passara para a próxima fase – entrevista individual – já com hora marcada e tudo. Ficamos perplexos, pois por essa não esperávamos.

A entrevista seria poucos dias depois e ele não se preparou tanto quanto deveria, mas estava tranquilo e confiante, afinal, depois de tantas entrevistas, ele achou que não era tão necessário se preparar exaustivamente, apenas leu sobre a história da empresa, missão, valores e coisas assim. Depois da entrevista, ele me contou que fora entrevistado por três pessoas simultaneamente e que, apesar da pressão de ter mais de uma pessoa entrevistando, ele estava muito satisfeito e animado com seu desempenho. A recrutadora o informou que se ele fosse aprovado naquela etapa, ela ligaria para marcar a entrevista final. E não é que ao fim daquele mesmo dia ela ligou? Ficamos super empolgados, pois até aquele momento nunca acontecera de um processo seletivo avançar tão rápido e tão bem, e a entrevista final seria já no dia seguinte!

Quem o entrevistou na etapa seguinte foi o gerente da planta, o que acabou deixando meu marido um pouco tenso e nervoso. Talvez por isso ele não tenha ficado nada satisfeito com seu próprio desempenho e achou que era o fim para ele. Depois dessa segunda rodada, não houve nenhum retorno da empresa por quase três semanas, então para controlar um pouco a ansiedade ou acabar de vez com a expectativa, resolvemos enviar um e-mail para a RH perguntando qual era o status do processo. Ela levou cinco dias para responder e quando respondeu foi com uma pergunta ao invés de uma resposta. Ela queria saber se ele era cadastrado ou não no conselho regional de sua categoria e também queria saber se o seu diploma de graduação era ou não reconhecido no Brasil.

Apesar da resposta sem resposta, concluímos que havia uma resposta implícita, pois se ele não houvesse sido aprovado, ela simplesmente diria que o processo seletivo havia sido encerrado, sem maiores rodeios. A partir desse momento, a ansiedade começou a aumentar.

Respondemos à mensagem com todo o cuidado para que ela pudesse compreender tudo perfeitamente. Explicamos detalhadamente sobre seu diploma de graduação no exterior, dizendo a ela que o mesmo possuía selos de autenticidade da Embaixada do Brasil no país de origem dele que o reconhecia como legal. Também mencionamos que tínhamos a tradução juramentada do diploma do inglês para o português e explicamos que ele ainda não havia sido revalidado em uma universidade pública no Brasil.

Sobre o registro no respectivo conselho de classe profissional, contamos que ele ainda não tinha pelo fato de seu diploma não ter sido revalidado, mas explicamos que, se o registro no conselho não fosse necessário para a vaga, então ele estaria totalmente apto a exercer a atividade, mesmo sem diploma revalidado, uma vez que não há nenhum impedimento legal quanto a isso. Aproveitamos para reafirmar que ele possuía todos os documentos legais – RNE, CPF e Carteira de Trabalho – todos em situação regular e que ele poderia trabalhar livremente, como outro brasileiro qualquer, desde que o registro no conselho de classe profissional não fosse necessário.

Dez dias depois, ela nos mandou uma mensagem pedindo que enviássemos todos os documentos que tivéssemos, digitalizados, pois eles seriam encaminhados para análise. Foi então que eu comecei acreditar fortemente que havia chances reais de contratação.

Quase três semanas depois, uma outra empresa ofertou trabalho a meu marido e por isso resolvemos ligar para a responsável pelo RH pedindo uma posição, pois meu marido não estava em situação de perder oportunidades. Explicamos sobre a proposta feita e finalmente soubemos que ele fora mesmo aprovado e que eles já dariam início ao processo de contratação do primeiro estrangeiro da história da empresa em minha cidade, pelo menos foi isso que a moça do RH nos contou.

Tudo isso demorou quase dois meses, do primeiro contato por e-mail à última ligação, quando a vaga foi confirmada. Ao longo do processo, praticamente todo o contato foi feito por e-mail, a RH nos ligou apenas uma única vez para confirmar o dia e o horário da entrevista.

Depois de tudo, só consigo pensar e reforçar a minha ideia de que, para conseguir emprego, seja o candidato brasileiro ou estrangeiro, tudo deve casar perfeitamente, do início ao fim, tanto em termos de atendimento pleno dos requisitos da vaga, como ser bem desenvolto ao se comunicar (especialmente em português). Obviamente, o candidato deve possuir, também, capacidade técnica e experiência, além de cativar as pessoas durante todo o processo seletivo, pois simpatia e conexão com o recrutador também contam muito. É muito tentador esperar conseguir emprego por indicação, aliás todo mundo fala que por indicação é infinitamente mais fácil, mas depois de tudo que passamos, eu não concordo, acho mesmo que, se a pessoa estiver cem porcento comprometida e trabalhando para isso incansavelmente, cedo ou tarde terá sucesso. Sem falar que a sensação de se conseguir por méritos próprios é indescritível, sem comparação. Em nosso caso, o resultado foi até mesmo melhor do que o esperado, meu marido conseguiu um cargo de chefia, em uma multinacional, não com o salário mais fantástico do mundo para a categoria, mas que certamente superou nossas expectativas.

O fato é, nós conseguimos, muitos outros conseguiram também, e não há dúvidas que você também pode conseguir, mas é preciso um único passo, que é trabalhar muito para isso, sem desanimar, sem diminuir o ritmo e jamais ficar esperando a ajuda das pessoas, pois isso só atrapalha, definitivamente não ajuda em nada, pelo menos essa é minha opinião pessoal.

No momento, meu marido já está em seu terceiro emprego no Brasil. Dois anos e meio depois de ser contratado por essa empresa, naquele que foi seu primeiro emprego no Brasil, a planta encerrou suas atividades em nossa cidade e foi para outra. Meu marido acabou sendo mandado embora e ficou 6 meses desempregado. Contei tudo isso no post “Desemprego de Estrangeiro no Brasil – I“. Conseguimos, então, outro emprego seguindo o mesmo método de procura que relatei em diversos posts aqui no blog. Entretanto, por problemas de adaptação à cultura da empresa e também com a chefia, ele foi mandado embora mais ou menos 9 meses depois, no auge da crise de desemprego aqui no Brasil. Ainda não contei esse causo aqui no blog, mas contarei em breve. Mas só para adiantar, deu tudo certo de novo no fim, o que me faz acreditar fortemente que nosso método de procura por emprego é realmente eficiente.

Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Autor: manualquasepratico

Brasileira, casada com um estrangeiro, atualmente vivendo e blogando no Brasil.

12 comentários em “Como Conseguir Emprego para Estrangeiro no Brasil – Relato de Sucesso”

  1. eeee que boa notícia!!!
    Parabéns para você e oseu marido! vocês merecem muita vitória!
    Foi foi tanta dedicação. Admiravel 🙂
    Adorei a idéia de “ter um caderninho” hahaha!

    Um grande beijo e muita felicidade ao casal!

  2. Meninas queridas, muito obrigada pelo carinho de vocês! Estou imensamente feliz por nossa conquista, mas ficarei ainda mais feliz se todas as pessoas que passem pela mesma situação conseguirem também! É difícil, sem sombra de dúvida, quantas e quantas vezes chorei de frustração, mas com muita força de vontade e muita luta tudo pode se tornar possível.

    Um grande beijo!

    1. que lindo depoimento manu. eu vou seguir ou pelo menos tentar seguir este trajeto de vocês, foi árduo mas compensador, e foi merecedor o resultado, abraços queridos desejo de muitas grandes conquistas que ainda estão por vir para vocês, acreditem em vosso potencial, acreditem no amor

  3. Manu, nossa estou muito muito feliz com a notícia, chega me emocionei…
    Que vitória esperada e desejada. Vcs dois são merecedores, pois não há vitória sem luta. A hora de vcs chegou!!! Sempre tive certeza que era questão de tempo. Que Deus abençoe e continue iluminando a vida de ambos. Bjo grande!!!

  4. Confraternizo com vocês, Garota Pragmática!
    Diga ao “Par”, que mesmo estando aqui no interior, torci muito por este sucesso merecido.

    Quanto ao post, é um best seller. Você deveria dar aulas sobre este tema, pois tem uma monografia pronta, após tanta dedicação e esforço.
    Eu já me considero sua aluna (para um dia repassar ao “Fiotão” ou outra pessoa necessitada de tão preciosas informações.
    Beijos

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