Testes para Estrangeiros em Processos Seletivos no Brasil

Um dia, meu marido leu em um artigo na internet que a cada 100 empresas, 89 delas se utilizam de algum tipo de teste na hora de recrutar. Isso foi algo que constatamos na prática, quando ainda estávamos nos familiarizando com os processos seletivos no Brasil. Acho que ele já fez todos os testes possíveis e imagináveis desde então, sem brincadeira.

O primeiro teste que fizemos (sim, eu e ele) foi online para uma vaga de trainee (já comentei sobre isso aqui), que contava com provas de português, inglês e conhecimentos gerais. Respondi, por motivos óbvios, as provas de português e conhecimentos gerais, que eram em português, e a prova de inglês fizemos juntos.

Depois desse primeiro, começaram a aparecer vários outros testes de inglês e raciocínio lógico, também online, em especial para vagas de emprego anunciadas no site Vagas.com. Nesse caso, só de clicar no ícone “candidatar-se”, automaticamente abria uma “janelinha” para a resolução do teste online e somente depois de resolver o teste é que aparecia o ícone para “confirmar candidatura”. Os testes online nesse site de procura de emprego são todos cronometrados. A prova de inglês geralmente é aplicada em vagas que exigem inglês de avançado a fluente, e a prova de raciocínio lógico em geral é aplicada para vagas técnicas, em especial na área de exatas. Antigamente, esses testes se repetiam, e era necessário resolvê-lo toda vez que se aplicava para diferentes vagas que o requeriam. Houve um mesmo teste de inglês que resolvemos pelo menos umas três vezes, igualzinho. Hoje em dia, os testes de inglês e raciocínio lógico são resolvidos apenas uma vez e têm validade de seis meses. Apesar de mais prático, prefiro o sistema anterior, que permitia melhorar o desempenho a cada resolução.

Para resolver o teste de raciocínio lógico, meu marido copiava e colava os enunciados no Google Tradutor para agilizar, uma vez que são testes cronometrados. No começo, ele copiava porque não entendia quase nada mesmo. Com o passar do tempo, quando começou a entender, continuou no ctrl C – ctrl V para poder resolver o exercício mais rapidamente, já que o tempo é bem limitado para a resolução.

O primeiro teste em folha de papel que ele teve de resolver pessoalmente, durante uma entrevista, era um teste de raciocínio lógico e de conhecimentos técnicos específicos. Na segunda parte do teste ele não foi bem, porque seu conhecimento sobre o assunto era meio fraco, mas a parte de raciocínio lógico ele tirou de letra. Coincidentemente, depois desse primeiro teste presencial muitos outros vieram, por isso o trabalho de procurar emprego acabou ficando dobrado, pois além de se preparar para a entrevista em si, ele ainda tinha que se preparar para os testes. Ele precisou, então, estudar cálculos e resolver listas de exercícios por horas. Bem dizem que procurar emprego é o próprio emprego da pessoa, só que sem remuneração, porque há muito a se fazer, consome boa parte de seu dia e você fica cansado como se estivesse saindo para trabalhar.

Desde que chegou ao Brasil, ele já fez tudo um pouco durante os processos seletivos, incluindo testes psicológicos, redações do tipo “fale-me sobre você” em português e inglês, ou então “descreva suas experiências profissionais”, além de muito preenchimento de formulário à mão, mesmo que o recrutador tenha uma cópia do currículo em mãos. Acho que de todos os testes que ele já fez, só faltou mesmo teste de urina, de fezes e de resistência física rs…

O mais longo e extenuante teste que ele fez presencialmente durou quatro longas horas e incluiu teste de raciocínio lógico, matemática básica, português, além de dois testes aplicados no computador usando o Word e o Excel. Esses testes no computador e o teste de português nos pegaram de surpresa naquela ocasião. Primeiro o de português que, por incrível que pareça, foi a primeira vez que ele teve que resolver durante um processo seletivo. Até então eram apenas testes online de inglês. Os testes no Word e no Excel também foram novidade, se eu fosse a candidata, já teria dançado bonito no Excel, pois só sei fazer planilha podre, pior do que básica. Além de todos esses testes, ele também teve de preencher um formulário, falar um pouco sobre ele e no dia seguinte, depois da entrevista com o recrutador, ele precisou que resolver um teste psicológico, daqueles de ficar desenhando palitinhos em uma folha branca.

A grande questão é, se o português do sujeito for ruim (já falei um pouco sobre isso aqui e aqui), como é que vai poder participar de variados processos seletivos? Não sei quanto às empresas pequenas, mas há uma grande possibilidade de as grandes, ou as melhores, aplicarem algum teste de seleção. Então, não tem jeito, com um português ruim, as chances diminuem mesmo. Por isso bato sempre, sempre, sempre na mesmíssima tecla, façam seu companheiro estudar português e tudo o mais que seja necessário, é o único jeito de se dar realmente bem por aqui, não tem jeito, não tem segredo, não tem nada, é isso aí e fim de papo. Uma pessoa sem português é praticamente um ninguém, a não ser que se tenha muito contato para fazer e acontecer, mas partindo da premissa que não se tem, aí é com vocês. Como nós não temos, sempre nos descabelamos para fazer as coisas acontecerem do jeito tradicional mesmo. O jeito é trabalhar, estudar e continuar tentando, sempre melhorando, até que se chegue à perfeição, o resultado positivo será consequência.

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2 respostas em “Testes para Estrangeiros em Processos Seletivos no Brasil

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