Entrevista de Emprego de Estrangeiro no Brasil – Experiência Ruim

Hoje vou falar um pouco sobre nossas “aventuras” quando estávamos tentando arduamente fazer meu marido estrangeiro entrar no mercado de trabalho brasileiro. A segunda entrevista que ele deu pessoalmente foi fruto de um currículo enviado por meio do site da Catho (já recomendei antes, reforço a recomendação, e sempre recomendarei), durante os sete primeiros dias gratuitos. E o contato da empresa foi rápido, tipo, mandei o currículo hoje e dois ou três dias depois eles já estavam ligando.

Na verdade, a primeira abordagem foi por mensagem de celular, em que estava escrito um número de telefone para entrar em contato e o título da vaga. Por falta de familiaridade com esse tipo de contato, quando eu vi a mensagem, em um momento de pura burrice nem me liguei de que se tratava de um agendamento de entrevista, achei que era apenas uma empresa de recursos humanos fazendo divulgação de vagas, afinal, eu estava cadastrando o currículo dele em diversos sites, dando nome, telefone, endereço, então pensei mesmo que fosse apenas chamariz. Mais tarde, no mesmo dia, verificando o e-mail dele, achei a mesma mensagem que havia sido enviada por celular, mas agora fornecendo o nome da empresa. Foi então que percebi meu erro. Já era tarde da noite e nem adiantava mais ligar. No dia seguinte, logo cedo, ligamos para a empresa, ou mandamos e-mail, não lembro, só sei que, felizmente, não era uma empresa de RH, era a própria empresa contratante. Como minha memória está falhando, eu não lembro se uma conversa ao telefone chegou a se desenrolar, ou se detalhes como horário da entrevista e endereço foram acertados por e-mail, por isso não sei dizer como foi que meu marido se virou com o português ruim dele naquela época para acertar tudo. Sinceramente, nem sei porque ele foi chamado e, ainda por cima, selecionado como um dos finalistas, porque foi tudo ruim, um show do horror do início até o fim.

Bom, na hora da entrevista, a analista de RH deu um formulário para que ele preenchesse e saiu da sala, nos deixando sozinhos enquanto ia resolver alguma coisa em outro lugar. No formulário, era preciso especificar os dados pessoais, experiências, etc., tudo à mão. Por essa meu marido não esperava, e muito menos estava em condições de preencher aquilo. Como eu estava na sala de entrevista com ele, sabe-se deus porquê (acho que fui meio que compelida pela analista, por causa do português ruim do marido e do inglês inexistente dela), acabei preenchendo o tal do formulário para ele para agilizar a coisa. Quando a recrutadora retornou, ela logo percebeu que eu havia executado a tarefa inglória e só ergueu uma de suas sobrancelhas com ar de desaprovação. Eu queria me enfiar em um buraco e sumir! Mas tudo bem, tirando o nervosismo, até que foi cômico. Fica então a dica aos interessados, tentem simular preenchimento de formulário de recursos humanos em casa, nem que seja na base da decoreba, tem de saber de cabeça o endereço, telefone e demais informações necessárias em um processo seletivo. Quanto à descrição das experiências profissionais, é interessante ter uma cópia do currículo para ser usado como colinha. Ah, e um pequeno e discreto dicionário português-inglês, ou português-qualquer coisa para quebrar um galho na hora do apuro.

Pois bem, a mulher torceu o nariz para o formulário preenchido por mim, mas continuou com o processo mesmo assim. Ufa! O que veio depois foi ainda pior! Eu tive de ficar traduzindo as perguntas dela e as respostas dele e quando ele falava alguma merda em português por ter entendido tudo errado, eu tinha que me atravessar para acudi-lo. Meu pai, o que foi aquilo? Que nervoso! Que situação! Felizmente, a abençoada da analista de RH teve a presença de espírito de chamar seu supervisor, que graças aos céus, aos sais, às divindades, ao cosmos, falava inglês! Saí de fininho da sala e pude respirar aliviada, é terrível ter de participar indiretamente de uma entrevista, ainda mais naquelas circunstâncias.

Até que a conversa com o supervisor rendeu, único momento que não foi de puro horror. Além das questões de praxe em processo seletivo, rolou as perguntinhas clássicas “como vocês se conheceram?” e patati patatá. Ao fim da conversa, entrevista ou show do horror, não sei exatamente como designar tudo aquilo, eu estava prontinha para dar no pé e nunca mais voltar, quando, de repente, o supervisor nos informou que o marido fora selecionado para a entrevista final com o supervisor da área, que estava vindo de São Paulo especialmente para entrevistar os finalistas. Fiquei chocada e já era no dia seguinte!

Novamente na empresa para a segunda rodada, descobrimos que eram apenas ele e mais um. Pois é. O outro rapaz foi chamado primeiro e eles conversaram por uma hora e meia. Quando o marido foi e ficou apenas vinte minutos lá dentro, eu já sabia que era o fim. E ao final, eu ainda tive que escutar do supervisor que nós estávamos em uma situação complicada, por causa do “nosso português”. COMO ASSIM??? Ele estava achando que eu também era uma gringa louca me aventurando a morar no Brasil e tentando achar um emprego, foi surreal! Aliás, quantas e quantas vezes, só por estar falando em inglês com o marido, já me perguntaram se eu era estrangeira, perdi as contas! Já perguntaram se eu era alemã, americana e até já elogiaram meu “português” fluente! kkkkk…

Como a esperança é a última que morre, meu marido acreditou até o fim, quando finalmente ligou para o supervisor de RH para saber se ele havia sido selecionado ou não. Claro que não, né? O engraçado é que o marido continuou teimoso por um longo tempo, sempre querendo ter certeza absoluta do resultado. Eu costumava dizer a ele que, quando a empresa realmente deseja contratar o profissional e se ele foi o selecionado, eles vão ligar o mais breve possível, ninguém iria esquecer uma coisa importante dessa. Se ninguém te ligar, salva raras exceções (quando, por exemplo, o processo seletivo fica pendente), é um sinal muito óbvio de que não deu em nada, não adianta ficar ligando, mandando e-mail, atazanando a vida da pessoa. Com o tempo ele acabou se acalmando em relação a isso, exceto quando se tratava de alguma vaga pela qual ele tinha muito interesse. Eu já não tenho esse “sangue frio”, se demoram muito para dar a devolutiva, eu encaro como processo seletivo encerrado. Se alguém ligar nesse meio tempo, ótimo, estamos no lucro e eu nem precisei sofrer de ansiedade ou angústia pensando no resultado.

Só sei que foi mais uma experiência (e que experiência) de entrevista, aliás, a segunda, ele estava apenas começando. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

4 respostas em “Entrevista de Emprego de Estrangeiro no Brasil – Experiência Ruim

  1. Puuuxa….que aventura, né? Mas se com o pouco português que seu esposo ele conseguiu chegar à final, daqui a um tempinho, ele já será contratado!Realmente o aprendizado de um idioma é demorado. Quando eu cheguei aqui no Japao pela 1a vez, ja estudava japonês há 5 anos e, mesmo assim, passei um perrengue danado!Mas, o legal é que seu esposo é que nem aquela frase: “Sou brasileiro(?) e não desisto nunca!”. Daqui a algum trempo, vocês dois estarão sentados dando risada desses acontecimentos!Um grande abraço e toda a sorte do mundo para o casal!

    • Na verdade, essa entrevista já aconteceu há um ano hahaha… Mas com certeza no momento ele está com um português infinitamente melhor, embora não fluente.

      Ai, menina, é uma dificuldade imensa, mas até que eu sou bem controladinha, caso contrário, já teria arrancado todo meu cabelo, fio a fio kkkkkk

      Bj

  2. kkkkkkk, seria cômico se não fosse trágico… Nossa que experiência vc tem passado…, tudo em nome do amor… Obrigada por compartilhar todos os momentos que têm enfrentado. É muito importante estar preparada(o) para os acontecimentos futuros. Ficou bege (rs!), tadinho, imagino o susto que levou 🙂 Bjs!

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