Cursos de Aperfeiçoamento Profissional para Estrangeiros no Brasil

Após poucos meses mandando currículos para meu marido estrangeiro e já bem mais habituada aos termos técnicos e à atividade exercida por ele, comecei a perceber que, apesar da sua experiência, estava faltando alguns conhecimentos bem específicos que certamente tornariam seu currículo mais robusto e atraente no mercado de trabalho brasileiro.

Ao procurar determinadas vagas, comecei a fazer algumas anotações sobre os conhecimentos mais frequentemente exigidos e que estavam ausentes do currículo dele. A princípio não dei muita importância, apenas anotei por anotar para mais tarde analisar o que aquilo tudo poderia colaborar no seu futuro profissional, talvez quando o português dele estivesse bom o suficiente para frequentar cursos e realmente tirar proveito das aulas.

Já falei várias vezes da preguiça inicial do meu marido em estudar português com afinco e que por um bom tempo ele levou o estudo nas coxas. Bom, ao lembrar de um episódio específico que ocorreu no passado, acabei decidindo o que fazer com ele, matando vários coelhos com uma cajadada só, em uma situação em que ele ocupasse o tempo e a mente, desenvolvesse o português, fizesse contatos e que se aperfeiçoasse profissionalmente.

O episódio inspirador, que ocorreu antes mesmo da chegada dele ao Brasil, foi o seguinte: certa vez, levei minha mãe ao médico e, ao invés de esperá-la na recepção do consultório, preferi esperar na praça em frente, sentada tranquilamente em um banquinho. Logo uma moça muito loira e bonita me abordou, estava fazendo uma pesquisa, ou algo assim, nem lembro direito o que ela queria, só sei que respondendo a algumas perguntas, eu estaria concorrendo a um prêmio. Já estava quase despachando a pobre da moça, achando que era “golpe”, quando notei um leve sotaque, bem no finzinho das palavras, mas uma coisa muito leve mesmo. Até pensei que a moça era de outro estado. Então, disse a ela “você não é daqui, não é mesmo?”. A resposta foi surpreendente, pois ela disse que era finlandesa!!! Fiquei embasbacada! Seu português era perfeito, gramaticalmente impecável, infinitamente melhor que o português de muitos brasileiros e o leve sotaque dava até um certo charme! Claro que não perdi a oportunidade de encher a pobre da finlandesa de perguntas, atrapalhando seu trabalho na cara dura!

Minha primeira pergunta foi “quanto tempo demorou para falar português assim?”. Ela me contou que levou mais ou menos um ano e meio. Também me contou que seu marido era brasileiro e que veio morar aqui por causa dele. Perguntei, também, como ela conseguiu aprender tão rápido e impecavelmente daquele jeito e ela me disse que precisava estudar (talvez pós-graduação, uma vez que não era tão novinha) e que teve que dar um jeito e se virar. Imagino que, obviamente, ao se expor ao idioma, sozinha, sem ninguém auxiliando, em um ambiente em que pouquíssimos dominam outro idioma que não seja o português, é o único jeito de fazer a pessoa progredir mais rapidamente no idioma.

Então, pensei que, mandando o marido para cursos de aperfeiçoamento, seria uma mão na roda. Peguei aquela listinha de conhecimentos específicos que eu tinha anotada e comecei a procurar os cursos no Google. Nem demorei muito para achar, uma vez que era começo de ano e geralmente, nessa época, há muitas ofertas de cursos.

Não perdi meu tempo pesquisando cursos de pós-graduação à época, porque era um investimento muito alto para alguém que ainda estava em fase de aprendizado no idioma. Procurei cursos em que não houvesse prova, trabalho, nem nada valendo nota, mas apenas atividades em sala e a presença nas aulas para garantir o certificado.

Como é que eu fiz para que ele aproveitasse o conteúdo do curso cem porcento? Simples, comprei um mini-gravador. Todos os cursos de aperfeiçoamento que ele frequentou naquela época foram integralmente gravados. Meu objetivo, inicialmente, era transcrever todas as aulas, até transcrevi algumas, mas acabei desistindo depois de um tempo. Lógico que é bem trabalhoso fazer isso, mas tenho prática, pois eventualmente faço degravação freelance. De qualquer forma, pensei que ele teria dois benefícios diretos ao ler todo o conteúdo transcrito: aprimorar o português coloquial e técnico ao mesmo tempo e, claro, agregar conhecimento e, de quebra, ganhar certificado para isso.

O primeiro curso de aperfeiçoamento que meu marido fez foi, basicamente, um divisor de águas e ele finalmente começou a acordar para o mundo e para a vida. O curso duraria três meses, com aulas todas as terças e quintas à noite, o que foi muito bom para ocupar o tempo e a mente dele naquela ocasião, além de começar a trazer, de fato, boas oportunidades de entrevista, pois foi um curso que definitivamente fez diferença no currículo dele. Praticamente todos os colegas dele eram do mesmo ramo de atuação e ele pôde trocar muitas ideias com todos, fazer contatos importantes e finalmente praticar o português com estranhos. Resumindo história, foi um avanço e tanto!

Antes do curso começar fomos até o instituto para conversar com o responsável, pois estávamos um pouco preocupados, o português do marido ainda estava fraco na ocasião, a conversação e a compreensão durante uma conversa ainda não estavam nada bons. Daí o professor explicou que faria uso de apostila e exibição de slides e nós também pedimos autorização para gravar as aulas, o que ele autorizou sem problemas.

Acompanhei o marido em seu primeiro dia de curso apenas para me certificar de que não haveria maiores problemas e foi super tranquilo, havia participantes que falavam um pouco de inglês e que poderiam dar uma ajuda caso houvesse necessidade. E, de fato, ao longo do curso eles tiveram boa vontade em ajudá-lo nas atividades e dinâmicas em grupo.

Logo percebi uma grande diferença no comportamento do marido, ele estava se esforçando mais nos estudos de português para poder ter um desempenho melhor no curso e, principalmente, poder conversar direito com os colegas e fazer contatos. Ele não era o único estrangeiro do curso, havia um rapaz argentino também. Ele falava com bastante sotaque, mas não teve maiores problemas para entender e se fazer entender durante as aulas.

A única colaboração que o professor do curso deu, em termos de ajuda na procura por emprego, foi fazer pequenas correções no currículo e só. Ficamos um pouco decepcionados com a falta de boa vontade dele, pois para nos convencer a investir no curso, prometeu-nos que encaminharia ou indicaria o marido em várias empresas as quais ele prestava consultoria. Mas o que se há de fazer? A sorte é que no último mês do curso, outro professor veio dar aula em um módulo específico e ele foi muito bacana. Por causa dele, meu marido teve a oportunidade de fazer duas entrevistas em uma empresa de alimentos bem conhecida nacionalmente. Eu acredito que não tenha dado certo, porque não era exatamente a área que meu marido tinha experiência, mas só pelo fato de o rapaz se prontificar a ajudar já nos deixou imensamente feliz.

Por causa desse curso, meu marido começou a receber mais ligações para entrevistas. Quando eu falo em quantidade de ligações, não me refiro a quantidade por semana, mas sim por mês. Até dezembro de 2012, ele recebia, em média, duas ligações para entrevista por mês. Às vezes havia mês em que ele não recebia chamada nenhuma, outras vezes ele recebia umas três ou quatro chamadas. Parece não ser nada uma média de duas ligações por mês, mas considerando ser estrangeiro e não ter português fluente, não é nada mau. Aliás, nem para brasileiro esse número é ruim. Se você for pensar sob a perspectiva de que se manda centenas de currículos por mês para receber uma média de apenas duas ligações, é claro que não é um panorama muito animador, mas é assim que a coisa funciona. O fato de o perfil e o currículo dele ter despertado interesse foi um sinal claro de que estávamos indo pelo caminho certo.

Um aspecto interessante é que cursos de aperfeiçoamento aumentam o leque de possibilidades de envio de currículo. Quanto mais vagas você aplicar, mais chances de receber ligações. Então, definitivamente o curso foi uma escolha acertada, a maior exposição ao idioma, em uma situação em que ele se encontrava sozinho em meio a estranhos o estimulou a caprichar mais no estudo de português. Também foi super importante em termos de efeito psicológico, pois ele viu que estudar é a solução, além de ser um investimento com efeitos duradouros, e que ele não precisava ficar se martirizando por ainda não ter um emprego. Claro que esse era o objetivo principal, trabalhar, mas estudar também era uma ótima opção.

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Estrangeiro Permanente no Brasil Tentando Programa Trainee

Tentar um vaga de trainee no Brasil é uma possibilidade bem interessante, especialmente se o estrangeiro for recém-graduado. Como meu marido era graduado há dois anos quando chegou ao Brasil, achei que seria uma boa ideia inscrevê-lo em alguns processos seletivos, já que um dos requisitos é ser graduado há no máximo quatro anos. Isso depende, é claro, dos requisitos de cada processo seletivo.

Eu inscrevi meu marido tanto em processos seletivos para grandes como para médias empresas. Nas grandes, uma delas era uma montadora alemã, a outra uma cervejaria e a última era na área de petróleo e gás. Fazer esse tipo de inscrição é muito chato, em especial na primeira etapa, porque eles colocam um monte de pergunta ao estilo “por que você quer trabalhar em nossa empresa?”, também querem saber se você desenvolve algum tipo de trabalho voluntário e assim por diante. Claro que fui eu quem respondeu às perguntas tentando usar o máximo de minha criatividade, mas que não teve serventia nenhuma no processo seletivo da montadora alemã. Eles dão preferência àqueles candidatos que tenham alguma noção de alemão. Talvez eu também não tenha respondido às questões com tanta inspiração. Em compensação, emplacamos no processo seletivo da cervejaria.

Minha dica para essa primeira fase de preenchimento de formulário e elaboração das respostas é dar uma boa lida no site das empresas, em especial na parte em que fala sobre a missão da companhia, valores, objetivos, etc. e encaixar, de alguma forma, essas informações em suas respostas. Eles querem ver se você fez a lição de casa direitinho, ou seja, se pesquisou sobre a empresa, para ver se você está afinado, ou pelo menos interessado pelos ideais e valores que eles têm.

Estrangeiros são aceitos, SIM, nesses programas trainee e, por sinal, na maioria deles, então não é preciso se preocupar com relação a isso. Chegar até o fim e ser selecionado só depende de você.

Meu marido passou para a etapa seguinte na cervejaria e um tempo depois ele foi convocado para as provas online de português, inglês e conhecimentos gerais. Obviamente fui eu que fiz o teste de português e o de conhecimentos gerais porque esse último também era em português. Achei que foi de dificuldade média. A prova de inglês fizemos juntos.

Meu marido foi novamente aprovados e então convocado para a dinâmica em grupo, que ocorreria em um hotel de luxo da cidade. Naquela época, o português dele estava começando a melhorar consideravelmente. Ele se preparou um pouco apenas, leu alguma coisa sobre a empresa e seus produtos, mas nada tão profundo e intenso, foi algo bem superficial, talvez por isso não tenha sido aprovado para as entrevistas individuais.

Nem tem muito o que comentar sobre a dinâmica em si, porque há vários sites na internet com ampla informação sobre o assunto, mas foi aquela coisa básica, apresentação, divisão em grupos, atividades, debates, análise de caso, etc. Pelo menos o marido preparou uma apresentação bonitinha e o pessoal que falava inglês o ajudou na compreensão das atividades propostas. Até que não foi tão horrível assim, foi uma experiência bem interessante para ele e que ajudou, mais tarde, em outros processos seletivos.

Se o seu companheiro já consegue se virar no português e atende aos requisitos para se candidatar ao processo, eu acho que tentar algum programa trainee é uma ótima ideia. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Entrevista de Emprego de Estrangeiro no Brasil – Experiência Ruim

Hoje vou falar um pouco sobre nossas “aventuras” quando estávamos tentando arduamente fazer meu marido estrangeiro entrar no mercado de trabalho brasileiro. A segunda entrevista que ele deu pessoalmente foi fruto de um currículo enviado por meio do site da Catho (já recomendei antes, reforço a recomendação, e sempre recomendarei), durante os sete primeiros dias gratuitos. E o contato da empresa foi rápido, tipo, mandei o currículo hoje e dois ou três dias depois eles já estavam ligando.

Na verdade, a primeira abordagem foi por mensagem de celular, em que estava escrito um número de telefone para entrar em contato e o título da vaga. Por falta de familiaridade com esse tipo de contato, quando eu vi a mensagem, em um momento de pura burrice nem me liguei de que se tratava de um agendamento de entrevista, achei que era apenas uma empresa de recursos humanos fazendo divulgação de vagas, afinal, eu estava cadastrando o currículo dele em diversos sites, dando nome, telefone, endereço, então pensei mesmo que fosse apenas chamariz. Mais tarde, no mesmo dia, verificando o e-mail dele, achei a mesma mensagem que havia sido enviada por celular, mas agora fornecendo o nome da empresa. Foi então que percebi meu erro. Já era tarde da noite e nem adiantava mais ligar. No dia seguinte, logo cedo, ligamos para a empresa, ou mandamos e-mail, não lembro, só sei que, felizmente, não era uma empresa de RH, era a própria empresa contratante. Como minha memória está falhando, eu não lembro se uma conversa ao telefone chegou a se desenrolar, ou se detalhes como horário da entrevista e endereço foram acertados por e-mail, por isso não sei dizer como foi que meu marido se virou com o português ruim dele naquela época para acertar tudo. Sinceramente, nem sei porque ele foi chamado e, ainda por cima, selecionado como um dos finalistas, porque foi tudo ruim, um show do horror do início até o fim.

Bom, na hora da entrevista, a analista de RH deu um formulário para que ele preenchesse e saiu da sala, nos deixando sozinhos enquanto ia resolver alguma coisa em outro lugar. No formulário, era preciso especificar os dados pessoais, experiências, etc., tudo à mão. Por essa meu marido não esperava, e muito menos estava em condições de preencher aquilo. Como eu estava na sala de entrevista com ele, sabe-se deus porquê (acho que fui meio que compelida pela analista, por causa do português ruim do marido e do inglês inexistente dela), acabei preenchendo o tal do formulário para ele para agilizar a coisa. Quando a recrutadora retornou, ela logo percebeu que eu havia executado a tarefa inglória e só ergueu uma de suas sobrancelhas com ar de desaprovação. Eu queria me enfiar em um buraco e sumir! Mas tudo bem, tirando o nervosismo, até que foi cômico. Fica então a dica aos interessados, tentem simular preenchimento de formulário de recursos humanos em casa, nem que seja na base da decoreba, tem de saber de cabeça o endereço, telefone e demais informações necessárias em um processo seletivo. Quanto à descrição das experiências profissionais, é interessante ter uma cópia do currículo para ser usado como colinha. Ah, e um pequeno e discreto dicionário português-inglês, ou português-qualquer coisa para quebrar um galho na hora do apuro.

Pois bem, a mulher torceu o nariz para o formulário preenchido por mim, mas continuou com o processo mesmo assim. Ufa! O que veio depois foi ainda pior! Eu tive de ficar traduzindo as perguntas dela e as respostas dele e quando ele falava alguma merda em português por ter entendido tudo errado, eu tinha que me atravessar para acudi-lo. Meu pai, o que foi aquilo? Que nervoso! Que situação! Felizmente, a abençoada da analista de RH teve a presença de espírito de chamar seu supervisor, que graças aos céus, aos sais, às divindades, ao cosmos, falava inglês! Saí de fininho da sala e pude respirar aliviada, é terrível ter de participar indiretamente de uma entrevista, ainda mais naquelas circunstâncias.

Até que a conversa com o supervisor rendeu, único momento que não foi de puro horror. Além das questões de praxe em processo seletivo, rolou as perguntinhas clássicas “como vocês se conheceram?” e patati patatá. Ao fim da conversa, entrevista ou show do horror, não sei exatamente como designar tudo aquilo, eu estava prontinha para dar no pé e nunca mais voltar, quando, de repente, o supervisor nos informou que o marido fora selecionado para a entrevista final com o supervisor da área, que estava vindo de São Paulo especialmente para entrevistar os finalistas. Fiquei chocada e já era no dia seguinte!

Novamente na empresa para a segunda rodada, descobrimos que eram apenas ele e mais um. Pois é. O outro rapaz foi chamado primeiro e eles conversaram por uma hora e meia. Quando o marido foi e ficou apenas vinte minutos lá dentro, eu já sabia que era o fim. E ao final, eu ainda tive que escutar do supervisor que nós estávamos em uma situação complicada, por causa do “nosso português”. COMO ASSIM??? Ele estava achando que eu também era uma gringa louca me aventurando a morar no Brasil e tentando achar um emprego, foi surreal! Aliás, quantas e quantas vezes, só por estar falando em inglês com o marido, já me perguntaram se eu era estrangeira, perdi as contas! Já perguntaram se eu era alemã, americana e até já elogiaram meu “português” fluente! kkkkk…

Como a esperança é a última que morre, meu marido acreditou até o fim, quando finalmente ligou para o supervisor de RH para saber se ele havia sido selecionado ou não. Claro que não, né? O engraçado é que o marido continuou teimoso por um longo tempo, sempre querendo ter certeza absoluta do resultado. Eu costumava dizer a ele que, quando a empresa realmente deseja contratar o profissional e se ele foi o selecionado, eles vão ligar o mais breve possível, ninguém iria esquecer uma coisa importante dessa. Se ninguém te ligar, salva raras exceções (quando, por exemplo, o processo seletivo fica pendente), é um sinal muito óbvio de que não deu em nada, não adianta ficar ligando, mandando e-mail, atazanando a vida da pessoa. Com o tempo ele acabou se acalmando em relação a isso, exceto quando se tratava de alguma vaga pela qual ele tinha muito interesse. Eu já não tenho esse “sangue frio”, se demoram muito para dar a devolutiva, eu encaro como processo seletivo encerrado. Se alguém ligar nesse meio tempo, ótimo, estamos no lucro e eu nem precisei sofrer de ansiedade ou angústia pensando no resultado.

Só sei que foi mais uma experiência (e que experiência) de entrevista, aliás, a segunda, ele estava apenas começando. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Esposa ou Babá de Estrangeiro no Brasil?

Certa vez, ao ler uma publicação de um dos blogs que sigo, parei para refletir sobre o assunto título deste post “Esposa ou Babá de Estrangeiro no Brasil?” e uma pergunta ficou martelando em minha cabeça: será que sou babá do meu marido? Bom, só pelo fato de eu não negar veementemente de primeira já é um forte indício de que sou de certa maneira. Claro que não me resumo a isso, sou uma mistura de várias coisas, mas com certeza absoluta a faceta babá está inclusa em algumas situações.

Como? Por quê? Isso é bom? Ruim? Ainda estou em busca das respostas, mas, a princípio, acho que há, como tudo na vida, aspectos bons e ruins. O aspecto ruim mais imediato é que ele acaba ficando dependente de mim em algumas situações. Mas como isso aconteceu? Ao mesmo tempo em que escrevo este texto, as perguntas ficam pipocando em minha mente, o que significa que, pelo menos para mim, não é um assunto tão fácil assim de compreender ou lidar.

Primeiro ponto é que simplesmente não consigo delegar certas tarefas. Admiro muito as pessoas que não esquentam a cabeça e delegam facilmente, diminuindo a pressão sob si mesmas, mas eu não consigo ser assim. Na procura por emprego, por exemplo, eu executo a tarefa praticamente sozinha. Há coisas que demandam agilidade, o que, infelizmente, meu marido não tinha no início quando ainda não tinha português fluente. Pode ser que, se ele mesmo procurasse emprego, acabasse desenvolvendo os pontos que ainda estavam deficientes, mas ficaríamos naquele impasse, mandar o máximo de currículos possíveis no menor tempo e aumentar as chances ou ir a passos de tartaruga? Perde-se aqui, ganha-se ali. Acabamos perdendo na questão de aprendizado dele, mas ganhando em agilidade, é quase como ficar entre a cruz e a espada. Há alguns outros exemplos, pois certas situações acabam se ligando a outras em um efeito dominó e, quando você se dá conta, está manejando várias coisas ao mesmo tempo e sozinha. Enfim, são pequenas coisas que me levam a crer que sou meio babá do marido estrangeiro.

Acho, sinceramente, que qualquer um que tenha um estrangeiro em sua vida, uma hora ou outra acaba agindo um pouco feito babá, principalmente se ele estiver em fase de adaptação, são poucas as exceções. Meu marido também foi um pouco babá para mim quando morei lá, acho até que ele exagerou um pouco na dose e no excesso de cuidados.

Então, após refletir um pouco sobre o assunto, chego à conclusão que uma pessoa em fase de adaptação, ainda se ajustando ao país, à cultura, acaba virando um pouco um bebezão, que na maioria das vezes precisa de alguém tomando as rédeas das coisas, guiando, afinal, ninguém melhor que nós para executar o papel, pois compreendemos perfeitamente a sistemática da nossa realidade brasileira. Claro que essa assistência deve ir diminuindo com o tempo, não dá para ser babá para sempre e nem deixar o companheiro cada vez mais dependente, ele deve ir conquistando seu espaço e independência, mesmo que seja aos poucos.

Talvez eu esteja errada ao pensar e agir assim, mas até o presente momento o resultado é mais positivo que negativo. Enquanto estivermos confortáveis e a coisa estiver funcionando, acho que não há muito com que se preocupar, até porque meu marido não me vê como uma babá e nem eu o vejo como meu bebê.

Uma coisa é fato, é difícil dosar as atitudes e ter plena consciência dos limites, de saber quando se está exagerando ou não. Há que se pesar os prós e contras, se certas atitudes estiverem prejudicando uma das partes ou até mesmo o relacionamento, é hora de parar e avaliar o que está dando errado, onde melhorar e corrigir os possíveis erros. Acho que isso é básico para qualquer relacionamento, não somente casais gringo-brasileiros, é basicamente erro e tentativa, temos sempre que nos ajustar, remodelar e até mesmo nos impôr em várias situações.

De qualquer forma, percebi uma maior independência do marido a partir do momento em que ele começou a trabalhar, meu babysitting  se limita, agora, a questões burocráticas. Sou eu quem declara o imposto de renda dele, resolve burocracias por telefone, lida com documentos, etc.

Resumindo história, considero-me uma esposa com momentos de babá, mas apenas naquilo que considero realmente necessário, quanto mais espaço ele conquista, menos preciso auxiliá-lo. Não é fácil ter marido estrangeiro no Brasil!

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