Estrangeiros Procurando Emprego com Português Básico

Após as três primeiras experiências mal sucedidas de ligação para entrevista de emprego para meu marido e também considerando o alerta de uma pessoa próxima, decidimos dar um tempo nos envios de currículo. Ficamos com medo de queimar um currículo tão bom que tínhamos em mãos, tudo por causa do português horrendo dele, que estava de dar vergonha. Aquilo não poderia ser chamado de português básico de tão ruim que estava.

Foi então que ele começou a levar os estudos de português mais a sério. Ele já havia desperdiçado seis preciosos meses pensando na morte da bezerra e acreditando que seu inglês daria conta. Muito intimamente, pensei que foi muito bem feito o baque que as três primeiras ligações surtiram nele, foi uma boa lição. O excesso de confiança, devidamente disfarçado, e um ego um tantinho inflado, foram os responsáveis por tamanha negligência com o idioma. Já falei para vocês que não foi por falta de aviso e nem estímulo de minha parte que isso aconteceu neste post aqui. Hoje ele se arrepende muito de ter se negado a frequentar as aulas de português para estrangeiros da universidade federal de meu estado. Desde a sua chegada, ele estava crente que daria conta sozinho. Talvez até conseguisse, mas faltou disciplina e vontade, como já contei em outra oportunidade. É fato notório que aprender português é demorado, sim, até pegar fluência demora, em especial se a pessoa não for dedicada.

Como era fim de ano e época das festas, achamos razoável fazer uma pausa no envio dos currículos nos meses de dezembro e janeiro. Dezembro não é um mês em que se rende muito o trabalho das empresas de recursos humanos. Tirando as vagas temporárias por causa do frenesi do Natal, em geral tudo anda bem mais devagar por conta das festas. Janeiro é o melhor mês para intensificar o envio de currículos, apesar de ser tradicional período de férias. Muitas empresas contratam, mas não sei o motivo de o mercado de trabalho se aquecer nesse mês, apenas sei que é assim. Ainda que fosse uma época boa para o envio de currículos, continuei com a pausa exclusivamente por causa do português ruim de meu marido.

Isso tudo só reforça a minha ideia de que a atitude mais sensata e imediata que um estrangeiro deve tomar, ao desembarcar no Brasil para ficar, é mergulhar de cabeça no idioma, não tem jeito. Que frequente um curso de português, que fique em contato direto com as pessoas e situações, e que evite o inglês a todo custo, por mais difícil que seja. Se o currículo é bom, eles ligam, sim, independente da nacionalidade da pessoa, mas se o português for ruim, eles despacham mesmo, sem dó e nem piedade. É claro que deve haver casos em que os recrutadores não chegam nem a ligar para agendar entrevista única e exclusivamente por se tratar de estrangeiro, mas é certo que o estrangeiro receberá ligações se tiver um currículo bem escrito e uma experiência bacana que corresponda aos requisitos da vaga. Pode ser que não receba muitas ligações, mas uma ou outra, de tempos em tempos, eu garanto que receberá. Por via das dúvidas, é melhor eliminar a informação quanto a nacionalidade do estrangeiro do currículo e deixar que os selecionadores descubram isso mais tarde e não já de cara, pois assim aumentará as chances de ele ser chamado para entrevista. Claro que nas fases seguintes não haverá mais como disfarçar, mas pelo menos ele teve a chance de ser visto e avaliado por suas qualificações e não sumariamente eliminado por ser estrangeiro. Entretanto, esse tipo de informação não pode ser eliminada em sites de recursos humanos tais como a Catho e o Vagas, então é uma dica que vale apenas para os currículos que sejam enviados por e-mail às empresas e/ou selecionadores.

Então, para tirar maior proveito dessas ligações, faça seu parceiro estudar. É chato, mas necessário. Quanto ao intervalo sem emprego que vai ficar no currículo, isso é o de menos. Bem explicadinho, o recrutador vai entender a situação, é só deixar muito claro que não se trata de um caso clássico de desemprego por incompetência, preguiça ou o que quer que seja, mas sim de um estrangeiro em fase de adaptação, em um novo país e que esse intervalo no currículo é absolutamente normal nesses casos. Também enfatize a dedicação aos estudos nesse meio tempo, é importante mostrar que seu estrangeiro não está só coçando em casa, sem fazer nada e frisar que ele está interessado, adquirindo conhecimentos e enriquecendo o currículo com cursos. Isso causa uma ótima impressão, uma vez que os recrutadores sempre perguntam o que ele esteve fazendo no período sem emprego. A ideia é passar a impressão de uma pessoa que não fica estagnada, que procura desenvolver suas competências profissionais e pessoais, e que quer evoluir.

Resumindo, minha dica é, se o português de seu parceiro estrangeiro é do tipo sofrível, dê um pouco mais de tempo antes de mergulhar de cabeça na procura por emprego, ou será apenas desperdício de energia, já que ele não será capaz de converter ligações em entrevistas e entrevista em emprego.

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