Sites de RH Pagos para Procura de Emprego para Estrangeiros

Quando o período o qual tínhamos nos programado para dar uma pausa no envio de currículos estava prestes a chegar ao fim, conforme relatei aqui, comecei a pensar seriamente nos passos seguintes. Não que até então eu não tenha agido com seriedade, pelo contrário, sempre estive cem porcento comprometida e levando tudo muito a sério, mas eu ainda estava apenas entrando no ritmo de procura por emprego naquela época. Tudo o que eu publiquei até agora foi, mais ou menos, quase na mesma sequência de acontecimentos. Do momento em que você começa a lidar com procura de emprego, até o momento em que você domina inteiramente como isso funciona, há uma diferença gigantesca. Se eu soubesse tudo o que sei agora desde o início, não só sobre procura de emprego, mas tantos outros aspectos de adaptação de estrangeiro no Brasil, talvez meu marido tivesse conseguido um emprego aqui bem antes. Mas é assim mesmo, sem ninguém para nos orientar, nos guiamos pelo clássico erro e tentativa.

Meu foco era conseguir que meu marido fosse chamado para mais entrevistas aqui no Brasil com chances reais de conseguir emprego. O fato é que eu tive de mudar minhas estratégias. Até aquele momento, eu havia cadastrado o currículo de meu marido apenas em sites de recursos humanos gratuitos, mas há inúmeros outros que são pagos, embora nem todos sejam sérios.

Acho que todo mundo que procura emprego já ouviu falar do site Catho. Trata-se de um site em que se paga uma mensalidade para poder fazer uso de suas ferramentas, mas a equipe Catho quase nunca faz seleção de currículos para as vagas. O site funciona, basicamente, como um banco de currículos online, em que o candidato paga para cadastrar o currículo e as empresas pagam para disponibilizar as vagas no site. As empresas, ao utilizarem-se das ferramentas do site Catho, recrutam os candidatos às vagas diretamente, sem intermediários. E os candidatos, por sua vez, podem se cadastrar à todas as vagas disponíveis a qualquer tempo, ilimitadamente. Vale lembrar que os sete primeiros dias de uso do site são gratuitos, você pode se cadastrar, candidatar-se às vagas durante uma semana sem ônus algum e, findo o prazo, pode decidir se continua com o cadastro, só que agora pago, ou se cancela o serviço definitivamente, não mais podendo fazer uso das ferramentas do site gratuitamente.

Eu achei o site e suas ferramentas bem interessantes e resolvi investir. Escolhi o plano trimestral, por ser mais em conta que o mensal. A opção semestral sai mais em conta ainda. A mensalidade de meu plano trimestral era, então, de R$ 57,90 (atualmente, no ano de 2017, o valor é de R$ 59,90). Findo o prazo de três meses, o plano se renova automaticamente. Se não for de seu interesse renovar, você pode acessar no próprio site e cancelar no ícone correspondente antes da data do vencimento.

Logo de cara, após inscrevê-lo no site e começar a candidatá-lo às vagas, meu marido foi chamado para uma entrevista (a segunda dele pessoalmente) e eu me empolguei, achando que iria chover ligações e o que é melhor, ligações diretamente das empresas, mas não foi bem assim que a coisa se sucedeu. Recebemos algumas ligações por causa da Catho, mas nada daquilo que esperávamos naquele momento. Minha percepção inicial foi de que as cinco ligações que recebemos naquele ocasião representavam números decepcionantes, uma vez que era o site em que mais enviávamos currículos, tipo centenas deles.

Com o tempo e também com mais experiência, mudei um pouco minha percepção sobre a Catho e sobre todo o processo de envio de currículos. É padrão enviar o currículo para centenas e centenas de vagas em sites diversos e receber meia dúzia de ligações ao longo da procura, é assim para brasileiros e estrangeiros. Aconteceu com meu marido todas as vezes em que ele precisou procurar por emprego, e acontece recorrentemente com outras pessoas também. Hoje, não abro mão de pagar o plano trimestral da Catho quando precisamos procurar emprego, pois o investimento sempre se revela positivo no final.

Não sei o que os candidatos brasileiros acham desse site, mas em nosso caso eu acho que é muito necessário, pois a maioria das grandes empresas anuncia lá. As agências de recrutamento e seleção TAMBÉM disponibilizam suas próprias vagas no site, o que acaba facilitando um pouco o trabalho de procura. Não percebi isso de imediato, mas depois de um tempo, comecei a reparar que já havia visto algumas das vagas em outros sites de recursos humanos. Não era só impressão, no fim das contas, acabei mandando currículo mais de uma vez para a mesma vaga, porém em sites distintos. Com o tempo, você começa a perceber que as empresas de recursos humanos publicam a mesma vaga em diversos sites e blogs para divulgá-las ao maior número de pessoas possível, então não estranhem se tiverem a sensação de ter visto a vaga antes em outro lugar, porque, provavelmente, você viu mesmo.

Há, entretanto, muitas empresas de RH pagas que não prestam para nada, só comem seu dinheiro e o pior é que muita gente cai nessas ciladas. O ideal é que a maioria das vagas sejam divulgadas e os profissionais selecionados sem que se gaste um tostão com isso durante todo o processo seletivo. A empresa contratante é que deve arcar com os gastos da contratação de empresas de RH terceirizadas para fazer a seleção, nunca o candidato. A Catho, por exemplo, é uma exceção por ser uma plataforma de divulgação e procura de vagas. Além da Catho, imagino que haja outros sites interessantes, mas não posso opinar, pois nunca utilizei os serviços de outros grandes sites. Mas tenha em mente que o melhor é procurar por empresas sérias, conhecidas e de reputação. E acredito que se inscrever em apenas um ou dois sites de recursos humanos pagos é mais do que suficiente. Portanto, não invista muita grana com isso em sites variados, porque não vale a pena. Também já utilizei o plano premium do LinkedIn e achei que deixou a desejar, ou talvez eu que não tenha utilizado todos os recursos da plataforma adequadamente, ainda não tenho uma opinião formada sobre isso. Mas confesso que esperava mais desse investimento, prefiro a Catho, sem sombra de dúvida.

Minha última dica é, seja lá qual for o site de RH pago que você tenha escolhido para se candidatar às vagas de emprego, sempre pesquise a reputação da empresa antes no site do Reclame Aqui e também na página da própria empresa no Facebook, isso dará uma boa ideia se o investimento valerá a pena ou se você terá apenas dores de cabeça.

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Estrangeiros Procurando Emprego com Português Básico

Após as três primeiras experiências mal sucedidas de ligação para entrevista de emprego para meu marido e também considerando o alerta de uma pessoa próxima, decidimos dar um tempo nos envios de currículo. Ficamos com medo de queimar um currículo tão bom que tínhamos em mãos, tudo por causa do português horrendo dele, que estava de dar vergonha. Aquilo não poderia ser chamado de português básico de tão ruim que estava.

Foi então que ele começou a levar os estudos de português mais a sério. Ele já havia desperdiçado seis preciosos meses pensando na morte da bezerra e acreditando que seu inglês daria conta. Muito intimamente, pensei que foi muito bem feito o baque que as três primeiras ligações surtiram nele, foi uma boa lição. O excesso de confiança, devidamente disfarçado, e um ego um tantinho inflado, foram os responsáveis por tamanha negligência com o idioma. Já falei para vocês que não foi por falta de aviso e nem estímulo de minha parte que isso aconteceu neste post aqui. Hoje ele se arrepende muito de ter se negado a frequentar as aulas de português para estrangeiros da universidade federal de meu estado. Desde a sua chegada, ele estava crente que daria conta sozinho. Talvez até conseguisse, mas faltou disciplina e vontade, como já contei em outra oportunidade. É fato notório que aprender português é demorado, sim, até pegar fluência demora, em especial se a pessoa não for dedicada.

Como era fim de ano e época das festas, achamos razoável fazer uma pausa no envio dos currículos nos meses de dezembro e janeiro. Dezembro não é um mês em que se rende muito o trabalho das empresas de recursos humanos. Tirando as vagas temporárias por causa do frenesi do Natal, em geral tudo anda bem mais devagar por conta das festas. Janeiro é o melhor mês para intensificar o envio de currículos, apesar de ser tradicional período de férias. Muitas empresas contratam, mas não sei o motivo de o mercado de trabalho se aquecer nesse mês, apenas sei que é assim. Ainda que fosse uma época boa para o envio de currículos, continuei com a pausa exclusivamente por causa do português ruim de meu marido.

Isso tudo só reforça a minha ideia de que a atitude mais sensata e imediata que um estrangeiro deve tomar, ao desembarcar no Brasil para ficar, é mergulhar de cabeça no idioma, não tem jeito. Que frequente um curso de português, que fique em contato direto com as pessoas e situações, e que evite o inglês a todo custo, por mais difícil que seja. Se o currículo é bom, eles ligam, sim, independente da nacionalidade da pessoa, mas se o português for ruim, eles despacham mesmo, sem dó e nem piedade. É claro que deve haver casos em que os recrutadores não chegam nem a ligar para agendar entrevista única e exclusivamente por se tratar de estrangeiro, mas é certo que o estrangeiro receberá ligações se tiver um currículo bem escrito e uma experiência bacana que corresponda aos requisitos da vaga. Pode ser que não receba muitas ligações, mas uma ou outra, de tempos em tempos, eu garanto que receberá. Por via das dúvidas, é melhor eliminar a informação quanto a nacionalidade do estrangeiro do currículo e deixar que os selecionadores descubram isso mais tarde e não já de cara, pois assim aumentará as chances de ele ser chamado para entrevista. Claro que nas fases seguintes não haverá mais como disfarçar, mas pelo menos ele teve a chance de ser visto e avaliado por suas qualificações e não sumariamente eliminado por ser estrangeiro. Entretanto, esse tipo de informação não pode ser eliminada em sites de recursos humanos tais como a Catho e o Vagas, então é uma dica que vale apenas para os currículos que sejam enviados por e-mail às empresas e/ou selecionadores.

Então, para tirar maior proveito dessas ligações, faça seu parceiro estudar. É chato, mas necessário. Quanto ao intervalo sem emprego que vai ficar no currículo, isso é o de menos. Bem explicadinho, o recrutador vai entender a situação, é só deixar muito claro que não se trata de um caso clássico de desemprego por incompetência, preguiça ou o que quer que seja, mas sim de um estrangeiro em fase de adaptação, em um novo país e que esse intervalo no currículo é absolutamente normal nesses casos. Também enfatize a dedicação aos estudos nesse meio tempo, é importante mostrar que seu estrangeiro não está só coçando em casa, sem fazer nada e frisar que ele está interessado, adquirindo conhecimentos e enriquecendo o currículo com cursos. Isso causa uma ótima impressão, uma vez que os recrutadores sempre perguntam o que ele esteve fazendo no período sem emprego. A ideia é passar a impressão de uma pessoa que não fica estagnada, que procura desenvolver suas competências profissionais e pessoais, e que quer evoluir.

Resumindo, minha dica é, se o português de seu parceiro estrangeiro é do tipo sofrível, dê um pouco mais de tempo antes de mergulhar de cabeça na procura por emprego, ou será apenas desperdício de energia, já que ele não será capaz de converter ligações em entrevistas e entrevista em emprego.

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Primeiras Ligações para Entrevistas de Estrangeiros no Brasil

Mais ou menos um mês depois de começar a cadastrar o currículo de meu marido em sites de recursos humanos e candidatá-lo às vagas que tínhamos interesse, ele recebeu as primeiras ligações. Sim, no plural mesmo, pois foram três ligações em pouco mais de um mês (o que significa que o currículo que elaboramos estava cumprindo sua função).

O procedimento para receber tais ligações foi muito simples e sem custo algum (não esqueçam que boas empresas de recursos humanos não cobram nada do candidato). Apenas recapitulando, simplesmente cadastrei o currículo do meu marido em diversos sites de recursos humanos e no máximo de sites possíveis. Depois o candidatei às vagas em que ele atendia aos requisitos, pelo menos grande parte deles, porque mandar o currículo por mandar para qualquer vaga não adianta, os recrutadores simplesmente descartam. O recrutador analisa tudo isso, avalia seu perfil e se o selecionar para entrevista, significa que o candidato atende a grande parte dos requisitos da vaga e eles têm grande interesse em conhecê-lo pessoalmente.

O grande problema nas primeiras três ligações, em nosso caso, foi o “maravilhoso” português de meu marido à época. Quando ligaram pela primeira vez – apesar de eu ter ficado super feliz pelo fato de o currículo de meu marido ter despertado interesse e ter começado a apresentar resultado, eu é que tive que atender a ligação e conversar com a recrutadora, pois meu marido sequer tinha condição de falar português pessoalmente, imagine ao telefone. Quem ligou foi a estagiária de RH, que foi muito simpática, diga-se de passagem. Expliquei a situação a ela e disse que ele não poderia falar ao telefone por ter um pouco de dificuldade de compreensão durante a ligação. Imagine só, “um pouco de dificuldade”, que piada, né? Sim, eu menti. Não me sentia confortável fazendo isso, mas era a única alternativa. Com o tempo, se você passar por essa situação, vai acabar aprendendo a improvisar para conseguir uma entrevista e foi pensando exatamente assim que acabei falando aquilo para a estagiária. Nada foi premeditado, simplesmente aconteceu, pois o que eu queria mesmo era a dita da entrevista pessoalmente na esperança de que alguém falasse inglês na agência.

A mocinha falou um pouco sobre a vaga, perguntou se meu marido tinha interesse e me informou que ela teria que conversar com a supervisora. Mais tarde, a supervisora retornou a ligação perguntando qual era o nível de português dele. Acho que eu respondi que era de básico a intermediário. Menti de novo.

Apesar de a vaga indicar inglês fluente como requisito, a supervisora disse que teria de conversar com a empresa contratante primeiro para ver se eles teriam interesse. Caso tivessem, ela ligaria novamente. É óbvio que nunca recebemos ligação alguma, mas tudo bem, encarei como um teste prático mais para analisar como os recrutadores se comportam ao telefone, o que costumam perguntar, etc. Há um padrão bem fácil de assimilar.

Algumas semanas depois, acho que, no máximo, um mês, recebemos outra ligação. Novamente tive de falar com a recrutadora e explicar a situação. Mas dessa vez não deu certo, ela logo nos descartou, porque, para a posição, falar português era mandatório. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Para meu marido foi bom, pois ele começou a tomar consciência de sua situação em relação ao idioma. Já falei anteriormente sobre o corpo mole que ele estava fazendo para aprender português nos seis primeiros meses no país. Essa ligação fez com que ele ficasse um pouco preocupado, em especial porque viu que o currículo que elaborei estava atingindo seu propósito, mas o seu desempenho durante as ligações não.

Poucas semanas se passaram até que ele conseguiu, finalmente, agendar a primeira entrevista. Era a terceira ligação que ele estava recebendo e, felizmente, o recrutador falava inglês também. Ele pôde, enfim, falar pela primeira vez ao telefone para marcar a entrevista. Ele até que se esforçou, tentando fazer uma mistura de inglês com português, mas muito mais inglês, é óbvio. Na hora de anotar o endereço, eu tive que falar com o recrutador.

A entrevista foi agendada para o mesmo dia. Aliás, foi a única oportunidade que isso aconteceu, pois, em geral, eles ligam hoje agendando para amanhã. Meu marido foi correndo fazer a barba, mas como não estávamos esperando ligações para entrevistas em tão pouco tempo, não tínhamos a roupa adequada para a situação. Então, ele vestiu jeans, sapatênis preto e uma camisa branca de manga curta. Eu disse a ele que a camisa de manga curta não estava ornando muito, mas ele deu de ombros e foi daquele jeito mesmo.

A entrevista foi em uma consultoria de alto padrão chamada Hays. Há vários escritórios espalhados pelo país e as vagas não são operacionais, a maioria é vaga técnica e executiva, uma coisa bem diferenciada mesmo. Foi o escritório de RH mais luxuoso em que estive, e definitivamente o traje de meu marido não foi o mais adequado. O recrutador, inclusive, estava trajando terno.

Apesar disso, ele e o recrutador conversaram por mais de uma hora (detalhe que, segundo meu marido, o recrutador estava mais interessado em matar a curiosidade fazendo perguntas sobre o país e a cultura dele do que qualquer outra coisa). Ao fim, ele disse que meu marido era um forte candidato e que ele faria um lobby com a empresa contratante. Infelizmente, não deu em nada, nem para a segunda entrevista com a empresa ele foi chamado. Eu fiquei com a impressão de que o sujeito só chamou meu marido lá só por curiosidade mesmo, para entrevistar um gringo de origem “exótica” e ver como é que é.

Uma coisa que aprendi, depois de muito tempo, foi não acreditar nas historinhas do pessoal de recursos humanos e nem esperar pela devolutiva do processo seletivo. Simples assim. Se depois de um tempo ninguém te procurou, fica muito claro que você não foi o escolhido, porque ninguém esquece de ligar para o candidato aprovado.

Em suma, não dá para esperar muita coisa das primeiras entrevistas que um estrangeiro dá no Brasil, especialmente por causa do português ruim. Sei de alguns poucos casos em que o estrangeiro conseguiu emprego logo de cara, mas isso aconteceu, em geral, por ser profissional de áreas que pouco importam se ele fala português ou não, como a área de TI/informática, em que se o sujeito tiver experiência e inglês fluente, mesmo com português ruim, estará dentro. Entretanto, casos como esses são minoria, a maioria vai ficar patinando de entrevista em entrevista até que o português melhore consideravelmente.

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Cadastro de Currículo de Estrangeiro em sites de RH

Com os currículos em mãos (sim, no plural, tenha um currículo em português e outro em inglês, pois muitas das vagas requerem, obrigatoriamente, currículo em inglês), mais a documentação regularizada (CPF, RNE e Carteira de Trabalho), seu parceiro estrangeiro já pode começar a enviar o currículo para empresas, agências de empregos e sites de recrutamento e seleção. Por que somente depois de ter a documentação em mãos? Porque a primeira informação solicitada para o cadastro do currículo nos sites é o CPF. Sem esse número, não será possível nem começar o cadastro na maioria das vezes. Já escrevi sobre como solicitar o CPF e a CTPS neste post aqui.

A entrega do currículo em mãos está em desuso e praticamente obsoleta, embora isso ainda aconteça eventualmente. De maneira geral, praticamente tudo é feito pela internet. Abençoada a modernidade que nos permite “entregar” currículos sem sair do conforto do nosso lar. Vez ou outra será necessário imprimir um currículo e entregar em mãos, como quando o recrutador solicita para uma entrevista, mas isso não é frequente. O Google será, então, sua ferramenta de busca mais essencial.

Você deverá digitar lá todas as combinações possíveis de pesquisa, incluindo o nome de sua cidade e o termo RH. Por exemplo: RH em São Paulo, agência de recursos humanos em São Paulo e assim por diante. Salve todos os endereços que aparecerem pela frente, porque depois você fará a seleção dos sites em que você cadastrará o currículo. Evite sites de RH pagos no início, entenda primeiro como tudo funciona e vá se familiarizando aos poucos. Mais tarde, é interessante cadastrar o currículo em sites pagos, como a Catho, por exemplo (propaganda gratuita, porque eu realmente acho o site muito eficiente).

Feita essa lista, comece a fazer o cadastro. Eu digitei uma lista de agências de recursos humanos em ordem alfabética em um documento do word, que depois imprimi e colei na primeira página de um caderno universitário que comprei para fazer todas as anotações referentes às vagas às quais eu candidatava meu marido. Nessa folha impressa consta o nome da agência, o nome de usuário/login e a senha. É bom que se tenha absolutamente tudo anotadinho, porque são muitos sites para administrar e visitar diariamente, e a maioria requer login para o envio do currículo. Procure usar a mesma senha em todos os sites para facilitar a vida e tomar menos tempo consultando qual é a senha para aquele site.

Cadastrar currículo é muito chato. Sempre que faço isso em um novo site morro de tédio. No geral, você terá de preencher uma ficha cadastral completa, não é simplesmente copiar e colar o currículo, embora alguns sites disponibilizem essa opção. Você terá de preencher todos os campos um por um, e eles nem sempre são iguais aos tópicos do currículo que você tem em mãos. Uma vez preenchido o cadastro, você já pode começar a se candidatar às vagas abertas nos sites. Cadastre-se em todas que forem do seu interesse e de sua área, mesmo as mais antigas no ar.

Anote todas as vagas para as quais você se candidatou em um caderno com o nome da vaga, o site e o dia em que o currículo foi enviado em ordem numérica. Não precisa ser necessariamente em um caderno, você pode manter essas listas salvas em um arquivo no computador. Eu prefiro caderno, porque sou metódica e aprecio listas e organização. Além disso, eu visualizo com mais facilidade o resultado de meu trabalho, se a procura por emprego está rendendo ou não.

E assim vá indo, cadastrando o currículo em sites de recrutamento, candidatando-se às vagas e anotando tudo direitinho. Não faça as coisas mal feitas, tenha controle da situação, aposto que você se sentirá mais seguro e menos perdido quando uma das agências de RH ou até mesmo as empresas entrarem em contato com você. Não deixe de verificar novos sites de RH que surjam e repasse a lista procurando por emprego periodicamente, de preferência todo dia, porque os analistas de recursos humanos atualizam as vagas disponíveis quase diariamente. Muitas vezes, dependendo do volume de vagas atualizadas no site, você terá que refinar a sua busca por estado, cidade, área, cargo, etc.

Uma dica importante é, nunca subestime as agências de recursos humanos pequenas, de todas as experiências que meu marido teve, o melhor atendimento e devolutiva sobre o status dos processos seletivos foram delas que ele obteve. As grandes empresas de RH te tratam apenas como mais um, mas não julgo, imagino que o motivo seja o volume de trabalho. Nas agências pequenas, o atendimento acaba sendo mais personalizado, é infinitamente melhor.

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Elaboração de Currículo para Estrangeiros

Nos três meses seguintes à chegada de meu marido ao Brasil, enquanto aguardávamos a chegada do Registro Nacional do Estrangeiro definitivo dele, bem como a nova anotação do prazo de validade da Carteira de Trabalho, fiquei incumbida de pesquisar sobre currículos e os formatos mais utilizados e apreciados pelos recrutadores. Por mais que ele tivesse um currículo pronto em inglês, que era o utilizado até então lá no país dele, achei melhor reformular tudo e comecei praticamente do zero.

Pois bem, o que eu fiz? Minha área de formação é completamente diferente da área de formação de meu marido, eu sou de humanas e ele de exatas, ou seja, eu era praticamente uma analfabeta no assunto e não sabia por onde começar. Antes fosse somente uma simples tradução do inglês para o português, que bom seria, tudo muito rápido e simples, mas não. Como não queria escrever asneira no currículo dele, lá fui eu fazer uma extensa pesquisa para me familiarizar melhor sobre o assunto e fazer a devida comparação com o currículo que meu marido tinha. Como a ignorância estava bem grande e me impedindo de prosseguir com mais agilidade, procurei no Google currículos de profissionais que exercessem a mesma profissão para começar a me situar. Copiei e colei absolutamente tudo que apareceu em minha frente em um documento do Word para poder fazer uma peneira dos termos e jargões depois.

Por que eu fiz isso? Primeiro porque eu não manjava nada sobre como elaborar currículo. O meu estava, inclusive, mega desatualizado naquela época, e hoje faço de olhos fechados e até ajudo outras pessoas revisando o currículo delas, mas até chegar a esse nível demorou um pouco. E mesmo manjando do assunto, volta e meia mudo uma coisinha aqui, outra ali no currículo de meu marido. E sim, faço tudo sozinha, ele não me ajuda nisso, porque eu simplesmente não quis e também porque acabei me “especializando” no assunto. Claro que ele opinou em vários pontos e revisou a redação da parte técnica, porque, afinal, é experiência profissional e acadêmica dele, não minha. Hoje em dia, já bastante familiarizada com o ofício dele, eu mesma reviso essa parte mais técnica.

Então imprimi aquelas páginas todas com as informações e currículos de gente que nunca vi na vida e depois me debrucei para analisar e estudar tudo aquilo. No começo foi difícil, muitos termos técnicos que eu não entendia e que eu continuei sem entender por um bom tempo, mas o marido também foi me ajudando, esclarecendo dúvidas, explicando as coisas, então aos poucos foi ficando mais fácil. Eliminei os currículos que não tinham nada a ver e fui separando os similares que iriam ajudar na tradução e na elaboração de um texto bem bacana para ele.

Demorou uns dois, três meses para sair algo, porque fiz com calma, atenção e também porque não tinha muita pressa, pois nem português ele falava direito à época, então não adiantava mandar currículo nenhum tão cedo.

Fiz várias modificações no formato do currículo ao longo do tempo, porque fui me atentando a vários detalhes que antes me escapavam, e mesmo anos depois, ainda faço isso. Não tem muito segredo, você deve apenas procurar saber o que um recrutador quer ver em um currículo e na internet há milhares de sites e canais dando dicas. O que eu fiz foi um apanhado de tudo que pesquisei, e o que mais tem são sites dando dicas de como elaborar currículo. Quanto ao conteúdo, procurei me concentrar em usar termos e jargões da área adequadamente e foi por isso que pesquisei currículos. Se você tiver preguiça de fazer o que eu fiz, simplesmente abra um site de oferta de emprego e leia a descrição das vagas de seu interesse que aparecerem por ali. Você poderá usar a descrição da atividade para te ajudar na tradução do currículo.

Não esqueça que currículo é parte fundamental do processo de seleção inicial, se for mal elaborado ou redigido, não passa nem da triagem, e dizem que o recrutador leva apenas alguns segundos para decidir se continua lendo ou passa para o candidato seguinte. É pelo currículo que você vai chamar a atenção do recrutador, mostrando que tem algo mais a oferecer, despertando o interesse dele pela forma como você se apresentou profissionalmente pela sua escrita. Se você não receber nenhuma ligação para entrevista em, no máximo, dois meses, mesmo enviando seu currículo com a assiduidade necessária, pode saber que, ou o currículo está mal redigido, o que é o caso grande parte das vezes, ou a sua experiência é pouca, não suficiente ou não está de acordo com as vagas para as quais você está se candidatando.

Você também pode pagar para um profissional especializado elaborar o currículo para você, ou então para revisá-lo, o que talvez seja uma opção mais em conta e interessante. Minha dica é, faça com esmero e capricho, como se fosse um trabalho que lhe custa a vida, pois um currículo bem escrito, estruturado e elaborado tem o poder de deixar vários concorrentes para trás.

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Oportunidade de Trabalho para Estrangeiro por Indicação

Muito se fala sobre o famoso QI, o “Quem Indica” para arranjar emprego para o estrangeiro no Brasil (e não só o estrangeiro, diga-se de passagem, mas principalmente o brasileiro). A maioria dos relatos que ouço e leio é que é infinitamente mais fácil e rápido arrumar emprego assim. Infelizmente, meu marido e eu fazemos parte do grupo sem contatos imediatos. Ninguém nunca nos indicou para nada, o que pode ser bom ou ruim, a depender do ponto de vista.

Quando meu marido ainda nem tinha se mudado para o Brasil, escutei de várias pessoas promessas e juras eternas de que eles iriam ajudá-lo a arranjar um emprego. Minha ingenuidade e óbvia falta de experiência no assunto me fizeram acreditar piamente em tais promessas. Não cheguei a pensar que meus contatos me ajudariam logo no primeiro mês de meu marido aqui, até porque com um português ruim daquele, era algo praticamente impossível, mas achei que depois de uns oito meses aqui, os contatos começariam a funcionar, em especial porque nesse meio tempo meu marido teria tempo suficiente para melhorar consideravelmente seu português.

Inicialmente, tentamos fazer contatos com familiares e amigos mais próximos, mas quase ninguém tinha muitos contatos na área de trabalho de meu marido. Alguns e-mails com o currículo foram enviados àqueles que pediram que enviássemos para que eles pudessem encaminhar a seus próprios contatos. Não obtivemos nenhuma resposta, nem para dizer que não poderiam ajudar ou que não havia nenhuma vaga em aberto de acordo com o objetivo profissional dele. Como eram contatos bem vagos, não foi algo que chegou a me frustrar.

A primeira frustração foi com uma conhecida relativamente próxima. Essa moça é psicóloga e trabalhava com recrutamento e seleção em uma grande empresa de RH de minha cidade. Sabendo desse fato, mandei mensagem a ela perguntando se havia vagas abertas na área de trabalho do marido e que, se não houvesse, se ela poderia me avisar da abertura de alguma vaga futuramente. Claro que eu poderia ter visto isso tudo no site da empresa por conta própria, mas a questão era contato. A resposta simplesmente nunca veio, ela visualizou a mensagem e simplesmente ignorou, e eu nem pedi “por favor, arranje um emprego para meu marido gringo”. Eu jamais faria isso porque tenho noção que isso é horrível, então procurei ser bem cuidadosa ao contatá-la.

A segunda frustração aconteceu logo em seguida, ainda que eu tivesse começado a acordar para realidade. Uma pessoa bem próxima a mim, sem eu pedir nada, contou-me que ela encaminharia o currículo do marido diretamente para uma pessoa que trabalhava em uma grande multinacional e que já tinha ajudado outras pessoas a conseguir emprego lá. Encaminhei o currículo esperançosa. Passado um mês, perguntei se ele havia encaminhado e a resposta foi NÃO, seguida de uma promessa de que não passaria do final daquela semana. Mais de TRÊS meses se passaram e a desculpa continuou a mesma. Até que, de tanto eu perguntar (por ser uma pessoa muito próxima, eu tinha essa liberdade), a esposa dessa pessoa confessou que ele não estava se sentindo confortável em mandar o currículo porque não tinha mais muito contato com o rapaz em questão.

Agora vem a pergunta: por que prometeu algo que sabe que não vai cumprir? Por que criar expectativas? Para começo de conversa, não deveria nem ter oferecido ajuda se não que ajudar de verdade. Uma pessoa em busca de emprego, querendo ou não, acaba criando expectativa, sim, por menor que seja, ainda mais se a pessoa se compromete em ajudar a fazer as coisas acontecerem, o que é uma situação totalmente diferente de se mandar currículo para empresas de recursos humanos. No caso dos contatos, você confia na pessoa por ser próxima e diante de promessa de ajuda, você espera resposta, surge uma ansiedade e é algo que não tem como evitar.

Acabou que eu mesma abordei o contato da multinacional por minha própria conta e risco, eu conhecia o rapaz de longa data, mas ele era apenas conhecido e não amigo próximo. Mandei uma mensagem via Facebook explicando a situação e perguntei se eu poderia enviar o currículo. Ele respondeu que sim, que não havia problema algum, eu enviei, mas depois ficou por isso mesmo. Por quê? Porque o contato teria mais impacto se aquela pessoa próxima que havia me prometido inicialmente tivesse ela própria encaminhando o currículo. É assim que a coisa funciona quando falamos de contato para emprego, quanto mais próxima ela for de você, mais chances você tem, pois costumamos ser muito mais abertos e suscetíveis com as pessoas mais próximas, aquelas que conhecemos bem, não somos assim com desconhecidos ou com quem pouco conhecemos.

A partir deste ponto e com várias histórias semelhantes se repetindo, simplesmente desacreditei dessa história de contato. A meu ver e baseada em minhas próprias experiências pessoais, pouca gente está a fim de estender a mão, são poucos os que se importam realmente, afinal, não é um problema deles, não é com eles e também ninguém vai perder seu precioso tempo para se colocar em seu lugar. Claro que uma ou outra pessoa se interessou por nossa causa, encaminhou o currículo ou então deu dicas de sites e blogs de divulgação de vagas, mas também não passou disso. Em compensação, já perdi as contas de quantas pessoas já ajudei revisando ou elaborando um novo currículo, indicando sites, vagas, dando dicas, etc.

A gota d’água para mim se deu na ocasião da visita de um parente de minha mãe. Não sei como, mas ela descobriu que esse parente tinha um amigo dono de uma indústria na mesma área de formação de meu marido. O parente prometeu falar pessoalmente com o amigo dele para ver se arranjava algo. Novamente, eu não pedi nada, ele se ofereceu. Entregou-me seu cartão de visita e nos deixou à vontade para ligar. Como é parente de minha mãe, ficou combinado que ela mesma ligaria. Resumindo história, o parente praticamente tirou o corpo fora, mas sutilmente, para minha mãe não notar. Esperto ele. As duas vezes em que ela o telefonou, ele inventou mil desculpas, que estava em um evento, que não podia falar, que retornaria a ligação no dia seguinte e o dia seguinte nunca chegava.

O que me perturba profundamente não é o fato de nenhum contato ter ajudado meu marido, mas a falta de consideração das pessoas. Por que criar expectativa? Por que oferecer a ajudar? E, acima de tudo, seja claro e sincero, PODE AJUDAR? ÓTIMO. NÃO PODE? MUITO OBRIGADA PELA ATENÇÃO E SEM MAIS. Uma pessoa que está a procura de emprego não precisa disso, já há emoções em demasia para administrar.

Ao longo de toda nossa experiência procurando emprego, recebemos uma única proposta de trabalho concreta por intermédio de um contato. Meu marido ficou bem empolgado, afinal, depois de tanto tempo procurando emprego, mandando currículo, participando de processos seletivos, é muito estimulante e aliviador pensar que alguém, enfim, está disposto a dar uma chance.

No dia combinado, lá foi meu marido, todo contente, conversar com o dono da empresa. Era uma indústria de médio porte com aproximadamente 400 funcionários. Como foi alguém sênior da empresa quem o indicou, um senhor que trabalha há anos lá, ele teve o privilégio de fazer uma entrevista na hora do almoço diretamente com o dono.

Segundo meu marido, logo nos primeiros dez minutos de conversa ele pensou “o que estou fazendo aqui?”. Sentiu que não renderia muitos frutos, mas prosseguiu mesmo assim por respeito e consideração à pessoa que o indicou. Depois da tensão inicial, a conversa acabou fluindo. O dono disse que o contrataria por 3 meses, em caráter de experiência, para ver no que ia dar e o convidou para conhecer as instalações da planta.

Meu marido tem bastante conhecimento e experiência em sua área de atuação e só de observar os colaboradores trabalhando, já percebeu que havia muita coisa para se implementar e desenvolver. Após visitar a planta, ele foi encaminhado ao setor de RH para conversar com a responsável. Não sei direito o que eles conversaram, só sei que ela escreveu em um pedaço de papel qualquer – sim, um pedaço de papel daqueles que a gente rasga com a mão de qualquer jeito – o cargo que eles estavam propondo a contratação, bem como o valor do salário oferecido e benefícios. Ele voltou com o papelzinho para casa e me mostrou. Eles estavam oferecendo proposta de contratação como operador de produção trainee, mas ele é engenheiro.

Pensei, então, que talvez fosse uma manobra do dono da empresa para pagar bem menos salário durante os três meses de experiência, talvez não quisesse se arriscar com um estrangeiro. Meu marido nem ligou para o salário que eles ofereceram, que era de quase R$ 1.200 mais os benefícios, ele estava mesmo interessado em ter uma chance de entrar no mercado de trabalho brasileiro, nem que fosse ganhando um salário irrisório se comparado ao salário de sua categoria e de acordo com sua formação. Ele estava , portanto, disposto a aceitar, o problema era o tal do “operador” na Carteira de Trabalho.

Pensamos em algumas opções antes de ligar para o RH da empresa. Quem sabe se eles o registrassem como assistente, analista. Não teve jeito, a proposta era para operador e nada mais. O dono queria que meu marido, um engenheiro, trabalhasse como operador de produção de todas as máquinas possíveis e imagináveis antes de fazer aquilo que ele realmente sabe fazer, que é gerenciar os processos. Ele teria que ser operador trainee primeiro, depois operador júnior 1, operador júnior 2, operador sênior, operador isso, operador aquilo, quem sabe quando ele estivesse idoso ele já teria operado todos os equipamentos da empresa para ganhar experiência antes de assumir um cargo de auxiliar, e ainda assim algo muito distante da sua experiência e formação profissional. Seguindo a lógica da analista de RH, ele iria morrer e ainda estaria trabalhando nas mais diversas máquinas da empresa como operador. A ideia do dono da empresa era que ele operasse todas as máquinas, passasse por todas as etapas e somente depois ele veria o que faria com o marido. A moça do RH até nos ligou para passar as orientações de contratação, documentos, exames, etc, mas tentamos ganhar tempo para pensar em uma solução.

Dias depois, meu marido foi novamente à empresa para conversar com o dono e ver o que poderia ser feito. Ele se preparou para a conversa, levou materiais e estudos para exemplificar os benefícios que ele agregaria à empresa trabalhando para eles com aquilo que ele sabe realmente fazer, mostrando que seria infinitamente mais útil à empresa trabalhando em outro cargo na área de engenharia. O dono da empresa até que foi bem receptivo, mas não queria mesmo registrá-lo com outro cargo que não operador de produção. Até surgiu a opção de se trabalhar sem registro em carteira, mas como meu marido estava em meio a outros dois processos seletivos sérios, exatamente com aquilo que procurávamos em nossas buscas por emprego, deixamos a proposta em modo de espera caso a coisa ficasse muito ruim financeiramente para nosso lado, então tudo ficou por isso mesmo.

Ainda que a situação não tenha se desenrolado como o esperado, preciso ressaltar que tudo isso só aconteceu por causa do contato que meu marido fez jogando futebol, de uma conversa tomando uma cervejinha depois do jogo. Então, é claro que contatos funcionam eventualmente em algumas poucas situações, em especial se a pessoa se interessar realmente por sua causa, mas isso não é a regra no mercado de trabalho, é a exceção. Contatos não brotam em árvores e não caem do céu quando a gente mais deseja, eles simplesmente acontecem quando menos se espera, e são raríssimos.

É exatamente por esse o motivo que sempre me dediquei ao extremo para conseguir emprego para meu marido pelo método tradicional sem atalhos, ou seja, o clássico mandar currículo e aguardar o convite para os processos seletivos. Tenho certeza de que a procura por emprego tradicional é o caminho mais correto e justo com todos os envolvidos nos processos seletivos, sem precisar contar com a ajuda de ninguém, contando somente com você mesmo, seus conhecimentos e seu esforço. Hoje, eu me arrependo de ter perdido um precioso tempo esperando a ajuda dos contatos, mas infelizmente não posso voltar atrás em relação à atitude de recorrer a eles que tive no passado, sinto até um pouco de vergonha por isso. Nunca mais fiz isso e tenho certeza que isso não se repetirá no futuro.

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Procurando Emprego para Estrangeiro no Brasil

Certa vez, ao fazer minhas pesquisas sobre trabalho e emprego para estrangeiro no Brasil, deparei-me com um artigo muito bom na internet. Nem era sobre mão de obra estrangeira no Brasil, era sobre o trabalhador desempregado comum, brasileiro mesmo. E a mensagem que havia lá me impactou profundamente.

Em linhas gerais, quem escreveu o artigo explicou o que uma pessoa que está procurando emprego deve fazer, que atitudes tomar, que rotina deve ter. Ele dizia que a pessoa que está procurando emprego deve encarar essa PROCURA como se fosse o PRÓPRIO EMPREGO. Não poderia estar mais correto. Ele recomendava dedicar-se a isso em tempo integral, ou seja, 8 horas por dia, 44 horas por semana, com pausa para o almoço e descanso aos domingos.

Na verdade, ele me chocou profundamente, pois foi aí que me dei conta que procurar emprego é uma atividade que deve ser levada extremamente a sério. Há que se ter um método e segui-lo à risca, não se pode mandar um currículo aqui, outro acolá um dia sim, e uma semana não. É preciso enviar, no mínimo, uma porção de currículos por dia, caso contrário, o candidato nunca receberá ligações para entrevistas. Eu imediatamente comprei a ideia e a incorporei em minha vida. Assumi essa tarefa e levei muito a sério. Virei, praticamente, uma consultora de carreira e emprego do meu marido.

Durante as épocas em que eu preciso procurar emprego para ele, eu costumo mandar currículo durante meu horário de trabalho, quando estou em casa e aos finais de semana, religiosamente. Viro, praticamente, uma máquina de mandar currículos e faço isso sempre que necessário. Não relaxo nem durante os períodos em que meu marido está em meio a processos seletivos e quase nos finalmentes, pois essa é uma tarefa que não pode ser interrompida de maneira alguma. É preciso regularidade, disciplina e persistência.

Inicialmente, não deleguei essa tarefa a ele simplesmente porque achei que perderia quase toda a agilidade do processo por causa do idioma. É lógico que, por não ser falante nativo, ele levaria mais tempo para absorver as informações, a descrição da vaga e até poderia acabar disparando currículo para onde não deveria, além de não me informar em qual site de recursos humanos ele mandou, nem o nome da vaga. Sim, sou extremamente sistemática e metódica ao mandar currículos, anoto tudo em um caderno e gosto de ter controle absoluto das informações, saber exatamente quem está ligando para entrevistar, qual empresa, nome da vaga, etc. Hoje em dia, ele pode fazer isso tranquilamente, mas ficamos tão acostumados à nossa divisão de tarefas inicial, que isso parece não fazer sentido algum.

Ele geralmente não consegue acompanhar tudo que eu faço, pois são muitas vagas, muitos sites, muita coisa para ficar acompanhando detalhadamente, então ele nem se preocupa com isso, apenas se informa com mais profundidade sobre as vagas quando as empresas ligam atrás dele. Basicamente, ele segue as minhas instruções, e faz isso até hoje. Somos uma dupla bem afinada nesse aspecto, minha tarefa sempre foi a de pesquisar vagas, mandar currículos e procurar cursos de aperfeiçoamento, e a tarefa dele sempre foi estudar para as entrevistas e cursos.

Acredito que milhares de pessoas estão e continuam desempregada não só por causa das graves crises na economia que vão e vêm, mas também por não saber conduzir a procura por emprego de modo adequado e nem se preparar para isso. Mandar um currículo hoje e outro semana que vem é muita negligência. Talvez estrangeiro já saia em desvantagem só por ser estrangeiro, uma suposição, é claro, mas uma das grandes barreiras nessa procura é a dificuldade com o idioma, sem dúvida alguma.

Sempre que necessário, eu costumo procurar emprego de duas a seis horas por dia, dependendo do dia, é claro, e do meu estado de ânimo. Poucos são os dias em que eu fico procrastinando e me enrolando para mandar. Claro que isso acontece às vezes, não posso mentir, mas tento evitar e continuar a busca. Nem sempre consigo mandar mais de uma dezena de currículos diariamente, mas o importante é tentar, pesquisar e não perder o foco, porque se deixar, a gente relaxa mesmo, pois não é das tarefas mais agradáveis. Com o tempo, até acabei me acostumando a essa procura diária e cheguei a sentir falta quando não precisei mais procurar.

O engraçado é que tudo aquilo que eu nunca fiz por mim, fiz e ainda faço por ele. É bastante esforço, sim, mas sempre achei que meu relacionamento merecia, e ainda merece. Ele está aqui por mim e fazer isso por ele é o mínimo, afinal, vê-lo encaminhado, trabalhando, livre da pressão do desemprego, também é benéfico ao meu relacionamento, então continuo apoiando-o.

Atentem-se ao fato de que a partir do dia em que se começa a mandar currículo, demora um tempinho até que as empresas e consultorias comecem a ligar. Portanto, não esperem que já no dia seguinte comecem a receber ligações, porque não é assim que as coisas funcionam. Deve-se mandar diversos currículos diariamente e não deve criar expectativa alguma, pois só depois de um tempo começará a receber ligações e ainda assim apenas vez ou outra. Já mandei o currículo do marido para vagas as quais o currículo dele se encaixava perfeitamente e esperei por uma chamada que simplesmente nunca aconteceu. O contrário também já aconteceu muitas vezes, de eu mandar o currículo dele sem pretensão alguma, apenas por mandar por não acreditar que realmente ligariam e ser pega de surpresa por uma ligação inesperada. Sendo assim, aconselho que não vocês não façam planos mirabolantes e previsões mega, porque é bem provável que se frustem. Façam o que tem de ser feito, que é procurar emprego com vontade e assiduidade, que o resto vai se encaminhar.

No mais, tenha em mente o seguinte: persistência e paciência são as palavras-chaves, não as perca de vista, pois uma hora o resultado de tanto esforço aparece. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!