Fase de Adaptação do Estrangeiro no Brasil – Como Ocupar o Tempo e a Mente

Passadas as semanas iniciais aqui no Brasil, quando meu marido ainda estava conhecendo pessoas, explorando lugares e experimentando comidas, eu me preocupei em fazê-lo ter uma rotina. Já diz o ditado que a mente vazia é oficina do diabo, então tratei de não dar sorte ao azar. Acho mesmo que a rotina traz disciplina e nos ajuda a ordenar a vida em muitos aspectos.

Minha preocupação sempre foi em não deixá-lo se sentindo entediado ou deprimido pela falta do que fazer até que começasse a trabalhar, pois quem tem um parceiro estrangeiro morando no Brasil sabe que pode demorar um pouco para arranjar o primeiro emprego aqui se não houver dedicação total. Já falei um pouco sobre isso aqui e aqui. Foi pensando nisso foi que me preocupei seriamente em estabelecer uma rotina que aliviasse o stress dele por não trabalhar e não ter o que fazer.

Meu marido não é uma pessoa muito fácil de lidar e é claro que ele resistiu às minhas tentativas sutis de estabelecer rotina. Foi difícil conseguir dobrá-lo com as minhas sugestões e foram poucas as coisas as quais ele assentiu. Mas por saber da importância disso é que quero alertá-los, afinal, ninguém quer um parceiro nervoso em casa e que fique descontando suas frustrações nas pessoas ao redor.

Como eu já frequentava uma academia diariamente e sabia que ele também tinha gosto pela coisa, sugeri que fôssemos juntos malhar. Nem preciso comentar sobre os benefícios da atividade física no corpo e, principalmente, na mente. Ele aceitou numa boa e por vários meses frequentamos sem maiores problemas. Então uma rotina, um compromisso meu marido já tinha, ir à academia. Não me lembro exatamente o motivo pelo qual ele parou de ir naquela época, mas lembro que ele reclamava por não ter um parceiro para executar as séries de exercícios junto com ele. Passado um tempo, ele acabou sentido falta de se exercitar e retomou a rotina de exercícios na academia.

Estudar português é outra coisa que eu queria muito que fizesse parte da rotina diária dele, mas como já comentei aqui, em meu caso não deu muito certo por causa da preguiça dele. Se ele tivesse frequentado o curso de português como eu queria, teria ocupado boa parte do tempo indo para o curso, estudando, voltando, fazendo os exercícios em casa, etc. Juntando o tempo de estudo de português mais a academia, já preencheria uma tarde inteira de atividades, de segunda a sexta, o que eu não acho nada mau, pode não preencher o dia inteiro, mas meio período de atividades já estaria garantido e estaria mais do que bom. Não foi o nosso caso, mas tudo bem, pelo menos eu tentei.

Outra coisa que eu acho importante é ter horário para dormir e acordar. Não pensem que sou militar e extremamente rígida com horários e afazeres, ou então que trato meu respectivo como se fosse uma criança, longe disso, mas também não acho que não ter hora para dormir e nem para acordar seja algo bom de se fazer durante a semana. Sábado e domingo tudo bem, durma a hora que quiser, passe a noite acordado, mas de segunda a sexta não é uma boa ideia. Seu marido pode não trabalhar, mas você certamente tem um monte de coisa para fazer, inclusive acordar cedo. Eu costumo dormir tarde, dificilmente antes da meia-noite, mas meu marido, durante certo período, ficava no computador até muito mais tarde que isso e dormia até quase a hora do almoço. Eu não acho isso legal, especialmente porque fazendo assim, todos os dias parecem iguais e sem graça. Não há distinção entre dias de trabalho e dias de descanso, tudo vira descanso e quando tudo vira descanso, a pessoa pode se cansar também e passar a se sentir um pouco inútil. Lembre-se que ele não estará trabalhando e não ter afazeres acaba fazendo com que ele se sinta sem perspectivas também.

O que eu quero dizer com tudo isso é que vocês não devem perder o foco, seu parceiro estrangeiro muito provavelmente não veio para o Brasil para descansar e se divertir, ele veio para se estabelecer e quanto mais cedo ele se organizar e criar uma rotina, mais fácil serão todos os processos. Não quero dizer que enchê-lo de atividades durante o dia irá resolver os problemas, mas também não posso dizer que não será benéfico. E lembre-se que quanto mais contato ele tiver com as pessoas, mais desenvolto e independente ficará, o que é ótimo sob muitos aspectos.

Também não se deve poupá-lo da divisão das tarefas domésticas, como ele passará mais tempo em casa que você, ele deve colaborar com a manutenção das tarefas. E sabemos muito bem como ajudar cuidar da casa ocupa um belo tempo e a mente também. Pouca gente gosta, é óbvio, mas faz parte, não é mesmo?

Então, basicamente, não o deixe livre e solto para fazer (ou não fazer) o que quiser, sugira atividades com entusiasmo para que ele também se contagie e faça as coisas com vontade. Ficar dia e noite no computador é muito tentador, em especial se ele sentir muita falta da família, dos amigos, ou do seu próprio país e cultura, mas isso não é saudável em tempo integral e é certo que vai acabar atrapalhando o processo de adaptação até que ele se estabilize plenamente.

Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Autor: manualquasepratico

Brasileira, casada com um estrangeiro, atualmente vivendo e blogando no Brasil.

3 comentários em “Fase de Adaptação do Estrangeiro no Brasil – Como Ocupar o Tempo e a Mente”

  1. Estou adorando seu blog! Me identifico muito! Até agora não vi ninguém falar sobre isso! Adorei as dicas! Nos primeiros 6 meses foi um sufoco pois foi caindo na rotina sem trabalho e ainda tem a adaptação do horário. Com o ócio, ele ficava no skype de noite com os amigos do país dele e só sentia sono quando já estava amanhecendo, por causa disso dormia até tarde. Passei a forçar os horários e acordá-lo de manhã bem cedo nem que fosse pra andar na 25 de Março kkk e academia também é tudo de bom pra ele ficar mais calminho! rs
    beijosss

    1. hahaha… pois é, menina, esse é o abacaxi nosso de cada dia que temos que descascar rs… Apesar das coisas irem se ajustando muito lentamente, ao menos elas se ajeitam, né? kkkkkk… Mas até lá, só Deus mesmo para saber as poucas e boas que passamos!

      Beijão!

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