Trabalhos Freelance Bilíngues

Vez ou outra, antes de meu marido começar a trabalhar formalmente no Brasil, fazíamos alguns trabalhinhos como recepcionistas bilíngues em eventos diversos, coisa rápida, e que rendia um dinheiro extra sem maiores sacrifícios. Precisávamos apenas de um traje social, um sorriso no rosto e o inglês razoável, sem fluente precisava ser.

O trabalho pode durar uma manhã, uma tarde ou uma noite, talvez até um dia inteiro, dois ou uma semana toda. A diária, na época, girava em torno de 120 reais. Na última vez em que fomos convidados, ganhamos quase 500 reais em apenas dois dias, quer coisa melhor? Recepcionistas não bilíngues ganham menos, mas ainda assim vale a pena para ganhar uns bons trocos nas horas de folga.

Não me perguntem como arranjar esse tipo de freelance, porque eu não sei, meu caso era por conta de um contato imediato que eu tinha, alguém muito próximo da família, que foi quem nos convidou. Sempre que surgia uma oportunidade, aceitávamos prontamente, é lógico. Chegamos a ganhar um bom dinheiro com isso e até ficamos uma semana inteira em outra cidade, com hospedagem e alimentação pagos, sem contabilizar o valor das diárias. Por problemas de relacionamento com esse familiar, os contatos acabaram cessando. Faz parte.

A primeira vez que fomos convidados, meu marido já estava no Brasil havia seis meses, e seu português era básico do básico. Era um encontro médico com profissionais de vários países, dentre eles Suécia, Itália, Coréia do Sul, Japão, Inglaterra e Romênia. Quando solicitados, deveríamos auxiliar os convidados estrangeiros. Dentre os convidados do Reino Unido, havia um senhorzinho muito simpático, de seus 70 e poucos anos, com um inglês fofo, ele falava devagar normalmente e não porque éramos brasileiros, sua dicção era super clara e ele tinha aquele sotaque lindo que só os britânicos têm. Em compensação, havia um outro sujeito, inglês também, que eu simplesmente não entendia nada do que ele falava. O marido salvou a pátria, não só entendeu o que o rapaz dizia, como até hoje ele debocha de mim por causa da situação porque eu não estava entendendo patavinas. Disgramado! Talvez hoje em dia eu entendesse, ou não, porque para mim parecia que ele estava falando uma língua aborígene e não inglês! rs… Foi um pesadelo falar com o sujeito.

Sugiro, então, que vocês pesquisem na internet sobre recepção de eventos bilíngue, volte e meia empresas de eventos contratam, com certeza vale a pena dar uma olhada. O bom é que seu parceiro não precisa manjar muito de português para fazer isso, basta gastar o inglês (ou outra língua) à toa. É uma ótima pedida para preencher o tempo com uma atividade fácil e remunerada, em que se pode, inclusive, fazer uns contatos e sem se comprometer em horário integral, ou seja, será possível se dedicar a outras atividades paralelamente.

Fica a dica aos interessados. Se este post foi útil e esclarecedor, deixe seu comentário, curta e compartilhe! Obrigada!

Revalidação de Diploma Estrangeiro no Brasil

Quando ainda estava namorando, soube, muito vagamente, um pouco sobre revalidação de diploma estrangeiro no Brasil. Entretanto, meu conhecimento acerca do assunto só começou a tomar corpo e forma quando meu marido começou a mexer com a papelada para mudar-se permanentemente para o Brasil.

Acredito que a maioria saiba que há muitas profissões que somente podem ser exercidas em sua plenitude se você for associado, credenciado, inscrito no conselho de classe respectivo. Por exemplo: advogado. A pessoa que é formada em Direito e somente possui o diploma de Bacharel em Direito, NÃO pode advogar sem ser inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Para tanto, todos os bacharéis, aspirantes a advogados, devem prestar o Exame da Ordem. Caso sejam aprovados, serão agraciados com a famosa carteirinha da Ordem. Outro exemplo: engenheiro. O sujeito é graduado em Engenharia qualquer coisa (Mecânica, Elétrica, Produção, Química, etc.), para trabalhar como engenheiro pleno, assinando laudos técnicos e projetos sob sua responsabilidade, é preciso ser associado ao CREA (Conselho Regional de Engenharia). Mais um exemplo: médico. Mesma coisa, para clinicar e para toda e qualquer atividade na área médica, deve ser associado ao CRM (Conselho Regional de Medicina). E há inúmeros outros exemplos de profissões que requerem essas carteirinhas – fisioterapeuta, químico, arquiteto, dentista, etc.

Algumas profissões, como advogado, dentista e médico, possuem regras muito específicas e rígidas, e eles não podem exercer a profissão sem ser filiado e sem possuir a carteira de exercício profissional. Já vimos vários casos na mídia de médicos charlatões, que clinicavam mesmo sem nunca ter se formado em Medicina e outras bizarrices mais.

Tirando os profissionais da área de saúde e uma ou outra profissão de outras áreas, onde realmente não há escape e que, obrigatoriamente, devem possuir a carteira de registro profissional para exercer a profissão, as demais profissões podem ser exercidas sem esse registro. Aí surgem os cargos de supervisores, coordenadores, consultores, especialistas, analistas e assistentes das mais diversas áreas – jurídico, administrativo, contábil, engenharia, qualidade, etc.

Por que muitas empresas contratam profissionais sem o registro profissional? Porque se o registrarem como engenheiro, por exemplo, terão que pagar o salário mínimo básico da categoria respeitando a carga horária regulamentada, envolvendo conselho de classe, sindicato e tudo o mais. Ao contratá-lo como analista qualquer coisa, não terão obrigação alguma de pagar o salário básico de engenheiro. Lembrem-se que cada categoria profissional possui um piso salarial. É, basicamente, uma manobra para remunerar pior e não arcar com todos os ônus de uma contratação baseada em regras dos conselhos de classe. Há alguns cargos de analistas e outras designações que também exigem registro nos conselhos e o motivo é que, certamente, haverá laudos técnicos para assinar, termos de responsabilidade, etc.

É óbvio que, antes de mais nada, a pessoa deve ser devidamente graduada em um curso técnico ou superior, ou seja, ter um diploma, para depois se registrar nos conselhos correspondentes. Mas o que isso tudo tem a ver com o seu estrangeiro que está se mudando para o Brasil? Absolutamente tudo a ver.

Espera-se que seu parceiro seja, no mínimo, estudante e maior de 18 anos. Na verdade, acho mesmo que a maioria deve estar se relacionando com alguém já formado e, se não formado, que pelo menos exerça qualquer atividade profissional que seja. Essa publicação é direcionada, portanto, exclusivamente a quem se relaciona com alguém que tenha algum DIPLOMA no EXTERIOR e queira TRABALHAR no Brasil utilizando-se de seus conhecimentos técnicos adquiridos em seu país de origem. Em outras palavras, se o seu parceiro estrangeiro é médico, arquiteto, engenheiro, contador, ou qualquer outra coisa no exterior e quer se mudar para o Brasil e continuar trabalhando na área de formação, há uma possibilidade bem grande de ter de revalidar o diploma.

Então, só para reforçar a informação, se a profissão dele for uma dessas em que é necessário o registro no conselho de classe, muito provavelmente ele precisará passar pelo processo de REVALIDAÇÃO DE DIPLOMA antes. Lembrem-se bem disso e nunca mais esqueçam.

Como saber se essa revalidação é mesmo necessária para não gastar dinheiro e tempo à toa? Acesse o site do Conselho referente à profissão de seu estrangeiro em seu estado de domicílio ou verifique pessoalmente quais os documentos necessários para registro de PROFISSIONAL ESTRANGEIRO para que ele possa exercer a atividade aqui no Brasil. É quase certo que, dentre inúmeros documentos requeridos, um deles será a revalidação de diploma. Se não pedirem, pode comemorar, soltar fogos de artifício, pular uma micareta, fazer a dança da pizza, pois você teve muita sorte ao arranjar um marido com uma profissão “não problemática”.

Se o seu parceiro estrangeiro é médico, já pode começar a se descabelar, porque é elementar revalidar o diploma, até mesmo em caso de brasileiros que se graduaram em Medicina no exterior, como em Cuba, por exemplo. Há muitos brasileiros que cursam a faculdade lá e também em outros países da América do Sul em virtude do fácil ingresso comparado à dificuldade de ingressar nas faculdades de Medicina brasileiras com alta concorrência. Eles também precisarão revalidar seus respectivos idiomas para poderem trabalhar no Brasil.

Meu marido é engenheiro e pode trabalhar na área de formação dele mesmo sem ter o registro no CREA. Não pode ser registrado como engenheiro na carteira, claro, mas pode trabalhar como supervisor, coordenador, analista, etc. De qualquer forma, a maioria dos engenheiros trabalha nesses termos. Sendo assim, desistimos da revalidação e é pouco provável que isso aconteça um dia, simplesmente perdeu a razão de ser diante do desenrolar da carreira profissional dele aqui no Brasil.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Se você digitar “revalidação de diploma estrangeiro” em qualquer site de busca, um monte de resultado vai aparecer facilmente, mas o site que interessa mesmo é o do MECDiz lá que, atualmente, para ter validade nacional, o diploma de graduação estrangeiro tem de ser revalidado por universidade pública brasileira que tenha curso igual ou similar reconhecido pelo governo.

O que isso significa? Se o seu parceiro tem diploma de graduação e/ou pós-graduação obtido no exterior e quer que sua formação seja válida aqui no Brasil, então ele terá de procurar uma universidade pública, que pode ser a de seu estado mesmo, seja universidade federal ou estadual, para dar entrada no processo de revalidação. Foi isso, então, que eu e meu marido fizemos, fomos à universidade federal aqui do estado onde moramos e procuramos o setor que trata do assunto (em nosso caso foi o setor diplomas) para nos informar exatamente sobre como é procedimento, quanto tempo leva, documentos requeridos, etc.

Diz lá, ainda, que para obter a revalidação, os seguintes passos devem ser seguidos, segundo a legislação:

a) Entrar com um requerimento de revalidação em uma instituição pública de ensino superior do Brasil. De acordo com a regulamentação, apenas as universidades públicas podem revalidar diplomas:

São competentes para processar e conceder as revalidações de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.” (Art. 3º Res. nº 1, de 29 de janeiro de 2002)

ATENÇÃO AO SEGUINTE ITEM!!!

b) Deverão ser apresentados, além do requerimento, cópia do diploma a ser revalidado, instruído com documentos referentes à instituição de origem, duração e currículo do curso, conteúdo programático, bibliografia e histórico escolar;

c) O aluno deverá pagar uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas. O valor da taxa não é prefixado pelo Conselho Nacional de Educação e pode variar de instituição para instituição;

d) Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma Comissão Especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado;

e) Se houver dúvida quanto à similaridade do curso, a Comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em língua portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência;

f) O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas;

g) O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de 6 meses, a contar da data de entrada do documento na Ifes.

O Brasil não possui nenhum acordo de reconhecimento automático de diplomas; portanto, as regras são as mesmas para todos os países.

Esses são os requisitos gerais de acordo com o MEC. As universidades públicas que ofertam a revalidação de diploma também podem solicitar documentos extras, que foi o que aconteceu em nosso caso, mas nada muito excêntrico. O problema é, todos os documentos solicitados que não estejam redigidos em português, DEVEM SER LEGALIZADOS NO EXTERIOR E TRADUZIDOS POR TRADUTOR JURAMENTADO e foi por isso que tivemos que adiar nosso plano de revalidar o diploma naquela ocasião, porque a tradução de tudo sairia uma pequena fortuna. Fiz uma estimativa de valor e somente as traduções não sairiam por menos de 10 MIL REAIS em um prognóstico bem otimista. Uma vez, procurando relatos de quem já revalidou diploma estrangeiro no Brasil, li o caso de uma brasileira que se formou em Medicina no exterior e estava tentando revalidar seu diploma. Ela gastou em torno de 20 MIL REAIS nas traduções. Tudo bem que a documentação solicitada para quem quer revalidar diploma de médico é muito mais, mas mesmo assim, é muito dinheiro.

O problema é que você não tem garantia alguma de que seu diploma será revalidado ao final do processo, pode ser que a comissão avaliadora julgue a graduação cursada no exterior insuficiente e talvez o dinheiro gasto vá para o ralo. É um risco que se corre. Também há a possibilidade de se cursar as disciplinas faltantes ou cujo desempenho do aluno não tenha sido suficiente, o que também é um fator complicador da situação.

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No ícone regulamentação, está disposto o seguinte:

A revalidação de diploma de graduação expedido por estabelecimentos estrangeiros é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007, as quais dispõem o seguinte:

1. São competentes para processar e conceder a revalidação de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.

1.1.  O processo de revalidação de diplomas de graduação inicia-se com a homologação dos documentos relativos ao curso na Embaixada / Consulado brasileiro do país onde o estudante fez sua graduação;

2. Solicitação de requerimento de revalidação na universidade pública escolhida:

2.1. O processo de revalidação de diploma de graduação tem início, em cada instituição, no período correspondente ao seu calendário escolar;

2.2. O processo de revalidação será fixado pelas universidades quanto aos seguintes itens:

I – prazos para inscrição dos candidatos, recepção de documentos, análise de equivalência dos estudos realizados e registro do diploma a ser revalidado;

II – apresentação de cópia do diploma a ser revalidado, documentos referentes à instituição de origem, histórico escolar do curso e conteúdo programático das disciplinas, todos autenticados pela autoridade consular. Aos refugiados que não possam exibir seus diplomas e currículos admitir-se-á o suprimento pelos meios de prova em direito permitidos.

2.3. O aluno poderá pagar uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas;

3. Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma comissão especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado;

3.2. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em Língua Portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência;

3.3. O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas;

4. O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de seis meses, a contar da data de entrada do documento na instituição;

4.2. Da decisão caberá recurso, no âmbito da universidade, no prazo estipulado em seu regimento;

4.3. Esgotadas as possibilidades de acolhimento ao pedido de revalidação pela universidade, caberá recurso à Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE).

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Fizemos 2 traduções juramentadas de dois dos documentos solicitados, do diploma e do histórico escolar apenas, que, ao todo, somaram 5 míseras páginas. O valor da tradução foi de R$ 340, mais as cópias autenticadas delas, que custaram R$ 61, ou seja, quase R$ 400 só com tradução juramentada. Isso foi há mais de 5 anos, atualmente pode ser muito mais.

Supondo que o diploma seja revalidado, então é só ir ao Conselho Regional da categoria profissional e dar entrada no procedimento do registro do profissional, o que não é nada simples também, diga-se de passagem. Toda a documentação solicitada para instruir o processo de registro, que inclui o diploma já revalidado por universidade pública, é encaminhado para Brasília para que o Conselho Federal analise todos os documentos e defira o pedido de inscrição. Dizem que ele analisam tudo com uma lupa, portanto, acredito que aqui também se corre o risco de, mesmo tendo seu diploma revalidado, ainda assim não conseguir obter o registro no conselho respectivo se assim eles entenderem.

Agora você deve estar se perguntando, POR QUE TUDO ISSO?

A resposta é bem simples: para proteger o trabalho e o emprego do brasileiro, o que, cá entre nós, é uma besteira. Os trabalhadores brasileiros não são prejudicados pelos poucos estrangeiros que aqui vivem, mas são extremamente prejudicados por sucessivos governos corruptos que, além de desviarem fortunas em benefício próprio, ainda querem prejudicar todos os direitos trabalhistas e previdenciários conquistados pelos brasileiros. Situação difícil.

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Adaptação do Estrangeiro à Comida Brasileira

Em nosso caso, não foi, exatamente, adaptação do meu marido à comida brasileira, mas sim um malabarismo de minha parte para dar um jeito nele. No fim das contas, eu é que tive de me adaptar à ele e às suas chatices, pois além de chato, ele é muito exigente.

Eu nunca manjei muito de culinária por pura preguiça e admito isso sem rodeios. Essa história de que fulano ou fulana é um desastre na cozinha comigo não cola, isso não existe! Se a pessoa pegar uma receita de bolo e a seguir à risca, é óbvio que não tem como dar errado, pode não sair um “manjar dos deuses”, mas com certeza algo comível vai sair. Acho que todo mundo deveria saber se virar na cozinha, não é questão de talento, de jeito pra coisa, é necessidade e vontade, mesmo.  Nós precisamos comer e enquanto houver alguém cozinhando e servindo tudo fresquinho e na hora, é muito cômodo, mas e quando não houver? Vai viver de miojo e sanduíche? Vai tomar café, almoçar e jantar fora? Homem e mulher precisam se virar e cozinhar, ao menos, o trivial.

Em meu caso, como sempre tive alguém para cozinhar na casa da minha família, nunca tive muita prática, mas estava certa que, quando começasse a cozinhar frequentemente, não demoraria muito para que eu dependesse menos de receitas e ousasse mais, sem medidas exatas, improvisando combinações de temperos por erro e tentativa. Cozinhar não tem tanto segredo assim (ou talvez tenha, de acordo com os shows e competições de gastronomia que se popularizaram recentemente).

Pois bem. Até a chegada de meu marido, eu era do tipo cozinheira de fim de semana e gostava de fazer apenas junk food, tipo bolo, torta, pavê, trufa, sobremesas geladas, coxinha, pão de batata com catupiry e todas as gordices mais gordas do universo. Já prevendo que meu marido não iria curtir muito nossa comida, resolvi comprar um livro de receitas culinárias do país dele. Detalhe que não experimentei fazer absolutamente nenhuma receita antes de sua chegada.

Logo percebi que ele não seria feliz sem comer as comidas às quais ele estava acostumado. Ele começou a ficar um pouco incomodado e resolveu fazer sua própria comida. Deixei que fizesse, pois eu realmente não tinha a mínima noção de como combinar aqueles temperos todos. A sorte é que ele sabe cozinhar bem.

Como ele é muito preguiçoso, sabiamente começou a me incentivar a tentar minhas primeiras investidas naquela culinária exótica. Eu e minha santa ingenuidade achamos que estaríamos agradando e ajudando na adaptação. Tratei de usar o meu livrinho, pois não queria correr riscos desnecessários e fazer cagada. O começo nunca é muito satisfatório, mas digo que deu ao menos para o gasto. E assim nós fomos, alternando. Inicialmente mais ele cozinhava do que eu. Aí ele foi me dando dicas, ensinando-me a misturar todos aqueles temperos e, quando me dei conta, já estava cozinhando mais vezes que ele, lamentavelmente. Sim, porque não gosto dos afazeres domésticos e a maioria das vezes cozinhava somente para ele, por que ele não cozinhava então? De qualquer forma, depois de todo esse tempo em que ele está aqui, posso dizer que hoje eu manjo da coisa e há muitos pratos que eu faço muito melhor que ele. Acabei, então, superando o mestre, mas quisera eu nunca ter superado, pois acabei criando um monstrinho, ele nunca quer cozinhar, nem eu, aí fica aquele impasse. Tivemos várias discussões por causa disso, porque não sou obrigada e nem sou empregada de ninguém. Depois de muito stress, ele forçadamente entendeu meu recado e mudou um pouco sua atitude, mas vez ou outra ainda tenta resistir. 

Na prática, a coisa funciona assim, no almoço ele come o que tem, se não tem, ele tenta se virar. Antes até encarava o trivial arroz e feijão, mas logo percebeu que não gosta dessa combinação, então geralmente opta por comer uma salada acompanhada por frango ou ovo. Mas da janta não tem escapatória, é a comilança de lá que ele quer e tudo fresquinho, nada de requentar comida do dia anterior, ele detesta. Acho graça quando escuto essa mulherada de asiático fazendo mil planos, querendo aprender a fazer as comilanças de lá só para agradar. Atraso de vida, juro! Não quero dizer que não é legal aprender e fazer essa gentileza, agradar o amado, mas cuidado para não se escravizar e fazer do agrado uma obrigação. Foi o que aconteceu comigo e foi dureza cortar essa folga toda. Não passará!

Então, comer a comida daqui até que ele come, mas não sem antes fazer aquela cara de desânimo, chega a ser cômico. Eu nem tento mais incentivá-lo a experimentar coisas novas, porque sei que é difícil. Aos poucos, muito lentamente, ele está inserindo um ou outro hábito novo, mas é uma luta.

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Homesickness

Para quem ainda não sabe, homesickness é uma palavra inglesa que significa, basicamente, saudade de casa. Logo, você deve ter compreendido que essa palavra, um dia ou outro, fará parte da sua vida inevitavelmente caso você tenha um parceiro estrangeiro. Eu já passei e ainda passo maus bocados por causa dos efeitos da dita cuja (in)diretamente em minha vida e digo que não é fácil.

Quando eu morei no país de meu marido, eu não sofri nem um pouco de saudade de casa, talvez porque eu não tenha morado por anos no exterior. Apenas sei que em nenhum momento eu sofria por não estar em minha casa com minha família no Brasil, comendo as nossas comidas, nem nada. Às vezes eu sentia um desejo passageiro de comer algum doce especial que sempre costumava comer, mas o desejo por um docinho em nada se assemelha àquilo que homesickness realmente é. Eu gostei do lugar, das pessoas, da comida, da cultura, nada me fazia lembrar com nostalgia nem dor no coração ao pensar em meu lar e minha família no Brasil. Talvez o grande motivo tenha sido por não ter morado tanto tempo fora, ou então por não ter um relacionamento bem próximo com meus familiares. Sei, no entanto, de casos em que a pessoa, em apenas um mísero mês, já estava tendo ataques sérios de homesickness, o que mostra que isso é algo muito subjetivo, tem gente que sofre mais, tem gente que sofre menos e tem gente que nem chega a sofrer por causa disso.

Meu marido é um homesick diferenciado, em alguns aspectos ele é completamente homesick, em outros não é nada. Em seu primeiro mês no Brasil, tudo era alegria, gostou de tudo, de todos e não estava sentindo falta de absolutamente nada. Comeu quase tudo o que lhe foi oferecido e se esforçou para se ambientar. Mas isso não perdurou.

Primeiro sintoma que apareceu foi o fato de ficar na internet diariamente, por longos períodos, navegando em sites do país de origem dele, seja noticiário, entretenimento ou assistindo a filmes, absolutamente tudo de lá. É claro que queremos saber o que anda acontecendo em nosso próprio país, mas limitar-se somente a isso não é legal, em especial em um momento em que você deve se esforçar ao máximo para se integrar ao novo ambiente e se familiarizar mais e mais com o idioma. Sempre sugeri a ele que assistisse a alguns filmes brasileiros e que vez ou outra lesse algumas notícias sobre nosso país, mas não adiantou muito, ao menos naquele momento ele estava mais interessado pelas coisas de lá. Até quando assistimos a alguma coisa no computador juntos, nunca é nada daqui. Com relação a música, ele é mais espertinho. Aquelas mais populares, de maior sucesso, que tocam muito por aí acabam, naturalmente, chamando sua atenção, mas é só, no fim das contas, sou eu quem sabe muito mais das coisas de lá do que ele as daqui, mesmo ele morando no Brasil há um tempo considerável.

Mas, sem sombra de dúvida, a coisa que mais atrapalha a minha vida é a questão da comida. Meu marido vem de um país asiático e só de ler a palavra “asiático”, já dá para imaginar que se trata de hábitos alimentares muito diferentes dos nossos hábitos ocidentais. A comida que meu marido sempre foi habituado a comer sempre foi muito condimentada, o que muda completamente o gosto de um simples refogado de verdura. É lógico que ele não gostou do modo como temperamos a comida aqui, uma cebola picadinha, um dente de alho e uma pitada de pimenta e sal é tudo o que ele não quer comer, além de não comer carne bovina e suína, para piorar ainda mais o quadro.

Outra coisa foi o fato de querer falar com a família e amigos o tempo todo. Agora ele é mais comedido, mas por muito tempo a coisa era um exagero. Tudo bem sentir saudade da família, é normal, ele dizia que não sentia muita saudade deles, mas tinha a mania ou simplesmente o hábito de falar com eles diariamente por horas, não sei como tinha tanto assunto assim para conversar, eu sempre achei muito estranho aquele comportamento dele. E era sempre ele quem ligava para os familiares para que eles ficassem online para conversar, dificilmente o contrário. Quando esse exagero começou a afetar nosso relacionamento, tive de começar a reclamar, não houve jeito. Ele não gostou, é claro, alegou que não tinha muito o que fazer, o que me deixou mais irritada ainda, como assim não tinha muito o que fazer? Eu sempre procurei deixar bem claro que, se ele estava sentindo tanta necessidade assim de falar exaustivamente com os familiares, por que fez questão de vir morar no Brasil então? Aos poucos ele foi percebendo certas coisas e diminuindo aquele ritmo frenético, mas vez ou outra ainda dá umas escorregadas.

Apesar de todo esse homesickness dele, se você perguntar a ele se ele quer voltar ao país de origem para morar e não passear, a resposta será, obviamente, não, pelo menos não tão cedo. É meio contraditório, pois ele sente tanta falta disto e daquilo, nem eu entendo o caso direito. O fato é, ele gosta de morar aqui, mas percebo que as raízes são extremamente profundas e há coisas que, infelizmente, dificilmente irão mudar. Se tem um aspecto que eu lamento muito por ele, é pela falta que ele sente dos amigos. Incrivelmente, ele sente mais falta dos amigos do que da própria família. Não estou dizendo que ele não sinta falta da família, mas apenas que ele sente mais pelos amigos, pois antes mesmo de vir morar no Brasil, ele já morava longe da família, por causa dos estudos e do trabalho. Ele diz que sente falta de sentar e beber uns drinques com os amigos, falar besteira e coisas que só eles entendem, e eu entendo perfeitamente, especialmente pelo fato de que ele ainda não fez seus próprios amigos aqui.

Enfim, quem tem um estrangeiro em sua vida, uma hora ou outra vai passar por isso tudo, seja você mesmo ou seu parceiro, porque, invariavelmente, alguém estará distante de sua família, amigos e cultura. É bom se acostumar com isso.

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Fase de Adaptação do Estrangeiro no Brasil – Como Ocupar o Tempo e a Mente

Passadas as semanas iniciais aqui no Brasil, quando meu marido ainda estava conhecendo pessoas, explorando lugares e experimentando comidas, eu me preocupei em fazê-lo ter uma rotina. Já diz o ditado que a mente vazia é oficina do diabo, então tratei de não dar sorte ao azar. Acho mesmo que a rotina traz disciplina e nos ajuda a ordenar a vida em muitos aspectos.

Minha preocupação sempre foi em não deixá-lo se sentindo entediado ou deprimido pela falta do que fazer até que começasse a trabalhar, pois quem tem um parceiro estrangeiro morando no Brasil sabe que pode demorar um pouco para arranjar o primeiro emprego aqui se não houver dedicação total. Já falei um pouco sobre isso aqui e aqui. Foi pensando nisso foi que me preocupei seriamente em estabelecer uma rotina que aliviasse o stress dele por não trabalhar e não ter o que fazer.

Meu marido não é uma pessoa muito fácil de lidar e é claro que ele resistiu às minhas tentativas sutis de estabelecer rotina. Foi difícil conseguir dobrá-lo com as minhas sugestões e foram poucas as coisas as quais ele assentiu. Mas por saber da importância disso é que quero alertá-los, afinal, ninguém quer um parceiro nervoso em casa e que fique descontando suas frustrações nas pessoas ao redor.

Como eu já frequentava uma academia diariamente e sabia que ele também tinha gosto pela coisa, sugeri que fôssemos juntos malhar. Nem preciso comentar sobre os benefícios da atividade física no corpo e, principalmente, na mente. Ele aceitou numa boa e por vários meses frequentamos sem maiores problemas. Então uma rotina, um compromisso meu marido já tinha, ir à academia. Não me lembro exatamente o motivo pelo qual ele parou de ir naquela época, mas lembro que ele reclamava por não ter um parceiro para executar as séries de exercícios junto com ele. Passado um tempo, ele acabou sentido falta de se exercitar e retomou a rotina de exercícios na academia.

Estudar português é outra coisa que eu queria muito que fizesse parte da rotina diária dele, mas como já comentei aqui, em meu caso não deu muito certo por causa da preguiça dele. Se ele tivesse frequentado o curso de português como eu queria, teria ocupado boa parte do tempo indo para o curso, estudando, voltando, fazendo os exercícios em casa, etc. Juntando o tempo de estudo de português mais a academia, já preencheria uma tarde inteira de atividades, de segunda a sexta, o que eu não acho nada mau, pode não preencher o dia inteiro, mas meio período de atividades já estaria garantido e estaria mais do que bom. Não foi o nosso caso, mas tudo bem, pelo menos eu tentei.

Outra coisa que eu acho importante é ter horário para dormir e acordar. Não pensem que sou militar e extremamente rígida com horários e afazeres, ou então que trato meu respectivo como se fosse uma criança, longe disso, mas também não acho que não ter hora para dormir e nem para acordar seja algo bom de se fazer durante a semana. Sábado e domingo tudo bem, durma a hora que quiser, passe a noite acordado, mas de segunda a sexta não é uma boa ideia. Seu marido pode não trabalhar, mas você certamente tem um monte de coisa para fazer, inclusive acordar cedo. Eu costumo dormir tarde, dificilmente antes da meia-noite, mas meu marido, durante certo período, ficava no computador até muito mais tarde que isso e dormia até quase a hora do almoço. Eu não acho isso legal, especialmente porque fazendo assim, todos os dias parecem iguais e sem graça. Não há distinção entre dias de trabalho e dias de descanso, tudo vira descanso e quando tudo vira descanso, a pessoa pode se cansar também e passar a se sentir um pouco inútil. Lembre-se que ele não estará trabalhando e não ter afazeres acaba fazendo com que ele se sinta sem perspectivas também.

O que eu quero dizer com tudo isso é que vocês não devem perder o foco, seu parceiro estrangeiro muito provavelmente não veio para o Brasil para descansar e se divertir, ele veio para se estabelecer e quanto mais cedo ele se organizar e criar uma rotina, mais fácil serão todos os processos. Não quero dizer que enchê-lo de atividades durante o dia irá resolver os problemas, mas também não posso dizer que não será benéfico. E lembre-se que quanto mais contato ele tiver com as pessoas, mais desenvolto e independente ficará, o que é ótimo sob muitos aspectos.

Também não se deve poupá-lo da divisão das tarefas domésticas, como ele passará mais tempo em casa que você, ele deve colaborar com a manutenção das tarefas. E sabemos muito bem como ajudar cuidar da casa ocupa um belo tempo e a mente também. Pouca gente gosta, é óbvio, mas faz parte, não é mesmo?

Então, basicamente, não o deixe livre e solto para fazer (ou não fazer) o que quiser, sugira atividades com entusiasmo para que ele também se contagie e faça as coisas com vontade. Ficar dia e noite no computador é muito tentador, em especial se ele sentir muita falta da família, dos amigos, ou do seu próprio país e cultura, mas isso não é saudável em tempo integral e é certo que vai acabar atrapalhando o processo de adaptação até que ele se estabilize plenamente.

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